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Textos com Etiquetas ‘Mercosul’

Na Argentina, Mantega defende mecanismos regionais para conter crise

Mantega defendeu a redução das barreiras comerciais e financeiras entre os países da região

Por Marcia Carmo – BBC Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta sexta-feira em Buenos Aires a adoção de mecanismos regionais para conter possíveis efeitos da crise internacional na América Latina.

“Precisamos aumentar a integração e fortalecer, neste momento, as instituições que já estão criadas (para reduzir o impacto da crise)”, disse Mantega.

Segundo ele, para continuar sendo um dos pólos de desenvolvimento do mundo, as barreiras comerciais e financeiras entre os países da região deverão ser reduzidas.

As declarações de Mantega foram feitas no intervalo de uma reunião de ministros da área econômica e representantes dos bancos centrais da Unasul, que terminou nesta sexta, na capital argentina.

“Ficou decidido que nós temos que nos preparar para os eventuais agravamentos da crise que possam nos afetar”, afirmou o ministro.

“E nos preparar também para uma crise mais longa dos países avançados, aproveitando a situação que existe hoje na América Latina, que é uma situação melhor, onde todos os países crescem mais.”

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Argentina não cumpre acordo para liberar cargas brasileiras em menos de 60 dias

Mais de um mês após o encontro da ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pouca coisa mudou nas fronteiras do parceiro de Mercosul em relação aos exportadores brasileiros. Na época, foi firmado um compromisso de respeito ao prazo máximo de 60 dias para liberação de produtos importados, como recomenda a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Por Luciene Cruz – Agência Brasil

No entanto, segundo exportadores nacionais, a relação comercial com os vizinhos do Sul permanece difícil e os produtos brasileiros continuam sendo retidos pela burocracia argentina por períodos superiores aos aceitos pela OMC. Segundo resposta oficial enviada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), “não houve nenhuma mudança na relação comercial dos dois países. Tudo continua muito crítico”.

O mesmo ocorre no segmento de calçados. O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, confirma que o acordo não está sido cumprido. “O acordo não aconteceu. As mercadorias continuam presas. Temos produtos esperando liberação desde março”, reclamou.

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Uruguai se esforça para reduzir dependência do Mercosul

Por Renata Giraldi – Agência Brasil

Com pouco mais de 3,3 milhões de habitantes, o Uruguai registra um dos melhores índices de qualidade de vida da América do Sul. Pelo menos 97% da população são alfabetizados e a média de vida é superior a 76 anos. Ao assumir o governo em março de 2010, o presidente uruguaio, José Pepe Mujica, lançou planos de combate à pobreza e ao desemprego. Também estimula para que a economia uruguaia se diversifique, reduzindo a dependência do Brasil e da Argentina.

A sociedade uruguaia luta para vencer o desemprego e manter a economia menos vulnerável às flutuações nos preços das commodities (produtos básicos com cotação internacional), uma vez que o país depende do comércio em especial das exportações agrícolas.

Os esforços têm surtido efeito, com a redução do desemprego desde 2008. Nos últimos anos, o Uruguai passou a estimular as pesquisas e o desenvolvimento, o uso comercial de tecnologias e está em primeiro lugar na exportação de software (programa de computador) da América Latina. Paralelamente, o governo Mujica tenta saldar o pagamento da dívida externa do Uruguai.

A agricultura ainda é a base da identidade econômica do Uruguai. Somente esse setor é responsável por cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB), o que coloca o país entre grandes exportadores agrícolas, como o Brasil, o Canadá e a Nova Zelândia.

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Dilma vai ao Uruguai visando reforçar integração regional

A presidente do Brasil Dilma Rousseff embarca nesta segunda-feira para o Uruguai. A visita de trabalho de apenas 5 horas visa impulsionar obras de integração e a cooperação cientifica entre os dois países. Na reunião com o presidente uruguaio José Mojica, em Montevidéu, vários acordos bilaterais serão assinados.

Da RFI

A visita de Dilma Rousseff ao Uruguai é a terceira viagem oficial da presidente ao exterior desde que assumiu o poder. Ela estará acompanhada por uma delegação composta por oito ministros. Dilma chega a Montevidéu no final da manhã desta segunda-feira e será recebida no aeroporto pelo presidente uruguaio José Mojica. Em seguida, ela visita o Laboratório Tecnológico do Uruguai para conhecer o centro de desenvolvimento de conteúdos e o laboratório de TV digital, baseado no sistema brasileiro-japonês.

A reunião de trabalho com o presidente José Mojica acontece no Palácio Santos, antes de um almoço oferecido pela presidência uruguaia a Dilma. Na pauta das discussões, várias obras de infraestrutura para reforçar a integração entre o Brasil e Uruguai por estrada, ferrovia e hidrovia que podem ampliar o comércio entre os dois países.

Diversos acordos de cooperação científica e tecnológica serão assinados entre os dois presidentes. Eles visam entre outras coisas, o ensino do português aos policias de fronteiras uruguaios ou o desenvolvimento de programas de informática para melhorar o censo da população. Segundo a embaixada brasileira em Montevidéu, a viagem da presidente brasileira dará continuidade a agenda bilateral em andamento de dois países que têm uma fronteira em comum que não é um marco divisório, mas um traço de união.

Dilma Rousseff volta para Brasília no final da tarde, após cinco horas de visita a Montevidéu.

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O Brasil na vida cotidiana argentina

É o principal destino das exportações e a primeira origem das importações; 82% dos automóveis argentinos vai para lá; a chegada de turistas brasileiros duplicou em 2010; ocupa o quarto lugar como investidor externo e suas empresas dominam em carne, cimento e sapatos.

Por Emilia Subiza – La Nacion – Tradução por Sandro Araújo

Arte: La Nación

Denomina-se “engrenagem” o mecanismo utilizado para transmitir potência de um componente a outro dentro de uma máquina. Praticamente assim funciona dentro do contexto econômico do Mercosul a relação bilateral do Brasil com a Argentina.

Desde as variáveis macroeconômicas e também desde o consumo, o Brasil se faz cada vez mais relevante para a Argentina. Para lá se destinam 21% de todas as exportações, sendo 42% das industriais e se concentra 31% de nossas compras no exterior. O aumento de seu capital ganha cada vez mais relevância; já ocupa o quarto lugar em importância em todos os investidores externos que chegam ao país. O aumento de seus turistas, que duplicou no ano passado, representa um boom em hotéis, restaurantes, comércio e transporte.

“O Brasil é a oitava economia do mundo, está no caminho para ser a sétima e superar a Itália em breve. Não há parte significativa na indústria e serviços da Argentina em que não tenha participação. A relação bilateral se fez muito mais estreita que na década anterior”, diz o economista da Fundación Standard Bank, Raúl Ochoa.

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Brasil: Sócio, patrão ou rival?

Por Raúl Rivera – Tradução por Sandro Araújo

Raúl Rivera - Chileno, empreendedor social e autor do livro Nuestra Hora

Nos últimos anos tem sido instalada com força a idéia de que o Brasil está chamado a converter-se na potência hegemônica na América do Sul. Com quase 200 milhões de habitantes, um território similar em tamanho ao estadunidense e ao chinês e uma economia de 2 trilhões de dólares (PPP), este membro do BRIC, candidato a representar a nossa região no Conselho de Segurança da ONU, sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, claramente se perfilha como uma nova potência mundial.

Ainda que esta visão do Brasil seja novidade para muitos na América Latina, não o é para os historiadores, os especialistas em geopolítica e nem menos para seus próprios líderes. O Brasil já era uma potência imperial na época em que o resto da região lutava para deixar de ser colônia européia. Entre 1808 e 1821 se regeram a partir do Brasil os destinos de um império global que abarcava Portugal, vários territórios africanos (Angola e Moçambique) e asiáticos (Macau), incluindo alguns trechos da Índia. Quando o rei português João VI abandonou o país, o Brasil ratificou sua vocação imperial nomeando imperador a seu filho Pedro I e logo ao filho deste, Pedro II, que ocupou o trono até que os militares o derrubassem faz pouco mais de um século, proclamando a república.

O forte aumento do poderio militar brasileiro durante a última década é consistente com esta vocação hegemônica: somente em 2008, Lula aumentou o gasto militar em 60% e o país espera contar com (pelo menos) três submarinos nucleares em meados desta década. Logo o Brasil contará com a capacidade de derrotar ao primeiro golpe – ou ao menos intimidar decisivamente – a qualquer possível rival regional. Seu principal rival histórico, a Argentina, hoje economicamente ilhada sob o abraço sufocante do Mercosul, não representa uma ameaça, já que está muito debilitada no plano militar. O Paraguai e o Uruguai, dois países pequenos, também estão inseridos na órbita brasileira. Associada ao Brasil para explorar suas reservas de gás, a Bolívia compartilha com seu novo sócio estratégico um interesse na saída para o Pacífico.

Esta vocação hegemônica do Brasil, inteiramente compreensível e respeitável a partir de sua própria ótica e tradição histórica, resulta no entanto algo problemática para o resto dos países sul-americanos, já que requer dos mesmos um alto grau de submissão à vontade de Brasília.

Então? Os presidentes do Chile, Peru e Colômbia manifestaram recentemente em Mar del Plata sua vontade de avançar para uma maior integração de seus três países. Estes já representam um mercado sub-regional de mais de 100 milhões de consumidores e quase um trilhão de dólares de PIB (PPP), unidos por Tratados de Livre Comércio entre eles e com a União Européia e os EUA. Este parece ser o caminho mais pragmático e prometedor para uma integração regional mais ampla, com estes três países como “núcleo duro”, análogo ao papel que Alemanha e França desempenharam no processo de construção européia. Um processo assim, firmemente ancorado nos princípios de uma economia de mercado aberta ao mundo, torna possível que os demais países latino-americanos possam ir se somando gradualmente, à medida que assumem este modelo como próprio.

O México, integrado comercialmente com estes três países mediante tratados bilaterais de livre comércio já está dando claros sinais de querer se somar ao grupo. E não é o único país a fazê-lo. De uma só tacada, ele duplicaria o tamanho deste novo mercado sub-regional, tornando-o maior e mais aberto ao mundo que o brasileiro, cujas tendências protecionistas são já bastante conhecidas.

O Brasil deve estar seguindo estes movimentos com grande interesse. Tem ao menos três opções: a primeira é perseverar em seu projeto hegemônico à margem do que fazem os outros. A segunda é perseverar e se opor ao processo, resignar-se e tolerar o inevitável. Por último, está somar-se ao grupo. Minha aposta? A justificada confiança do Brasil em suas habilidades diplomáticas o levará a optar pela terceira opção, na esperança de controlar do lado de dentro a evolução do processo integracionista.

A ocorrer, uma nova era de crescente prosperidade se abrirá na região. Recorde: você leu aqui primeiro.

O artigo foi originalmente publicado na América Economía e a tradução e publicação neste Blog foram autorizadas diretamente pelo autor.
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Senado aprova adesão da Venezuela ao Mercosul

Luciana Lima – Agência Brasil

Brasília – Por 35 votos a favor e 27 votos contrários, o Senado aprovou hoje (15) o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. A questão provocou uma disputa entre a oposição e a base governista. Os oposicionistas não admitiam a entrada de um país sob “um regime autoritário” comandado pelo presidente Hugo Chávez. Já os governistas destacaram a necessidade do intercâmbio comercial com o país vizinho e procuraram desvincular a Venezuela do seu presidente.

Com a aprovação do Senado, a adesão será promulgada pelo Presidente da República. No entanto, mesmo com a aprovação do protocolo, a entrada da Venezuela no Mercosul ainda não está garantida. Ainda falta a aprovação do Paraguai, que adiou para 2010 a discussão sobre o assunto. O presidente paraguaio Fernando Lugo, sem apoio no Congresso, preferiu adiar o debate.

Leia mais no sítio da Agência Brasil

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Presidente da Argentina vê o país na condição de parceiro menor do mercosul

Do Jornal Valor Econômico (Edição de 8 de dezembro):

A presidente Cristina Kirchner deixou de lado a tradicional disputa com o Brasil pela liderança na região e colocou a Argentina na condição de parceiro menor do Mercosul. Cristina disse que este é o momento de debater os desequilíbrios do bloco “analisando os números de suas economias e os termos de intercâmbio”. Para isso, lembrou a União Europeia e o papel de liderança exercido pela Alemanha na integração do bloco, em razão do “tamanho de sua economia”. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, criticou a “agenda defensiva e protecionista” dos países do Mercosul. Ele disse que as vendas paraguaias ao bloco caíram 32% no ano e a balança comercial teve déficit de US$ 600 milhões. (Grifo meu)

Comentário: É um fato tão inusitado que por si só demonstra o quão baratinada está a Argentina. Enquanto o Real tem se valorizado frente ao dólar (em grande parte pela entrada enorme de divisas), a moeda argentina permanece em cotação superior a 3×1 em relação à americana. Nesta condição, um Real compra dois Pesos! Pelo histórico, o Brasil deve manter ressalvas a esta “mudança de posição”. Por outro lado, caso as assimetrias entre os países do Mercosul fossem de fato consideradas para a tomada de novos avanços, é de se crer que o bloco poderia enfim almejar uma futura União Sulamericana, a exemplo da União Européia. No caso dos “irmãos do velho mundo”, França e Alemanha trouxeram para si o papel de motor do bloco e financiaram a correção de distorções dos outros sócios. No nosso caso talvez coubesse ao Brasil (e é isto que sugere a Presidente da Argentina) o papel de financiador. Uma pré-condição para tal seria exatamente o reconhecimento explícito daquele país de que o Brasil exerce papel de liderança. Poderiam começar por nos apoiar na busca pelo assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o que ainda não o fizeram.

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