FHC revela que assinou sem ler o decreto que permite sigilo eterno de documentos secretos
Comentário: Por mais paradoxal que pareça, é comum que altos executivos até presidentes assinem documentos sem conhecimento pleno do seu conteúdo. Durante a campanha eleitoral de 2010 a então candidata Dilma Rousseff assinou sem ler seu plano de governo. E isso rendeu centenas de matérias na mídia pátria: “como pode alguém querer governar o país sem sequer ler o que assina?”. No caso de FHC, talvez seja mais “prático” dizer que assinou sem ler a assumir a responsabilidade pelo tal “sigilo eterno”. Ambas as atitudes são condenáveis. Mas ao que parece FHC preferiu passar por inepto a protetor da censura. Jogando pra plateia?
“[Assinei] Uma pilha de documentos e só vi dois anos depois”
Por Priscilla Mazenotti – Agência Brasil
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem (30) que não vê mais razão para manter em sigilo eterno documentos do governo. Homenageado por seu partido, o PSDB pela passagem de seus 80 anos, que completou no último dia 18, o ex-presidente revelou que assinou sem ler o decreto que permite manter em segredo, por tempo indeterminado, documentos oficiais do governo.
“Não precisa ter sigilo eterno. Mas podem me perguntar: ‘Por que você fez?’. Fiz sem tomar conhecimento, no último dia de mandato. [Assinei] Uma pilha de documentos e só vi dois anos depois”, disse Fernando Henrique. “Mandei reconstituir para saber o que era. Agora, o presidente da República pode alterar o sigilo. Então, não vejo mais razão para sigilo”, acrescentou.
Há dois anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um projeto ao Congresso Nacional propondo a redução do tempo máximo que o governo pode manter em sigilo documentos oficiais, de 30 para 25 anos. Pela proposta, em tramitação no Senado, o prazo do sigilo poderia ser renovado indefinidamente, a critério do governo.
