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	<title>Blog Sandro Araújo &#187; Brasil</title>
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	<description>Economia, Política, Opinião, Variedades…</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 23:06:12 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Davos: América Latina é um &#8220;oásis&#8221; de estabilidade e crescimento</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 11:43:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Da Agência Lusa, via Agencia Brasil, com adaptações No contexto de incerteza que domina a atual crise econômico-financeira internacional, a América Latina foi identificada como um “oásis” de estabilidade, crescimento e oportunidades durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que terminou dia 29. O pessimismo justifica-se com a falta de soluções para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Da Agência Lusa, via Agencia Brasil, com adaptações</em></p>
<p style="text-align: justify;">No contexto de incerteza que domina a atual crise econômico-financeira internacional, a América Latina foi identificada como um “oásis” de estabilidade, crescimento e oportunidades durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que terminou dia 29.</p>
<p style="text-align: justify;">O pessimismo justifica-se com a falta de soluções para o problema da dívida soberana da zona do euro, a lentidão de recuperação dos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento dos países emergentes, enquanto o otimismo aumenta do lado dos países latino-americanos, como adianta a agência de notícias espanhola EFE.</p>
<p style="text-align: justify;">Presidentes e ministros dessa região do globo tiveram de cumprir agendas bastante apertadas, devido às reuniões sucessivas com responsáveis de multinacionais e de grandes empresas. “Francamente, não tivemos tempo para mais nada, a não ser reuniões, receber empresários e investidores interessados nos setores mineral e energético da Colômbia”, comentou à EFE o ministro colombiano da Energia e Minas, Mauricio Cárdenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, esta edição de Davos foi bastante diferente das anteriores, em que o “apetite” estava direcionado para os grandes países emergentes, em particular China e Índia que, este ano, assumiram mais nitidamente o seu novo papel de países investidores também à procura de oportunidades de negócio na América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;">Os governos tentam igualmente aproveitar o Fórum de Davos para ajudar as suas empresas a fazer negócios no estrangeiro, caso do ministro das Relações Exteriores da Austrália, Kevin Rudd, que esteve reunido com o chanceler peruano, Rafael Roncagliolo. “A razão dessa reunião é porque olhamos para a América como um pilar sólido de crescimento econômico global nas próximas décadas e queremos estreitar relações agora”, explicou Rudd.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo vários políticos e empresários, ao contrário do que acontecia no ano passado, o interesse na América Latina permite aos investidores escolher os investimentos que melhor correspondem aos critérios de responsabilidade ecológica e social dos seus governos, particularmente na indústria de minérios e de recursos não renováveis.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2012%2F02%2Fdavos-america-latina-e-um-oasis-de-estabilidade-e-crescimento%2F&amp;title=Davos%3A%20Am%C3%A9rica%20Latina%20%C3%A9%20um%20%26%238220%3Bo%C3%A1sis%26%238221%3B%20de%20estabilidade%20e%20crescimento" id="wpa2a_2"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Brasil é o primeiro país a gerar energia limpa a partir de biocombustível na Antártica</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 13:11:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Defesa]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[Em uma iniciativa pioneira, o Brasil vai iluminar a Estação Antártica Comandante Ferraz com um motogerador a etanol. A ação faz parte da comemoração dos 30 anos da Estação, operada pela Marinha do Brasil, e conta com a parceria da Vale Soluções em Energia (VSE) e da Petrobras. Do Ministério da Defesa (adaptado) Em 10 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Em uma iniciativa pioneira, o Brasil vai iluminar a Estação Antártica Comandante Ferraz com um motogerador a etanol. A ação faz parte da comemoração dos 30 anos da Estação, operada pela Marinha do Brasil, e conta com a parceria da Vale Soluções em Energia (VSE) e da Petrobras.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Do Ministério da Defesa</em> (adaptado)</p>
<p style="text-align: justify;">Em 10 de janeiro, o ministro da Defesa, Celso Amorim, esteve na Antártica para visitar a Estação, onde dará partida na operação do motogerador a etanol, que tem capacidade de suprir, com folga, toda a energia necessária às operações e aos programas científicos lá realizados.</p>
<div id="attachment_2466" class="wp-caption alignright" style="width: 470px"><a href="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2012/01/energia02.jpg"><img class="size-full wp-image-2466" title="Estação Comandante Ferraz" src="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2012/01/energia02.jpg" alt="Estação Comandante Ferraz" width="460" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Energia limpa na Antártida</p></div>
<p style="text-align: justify;">A partir do evento, o motogerador passará a operar continuamente na Antártica, dando início ao programa científico que faz do Brasil o primeiro país do mundo a utilizar biocombustível para produção de energia no continente.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Celso Amorim, a iniciativa brasileira é digna de celebração, pois coloca o país em destaque no cenário tecnológico mundial e alinhado com a meta da <acronym title='Organização das Nações Unidas'>ONU</acronym>, que declarou 2012 como o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O projeto</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O motogerador a etanol brasileiro foi desenvolvido com tecnologia totalmente nacional e gera energia limpa, sem qualquer tipo de aditivo, a partir de um sofisticado equipamento de controle e comando via internet. A tecnologia foi desenvolvida pela VSE, uma empresa da Vale e do BNDES.</p>
<p style="text-align: justify;">A Petrobras fornece 350 mil litros de etanol, idêntico ao utilizado nos veículos nacionais, e fará o acompanhamento tecnológico para validar a utilização do biocombustível em condições climáticas severas.</p>
<p style="text-align: justify;">O projeto é beneficiado pela Lei da Inovação, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que promove e incentiva o desenvolvimento de produtos e processos inovadores voltados para atividades de pesquisa.</p>
<p style="text-align: justify;">O equipamento e o biocombustível partiram em outubro do Brasil para a Antártica no navio de Pesquisas Oceânicas Ary Rongel. Em seguida, uma equipe de engenheiros brasileiros partiu para o continente para realizar as instalações e os testes necessários ao funcionamento do equipamento.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de agora e durante um ano, o motogerador vai operar em total sincronismo com os motogeradores já existentes a diesel, preservando o parque energético atual como uma medida adicional de segurança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Estação Antártica Comandante Ferraz</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A estação brasileira é operada pela Marinha do Brasil e foi instalada na Baía do Almirantado, localizada na Ilha Rei George, no verão de 1984. A partir de 1986, passou a ser ocupada anualmente e guarnecida por militares da Marinha do Brasil e pesquisadores, podendo acomodar até 58 pessoas. A estação possui laboratórios destinados às ciências biológicas, atmosféricas e químicas.</p>
<div id="attachment_2467" class="wp-caption alignright" style="width: 330px"><a href="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2012/01/energia01.jpg"><img class="size-full wp-image-2467" title="Estação Comandante Ferraz" src="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2012/01/energia01.jpg" alt="Novo gerador a Etanol: energia limpa" width="320" height="235" /></a><p class="wp-caption-text">Novo gerador a Etanol: energia limpa</p></div>
<p style="text-align: justify;">A partida na operação do motogerador a etanol é um dos eventos que marcam os 30 anos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), gerenciado pela Marinha por meio da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM).</p>
<p style="text-align: justify;">Criado em janeiro de 1982, o Proantar tem realizado importantes pesquisas científicas em diversas áreas de conhecimento, de forma a respaldar a condição do Brasil de membro consultivo do Tratado da Antártica, assegurando a participação nacional nos processos decisórios relativos ao futuro daquele continente.</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanham o ministro da Defesa na missão à Antártica o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2012%2F01%2Fbrasil-e-o-primeiro-pais-a-gerar-energia-limpa-a-partir-de-biocombustivel-na-antartica%2F&amp;title=Brasil%20%C3%A9%20o%20primeiro%20pa%C3%ADs%20a%20gerar%20energia%20limpa%20a%20partir%20de%20biocombust%C3%ADvel%20na%20Ant%C3%A1rtica" id="wpa2a_4"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Visita de Dilma a Cuba é dominada por temas econômicos</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 23:25:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>

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		<description><![CDATA[Agenda da presidente Dilma Rousseff prevê visita às obras de expansão do Porto de Mariel, financiadas pelo BNDES. Apesar das pressões, ela deve evitar comentários sobre direitos humanos, opinam especialistas. Por Mariana Santos &#8211; Deutsche Welle Brasil Nesta segunda-feira (30/01) a presidente Dilma Rousseff desembarca em Havana para a sua primeira visita a Cuba como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Agenda da presidente Dilma Rousseff prevê visita às obras de expansão do Porto de Mariel, financiadas pelo BNDES. Apesar das pressões, ela deve evitar comentários sobre direitos humanos, opinam especialistas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Mariana Santos &#8211; <a href="http://dwelle.de/dw/article/0,,15699817,00.html" target="_blank">Deutsche Welle Brasil</a></em><a href="http://dwelle.de/dw/article/0,,15699817,00.html" target="_blank"><br />
</a></p>
<p style="text-align: justify;">Nesta segunda-feira (30/01) a presidente Dilma Rousseff desembarca em Havana para a sua primeira visita a Cuba como chefe do governo brasileiro. O objetivo da visita de dois dias ao país, segundo o Itamaraty, é apoiar medidas de abertura econômica adotadas pelo presidente cubano, Raúl Castro, e firmar o Brasil como importante parceiro do país em várias áreas, incluindo agricultura, segurança alimentar, saúde e produção de medicamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Da agenda da ex-militante de esquerda, que chegou a ser torturada durante a ditadura militar, não devem constar temas como direitos humanos ou liberdade de expressão, calcanhares de Aquiles do regime comunista comandado por Castro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas pressão para que ela comente a atual situação em Cuba não deve faltar. Dilma chegará à ilha caribenha poucos dias após a morte do preso político Wilmar Villar Mendoza, que no último dia 19 sucumbiu após uma greve de fome em protesto contra sua detenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Coincidentemente, a visita do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cuba, em fevereiro de 2010, também foi marcada pela morte de um dissidente do governo Castro que fazia greve de fome. À época, Lula fora bastante criticado por não ter externado apoio aos prisioneiros políticos nem ter condenado a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">A visita de Dilma se dá ainda no momento em que a conhecida blogueira cubana Yoani Sánchez tenta uma permissão de Havana para assistir no Brasil, no próximo dia 10, à estreia do documentário Conexão Cuba-Honduras, que fala justamente sobre a liberdade de imprensa nos dois países. O visto para a estada no Brasil já foi concedido pela embaixada brasileira em Havana na última quarta-feira.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2460"></span>Em recente entrevista à DW Brasil, Sánchez disse que espera contar com a intervenção da presidente brasileira para conseguir a autorização do governo cubano. &#8220;Dilma é uma mulher que sofreu na própria carne o autoritarismo, a repressão, a desproporção de forças [existente] entre um governo autoritário e uma cidadã. Então penso que ela tem a sensibilidade, a capacidade de compreender minha situação&#8221;, disse a blogueira.</p>
<p style="text-align: justify;">Observadores avaliam que a presidente evitará falar sobre temas como esse. &#8220;Rousseff assumiu o compromisso de intervir em favor dos direitos humanos. Mas ela não faria nada que pudesse parecer hostil ao governo cubano, ou que pudesse ser entendido como uma intromissão na soberania nacional&#8221;, diz o cientista político Bert Hoffmann, do Instituto Alemão para Estudos da América Latina (Giga), em Berlim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Investimento brasileiro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dentro da agenda econômica está prevista uma visita da presidente às obras de expansão do Porto de Mariel, realizadas com um investimento de 683 milhões de dólares do BNDES – o equivalente a 88% da obra. O porto fica a 50 quilômetros de Cuba e é o mais importante polo de exportação do país.</p>
<p style="text-align: justify;">O comércio do Brasil com o país socialista cresceu 31% de 2010 para 2011, alcançando um recorde de 642 milhões de dólares no ano passado. Em números gerais, porém, a importância de Cuba para a economia brasileira é muito baixa.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Do ponto de vista brasileiro, Cuba não é exatamente um importante parceiro comercial. Já para Cuba o Brasil é um parceiro comercial importante, especialmente agora que eles precisam abrir mais a sua economia&#8221;, afirma Hoffmann, ressaltando que haveria interesse cubano tanto para investimentos de estatais brasileiras, como a Petrobras, como para receber indústrias de pequeno e médio porte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Brasil como mediador</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O historiador Osvaldo Coggiola, da USP, avalia que a aproximação entre Cuba e Brasil é um sinal de que os cubanos querem sair do isolamento político. Ele ressalta que, neste momento, é importante para Raúl Castro fortalecer os laços com a América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O bloco socialista não existe mais, os países da Europa ficam muito longe e vivem uma crise galopante, os Estados Unidos continuam com o embargo. Então Cuba precisa obter apoio político na América Latina&#8221;, afirma.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma relação mais estreita com o Brasil também abriria espaço para uma eventual intermediação brasileira junto aos Estados Unidos, a fim de suspender o embargo econômico imposto há décadas à ilha socialista. Assim o governo brasileiro se reafirmaria como principal interlocutor no continente, papel frequentemente assumido por Hugo Chávez, da Venezuela.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o professor da USP, o fim do embargo seria fundamental para o processo de abertura econômica cubana. Os poucos investimentos norte-americanos que ainda chegam a Cuba, explica o historiador, acontecem por meio de “triangulações”, ou seja, com o envolvimento de uma terceira empresa, de fora dos <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym>.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Dilma é identificada como sendo de esquerda, assim, teria afinidade ideológica com o governo cubano e poderia desempenhar um importante papel na costura de um acordo que reintegre Cuba a essa comunidade americana comandada pelos Estados Unidos&#8221;, avalia Coggiola.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais cético, no entanto, Hoffmann ressalta que “potencialmente” este poderia ser um papel desempenhado pelo Brasil. Mas, no momento, nem cubanos nem norte-americanos parecem muito dispostos ao diálogo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Abertura econômica sem abertura política</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do interesse em estimular a abertura de sua economia, o governo cubano não tem dados sinais de mudanças significativas no regime político. O modelo de abertura econômica sem abertura política leva a frequentes comparações com a China, que mantém o sistema comunista mesmo após uma série de medidas econômicas implementadas a partir da década de 80 e que impulsionaram o país a se tornar a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym>.</p>
<p style="text-align: justify;">Oggiola destaca, porém, que Cuba apresenta condições bem distintas da China de três décadas atrás. Além de a ilha comandada pelos Castro ser infinitamente menor em tamanho e em número de habitantes do que o gigante asiático, a posição geográfica de Cuba – vizinha dos <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym> – torna a situação bem mais desconfortável.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2012%2F01%2Fvisita-de-dilma-a-cuba-e-dominada-por-temas-economicos%2F&amp;title=Visita%20de%20Dilma%20a%20Cuba%20%C3%A9%20dominada%20por%20temas%20econ%C3%B4micos" id="wpa2a_6"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Presidente do Bradesco destaca solidez da economia brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 15:26:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Sandro Araújo Enquanto alguns questionam a capacidade do Brasil se impor no cenário mundial, o Presidente do Bradesco faz uma análise &#8220;pé no chão&#8221; sobre a realidade nacional. Detalhe: o Bradesco é hoje o segundo maior banco privado. E só foi ultrapassado após a fusão Itaú-Unibanco. Luiz Carlos Trabuco dirige um banco que possui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Sandro Araújo</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto alguns questionam a capacidade do Brasil se impor no cenário mundial, o Presidente do Bradesco faz uma análise &#8220;pé no chão&#8221; sobre a realidade nacional. Detalhe: o Bradesco é hoje o segundo maior banco privado. E só foi ultrapassado após a fusão Itaú-Unibanco. Luiz Carlos Trabuco dirige um banco que possui penetração em todas as classes sociais e, como poucos, possui &#8220;know-how&#8221; de classe C (operou o Banco Postal, dos Correios, até 2011). A classe C é a que mais cresce no país. Qual banco surfará na onda desse crescimento?</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, trecho de entrevista publicada no jornal Correio Braziliense e que pode ser lida <a title="Presidente do Bradesco confia que sociedade não aceitará retrocesso no país" href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,3/2012/01/29/internas_economia,288007/presidente-do-bradesco-confia-que-sociedade-nao-aceitara-retrocesso-no-pais.shtml" target="_blank">aqui</a> (grifos meus).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os últimos indicadores apontam o Brasil como a sexta maior economia do planeta. Mas o país está longe de ter padrão de vida de Primeiro Mundo. As desigualdades sociais permanecem gritantes. É possível imaginar uma qualidade de vida parecida como a que se vê nos Estados Unidos e na Europa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;">A divulgação desse dado veio acompanhada da tese de que nós melhoramos porque os outros pioraram. O engraçado é que, até outro dia, o jargão era o seguinte: “se o mundo pega resfriado, o Brasil pega pneumonia”. Agora, somos o contraponto para o mundo enfrentar a epidemia.</span> Ao contrário dessa provocação, chegamos até aqui por nossas virtudes. Temos uma economia equilibrada e boa blindagem em caso de crise externa. Temos imenso orgulho dessa posição. É claro, há imensos desafios pela frente. Precisamos melhorar o <acronym title='Produto Interno Bruto'>PIB</acronym> per capita, avançar na educação, na inovação, na produtividade. Mas chegar a essa posição no ranking não é pouca coisa. É o indicativo de que criamos condições para superar o atraso e as injustiças sociais. A elevação da qualidade de vida da população pode ser acompanhada todos os dias. <span style="text-decoration: underline;">O índice de miséria era de mais de 20% há cerca de 20 anos; hoje está abaixo de 10%.</span> Há um processo evolutivo captado pelas estatísticas. Outra vantagem é que o Brasil é um país que responde a estímulos de forma rápida. As pessoas têm perspectiva de emprego. Vivemos na fronteira do pleno emprego. Nosso maior desafio é chegar ao padrão de vida dos países maduros. <span style="text-decoration: underline;">As condições estão dadas</span>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2012%2F01%2Fpresidente-do-bradesco-destaca-solidez-da-economia-brasileira%2F&amp;title=Presidente%20do%20Bradesco%20destaca%20solidez%20da%20economia%20brasileira" id="wpa2a_8"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que os países perdem o bonde da história?</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2012/01/por-que-os-paises-perdem-o-bonde-da-historia/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 13:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Coluna Econômica &#8211; 23/01/2012 Do Blog do Nassif A lógica é mais ou menos recorrente. O tempo da história nacional é muito mais longo que o prazo do mandato dos governantes. Decisões estratégicas levam anos para se consolidar, mostrar sua lógica, ganhar corações e mentes. O reconhecimento se dá através da história, não de imediato. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Coluna Econômica &#8211; 23/01/2012</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://advivo.com.br/blog/luisnassif/a-falta-de-ousadia-do-governo-dilma" target="_blank"><em>Do Blog do Nassif</em></a></p>
<p style="text-align: justify;">A lógica é mais ou menos recorrente. O tempo da história nacional é muito mais longo que o prazo do mandato dos governantes. Decisões estratégicas levam anos para se consolidar, mostrar sua lógica, ganhar corações e mentes. O reconhecimento se dá através da história, não de imediato.</p>
<p style="text-align: justify;">Já os governantes pavimentam sua gestão por marcas próprias, pessoais, que sejam captadas imediatamente pelo eleitorado e pela opinião pública.</p>
<p style="text-align: justify;">Em alguns momentos, casa o discurso com o rompimento de paradigmas. Foi assim quando Vargas (assessorado pelo Sr. Crise) rompeu com a inércia financeira da República Velha; quando JK completou o ciclo da indústria de base estatal com a atração de multinacionais; quando Fernando Collor brandiu o discurso da abertura e da desregulamentação que rompeu com a inércia pós-Geisel; e quando Lula desfraldou a bandeira das políticas sociais universalistas, civilizando a irracionalidade fiscal pós-Marcílio Marques Moreira.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ainda não existe no país nem governantes nem grupos de inteligência capazes de definir políticas de longo prazo, institucionalizadas, casando pragmatismo e ações estratégicas, como fizeram os fundadores nos Estados Unidos do século 19.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2437"></span>E se o governante não consegue identificar os fatores portadores de futuro para a etapa seguinte, ou o país fica estagnado nas conquistas do período anterior; ou desanda.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Lula encerra-se um ciclo relevante, de início de políticas sociais inclusivas, formação de um mercado interno parrudo, de consumo de massa, uma melhor articulação nos investimentos públicos através do PAC (Programa de Aceleração do Cresciment). Dilma Rousseff teve papel relevante na montagem desse modelo.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, como conceito essa etapa se completou, exigindo apenas continuidade na consolidação.</p>
<p style="text-align: justify;">Dilma se conferiu o papel de consolidar desse modelo, aprimorando as ferramentas gerenciais, reduzindo a margem de manobra da fisiologia. É necessário, mas não suficiente. Se ela não tirar os olhos do dia-a-dia fará um governo morno, mas não um salto à altura da obra de seu antecessor.</p>
<p style="text-align: justify;">É necessário que o círculo próximo da presidência disponha de estrategistas que, apontando o futuro, tire os olhos da presidente da análise exclusiva do dia-a-dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Mercado interno robusto é um ativo relevante, mas não é auto-sustentável. É ponto de partida, não de chegada. Pode-se gerar processos de desenvolvimento com políticas sociais inclusivas &#8211; que alargam o mercado consumidor &#8211; ou com moeda apreciada &#8211; que ilude o eleitor.</p>
<p style="text-align: justify;">O bom aproveitamento desse ativo exige a elaboração de estratégias. Sejam quais forem os caminhos, não podem desviar-se do objetivo principal: fortalecer a produção e o emprego internos.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fortalecer não se entende meras medidas protecionistas. O protecionismo dos anos 80 legou uma indústria acomodada, provinciana, sem condições de competitividade. Significa estratégias que induzam à competição com produtos importados.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto não se tem a musculatura, garante-se a competitividade através de um câmbio competitivo. Depois, políticas públicas induzem à busca da gestão, da inovação, das modelagens de venda, das parcerias, do adensamento da cadeia produtiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Dilma ainda não se deu conta de que seu governo precisa ir muito além do que meramente consolidar os ganhos da etapa anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>O complexo de Carolina</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2012/01/o-complexo-de-carolina/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 11:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentário: abaixo, interessante análise sobre a forma pequena na qual a imprensa pátria trata assuntos de orgulho nacional. Se nas décadas 1970/80 éramos o &#8220;país do futuro&#8221;, hoje somos país do presente. Com ufanismo, éramos àquela época declarados a &#8220;Oitava maior economia do planeta&#8221;. Hoje somos a sexta! E tem gente que acha isso ruim! [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Comentário: abaixo, interessante análise sobre a forma pequena na qual a imprensa pátria trata assuntos de orgulho nacional. Se nas décadas 1970/80 éramos o &#8220;país do futuro&#8221;, hoje somos país do presente. Com ufanismo, éramos àquela época declarados a &#8220;Oitava maior economia do planeta&#8221;. Hoje somos a sexta! E tem gente que acha isso ruim!</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do <a title="Observatório da Imprensa" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed675_o_complexo_de_carolina" target="_blank">Observatório da Imprensa</a></strong></p>
<p><em>Por Washington Araújo em 03/01/2012 na edição 675</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não faz tanto tempo assim, mas é fato que a grande imprensa celebrava do nascer ao pôr do sol e madrugada afora o fato de o Brasil ocupar a oitava posição dentre as maiores economias do mundo. Nas últimas semanas de 2011, ficamos sabendo, pela mídia internacional, que nossa posição avançou rumo ao topo: o Brasil já é a sexta maior economia do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ultrapassou nada menos que o Reino Unido, aquele antigo império “em que o sol nunca se põe”, e que nunca deixava de estar hasteada, ao longo das 24 horas, a bandeira da Union Jack – da Europa à África, da Ásia à América, passando pelos chamados protetorados no Oriente Médio.</p>
<p style="text-align: justify;">O Reino Unido comandou com mão de ferro a Índia, a África do Sul, Hong Kong&#8230; e é bem longa a lista. Apropriou-se da culinária mundial, sem ao menos dar o crédito aos seus verdadeiros donos: quem não consome diariamente a batata inglesa, o chá inglês, a casemira inglesa?</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de meados do século passado teve início a derrocada do iImpério: foi obrigado a deixar a Índia com os indianos, em 1947, e a fazer reverências a seu líder maior, o Mahatma Gandhi; nos anos 1990 testemunhou o fim do odioso regime por ele mesmo implantado na África do Sul – o apartheid –, vendo surgir após 27 anos de cadeia o seu líder natural, Nelson Mandela; e, já no finalzinho daquele século, devolveu Hong Kong à China, por força de cláusulas contratuais em tratado firmado pelas duas nações.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span id="more-2421"></span>Sem ver</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com cenário tão instigante, tão rico em história e em simbolismo, ainda assim nossa imprensa mais vistosa preferiu repercutir o feito de maneira tímida, quase que envergonhada, como se não passasse de reles disparate, de algo inconcebível a um país talhado para ser não mais que uma invenção do futuro – bem ao estilo da expressão de Stefan Zweig – aquele inatingível e fantasioso “País do Futuro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso demonstra à larga que não decorreu tempo suficiente para mudarmos nossos conceitos sobre o Brasil, seu potencial, sua importância geopolítica, suas riquezas naturais e humanas. Ficamos como que aprisionados à ideia romântica do Brasil festejado em nosso hino, o Brasil “deitado eternamente em berço esplêndido”.</p>
<p style="text-align: justify;">Acostumados a explorar mazelas de todos os povos e países como invenções absolutamente nossas – corrupção, narcotráfico, malandragem, “jeitinho”, a noção nefasta da Belíndia –, a grande imprensa teve que engolir em seco seu olhar míope e acostumado em criar sua realidade paralela, aquela do país que não tem com dar certo e que precisa se acomodar, mesmo que seu pé seja tamanho 42 em sapato tamanho 36. Isso, segundo nossos oráculos de Delfos, que desde a manhã até à noite não param de azucrinar nossos olhos e ouvidos com presságios cada vez menos críveis, dando conta que o Brasil precisa urgentemente de uma primavera árabe, de um movimento ao estilo “occupy Wall Street”, e de fartas imagens tão artificiais quanto patéticas de vassouras limpando a nódoa da corrupção das nossas grandes cidades.</p>
<p style="text-align: justify;">E a grande imprensa, mais uma vez, erra – e feio – ao querer importar de outros países uma realidade que não é a nossa: por que uma primavera árabe se temos eleições universais, diretas e livres a cada dois anos? Por que ocupar a Bolsa de São Paulo ou o Banco Central em Brasília se nossa economia, ao invés de gerar desemprego em massa, inflação apontando no horizonte e estagnação e colapso financeiro iminentes, encontra-se – nas palavras de nossos filhos – “bombando” e com viés de alta? Por que apoiar o movimento das vassouras quando existem vassouras demais, vistosas demais, novas demais, uniformes demais, fashion demais, coreografadas demais e poucos (ou quase nenhum) vassoureiro para empunhá-las?</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que não temos nenhum brasileiro se imolando na Cinelândia carioca nem na Praça da Sé paulistana, muito menos na mineira Afonso Pena ou nas imediações do Pelourinho baiano. E não temos por vários motivos. Dentre estes podemos citar o fato de que desde 2004 o premonitório slogan “Orgulho de ser brasileiro” deixou de ser mero reclame institucional do governo federal para ser sentimento vivo, pulsação corrente no corpo do país. A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, as descobertas de vastas extensões de lençóis petrolíferos na camada do pré-sal, o Brasil já ser “a terceira maior economia europeia”, atrás apenas da Alemanha e da França.</p>
<p style="text-align: justify;">E os brasileiros viram tudo isso acontecer em brevíssimo espaço de tempo. Mas nossa grande imprensa não viu e se recusa a ver. O que lhe interessa mesmo é explorar a doença e não a saúde, o veneno e não o antídoto, o retrovisor com as surradas visões do passado e não o espelho do presente e do futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O tempo passa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Começa 2012 e logo no primeiro dia do ano entrou em vigor o novo salário mínimo, de R$ 622. Representa um aumento real (descontada a inflação) de 9,2% em relação ao mínimo vigente até 31 de dezembro de 2011, de R$ 545. O reajuste real do mínimo é o maior desde o ano eleitoral de 2006. E injetará formidáveis R$ 47 bilhões na economia neste ano, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esta e várias outras notícias foram tratadas como miçangas nas editorias dos jornalões e dos telejornais de maior audiência da tevê aberta brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A quem interessa isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cada povo tem o governo que merece. E também a mídia que merece. E enquanto atuar dessa forma tão seletiva de fabricar a realidade que melhor atenda a seus interesses, a verdade é que nem o país ultrapassando as economias da China e dos Estados Unidos juntas, nem se transferindo a sede das Nações Unidas para Manaus, nem a Europa adotando o real em lugar do euro, ainda assim não nos veremos estampados nas capas de jornais e revistas, na escalada de matérias do Jornal Nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa grande imprensa prefere ver o futuro com aquele olhar perdido de Carolina, a eterna moça sonhadora que ficava na janela (e na poesia de Chico Buarque) vendo o tempo passar. Minuto a minuto, hora a hora. E nisso passa por sua janela tudo do bom e do melhor, mas só Carolina não vê. Ou se recusa a ver.</p>
<p style="text-align: justify;">Arrisco-me a inferir que nossa grande imprensa sofre do complexo de Carolina.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">[Washington Araújo é mestre em Comunicação pela UnB e escritor; criou o blog <a href="http://www.cidadaodomundo.org/" target="_blank">Cidadão do Mundo</a>; seu <a href="http://www.twitter.com/wlaraujo" target="_blank">twitter</a>]</p>
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		<title>Brasil supera Grã-Bretanha e se torna 6ª maior economia</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/12/brasil-supera-gra-bretanha-e-se-torna-6a-maior-economia/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 12:15:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Grã Bretanha]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentário: Quando criança e estudante do antigo &#8220;primário&#8221;, ouvíamos o ufanismo do &#8220;Brasil, país do futuro&#8221;. Agora, caminhamos firmemente para chegar à elite econômica mundial. É verdade que continuamos com enormes problemas estruturais. É também verdade que em termos per capita, nosso PIB ainda é &#8220;vergonhoso&#8221;: mas estamos no caminho certo, e as diversas políticas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em style="text-align: justify;">Comentário: Quando criança e estudante do antigo &#8220;primário&#8221;, ouvíamos o ufanismo do &#8220;Brasil, país do futuro&#8221;. Agora, caminhamos firmemente para chegar à elite econômica mundial. É verdade que continuamos com enormes problemas estruturais. É também verdade que em termos per capita, nosso <acronym title='Produto Interno Bruto'>PIB</acronym> ainda é &#8220;vergonhoso&#8221;: mas estamos no caminho certo, e as diversas políticas de distribuição de renda fazem hoje com que a desigualdade também esteja reduzindo a ritmo acelerado.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Brasil deve superar a Grã-Bretanha e se tornar a sexta maior economia do mundo ao fim de 2011, segundo projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês) publicadas na imprensa britânica nesta segunda-feira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Da <a title="Brasil supera Grã-Bretanha e se torna 6ª maior economia" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111226_grabretanhabrasil_ss.shtml" target="_blank">BBC Brasil</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Segundo a consultoria britânica especializada em análises econômicas, a queda da Grã-Bretanha no ranking das maiores economias continuará nos próximos anos com Rússia e Índia empurrando o país para a oitava posição.</p>
<p style="text-align: justify;">O jornal <em>The Guardian</em> atribui a perda de posição à crise bancária de 2008 e à crise econômica que persiste em contraste com o <em>boom</em> vivido no Brasil na rabeira das exportações para a China.</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Daily Mail</em>, outro jornal que destaca o assunto nesta segunda-feira, diz que a Grã-Bretanha foi &#8220;deposta&#8221; pelo Brasil de seu lugar de sexta maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Alemanha e da França.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o tabloide britânico, o Brasil, cuja imagem está mais frequentemente associada ao &#8220;futebol e às favelas sujas e pobres, está se tornando rapidamente uma das locomotivas da economia global&#8221; com seus vastos estoques de recursos naturais e classe média em ascensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Um artigo que acompanha a reportagem do <em>Daily Mail</em>, ilustrado com a foto de uma mulher fantasiada sambando no Carnaval, lembra que o Império Britânico esteve por trás da construção de boa parte da infraestrutura da América Latina e que, em vez de ver o declínio em relação ao Brasil como um baque ao prestígio britânico, a mudança deve ser vista como uma oportunidade de restabelecer laços históricos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Brasil não deve ser considerado um competidor por hegemonia global, mas um vasto mercado para ser explorado&#8221;, conclui o artigo intitulado &#8220;Esqueça a União Europeia&#8230; aqui é onde o futuro realmente está&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A perda da posição para o Brasil é relativizada pelo <em>Guardian</em>, que menciona uma outra mudança no sobe-e-desce do ranking que pode servir de consolo aos britânicos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A única compensação (&#8230;) é que a França vai cair em velocidade maior&#8221;. De acordo com o jornal, Sarkozy ainda se gaba da quinta posição da economia francesa, mas, até 2020, ela deve cair para a nona posição, atrás da tradicional rival Grã-Bretanha.</p>
<p style="text-align: justify;">O enfoque na rivalidade com a França, por exemplo, foi a escolha da reportagem do site <em>This is Money</em> intitulada: &#8220;Economia britânica deve superar francesa em cinco anos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F12%2Fbrasil-supera-gra-bretanha-e-se-torna-6a-maior-economia%2F&amp;title=Brasil%20supera%20Gr%C3%A3-Bretanha%20e%20se%20torna%206%C2%AA%20maior%20economia" id="wpa2a_14"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Brasil melhora em ranking de suborno e é &#8216;líder entre emergentes&#8217;, diz ONG</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/11/brasil-melhora-em-ranking-de-suborno-e-e-lider-entre-emergentes-diz-ong/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 10:47:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Corrupção]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil foi o país emergente mais bem avaliado em um ranking de percepção das empresas multinacionais sobre a prática de suborno, divulgado nesta quarta-feira pela organização Transparência Internacional. Da BBC Brasil O país ficou em 14º lugar na lista de 28 nações, subindo três posições em relação ao último levantamento, em 2008. A nota [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>O Brasil foi o país emergente mais bem avaliado em um ranking de percepção das empresas multinacionais sobre a prática de suborno, divulgado nesta quarta-feira pela organização Transparência Internacional.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Da <a title="Brasil melhora em ranking de suborno e é 'líder entre emergentes', diz ONG" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11/111102_indice_suborno_pu.shtml">BBC Brasil</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">O país ficou em 14º lugar na lista de 28 nações, subindo três posições em relação ao último levantamento, em 2008.</p>
<p style="text-align: justify;">A nota do país subiu apenas ligeiramente, dentro da margem de erro, passando de 7,4 para 7,7, em uma escala de zero a dez onde o valor mais alto é melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, isso foi suficiente para deixar para trás Hong Kong, África do Sul, Taiwan e inclusive a Itália, país com o qual havia permanecido empatado no último ranking.</p>
<p style="text-align: justify;">O levantamento foi feito ouvindo 3 mil executivos de empresas de países desenvolvidos e em desenvolvimento, que opinaram sobre as probabilidades de uma empresa ser obrigada a pagar propina para operar nos diferentes países e setores.</p>
<p style="text-align: justify;">Cingapura e Coreia do Sul, cujo status de rico ou emergente tem dividido analistas, ficaram à frente do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2386"></span>Mas todos os países emergentes que entraram no ranking desde 2008 se classificaram abaixo do Brasil: Argentina, Turquia, Malásia, Arábia Saudita, Indonésia e Emirados Árabes.</p>
<p style="text-align: justify;">Os setores onde a percepção do suborno é mais forte são os de obras públicas e construção, imobiliário (incluindo regularização), petróleo e gás e mineração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8216;Vontade política&#8217;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O analista de América Latina da Transparência Internacional, Max Heywood, disse à BBC Brasil que a melhora do Brasil significa que o país passa agora a ter responsabilidade de &#8220;líder&#8221; no exemplo de combate à corrupção.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Brasil é um líder entre os emergentes e em especial entre os Bric. Passou a figurar no centro do cenário internacional. Não basta mais dizer &#8216;somos melhores que outros emergentes&#8217;, ou &#8216;somos melhor que outros países latino-americanos&#8217;&#8221;, afirmou Heywood.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Brasil tem elevado seus padrões e precisa passar a olhar para os países industrializados&#8221;, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify;">As companhias chinesas e russas mantiveram sua posição no fim do ranking, como na última edição do levantamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, a ONG reconheceu os &#8220;passos importantes&#8221; tomados por estas duas potências emergentes, além de Indonésia e Índia, no sentido de criminalizar o pagamento de suborno por estrangeiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum país recebeu a nota máxima: a reputação das companhias holandesas e suíças, as primeiras do ranking, é de 8,8. Para Heywood, isto significa que &#8220;todos os países precisam fazer mais para combater a corrupção&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">O analista disse que os recentes casos de demissão de ministros no Brasil são um &#8220;bom sinal&#8221; de que existe &#8220;vontade política&#8221; no país para combater os casos de comportamento indevido no serviço público.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Vontade política é o mais crucial no combate à corrupção&#8221;, observou o analista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Deficiências</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, ele ressaltou que ainda existe no Brasil uma deficiência em colocar em prática as leis anticorrupção.</p>
<p style="text-align: justify;">No ano passado, a ONG divulgou um ranking afirmando que o Brasil deixa a desejar na luta contra corrupção de estrangeiros em seu território.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil está num grupo de 20 nações que não progrediram e que &#8220;não aplicam ou aplicam pouco&#8221; as regras de uma convenção internacional anticorrupção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).</p>
<p style="text-align: justify;">Outra iniciativa anticorrupção deve ser aprovada na quinta-feira pelo G20 – o grupo que reúne os principais países ricos e emergentes – em sua Cúpula em Cannes, na França.</p>
<p style="text-align: justify;">O plano foi acertado há um ano pelo grupo, que reúne as maiores economias do mundo. Em seu relatório, a ONG reforçou seu apoio à iniciativa.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A nova legislação dos países do G20 é uma oportunidade para criar uma economia mais justa e aberta, que gere condições para uma recuperação mais sustentável e uma estabilidade para o crescimento no futuro&#8221;, disse a diretora da Transparência Internacional, Huguette Labelle.</p>
<pre><strong>Ranking do suborno no exterior</strong>
Holanda 8,8
Suiça 8,8
Bélgica 8,7
Alemanha 8,6
Japão 8,6
Austrália 8,5
Canadá 8,5
Cingapura 8,3
Reino Unido 8,3
<acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym> 8,1
França 8,0
Espanha 8,0
Coreia do Sul 7,9
Brasil 7,7
Hong Kong 7,6
Itália 7,6
Malásia 7,6
África do Sul 7,6
Taiwan 7,5
Índia 7,5
Turquia 7,5
Arábia Saudita 7,4
Argentina 7,3
Emirados Árabes 7,3
Indonésia 7,1
México 7,0
China 6,5
Rússia 6,1
Fonte: Transparência Internacional</pre>
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		<title>Em cúpula no Paraguai, países ibero-americanos defendem desenvolvimento com justiça social</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 09:41:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Da Telam via Agência Brasil A Declaração de Assunção, adotada pela Cúpula Ibero-Americana, que terminou ontem (29) na capital paraguaia, fez um forte apelo para a mudança do papel do Estado como um instrumento de “promoção do desenvolvimento sustentável com justiça social inclusiva e com vista a alcançar a boa vida”. A declaração, aprovada pelos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Da Telam via Agência Brasil</em></p>
<p style="text-align: justify;">A Declaração de Assunção, adotada pela Cúpula Ibero-Americana, que terminou ontem (29) na capital paraguaia, fez um forte apelo para a mudança do papel do Estado como um instrumento de “promoção do desenvolvimento sustentável com justiça social inclusiva e com vista a alcançar a boa vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">A declaração, aprovada pelos representantes dos 22 países que integram o grupo – os da América Latina, além da Espanha, de Portugal e Andorra – enfatizou a necessidade de encontrar uma reformulação do Estado para garantir o bem comum.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto ressalta que “a transformação do Estado é um processo contínuo e constante que afeta as estruturas públicas nas relações entre governo e cidadãos, adequando o seu conteúdo para a condução de melhoria contínua e gestão dos assuntos públicos, para promover o desenvolvimento sustentável com justiça social, inclusiva e com vista a alcançar a boa vida”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2381"></span>O comunicado acrescenta que, para desenvolver as capacidades nacionais a fim de erradicar a pobreza, é importante “promover o desenvolvimento sustentável e o equitativo crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável como um objetivo central da cooperação para o desenvolvimento”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os países ibero-americanos reiteraram &#8220;os princípios e valores do acervo político, econômico e social da Conferência Ibero-Americana, convencidos da necessidade de reforçar os Estados para desempenhar o seu papel de direito na condução da estratégia de desenvolvimento global, em defesa da democracia e da governabilidade, de promover a igualdade, a justiça social e garantir e ampliar os direitos dos cidadãos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os signatários da declaração reconheceram o contexto “de crise econômica e financeira que afeta vários países do mundo, com profundos ajustes e reajustes que colocam pressão sobre as instituições de todos os níveis”.</p>
<p style="text-align: justify;">No documento, os países também ressaltam que “a participação do cidadão é um componente essencial da gestão democrática e de tomada de decisão no desenvolvimento sustentável”. Reconhecem ainda que “as políticas fiscais podem contribuir significativamente para a melhorar a distribuição, aumentar a cobertura e melhorar a qualidade e acesso aos serviços públicos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os acordos fechados durante a cúpula estão a decisão de promover a cooperação entre as administrações públicas dos países ibero-americanos, em busca da integração regional e da criação de oportunidades e canais “para a transferência e o intercâmbio de conhecimentos e experiência em processos, projetos e programas bem-sucedidos”.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto também lista acordos sobre questões como o apoio a “redes regionais de governo eletrônico” e promoção de “mudanças progressivas na estruturas fiscais para consolidar um sistema de coleta mais eficiente”. A declaração destaca ainda a necessidade de se “criar condições para uma maior igualdade nos níveis de bem-estar, enfatizando o papel do governo na erradicação da pobreza e redução da desigualdade por meio do investimento social sustentado”.</p>
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		<title>Consenso de Brasília</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/10/consenso-de-brasilia/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 10:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Peru]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue interessante texto, de Patrícia Campos de Melo, sobre o &#8220;Consenso de Brasília&#8221;. É bom observar por outro ângulo as transformações pelas quais passam nosso país e nossa região. Ao tomar posse em Lima, no dia 28 de julho, o presidente peruano Ollanta Humala seguiu à risca o script de seu mentor, Luiz Inácio Lula [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Segue interessante texto, de Patrícia Campos de Melo, sobre o &#8220;Consenso de Brasília&#8221;. É bom observar por outro ângulo as transformações pelas quais passam nosso país</em> e nossa região.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ao tomar posse em Lima, no dia 28 de julho, o presidente peruano Ollanta Humala seguiu à risca o script de seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Patrícia Campos de Melo &#8211; Do <a title="Blog Interesse Nacional" href="http://interessenacional.uol.com.br/artigos-integra.asp?cd_artigo=125">Interesse Nacional</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Humala prometeu que vai governar “um Peru para todos”, ecoando o “Brasil, um País de todos” de Lula. Anunciou a expansão do programa de transferência de renda Juntos, nos moldes do Bolsa Família. Decretou aumento de 12,5% do salário-mínimo e enfatizou que sua prioridade será crescimento com inclusão social. Revelou também que iria criar um conselho social, nos moldes do conselho de desenvolvimento social do governo brasileiro. O discurso do peruano foi coescrito pelo petista Luís Favre, que fez toda a campanha de Humala.</p>
<p style="text-align: justify;">Hugo Chávez, antigo inspirador do esquerdista Humala, não mereceu nenhuma menção. Nem indireta.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a vitória de Humala na eleição presidencial do Peru – e seu início de governo com muitos afagos para os moderados e um gabinete centrista – avança na América Latina o que vem sendo chamado de “Consenso de Brasília”.</p>
<p style="text-align: justify;">Regimes de esquerda moderada, que combinam inclusão social com nacionalismo na exploração de recursos naturais e estabilidade macroeconômica, estão se consolidando na América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;">Os maiores símbolos deste novo consenso são Brasil, Uruguai e El Salvador. O prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, conhecido defensor do livre-mercado, apoiou Humala nesta eleição e falou do novo consenso em coluna no jornal espanhol El País.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Para que aqueles programas (sociais) sejam bem-sucedidos é indispensável que o Peru continue crescendo como nos últimos anos, senão não há riqueza para distribuir. Os socialistas chilenos, brasileiros, uruguaios e salvadorenhos entenderam isso e, apesar de continuarem se chamando de socialistas, têm feito um governo social-democrata (não digo liberal para não assustar ninguém, mas não seria mentira).”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2362"></span>Na América do Sul, só restaram dois países grandes com governo de centro-direita: Chile e Colômbia. E mesmo esses estão se movendo para uma agenda de centro-esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de Sebastián Piñera no Chile é considerado uma continuação da Concertación (coalizão eleitoral de partidos chilenos de centro-esquerda).</p>
<p style="text-align: justify;">Piñera adotou medidas mais identificadas com a esquerda do que com a direita – renegociou os impostos da mineração e propôs licença-maternidade de seis meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, no entanto, Piñera reformou seu ministério, nomeando integrantes mais identificados com a direita, e adotando uma plataforma mais conservadora de “segurança pública”, diante dos últimos dois meses de manifestações populares.</p>
<p style="text-align: justify;">A popularidade de Piñera caiu para 26%, menor índice pós-democratização, muito por causa da insatisfação popular com o modelo econômico chileno. A percepção é que o modelo chileno, queridinho dos economistas alinhados com o Consenso de Washington, trouxe de fato muito crescimento econômico, mas os maiores beneficiários foram os mais ricos e não houve diminuição significativa da desigualdade.</p>
<p style="text-align: justify;">As manifestações populares recentes são sintoma disso: multidões de estudantes tomaram as ruas protestando por melhor educação. Embora o Chile esteja bem colocado no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), existe enorme disparidade entre as colégios particulares, frequentados pelos jovens de classe alta, e as escolas públicas, sucateadas, que são a única opção da classe média-baixa e baixa.</p>
<p style="text-align: justify;">As greves na Codelco, a enorme estatal de exploração de cobre – minério que responde por cerca de 30% da exportação do país – foram também sintomáticas. Trabalhadores se mobilizaram contra ameaças de privatização da gigante de cobre do Chile.</p>
<p style="text-align: justify;">Piñera fez uma enorme reforma ministerial. Criou um fundo para educação de us$ 4 bilhões. Veio a público dizer que a Codelco não será privatizada. “A Codelco vai permanecer nas mãos do Estado, pertencendo ao povo chileno, mas queremos que ela seja moderna e eficiente”, disse. Não exatamente um discurso de direita empresarial e tecnocrática.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos tem sido criticado publicamente por seu antecessor Álvaro Uribe, por medidas que preveem a indenização de vítimas do conflito armado e um plano de devolução das terras de camponeses que foram expropriadas por paramilitares de direita.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela Lei de Vítimas e Restituição de Terras, aprovada em junho, o governo reconhece que a Colômbia vive o mais longo conflito armado da América do Sul e prevê ressarcimento e devolução de terras para suas vítimas. Os uribistas se opõem radicalmente à legislação.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto Uribe se aproximava ostensivamente dos Estados Unidos e cultivava rusgas com o vizinho Hugo Chávez, Santos tem privilegiado as relações na América do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Como descreveu Juanita León, do site de reportagens e opinião “La Silla Vacía”: “A habilidade de Santos é conseguir manter postulados econômicos e de segurança de direita e agregar a eles bandeiras de esquerda como o reformismo e a integração latino-americana”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa aproximação regional já rende frutos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve em Bogotá em agosto para participar de um foro empresarial promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (bid), fez elogios enfáticos à “visão política” de Juan Manuel Santos, por ele promover boas relações com Venezuela e Equador. O ex-presidente brasileiro afirmou que, com Santos no poder, o clima na região será “muito mais distensionado” do que na gestão de Uribe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Peru</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante o governo Alan García, o Peru seguiu à risca os preceitos do Consenso de Washington de atração de investimentos e abertura comercial – fechou acordos comerciais com diversos países, entre eles Estados Unidos, China e União Europeia. O país se tornou uma grande história de sucesso na região, com crescimento médio de 7,2% nos últimos cinco anos, entre os maiores do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o país pecou por negligenciar os programas sociais e esse foi um fator determinante para a eleição de Humala. Houve redução na pobreza, mas a disparidade entre a costa e Lima, mais ricos, e o altiplano e a Amazônia, pobres, continuou muito grande. Isso gerou insatisfação popular e percepção de que os frutos dos grandes investimentos estrangeiros diretos na exploração de recursos naturais não estavam sendo distribuídos de forma equitativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas palavras do presidente do InterAmerican Dialogue, Michael Shifter, que cunhou o termo “Consenso de Brasília”, o Peru foi um golpe contra a direita, que acreditava que bastava ter boas políticas e crescimento econômico para resolver o problema da pobreza.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Essa eleição aponta para a consolidação de um esquerdismo moderado na região, podemos falar no avanço de um Consenso de Brasília, baseado em preocupação com a agenda social, políticas macroeconômicas responsáveis, dentro de um arcabouço democrático”, disse Shifter em entrevista à Folha.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cartilha do Consenso de Brasília</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O receituário do Consenso de Brasília mistura políticas que poderiam facilmente estar na agenda neoliberal com medidas de arrepiar os cabelos dos ortodoxos.</p>
<p style="text-align: justify;">Países como Brasil, Uruguai e El Salvador, os maiores símbolos do consenso, Argentina e Paraguai, países híbridos, e Chile e Colômbia, países de centro-direita que estão se movendo para o modelo brasileiro, todos compartilham algumas orientações.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles apostam nos cânones da estabilidade macroeconômica – independência do Banco Central, estabilidade fiscal, câmbio flutuante. Compartilham da preocupação com a inclusão social e adotam, em maior ou menor extensão, programas de transferência condicional de renda e de valorização do salário-mínimo.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma esquerda diferente da encontrada na Venezuela, na Bolívia e no Equador, onde o esquerdismo é calcado em um projeto mais radical de distribuição de renda, com preceitos socialistas. Também os bolivarianos recorrem a reformas da constituição para perpetuar líderes no poder, “em uma democracia corrompida”, como diz Amado Cervo, professor emérito da Universidade de Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eles também abraçam alguns aspectos bem menos palatáveis ao pessoal do Consenso de Washington.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns países apostam na política de reindustrialização, com ecos da substituição de importações defendida por Raúl Prebisch, que é anátema para os neoliberais. Humala manifestou que irá apostar em iniciativas nessa área e a Argentina também vai nesta direção. Até a iniciativa de exigir conteúdo local dos fornecedores para plataformas da Petrobras no Brasil pode ser vista como parte de um programa de substituição de importação.</p>
<p style="text-align: justify;">A ampliação do papel do Estado na economia é um mandamento central do Consenso de Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao assumir, Humala reafirmou sua promessa de manter estabilidade macroeconômica e respeitar contratos. Mas ele voltou a dizer, como fazia durante a campanha, que pretende aumentar o papel do Estado na economia, ampliando programas sociais e a participação direta do governo em setores-chave da economia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua posse, ele fez seu juramento sobre a Constituição peruana de 1979, e não sobre a Constituição de 1993, que foi promulgada durante o governo autoritário de Alberto Fuijimori.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além do aspecto autoritário da Constituição de 93, Humala discorda dela porque o documento estabelece que o Estado terá um papel secundário na economia e limita o poder de participação do governo em empresas e licitações.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredita-se que, durante seu mandato, caso tenha apoio no Congresso para tal, ele tente reformar esses aspectos da Constituição. Mas é bom deixar claro que tudo isso ainda passa bem longe da onda de expropriações chavistas e seu socialismo do século xxi.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra constante no chamado Consenso de Brasília é o nacionalismo em relação à exploração de recursos naturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das prioridades anunciadas por Humala ao assumir (e antes, na campanha) é aumentar os impostos pagos pelas mineradoras, seja sobre lucros extraordinários ou royalties. Ele promete, no entanto, seguir o modelo chileno para isso, negociando com as mineradoras, sem romper contratos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Chile negociou com as mineradoras um aumento nos impostos, com a justificativa de que precisava de mais receita para reconstruir o país após o terremoto. E, no Brasil, o marco regulatório da mineração, que está parado no Congresso, prevê aumento dos royalties na exploração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Decadência da esquerda bolivariana</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A ascensão do Consenso de Brasília – ou Lulismo, como prefere a revista The Economist – se dá no mesmo momento em que o chavismo e a esquerda bolivariana estão em franca decadência.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de ser revelada sua doença, o presidente Hugo Chávez estava com a popularidade abaixo de 50%, índice historicamente baixo. A Venezuela luta contra uma série de problemas econômicos. Enquanto o resto da América do Sul tem atingido altas taxas de crescimento, a Venezuela está saindo de dois anos de recessão. A produção de petróleo está caindo, os apagões são frequentes. E Caracas tem o maior índice de assassinatos da região.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar, a doença de Chávez produz um vácuo de poder em um regime fortemente calcado no personalismo de seu líder. Não há sucessores óbvios. O irmão de Chávez, Adán, governador da província de Barinas, vem sendo apontado como possível sucessor – repetindo a dobradinha entre irmãos que se arquitetou em Cuba com Fidel e Raúl Castro. Mas Adán Chávez nem de longe tem o carisma de Hugo e não se sabe como seria essa transição, caso ela tenha de ocorrer.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ficou provado que a esquerda de Lula é melhor do que a esquerda de Chávez”, resumiu o chileno Patricio Navía, professor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Nova York e da Universidade Diego Portales em Santiago.</p>
<p style="text-align: justify;">“A Venezuela de hoje tem tantos problemas quanto tinha em 1999, quando Chávez assumiu. Os venezuelanos não querem voltar ao passado, mas tampouco estão contentes com Chávez, que debilitou a democracia e enfraqueceu a esquerda.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lulificação de Humala</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Humala só conseguiu se eleger depois de uma agressiva campanha de marketing – coordenada por Luis Favre e outro petista, Valdemir Garreta, ex-secretário municipal de Marta Suplicy – para se “lulificar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2006, quando Humala enfrentou Alan García na eleição presidencial, ele perdeu porque era muito identificado com Chávez e seu radicalismo. O centro e a direita se uniram para derrotá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta vez, chegou a dizer que o modelo de Chávez “não se aplicava” ao Peru. Prometeu que iria respeitar contratos, manter a estabilidade macroeconômica e independência do banco central. Divulgou até uma carta ao povo peruano, nos moldes da “Carta ao povo brasileiro” que Lula lançou em 2002 para acalmar os mercados.</p>
<p style="text-align: justify;">E a oposição rachou – os três candidatos de centro-direita – o ex-presidente Alejandro Toledo, o ex-ministro das Finanças, Pedro Pablo Kuczyinski e o ex-prefeito de Lima, Luis Castañeda – dividiram os votos. Resultado, Keiko Fujimori, mais à direita e identificada com os abusos de poder de seu pai, Alberto Fujimori, passou para o segundo turno.</p>
<p style="text-align: justify;">Toledo, no segundo turno, apoiou Humala, e o candidato ganhou por margem estreita. Já eleito, o presidente incluiu vários toledistas em seu governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda há espaço para incertezas, claro. Uma perda de popularidade pode levar Humala a uma guinada populista – por exemplo, forçar a mão na taxação das mineradoras com o intuito de agradar as populações indígenas locais e aumentar a arrecadação para cumprir suas promessas sociais. E algumas das propostas anunciadas por Humala despertam preocupação.</p>
<p style="text-align: justify;">Também é preciso ver se ele cumprirá suas promessas de que não vai mudar a Constituição para permitir reeleição, como fizeram alguns governos bolivarianos, e nem optar por uma dupla com sua mulher, Nadine, que se candidataria na próxima eleição, reeditando o modelo argentino Cristina-Néstor Kirchner.</p>
<p style="text-align: justify;">Mauricio Funes, que se elegeu para a presidência de El Salvador em março de 2009 pela Frente Farabundo Martí de Liberação Nacional, é outro que espantou o fantasma do radicalismo. Seu partido foi fundado pelas guerrilhas marxistas, mas Funes tem feito um governo moderado, de conciliação. Sua mulher, Vanda, é brasileira e foi representante do pt na América Central.</p>
<p style="text-align: justify;">Funes fez campanha colando sua imagem em Lula, de quem ficou próximo. Antes da eleição, ele se reuniu quatro vezes com o ex-presidente brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em maio de 2008, Lula recebeu Funes no Palácio do Planalto. “O presidente Lula me disse que seus técnicos poderão aconselhar-nos em El Salvador para a execução bem-sucedida da experiência brasileira de combate à pobreza”, disse Funes após se reunir com Lula. “Identifico-me com o presidente Lula porque ele implementou programas efetivos para criar empregos e combater a pobreza.”</p>
<p style="text-align: justify;">Está certo que o Consenso de Brasília ainda se restringe a uma série de preceitos comuns e um desejo de emular o crescimento econômico com inclusão que o Brasil atingiu. Ainda não existe propriamente uma receita única, e alguns pendem mais para o bolivarianismo, como a Argentina, enquanto outros ainda estão mais para o modelo de Washington, como a Colômbia e o Chile.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o fato é que se desenha uma divisão clara na região. E o bolivarianismo está em decadência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Argentina kirchnerista-peronista</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Argentina merece uma menção específica porque vem desenvolvendo um modelo híbrido, nem Consenso de Brasília, nem Consenso de Washington, nem bolivarianismo. Cristina Kirchner segue um modelo kirchnerista-peronista, orbitando entre as duas esferas, o Lulismo e o Chavismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Cristina tem sistematicamente lançado mão de um populismo econômico, que mais recentemente pode ser visto na iniciativa de conceder um aumento de 16,82% para os aposentados no dia 3 de agosto – a poucos meses da eleição, que se realiza em outubro. Trata-se do segundo reajuste para aposentados neste ano, resultando em um aumento total de 37% para 6,7 milhões de aposentados só em 2011.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas iniciativas de populismo econômico para ganhar apoio político vêm minando a estabilidade econômica. Atualmente, segundo levantamento da consultoria Stratfor, o governo argentino gasta us$ 17 bilhões por ano (19% do orçamento do governo central) em subsídios para produtos “políticamente sensíveis”, como gás natural, transmissões de futebol e pão. Os programas de subsídio aliam-se a uma série de iniciativas que distorcem o mercado, como limites de preços e restrições a exportação, para limitar o custo de produtos básicos para o eleitorado argentino.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo vem usando expansão monetária para custear esses programas.</p>
<p style="text-align: justify;">A inflação oficial na Argentina, de pouco mais de 10%, tem baixíssima credibilidade, e a maioria dos economistas acredita que a inflação real esteja entre 25% e 30%.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Região tem duas velocidades</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Recente estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (bid) mostra que a América Latina tem hoje duas velocidades. O relatório “Uma região, duas velocidades? Desafios da Nova Ordem Econômica Global para a América Latina e o Caribe” identifica dois grupos: um cluster brasileiro, cujos países compartilham com o Brasil uma série de características estruturais, como o fato de serem exportadores líquidos de commodities, terem uma alta exposição ao comércio de bens e serviços com países emergentes e baixa dependência de envios de remessas de países industriais. Segundo o relatório, “os países do cluster Brasil estão mais bem posicionados em um mundo em que as economias emergentes são os motores do crescimento – e cada vez mais mantêm comércio entre eles – os preços das commodities estão altos e os fluxos de capital se dirigem a esse cluster para se aproveitarem de melhores oportunidades e melhores perspectivas”.</p>
<p style="text-align: justify;">O outro grupo regional é chamado pelo relatório de cluster do México, cujos membros mantêm laços comerciais bem mais estreitos, tanto em intercâmbio de bens como de serviços, com os países industriais. Esses países são também importadores líquidos de commodities e têm grande dependência de envio de remessas de países mais avançados. Portanto, conclui o estudo, estão menos bem posicionados para lidar com a nova ordem econômica global. O baixo crescimento do México, cuja economia está intimamente ligada à atividade dos Estados Unidos, seria uma confirmação dessa teoria.</p>
<p style="text-align: justify;">As projeções de crescimento citadas pelo bid seriam outra validação da teoria – bem mais altas para o cluster Brasil (4,4%) do que para o cluster mexicano (2,7%), aí incluídos países caribenhos e centro-americanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O cluster brasileiro inclui todos os países sul-americanos (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, e Venezuela) e Trinidad e Tobago. “Países do tipo brasileiro, exportadores líquidos de commodities, são os claros vencedores – com baixa exposição a nações industriais, têm muito a ganhar por causa da maior demanda por investimentos, consequência do ambiente global de baixas taxas de juros”, diz o relatório.</p>
<p style="text-align: justify;">Já as nações do cluster mexicano, importadores de commodities com alta exposição a nações industriais, vão enfrentar grandes dificuldades, diz o texto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Consenso de Brasília em um mundo em crise</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O problema é que esse ambiente de altos preços de commodities, que vigorou nos últimos anos, pode estar prestes a mudar.</p>
<p style="text-align: justify;">O grande desafio é saber como se sustentará o Consenso de Brasília em um ambiente internacional menos benigno.</p>
<p style="text-align: justify;">Com ajuda do salto em exportação e investimentos nos setores intensivos em commodities, o ex-presidente Lula conseguiu um feito: desde 2003, quando ele assumiu, cerca de 49 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas. A renda média das famílias cresceu anualmente 1,8 ponto porcentual acima da alta do <acronym title='Produto Interno Bruto'>pib</acronym> desde 2003 – o contrário da China, onde o <acronym title='Produto Interno Bruto'>pib</acronym> vem crescendo dois pontos porcentuais acima da renda das famílias.</p>
<p style="text-align: justify;">A recente crise financeira internacional, aliada ao alto endividamento de governos europeus e perspectiva de crescimento pífio nos Estados Unidos, apontam para um enfraquecimento nos preços das commodities. No Brasil, a balança comercial deve ser o primeiro canal de contaminação da crise global.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo analistas, caso a desaceleração nos Estados Unidos e na Europa se aprofunde, já deve haver queda ou redução no crescimento das exportações brasileiras no último trimestre deste ano. Essa queda não deve comprometer o superávit comercial de 2011, mas ameaça reverter o resultado da balança comercial em 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo depende muito de como a China vai reagir à desaceleração global. A economia chinesa continua altamente dependente de exportações para os Estados Unidos. Mas está tentando mudar seu modelo de crescimento, para ficar mais centrada no consumo doméstico, e menos calcada em investimentos e exportação.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a China for bastante atingida pela crise global, fatalmente sua demanda por commodities vai cair, derrubando preços.</p>
<p style="text-align: justify;">E o Brasil depende dos altos preços de matérias-primas para manter seu modelo de distribuição de renda, uma vez que não houve ajuste fiscal significativo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem o bônus dessa renda extra das commodities, o Brasil e outros países da região exportadores de matérias-primas precisarão rever seu modelo de receita para manter o ativismo do Estado na busca por inclusão social.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">PATRÍCIA CAMPOS MELLO é repórter especial da Folha de S. Paulo e colunista da Folha.com, onde escreve sobre política e economia internacional. Foi correspondente de O Estado de S. Paulo em Washington durante quatro anos, onde cobriu a eleição do presidente Barack Obama, a crise financeira e a guerra do Afeganistão, acompanhando as tropas americanas. Tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. É autora dos livros O Mundo Tem Medo da China (Mostarda, 2005) e Índia – da Miséria à Potência (Planeta, 2008).</p>
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