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	<title>Blog Sandro Araújo &#187; Argentina</title>
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	<description>Economia, Política, Opinião, Variedades…</description>
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		<title>Consenso de Brasília</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 10:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
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		<description><![CDATA[Segue interessante texto, de Patrícia Campos de Melo, sobre o &#8220;Consenso de Brasília&#8221;. É bom observar por outro ângulo as transformações pelas quais passam nosso país e nossa região. Ao tomar posse em Lima, no dia 28 de julho, o presidente peruano Ollanta Humala seguiu à risca o script de seu mentor, Luiz Inácio Lula [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Segue interessante texto, de Patrícia Campos de Melo, sobre o &#8220;Consenso de Brasília&#8221;. É bom observar por outro ângulo as transformações pelas quais passam nosso país</em> e nossa região.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ao tomar posse em Lima, no dia 28 de julho, o presidente peruano Ollanta Humala seguiu à risca o script de seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Patrícia Campos de Melo &#8211; Do <a title="Blog Interesse Nacional" href="http://interessenacional.uol.com.br/artigos-integra.asp?cd_artigo=125">Interesse Nacional</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Humala prometeu que vai governar “um Peru para todos”, ecoando o “Brasil, um País de todos” de Lula. Anunciou a expansão do programa de transferência de renda Juntos, nos moldes do Bolsa Família. Decretou aumento de 12,5% do salário-mínimo e enfatizou que sua prioridade será crescimento com inclusão social. Revelou também que iria criar um conselho social, nos moldes do conselho de desenvolvimento social do governo brasileiro. O discurso do peruano foi coescrito pelo petista Luís Favre, que fez toda a campanha de Humala.</p>
<p style="text-align: justify;">Hugo Chávez, antigo inspirador do esquerdista Humala, não mereceu nenhuma menção. Nem indireta.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a vitória de Humala na eleição presidencial do Peru – e seu início de governo com muitos afagos para os moderados e um gabinete centrista – avança na América Latina o que vem sendo chamado de “Consenso de Brasília”.</p>
<p style="text-align: justify;">Regimes de esquerda moderada, que combinam inclusão social com nacionalismo na exploração de recursos naturais e estabilidade macroeconômica, estão se consolidando na América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;">Os maiores símbolos deste novo consenso são Brasil, Uruguai e El Salvador. O prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, conhecido defensor do livre-mercado, apoiou Humala nesta eleição e falou do novo consenso em coluna no jornal espanhol El País.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Para que aqueles programas (sociais) sejam bem-sucedidos é indispensável que o Peru continue crescendo como nos últimos anos, senão não há riqueza para distribuir. Os socialistas chilenos, brasileiros, uruguaios e salvadorenhos entenderam isso e, apesar de continuarem se chamando de socialistas, têm feito um governo social-democrata (não digo liberal para não assustar ninguém, mas não seria mentira).”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2362"></span>Na América do Sul, só restaram dois países grandes com governo de centro-direita: Chile e Colômbia. E mesmo esses estão se movendo para uma agenda de centro-esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de Sebastián Piñera no Chile é considerado uma continuação da Concertación (coalizão eleitoral de partidos chilenos de centro-esquerda).</p>
<p style="text-align: justify;">Piñera adotou medidas mais identificadas com a esquerda do que com a direita – renegociou os impostos da mineração e propôs licença-maternidade de seis meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, no entanto, Piñera reformou seu ministério, nomeando integrantes mais identificados com a direita, e adotando uma plataforma mais conservadora de “segurança pública”, diante dos últimos dois meses de manifestações populares.</p>
<p style="text-align: justify;">A popularidade de Piñera caiu para 26%, menor índice pós-democratização, muito por causa da insatisfação popular com o modelo econômico chileno. A percepção é que o modelo chileno, queridinho dos economistas alinhados com o Consenso de Washington, trouxe de fato muito crescimento econômico, mas os maiores beneficiários foram os mais ricos e não houve diminuição significativa da desigualdade.</p>
<p style="text-align: justify;">As manifestações populares recentes são sintoma disso: multidões de estudantes tomaram as ruas protestando por melhor educação. Embora o Chile esteja bem colocado no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), existe enorme disparidade entre as colégios particulares, frequentados pelos jovens de classe alta, e as escolas públicas, sucateadas, que são a única opção da classe média-baixa e baixa.</p>
<p style="text-align: justify;">As greves na Codelco, a enorme estatal de exploração de cobre – minério que responde por cerca de 30% da exportação do país – foram também sintomáticas. Trabalhadores se mobilizaram contra ameaças de privatização da gigante de cobre do Chile.</p>
<p style="text-align: justify;">Piñera fez uma enorme reforma ministerial. Criou um fundo para educação de us$ 4 bilhões. Veio a público dizer que a Codelco não será privatizada. “A Codelco vai permanecer nas mãos do Estado, pertencendo ao povo chileno, mas queremos que ela seja moderna e eficiente”, disse. Não exatamente um discurso de direita empresarial e tecnocrática.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos tem sido criticado publicamente por seu antecessor Álvaro Uribe, por medidas que preveem a indenização de vítimas do conflito armado e um plano de devolução das terras de camponeses que foram expropriadas por paramilitares de direita.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela Lei de Vítimas e Restituição de Terras, aprovada em junho, o governo reconhece que a Colômbia vive o mais longo conflito armado da América do Sul e prevê ressarcimento e devolução de terras para suas vítimas. Os uribistas se opõem radicalmente à legislação.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto Uribe se aproximava ostensivamente dos Estados Unidos e cultivava rusgas com o vizinho Hugo Chávez, Santos tem privilegiado as relações na América do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Como descreveu Juanita León, do site de reportagens e opinião “La Silla Vacía”: “A habilidade de Santos é conseguir manter postulados econômicos e de segurança de direita e agregar a eles bandeiras de esquerda como o reformismo e a integração latino-americana”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa aproximação regional já rende frutos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve em Bogotá em agosto para participar de um foro empresarial promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (bid), fez elogios enfáticos à “visão política” de Juan Manuel Santos, por ele promover boas relações com Venezuela e Equador. O ex-presidente brasileiro afirmou que, com Santos no poder, o clima na região será “muito mais distensionado” do que na gestão de Uribe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Peru</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante o governo Alan García, o Peru seguiu à risca os preceitos do Consenso de Washington de atração de investimentos e abertura comercial – fechou acordos comerciais com diversos países, entre eles Estados Unidos, China e União Europeia. O país se tornou uma grande história de sucesso na região, com crescimento médio de 7,2% nos últimos cinco anos, entre os maiores do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o país pecou por negligenciar os programas sociais e esse foi um fator determinante para a eleição de Humala. Houve redução na pobreza, mas a disparidade entre a costa e Lima, mais ricos, e o altiplano e a Amazônia, pobres, continuou muito grande. Isso gerou insatisfação popular e percepção de que os frutos dos grandes investimentos estrangeiros diretos na exploração de recursos naturais não estavam sendo distribuídos de forma equitativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas palavras do presidente do InterAmerican Dialogue, Michael Shifter, que cunhou o termo “Consenso de Brasília”, o Peru foi um golpe contra a direita, que acreditava que bastava ter boas políticas e crescimento econômico para resolver o problema da pobreza.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Essa eleição aponta para a consolidação de um esquerdismo moderado na região, podemos falar no avanço de um Consenso de Brasília, baseado em preocupação com a agenda social, políticas macroeconômicas responsáveis, dentro de um arcabouço democrático”, disse Shifter em entrevista à Folha.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cartilha do Consenso de Brasília</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O receituário do Consenso de Brasília mistura políticas que poderiam facilmente estar na agenda neoliberal com medidas de arrepiar os cabelos dos ortodoxos.</p>
<p style="text-align: justify;">Países como Brasil, Uruguai e El Salvador, os maiores símbolos do consenso, Argentina e Paraguai, países híbridos, e Chile e Colômbia, países de centro-direita que estão se movendo para o modelo brasileiro, todos compartilham algumas orientações.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles apostam nos cânones da estabilidade macroeconômica – independência do Banco Central, estabilidade fiscal, câmbio flutuante. Compartilham da preocupação com a inclusão social e adotam, em maior ou menor extensão, programas de transferência condicional de renda e de valorização do salário-mínimo.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma esquerda diferente da encontrada na Venezuela, na Bolívia e no Equador, onde o esquerdismo é calcado em um projeto mais radical de distribuição de renda, com preceitos socialistas. Também os bolivarianos recorrem a reformas da constituição para perpetuar líderes no poder, “em uma democracia corrompida”, como diz Amado Cervo, professor emérito da Universidade de Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eles também abraçam alguns aspectos bem menos palatáveis ao pessoal do Consenso de Washington.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns países apostam na política de reindustrialização, com ecos da substituição de importações defendida por Raúl Prebisch, que é anátema para os neoliberais. Humala manifestou que irá apostar em iniciativas nessa área e a Argentina também vai nesta direção. Até a iniciativa de exigir conteúdo local dos fornecedores para plataformas da Petrobras no Brasil pode ser vista como parte de um programa de substituição de importação.</p>
<p style="text-align: justify;">A ampliação do papel do Estado na economia é um mandamento central do Consenso de Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao assumir, Humala reafirmou sua promessa de manter estabilidade macroeconômica e respeitar contratos. Mas ele voltou a dizer, como fazia durante a campanha, que pretende aumentar o papel do Estado na economia, ampliando programas sociais e a participação direta do governo em setores-chave da economia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua posse, ele fez seu juramento sobre a Constituição peruana de 1979, e não sobre a Constituição de 1993, que foi promulgada durante o governo autoritário de Alberto Fuijimori.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além do aspecto autoritário da Constituição de 93, Humala discorda dela porque o documento estabelece que o Estado terá um papel secundário na economia e limita o poder de participação do governo em empresas e licitações.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredita-se que, durante seu mandato, caso tenha apoio no Congresso para tal, ele tente reformar esses aspectos da Constituição. Mas é bom deixar claro que tudo isso ainda passa bem longe da onda de expropriações chavistas e seu socialismo do século xxi.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra constante no chamado Consenso de Brasília é o nacionalismo em relação à exploração de recursos naturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das prioridades anunciadas por Humala ao assumir (e antes, na campanha) é aumentar os impostos pagos pelas mineradoras, seja sobre lucros extraordinários ou royalties. Ele promete, no entanto, seguir o modelo chileno para isso, negociando com as mineradoras, sem romper contratos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Chile negociou com as mineradoras um aumento nos impostos, com a justificativa de que precisava de mais receita para reconstruir o país após o terremoto. E, no Brasil, o marco regulatório da mineração, que está parado no Congresso, prevê aumento dos royalties na exploração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Decadência da esquerda bolivariana</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A ascensão do Consenso de Brasília – ou Lulismo, como prefere a revista The Economist – se dá no mesmo momento em que o chavismo e a esquerda bolivariana estão em franca decadência.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de ser revelada sua doença, o presidente Hugo Chávez estava com a popularidade abaixo de 50%, índice historicamente baixo. A Venezuela luta contra uma série de problemas econômicos. Enquanto o resto da América do Sul tem atingido altas taxas de crescimento, a Venezuela está saindo de dois anos de recessão. A produção de petróleo está caindo, os apagões são frequentes. E Caracas tem o maior índice de assassinatos da região.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar, a doença de Chávez produz um vácuo de poder em um regime fortemente calcado no personalismo de seu líder. Não há sucessores óbvios. O irmão de Chávez, Adán, governador da província de Barinas, vem sendo apontado como possível sucessor – repetindo a dobradinha entre irmãos que se arquitetou em Cuba com Fidel e Raúl Castro. Mas Adán Chávez nem de longe tem o carisma de Hugo e não se sabe como seria essa transição, caso ela tenha de ocorrer.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ficou provado que a esquerda de Lula é melhor do que a esquerda de Chávez”, resumiu o chileno Patricio Navía, professor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Nova York e da Universidade Diego Portales em Santiago.</p>
<p style="text-align: justify;">“A Venezuela de hoje tem tantos problemas quanto tinha em 1999, quando Chávez assumiu. Os venezuelanos não querem voltar ao passado, mas tampouco estão contentes com Chávez, que debilitou a democracia e enfraqueceu a esquerda.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lulificação de Humala</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Humala só conseguiu se eleger depois de uma agressiva campanha de marketing – coordenada por Luis Favre e outro petista, Valdemir Garreta, ex-secretário municipal de Marta Suplicy – para se “lulificar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2006, quando Humala enfrentou Alan García na eleição presidencial, ele perdeu porque era muito identificado com Chávez e seu radicalismo. O centro e a direita se uniram para derrotá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta vez, chegou a dizer que o modelo de Chávez “não se aplicava” ao Peru. Prometeu que iria respeitar contratos, manter a estabilidade macroeconômica e independência do banco central. Divulgou até uma carta ao povo peruano, nos moldes da “Carta ao povo brasileiro” que Lula lançou em 2002 para acalmar os mercados.</p>
<p style="text-align: justify;">E a oposição rachou – os três candidatos de centro-direita – o ex-presidente Alejandro Toledo, o ex-ministro das Finanças, Pedro Pablo Kuczyinski e o ex-prefeito de Lima, Luis Castañeda – dividiram os votos. Resultado, Keiko Fujimori, mais à direita e identificada com os abusos de poder de seu pai, Alberto Fujimori, passou para o segundo turno.</p>
<p style="text-align: justify;">Toledo, no segundo turno, apoiou Humala, e o candidato ganhou por margem estreita. Já eleito, o presidente incluiu vários toledistas em seu governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda há espaço para incertezas, claro. Uma perda de popularidade pode levar Humala a uma guinada populista – por exemplo, forçar a mão na taxação das mineradoras com o intuito de agradar as populações indígenas locais e aumentar a arrecadação para cumprir suas promessas sociais. E algumas das propostas anunciadas por Humala despertam preocupação.</p>
<p style="text-align: justify;">Também é preciso ver se ele cumprirá suas promessas de que não vai mudar a Constituição para permitir reeleição, como fizeram alguns governos bolivarianos, e nem optar por uma dupla com sua mulher, Nadine, que se candidataria na próxima eleição, reeditando o modelo argentino Cristina-Néstor Kirchner.</p>
<p style="text-align: justify;">Mauricio Funes, que se elegeu para a presidência de El Salvador em março de 2009 pela Frente Farabundo Martí de Liberação Nacional, é outro que espantou o fantasma do radicalismo. Seu partido foi fundado pelas guerrilhas marxistas, mas Funes tem feito um governo moderado, de conciliação. Sua mulher, Vanda, é brasileira e foi representante do pt na América Central.</p>
<p style="text-align: justify;">Funes fez campanha colando sua imagem em Lula, de quem ficou próximo. Antes da eleição, ele se reuniu quatro vezes com o ex-presidente brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em maio de 2008, Lula recebeu Funes no Palácio do Planalto. “O presidente Lula me disse que seus técnicos poderão aconselhar-nos em El Salvador para a execução bem-sucedida da experiência brasileira de combate à pobreza”, disse Funes após se reunir com Lula. “Identifico-me com o presidente Lula porque ele implementou programas efetivos para criar empregos e combater a pobreza.”</p>
<p style="text-align: justify;">Está certo que o Consenso de Brasília ainda se restringe a uma série de preceitos comuns e um desejo de emular o crescimento econômico com inclusão que o Brasil atingiu. Ainda não existe propriamente uma receita única, e alguns pendem mais para o bolivarianismo, como a Argentina, enquanto outros ainda estão mais para o modelo de Washington, como a Colômbia e o Chile.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o fato é que se desenha uma divisão clara na região. E o bolivarianismo está em decadência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Argentina kirchnerista-peronista</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Argentina merece uma menção específica porque vem desenvolvendo um modelo híbrido, nem Consenso de Brasília, nem Consenso de Washington, nem bolivarianismo. Cristina Kirchner segue um modelo kirchnerista-peronista, orbitando entre as duas esferas, o Lulismo e o Chavismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Cristina tem sistematicamente lançado mão de um populismo econômico, que mais recentemente pode ser visto na iniciativa de conceder um aumento de 16,82% para os aposentados no dia 3 de agosto – a poucos meses da eleição, que se realiza em outubro. Trata-se do segundo reajuste para aposentados neste ano, resultando em um aumento total de 37% para 6,7 milhões de aposentados só em 2011.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas iniciativas de populismo econômico para ganhar apoio político vêm minando a estabilidade econômica. Atualmente, segundo levantamento da consultoria Stratfor, o governo argentino gasta us$ 17 bilhões por ano (19% do orçamento do governo central) em subsídios para produtos “políticamente sensíveis”, como gás natural, transmissões de futebol e pão. Os programas de subsídio aliam-se a uma série de iniciativas que distorcem o mercado, como limites de preços e restrições a exportação, para limitar o custo de produtos básicos para o eleitorado argentino.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo vem usando expansão monetária para custear esses programas.</p>
<p style="text-align: justify;">A inflação oficial na Argentina, de pouco mais de 10%, tem baixíssima credibilidade, e a maioria dos economistas acredita que a inflação real esteja entre 25% e 30%.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Região tem duas velocidades</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Recente estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (bid) mostra que a América Latina tem hoje duas velocidades. O relatório “Uma região, duas velocidades? Desafios da Nova Ordem Econômica Global para a América Latina e o Caribe” identifica dois grupos: um cluster brasileiro, cujos países compartilham com o Brasil uma série de características estruturais, como o fato de serem exportadores líquidos de commodities, terem uma alta exposição ao comércio de bens e serviços com países emergentes e baixa dependência de envios de remessas de países industriais. Segundo o relatório, “os países do cluster Brasil estão mais bem posicionados em um mundo em que as economias emergentes são os motores do crescimento – e cada vez mais mantêm comércio entre eles – os preços das commodities estão altos e os fluxos de capital se dirigem a esse cluster para se aproveitarem de melhores oportunidades e melhores perspectivas”.</p>
<p style="text-align: justify;">O outro grupo regional é chamado pelo relatório de cluster do México, cujos membros mantêm laços comerciais bem mais estreitos, tanto em intercâmbio de bens como de serviços, com os países industriais. Esses países são também importadores líquidos de commodities e têm grande dependência de envio de remessas de países mais avançados. Portanto, conclui o estudo, estão menos bem posicionados para lidar com a nova ordem econômica global. O baixo crescimento do México, cuja economia está intimamente ligada à atividade dos Estados Unidos, seria uma confirmação dessa teoria.</p>
<p style="text-align: justify;">As projeções de crescimento citadas pelo bid seriam outra validação da teoria – bem mais altas para o cluster Brasil (4,4%) do que para o cluster mexicano (2,7%), aí incluídos países caribenhos e centro-americanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O cluster brasileiro inclui todos os países sul-americanos (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, e Venezuela) e Trinidad e Tobago. “Países do tipo brasileiro, exportadores líquidos de commodities, são os claros vencedores – com baixa exposição a nações industriais, têm muito a ganhar por causa da maior demanda por investimentos, consequência do ambiente global de baixas taxas de juros”, diz o relatório.</p>
<p style="text-align: justify;">Já as nações do cluster mexicano, importadores de commodities com alta exposição a nações industriais, vão enfrentar grandes dificuldades, diz o texto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Consenso de Brasília em um mundo em crise</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O problema é que esse ambiente de altos preços de commodities, que vigorou nos últimos anos, pode estar prestes a mudar.</p>
<p style="text-align: justify;">O grande desafio é saber como se sustentará o Consenso de Brasília em um ambiente internacional menos benigno.</p>
<p style="text-align: justify;">Com ajuda do salto em exportação e investimentos nos setores intensivos em commodities, o ex-presidente Lula conseguiu um feito: desde 2003, quando ele assumiu, cerca de 49 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas. A renda média das famílias cresceu anualmente 1,8 ponto porcentual acima da alta do <acronym title='Produto Interno Bruto'>pib</acronym> desde 2003 – o contrário da China, onde o <acronym title='Produto Interno Bruto'>pib</acronym> vem crescendo dois pontos porcentuais acima da renda das famílias.</p>
<p style="text-align: justify;">A recente crise financeira internacional, aliada ao alto endividamento de governos europeus e perspectiva de crescimento pífio nos Estados Unidos, apontam para um enfraquecimento nos preços das commodities. No Brasil, a balança comercial deve ser o primeiro canal de contaminação da crise global.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo analistas, caso a desaceleração nos Estados Unidos e na Europa se aprofunde, já deve haver queda ou redução no crescimento das exportações brasileiras no último trimestre deste ano. Essa queda não deve comprometer o superávit comercial de 2011, mas ameaça reverter o resultado da balança comercial em 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo depende muito de como a China vai reagir à desaceleração global. A economia chinesa continua altamente dependente de exportações para os Estados Unidos. Mas está tentando mudar seu modelo de crescimento, para ficar mais centrada no consumo doméstico, e menos calcada em investimentos e exportação.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a China for bastante atingida pela crise global, fatalmente sua demanda por commodities vai cair, derrubando preços.</p>
<p style="text-align: justify;">E o Brasil depende dos altos preços de matérias-primas para manter seu modelo de distribuição de renda, uma vez que não houve ajuste fiscal significativo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem o bônus dessa renda extra das commodities, o Brasil e outros países da região exportadores de matérias-primas precisarão rever seu modelo de receita para manter o ativismo do Estado na busca por inclusão social.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">PATRÍCIA CAMPOS MELLO é repórter especial da Folha de S. Paulo e colunista da Folha.com, onde escreve sobre política e economia internacional. Foi correspondente de O Estado de S. Paulo em Washington durante quatro anos, onde cobriu a eleição do presidente Barack Obama, a crise financeira e a guerra do Afeganistão, acompanhando as tropas americanas. Tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. É autora dos livros O Mundo Tem Medo da China (Mostarda, 2005) e Índia – da Miséria à Potência (Planeta, 2008).</p>
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		<title>Investimentos diretos brasileiros na Argentina disparam</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/08/investimentos-diretos-brasileiros-na-argentina-disparam/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Aug 2011 01:02:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Os investimentos diretos do Brasil na Argentina dispararam e se diversificaram nos últimos seis anos e a perspectiva é de que eles continuem crescendo em diversos setores industriais, segundo dados reunidos pelo setor comercial da embaixada do Brasil em Buenos Aires. Por Marcia Carmo &#8211; BBC Brasil O crescimento econômico argentino (9% anual), a desvalorização [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Os investimentos diretos do Brasil na Argentina dispararam e se diversificaram nos últimos seis anos e a perspectiva é de que eles continuem crescendo em diversos setores industriais, segundo dados reunidos pelo setor comercial da embaixada do Brasil em Buenos Aires.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Marcia Carmo &#8211; <a title="Investimentos diretos brasileiros na Argentina disparam" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/08/110802_argentina_economia_mc_is.shtml" target="_blank">BBC Brasil</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">O crescimento econômico argentino (9% anual), a desvalorização do peso frente ao real (R$ 1 igual a $ 2,6), a possibilidade de escapar das barreiras comerciais, a chance de atender a demanda local e exportar para o Brasil e outros mercados são os motivos que levam empresas brasileiras de diferentes setores a se instalarem na Argentina, segundo economistas, autoridades de governo e empresários do país vizinho ouvidos pela BBC Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">A estimativa de estoque de investimentos globais brasileiros no país vizinho, entre 1997 e o primeiro semestre de 2011, é de US$ 11,2 bilhões. Deste total, segundo dados da embaixada, quase US$ 8 bilhões (US$ 7,7 bilhões) foram investidos entre 2005 e 2011. Sendo, por exemplo, 25% correspondentes ao setor industrial, 18,5% ao petróleo e gás e 10,9% a mineração.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2240"></span><strong>Projeção</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A projeção de investimentos, não incluídos neste estoque, conta, por exemplo, com a instalação de uma fábrica do Grupo Moura, de baterias, com US$ 30 milhões até 2015, conforme anúncio realizado pela companhia no ano passado.</p>
<p style="text-align: justify;">A empresa Randon, do setor de veículos, também informou em maio deste ano que investirá US$ 8 milhões na ampliação da sua fábrica no país até 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">E a Vale prevê investimentos de cerca de US$ 3,5 bilhões no projeto de extração de potássio na província de Mendoza, que envolverá obras também nas províncias de Buenos Aires, Neuquén e de Rio Negro, com a construção de um porto e de uma ferrovia.</p>
<p style="text-align: justify;">As operações da Vale em Mendoza tinham sido suspensas, mas foram retomadas em julho, segundo a assessoria de imprensa do governo de Mendoza. Este promete ser o maior investimento brasileiro já feito na Argentina, superando a compra realizada pela Petrobras da Perez Companc (Pecom) em 2002, com cerca de US$ 2 bilhões.</p>
<p style="text-align: justify;">A Vale pretende vender o produto no mercado interno e no mercado brasileiro, segundo assessores do governo de Mendoza. Interlocutores da empresa contaram que a companhia já teria investido US$ 1,5 bilhão deste total de US$ 5 bilhões previstos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8216;Destino natural&#8217;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na semana passada, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que a Camargo Correa investirá US$ 75 milhões para ampliar sua fábrica de cimento no país.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A Camargo Correa bate recorde de produção no país. A Argentina cresceu 10,9% nos primeiros cinco meses deste ano, superando o recorde de 2010 e o cimento tem papel fundamental, ligado ao crescimento e a construção&#8221;, disse a presidente ao lado de representantes da companhia.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo ela, as empresas &#8220;não têm por que temer a Argentina&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Na opinião do economista Bernardo Kosacoff, ex-diretor da Cepal (Comissão Econômica para América Latina), a Argentina é um &#8220;destino natural&#8221; das empresas brasileiras que podem então exportar para outros mercados e adquirir &#8220;know-how&#8221; de companhia internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ele, outro &#8220;fator natural&#8221; é a &#8220;complementação&#8221; desta cadeia industrial.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso dos automóveis fabricados na Argentina, por exemplo, eles contam com peças do Brasil e são exportados, quando prontos, para o mercado brasileiro, principalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">O economista Diego Giacomini, da consultoria Economia e Regiões, de Buenos Aires, observou que os custos ainda compensam para o investidor que desembarca do Brasil na Argentina.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Os custos de energia elétrica e de gás no Brasil são seis ou sete vezes maiores do que na Argentina&#8221;, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Os serviços públicos privatizados passaram a receber subsídios do governo argentino pouco depois que o ex-presidente Nestor Kirchner tomou posse em 2003, reduzindo os custos das empresas e as tarifas para os consumidores.</p>
<p style="text-align: justify;">Giacomini acha, porém, que o Brasil é &#8220;mais seguro e confiável&#8221; hoje para um investidor, já que &#8220;as regras não mudam como na Argentina&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Inflação</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O empresário argentino do setor de calçados, Carlos Alberto López, que tem uma fábrica com sócios brasileiros em Buenos Aires, disse que a sociedade foi feita há dois anos, quando outras empresas brasileiras do ramo desembarcaram na Argentina. Mas hoje ele acha que apesar da desvalorização do peso, os custos já não são tão baixos devido ao aumento da inflação no país.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Assim como meus sócios, outras fábricas de calçados vieram para vender no mercado local e daqui também exportar para o Brasil e outros mercados. Uma forma de escapar das barreiras comerciais argentinas. Mas agora a inflação está tão alta que não compensa tanto como antes&#8221;, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Outros setores têm aumentado a presença na Argentina, como o têxtil, em áreas de produção de algodão, como observou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Enio Cordeiro, durante entrevista com jornalistas brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, elas têm procurado principalmente a região norte do país vizinho. Para o embaixador, o comércio bilateral deverá bater este ano o recorde de cerca de US$ 40 bilhões, mesmo quando setores reclamam das barreiras comerciais argentinas e quando exportadores argentinos do setor automotivo se queixam de veículos parados na fronteira brasileira.</p>
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		<title>Patriota reconhece que relação comercial entre Brasil e Argentina exige atenção</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 10:24:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Comércio Exterior]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana em que a presidenta argentina Cristina Kirchner visita o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, minimizou hoje (27) a crise comercial entre os dois países. Por Débora Zampier &#8211; Agência Brasil “Quando você tem uma relação comercial intensa, é natural que surjam situações que exigem atenção. É assim que acontece com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Na semana em que a presidenta argentina Cristina Kirchner visita o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, minimizou hoje (27) a crise comercial entre os dois países.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Débora Zampier &#8211; Agência Brasil</em></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Quando você tem uma relação comercial intensa, é natural que surjam situações que exigem atenção. É assim que acontece com qualquer relacionamento comercial bilateral da importância deste que temos com a Argentina”, disse Patriota.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o chanceler, a crise comercial não será o tema principal da visita de Kirchner, mas deve constar na agenda que começa na próxima sexta-feira (29). “Questões comerciais têm seus canais habituais já consolidados no diálogo do ministro Pimentel [Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior] com a ministra Débora Giorgi [ministra da Indústria argentina]”.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde meados deste ano, intensificaram-se as trocas de acusações do setor industrial dos dois países sobre restrições para entrada de produtos. Na Páscoa deste ano, por exemplo, as cargas de caminhões brasileiros abastecidos com ovos de chocolate foram perdidas devido à demora para entrar na Argentina. No dia 12 de maio, o Brasil impôs barreiras à importação de carros de todos os países, mas a decisão foi vista como uma retaliação à Argentina.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Patriota, a visita de Cristina, que começa às 11h, seguirá protocolo sem novidades: reunião bilateral seguida de uma reunião ampliada, contato com a imprensa e almoço no Itamaraty. Mais tarde, Cristina irá inaugurar a nova sede da Chancelaria argentina em Brasília .</p>
<p style="text-align: justify;">Patriota disse que haverá um comunicado conjunto semelhante ao adotado na visita de Dilma a Buenos Aires, com avaliação de áreas de cooperação como a espacial, nuclear, financeira e a coordenação dentro do G20. “Acho que será uma excelente oportunidade para fazermos uma avaliação aqui do percurso já transcorrido nesses primeiros meses desde que a presidenta Dilma esteve em Buenos Aires”.</p>
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		<title>Produtores argentinos vão bloquear ponte para impedir entrada de carne de porco do Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 12:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Comércio Exterior]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Monica Yanakiew &#8211; Correspondente da EBC em Buenos Aires Suinocultores da Argentina prometeram bloquear, a partir da próxima quarta-feira (27), por tempo indeterminado, a ponte Rosário-Victoria, entre as províncias de Santa Fé e Entre Rios. Por essa ponte, que fica a 350 quilômetros ao norte de Buenos Aires, passa boa parte dos caminhões que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Monica Yanakiew &#8211; Correspondente da EBC em Buenos Aires</em></p>
<p style="text-align: justify;">Suinocultores da Argentina prometeram bloquear, a partir da próxima quarta-feira (27), por tempo indeterminado, a ponte Rosário-Victoria, entre as províncias de Santa Fé e Entre Rios. Por essa ponte, que fica a 350 quilômetros ao norte de Buenos Aires, passa boa parte dos caminhões que transportam produtos chilenos e brasileiros. “Mas só vamos parar os caminhões com carne de porco”, assegurou à Agência Brasil Cristian Roca, chefe da área sindical da Federação Agrária Argentina. “Não queremos prejudicar o comércio do Mercosul, só queremos medidas do governo para proteger nossos produtores”.</p>
<p style="text-align: justify;">“A Argentina sempre importou carne de porco do Brasil, mas nunca tanto como agora”, reclamou a sindicalista. “Nos primeiros seis meses de 2011, importamos a mesma quantidade de todo o ano passado.” Os pequenos produtores argentinos querem que a Argentina limite a importação de carne de porco processada do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Roca, as crescente importações do Brasil fizeram com que o preço da carne de porco do produtor argentino caísse de 7 pesos (R$ 2,66) para 5 pesos (R$ 1,87) por quilograma (kg). Omar Príncipe, outro dirigente sindical da FAA, disse que os produtores locais querem limitar as importações a 2,5 mil toneladas mensais, mas que, no momento, a Argentina está comprando quase o dobro.</p>
<p style="text-align: justify;">Boa parte da carne de porco produzida pela Argentina ou importada do Brasil e do Chile é destinada à fabricação de frios e embutidos, consumidos no mercado interno e exportados. Segundo Roca, os frigoríficos argentinos estão importando mais do Brasil porque o vizinho produz em grande escala e os preços são mais competitivos. “Mas o consumidor final, aqui, não está pagando menos”, disse Roca. “Os frigoríficos estão ganhando com a diferença e o governo não está protegendo o produtor local”, acrescentou. A Argentina importa do Brasil quase 70% da carne de porco que consome. Em 2010, importou o equivalente a US$ 100 milhões, 60% a mais que no ano anterior.</p>
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		<title>Argentina não cumpre acordo para liberar cargas brasileiras em menos de 60 dias</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 12:10:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Comércio Exterior]]></category>
		<category><![CDATA[Mercosul]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais de um mês após o encontro da ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pouca coisa mudou nas fronteiras do parceiro de Mercosul em relação aos exportadores brasileiros. Na época, foi firmado um compromisso de respeito ao prazo máximo de 60 dias para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Mais de um mês após o encontro da ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pouca coisa mudou nas fronteiras do parceiro de Mercosul em relação aos exportadores brasileiros. Na época, foi firmado um compromisso de respeito ao prazo máximo de 60 dias para liberação de produtos importados, como recomenda a Organização Mundial do Comércio (OMC).</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Luciene Cruz &#8211; Agência Brasil</em></p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, segundo exportadores nacionais, a relação comercial com os vizinhos do Sul permanece difícil e os produtos brasileiros continuam sendo retidos pela burocracia argentina por períodos superiores aos aceitos pela OMC. Segundo resposta oficial enviada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), “não houve nenhuma mudança na relação comercial dos dois países. Tudo continua muito crítico”.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo ocorre no segmento de calçados. O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, confirma que o acordo não está sido cumprido. “O acordo não aconteceu. As mercadorias continuam presas. Temos produtos esperando liberação desde março”, reclamou.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2050"></span>Para ele, o governo brasileiro errou ao “afrouxar” na questão das licenças não automáticas de importação. “Precisamos aplicar a mesma medida. Infelizmente, essa é a única linguagem que eles entendem. Continuamos prejudicados com o não cumprimento de prazos”.</p>
<p style="text-align: justify;">O acordo foi firmado no dia 2 de junho, após um período de tensão nas relações comerciais entre os dois países, quando o Brasil decidiu retirar os automóveis da lista de produtos com licenças automáticas de importação. Mesmo sendo defendida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) como medida cautelar para evitar o desequilíbrio da balança comercial, a iniciativa foi interpretada como retaliação pelo governo argentino às barreiras impostas aos produtos brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Na ocasião, os representantes do setor industrial dos dois países fixaram uma espécie de ato de boa vontade, prometendo flexibilizar as exigências de cada país para “melhorar a relação bilateral” e dar mais agilidade no cumprimento dos prazos estabelecidos pela OMC. Em nota conjunta, os ministros manisfestam “disposição de facilitar os trâmites para obtenção e aprovação das licenças de importação, bem como liberação dos produtos que se encontram atualmente na fronteiras dos dois países”. Na época, também ficou estabelecida a rotina de encontros mensais entre representantes dos dois governos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, o impasse está longe de ser solucionado. “Nada foi formalizado oficialmente, não teve nada escrito. O assunto não está resolvido, não se tem falado mais nada, mas existe muito interesse político”, comentou. Segundo Castro, nessa “guerra comercial” o Brasil será sempre prejudicado. “Infelizmente, a Argentina acha que o Brasil tem sempre que atendê-la e isso tem acontecido. É como se existisse a ameaça velada de que, quando o Brasil deixa de vender à Argentina, a China está ocupando esse lugar&#8221;.</p>
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		<title>Binner, o suiço que pretende governar a Argentina</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/06/binner-o-suico-que-pretende-governar-a-argentina/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 10:51:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>

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		<description><![CDATA[O socialista Hermes Binner, neto de imigrantes suiços do Valais (sudoeste) no século 19, acaba de anunciar sua candidatura à presidência da Argentina. Por Norma Domínguez &#8211; Swissinfo.ch Se triunfar nas eleições de 23 de outubro, Binner será o primeiro presidente da Argentina que conserva a nacionalidade suíça. Na tarde de 11 de junho último, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>O socialista Hermes Binner, neto de imigrantes suiços do Valais (sudoeste) no século 19, acaba de anunciar sua candidatura à presidência da Argentina.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por Norma Domínguez &#8211; <a title="Binner, o suiço que pretende governar a Argentina " href="http://www.swissinfo.ch/por/politica_suica/Binner,_o_suico_que_pretende_governar_a_Argentina_.html?cid=30498520" target="_blank">Swissinfo.ch</a></p>
<p style="text-align: justify;">Se triunfar nas eleições de 23 de outubro, Binner será o primeiro presidente da Argentina que conserva a nacionalidade suíça.</p>
<p style="text-align: justify;">Na tarde de 11 de junho último, aconteceu o que muitos argentino (e muitos suíços e descendentes de suíços na Argentina) estavam esperando: Hermes Binner, que em 2007 foi o primeiro governador socialista de um país sul-americano, anunciou oficialmente sua candidatura à presidências nas eleições previstas para 23 de outubro próximo.</p>
<p style="text-align: justify;">Apoiado por uma frente progressista, Binner – reconhecido por sua trajetória política, transparência em sua gestão e um perfil discreto – decidiu tentar aplicar no plano federal um projeto de centro-esquerda que vem cultivando com êxito há duas décadas na província de Santa Fé.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span id="more-1840"></span>Uma fórmula federal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O candidato socialista, que aposta em um governo federal e participativo, escolheu a senadora Norma Morandini, de Córdoba, para vice-presidente.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Estou contente porque estamos trazendo uma fórmula do interior e creio que faz bem à Argentina ter uma polaridade com a capital federal. Estamos muito contentes de poder levar adiante uma fórmula que integre a partir do coração da região central”, declarou Binner.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que sua frente política ainda não tem nome oficial, é composta pelos partidos Geração para um Encontro Nacional (GEN), de Margarita Stolbizer, que será candidata a governadora da província de Buenos Aires; Projeto Sul, de Fernando ‘Pino’ Solanas, candidato a Chefe de Governo portenho; o Partido Novo, liderado pelo senador Luis Juez e candidato a governador dessa província; e Unidade Popular, herdeiro histórico da Central dos Trabalhadores da Argentina Vitor de Gennaro, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Binner definiu “progressismo” com as palavras segurança, justiça, pão e, entre outras, infância.</p>
<p style="text-align: justify;">“A Argentina vive em abundancia econômica com uma desigualdade sem precedentes”, acrescentando que o socialismo governou “em pequenas cidades e províncias e nunca se conheceu um caso de corrupção”.</p>
<p style="text-align: justify;">Disse ainda que no programa progressista em elaboração, discute-se para saber o que fazer “para que as pessoas vivam melhor e possam crescer econômica e socialmente”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estamos no começo de uma construção”, afirmou, indicando que sua candidatura transcende a eleição de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Os números não me preocupam&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como se tentassem desencorajá-lo out está-lo, várias perguntas dos jornalistas feitas durante o anúncio de lançamento da candidatura presidencial giraram em torno de ser pouco conhecido em escala nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Binner respondeu que esse fato não lhe preocupa e lembrou que quando fundaram a Frente Progressista em Santa Fé diziam exatamente a mesma coisa. Porém, “a perseverança permitiu formular propostas, eleger deputados, senadores e finalmente governar a província&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Pragmático e pertinente em suas análises, Binner afirma que além dos números da oposição existem outros dados de reconhecidos consultores que davam, antes de anunciar a candidatura, mais de 13% das intenções de voto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma pesquisa nacional realizada pela consultoria OPSM no início de junho dava a presidente Christina Kirchner (Frente Popular para a Vitória (FpV) com 40,8%; o candidato da União Cívica Radical (UCR) Ricardo Alfonsin (aliado ao empresário Francisco de Narvález da União Celeste e Branca, uma frente de centro-direita) com 14,6%, e Binner com 13,4%.</p>
<p style="text-align: justify;">O analista político Julio Burdman explica à swissinfo.ch que “uma das vantagens de Binner nesta conjuntura é não ser muito conhecido no plano nacional, porque lhe da potencial de construção de imagem. Ele tem melhores credenciais para ser presidente do que o filho de Alfonsín e isso se verá durante a campanha”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Terceira força ou fenômeno eleitoral?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto dentro da coalisão se aposta  que a inquestionável gestão política de Binner em Santa Fé, lhe abrirá as portas da Casa Rosada, para outros, a candidatura de Binner é um testemunho.</p>
<p style="text-align: justify;">Rosendo Fraga, conhecido analista político argentino, defende que o socialista pode ser a terceira força atrás do candidato radical consolidado em segundo lugar, hipótese até agora aventada pelos principais jornalistas políticos do país.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, “ainda não está bem definido que está em segundo lugar, atrás de Cristina Kirchner”, precisa Burdman.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele lembra o que ocorreu em 1995, quando um candidato improvável se lançou na campanha e chegou em segundo lugar atrás do ex-presidente Carlos Menen. Tratava-se do então governador de Mendoza, José Octavio Bordón, que liderava a Frente País Solidário (FrePaSo), progressista e similar à que agora lidera Binner.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“A UCR continua em crise e isso é uma oportunidade histórica para o centro-esquerda não peronista. Creio que Hermes Binner entende isso”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Com as cartas na mesa, se Binner chegar a vencer dia 23 de outubro, seria o primeiro presidente da Argentina que conserva a cidadania suíça e o terceiro, depois de Carlos Pellegrini e Néstor Kirchner, com raízes helvéticas.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro foi Carlos Pellegrini, que governou o país de 6 de agosto de 1890 a 12 de agosto de 1892. O segundo, o falecido Néstor Kirchner, foi presidente da Argentina de 25 de maio de 2003 até 10 d dezembro de 2007.</p>
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		<item>
		<title>O Brasil na vida cotidiana argentina</title>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 02:24:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Comércio Exterior]]></category>
		<category><![CDATA[Mercosul]]></category>

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		<description><![CDATA[É o principal destino das exportações e a primeira origem das importações; 82% dos automóveis argentinos vai para lá; a chegada de turistas brasileiros duplicou em 2010; ocupa o quarto lugar como investidor externo e suas empresas dominam em carne, cimento e sapatos. Por Emilia Subiza &#8211; La Nacion &#8211; Tradução por Sandro Araújo Denomina-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>É o principal destino das exportações e a primeira origem das importações; 82% dos automóveis argentinos vai para lá; a chegada de turistas brasileiros duplicou em 2010; ocupa o quarto lugar como investidor externo e suas empresas dominam em carne, cimento e sapatos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Emilia Subiza &#8211; <a title="Brasil, en la vida cotidiana argentina" href="http://www.lanacion.com.ar/1375073-brasil-en-la-vida-cotidiana-argentina" target="_blank">La Nacion</a> &#8211; Tradução por Sandro Araújo</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_1364" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2011/05/EngrenagemReal.jpg"><img class="size-full wp-image-1364" title="EngrenagemReal" src="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2011/05/EngrenagemReal.jpg" alt="" width="288" height="284" /></a><p class="wp-caption-text">Arte: La Nación</p></div>
<p style="text-align: justify;">Denomina-se &#8220;engrenagem&#8221; o mecanismo utilizado para transmitir potência de um componente a outro dentro de uma máquina. Praticamente assim funciona dentro do contexto econômico do Mercosul a relação bilateral do Brasil com a Argentina.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde as variáveis macroeconômicas e também desde o consumo, o Brasil se faz cada vez mais relevante para a Argentina. Para lá se destinam 21% de todas as exportações, sendo 42% das industriais e se concentra 31% de nossas compras no exterior. O aumento de seu capital ganha cada vez mais relevância; já ocupa o quarto lugar em importância em todos os investidores externos que chegam ao país. O aumento de seus turistas, que duplicou no ano passado, representa um <em>boom</em> em hotéis, restaurantes, comércio e transporte.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Brasil é a oitava economia do mundo, está no caminho para ser a sétima e superar a Itália em breve. Não há parte significativa na indústria e serviços da Argentina em que não tenha participação. A relação bilateral se fez muito mais estreita que na década anterior&#8221;, diz o economista da <em>Fundación Standard Bank</em>, Raúl Ochoa.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1363"></span>A intensidade da relação não é a mesma em ambos os sentidos. Ochoa adverte que o Brasil está muito mais presente na Argentina, mas não ocorre o mesmo com a presença argentina no Brasil, sem contar a diferença de tamanho. Para eles, nosso país é o terceiro destino em importância tanto de suas exportações como de suas importações, com uma participação muito menor: 9,2% e 8%, respectivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão brasileira de aplicar licenças não-automáticas (LNA) para a importação de certos produtos anunciada há dez dias e que afeta particularmente a indústria automotiva argentina, que destina para lá mais de 80% de suas exportações, somou um novo capítulo de tensão à relação bilateral. Nas semanas anteriores, o governo de Dilma Rousseff havia se queixado ante as autoridades argentinas pela demora de mais de 60 dias &#8211; prazo estabelecido pela Organização Mundial de Comércio &#8211; para autorizar o ingresso de produtos brasileiros que desde fevereiro entraram no sistema de LNA.</p>
<p style="text-align: justify;">A onipresença do Brasil também se sente nas gôndolas alvicelestes, seja por importação de produtos ou pela fabricação local graças ao seu investimento estrangeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Cerca de 70% dos hambúrgueres que se comem na Argentina têm sua origem em capitais brasileiros, de acordo com a consultora de mercado CCR. Fabián Uranga, analista, conta que a Quickfood, que processa as tradicionais Paty (propriedade da brasileira Marfrig), é lider de mercado com 60% de participação, ao que se soma a porção de Swift (adquirida pela JBS-Friboi).</p>
<p style="text-align: justify;">Marcas de calçados como Topper, Alpargatas e Flecha também respondem ao investimento de nossos vizinhos. A <em>holding </em>Camargo Correa controla hoje a Alpargatas, que produz estas três marcas.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Os brasileiros fizeram grandes investimentos no mercado calçadista nos últimos quatro anos. Cerca de 35% do calçado desportivo que se consome é feito no país, e 30% com capitais brasileiros&#8221;, conta o presidente da <em>Cámara Industrial del Calzado</em> (CIC), Alberto Sellaro.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre as operações, menciona que a firma Vulcabrás adquiriu em 2007 uma planta na localidade bonaerense de Coronel Suáres, onde atualmente trabalham 4.300 empregados e produzem diariamente 10.000 pares de sapatos com as marcas Reebok e Olimpikus. Enquanto isto, a Paquetá radicou-se em Chivilcoy e é o principal fabricante de Adidas. Trabalham 12.000 empregados e fazem 8.000 pares de calçados por dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de calçados esportivos, sandálias são outro dos fortes do Brasil. Mal se concretizou o anúncio de produção local das mundialmente conhecidas Havaianas, o presidente da CIC calcula que no ano passado foram importados 1,3 milhões de pares. A marca que já começou a produzir em Coronel Suáres é Grendha.</p>
<p style="text-align: justify;">Quase metade do cimento que se consome na Argentina também tem raízes brasileiras. É o principal negócio de Camargo Correa, que aqui controla a <em>Loma Negra</em>. A aquisição da empresa argentina foi o primeiro passo na internacionalização do grupo. Juan Roza, gerente de Assuntos Corporativos, conta que a empresa tem nove plantas e emprega quase 2.000 pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em eletrodomésticos, a presença do Brasil está em retrocesso graças à política de licenças de importação aplicada pelo governo argentino. No revendedor <em>Frávega</em> contaram que a quantidade de produtos brasileiros nos segmentos de lavadouras de roupas, cozinha e geladeiras caiu de 40% para 20% nos últimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Este ano não entrou nada brasileiro porque não se autorizaram as importações. O que resta é o estoque, que está acabando. Não faltam produtos mas sim variedade e alta qualidade, como as geladeiras de duas portas&#8221;, comenta uma fonte da empresa. A famosa batedora Minipimer, muito utilizada pelas mães argentinas com filhos pequenos, está desaparecida das gôndolas. É fabricada no Brasil pela Braun e apesar de uma empresa argentina ter começado a desenvolver uma versão local, ainda não está disponível.</p>
<p style="text-align: justify;">Maurício Claverí, analista da consultoria Abeceb.com, destaca que os investimentos do Brasil na Argentina cresceram fortemente, sobretudo na área industrial. &#8220;A Argentina é um mercado muito relevante para o Brasil pois é o primeiro passo para a internacionalização de suas empresas e para ganhar competitividade. A Argentina é o maior mercado dentro de sua área de influência&#8221;, explica.</p>
<p style="text-align: justify;">Na siderurgia, a Sipar Gerdau, cuja planta está em Pérez, próxima de Rosário, produz anualmente 260.000 toneladas de laminados entre barras, bobinas, rolos, fios e pregos, entre outros. O Grupo Gerdau é o 14º maior produtor de aço do mundo e seu presidente, Jorge Gerdau, ocupa agora um cargo no gabinete de Dilma Rousseff.</p>
<p style="text-align: justify;">Cerca de 755 caixas automáticos na Argentina pertencem a bancos de capitais brasileiros, enquanto o maior banco da Argentina, o <em>Banco Nación</em>, tem 944. Em 2010 o Banco do Brasil selou um acordo para compra de 51% das ações do <em>Banco Patagonia</em>, em uma operação de 479 milhões de dólares que foi concretizada dias atrás. O Banco Itaú, seu competidor, chegou já faz mais de uma década.</p>
<p style="text-align: justify;">Em energia também há presença do Brasil, ainda que tenha reduzido depois que Petrobrás cedeu 346 postos e uma refinaria à Oil, do empresário Cristóbal López. Segundo dados do mercado, na Argentina existem 4.400 postos de combustível e o domínio da Petrobrás agora é de pouco mais de 5 porcento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O <em>boom</em> turístico</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A invasão de turistas é um fenômeno facilmente observável na rua Florida, nos shoppings e nas caras churrascarias de <em>Puerto Madero</em>, onde vão desfrutar da tradicional picanha. A partir do próximo mês também nos centros de neve, especialmente <em>Bariloche</em>, que já foi batizado &#8220;Brasiloche&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2010 chegaram à Argentina 2,6 milhões de turistas. Destes, 863.492 foram brasileiros, mais que o dobro de 2009, de acordo com dados da Indec.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Explodiu a demanda de turistas. Cerca de 70% da ocupação dos vôos da TAM são brasileiros que vêm à Argentina e os demais 30% são argentinos que vão ao Brasil&#8221;, disse Francisco Chiari, gerente geral da TAM Linhas Aéreas na Argentina. A empresa tem 18 vôos diários ao Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Chiari conta que há dois anos foi alcançado o limite de frequências autorizadas entre ambos países, segundo um acordo bilateral de seus governos. Como o pedido de elevar a quantidade de vôos ainda não prosperou, a TAM mudou seus aviões para estas rotas de A320 para A330, aumentando assim sua capacidade de transporte de 150 para 224 passageiros por viagem.</p>
<p style="text-align: justify;">O economista da <em>Fundación Standard Bank</em> opina: &#8220;Há um fenômeno relativamente novo, que é a enorme quantidade de turistas brasileiros que vêm e que têm um impacto muito forte na economia&#8221;. E cita como evidência cifras da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo os quais o Brasil mantém um déficit em sua balança de serviços de 30 bilhões de dólares, apesar de que para a Argentina seja de apenas 100 milhões. &#8220;É pelo importante aporte dos turistas do Brasil, que representa praticamente a metade do gasto turístico na Argentina&#8221;, complementa.</p>
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		<title>Brasil e Argentina construirão dois satélites Sabiá-mar</title>
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		<pubDate>Tue, 24 May 2011 14:05:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>

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		<description><![CDATA[Da Agência Espacial Brasileira A cooperação Brasil-Argentina para a construção conjunta de dois satélites de observação oceanográfica, o Sabiá-mar 1 e 2, eleva-se a uma fase mais avançada, pois já conta com os recursos necessários para tornar-se realidade. Na reunião do Mecanismo de Integração e Cooperação entre os dois países, realizada na Embaixada da Argentina, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Da <a title="Brasil e Argentina construirão dois satélites Sabiá-mar" href="http://www.aeb.gov.br/indexx.php?secao=noticias&amp;id=651" target="_blank">Agência Espacial Brasileira</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">A cooperação Brasil-Argentina para a construção conjunta de dois satélites de observação oceanográfica, o Sabiá-mar 1 e 2, eleva-se a uma fase mais avançada, pois já conta com os recursos necessários para tornar-se realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Na reunião do Mecanismo de Integração e Cooperação entre os dois países, realizada na Embaixada da Argentina, na última quinta-feira (19), o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Monserrat Filho, relatou que o Brasil já dispõe dos recursos financeiros destinados ao desenvolvimento básico do projeto Sabiá-mar. O lado argentino, por sua parte, também está pronto para iniciar esse trabalho cooperativo, que, estima-se, terá forte impacto não apenas nos dois países, mas igualmente em toda a América Latina. “Será a primeira vez que dois países latino-americanos se unirão para construir satélites, usando tão somente suas competências e capacidades”, comentou Monserrat.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o coordenador-geral do Programa de Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Marco Chamom, as áreas de engenharia dos dois países já aprofundaram o detalhamento técnico do projeto. Ao Brasil, caberá a Plataforma Multimissão para os dois satélites (de pequeno porte). E a Argentina responderá pelas cargas úteis. No entanto, cada parte poderá participar ativamente nos itens de responsabilidade da outra parte. As próximas tarefas a serem cumpridas serão definidas no encontro de Buenos Aires.</p>
<p style="text-align: justify;">De parte da Argentina, a reunião do Mecanismo de Integração e Cooperação dos dois países foi conduzida pelo ministro Sérgio Pérez Gunella e contou com a presença de vários diplomadas argentinos.</p>
<p style="text-align: justify;">O próximo passo será a realização de um seminário técnico, em Buenos Aires, nos dias 30 de junho e 1º de julho, com as equipes de engenheiros encarregadas de concretizar o projeto.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Fbrasil-e-argentina-construirao-dois-satelites-sabia-mar%2F&amp;title=Brasil%20e%20Argentina%20construir%C3%A3o%20dois%20sat%C3%A9lites%20Sabi%C3%A1-mar" id="wpa2a_16"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Forte presença brasileira faz real virar moeda corrente em Buenos Aires</title>
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		<pubDate>Tue, 24 May 2011 11:07:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Real]]></category>

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		<description><![CDATA[A forte presença de turistas brasileiros na Argentina transformou o real em moeda corrente nos principais pontos turísticos do país e especialmente na capital, Buenos Aires. Empresas de táxi, lojas no aeroporto internacional de Ezeiza, restaurantes, cafés, lojas de produtos de beleza, camelôs e casas de tango são alguns que aceitam a moeda brasileira. Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>A forte presença de turistas brasileiros na Argentina transformou o real em moeda corrente nos principais pontos turísticos do país e especialmente na capital, Buenos Aires. Empresas de táxi, lojas no aeroporto internacional de Ezeiza, restaurantes, cafés, lojas de produtos de beleza, camelôs e casas de tango são alguns que aceitam a moeda brasileira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Marcia Carmo &#8211; <a title="Forte presença brasileira faz real virar moeda corrente em Buenos Aires" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/05/110524_argentina_real_mc_pu.shtml" target="_blank">BBC Brasil</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">É possível comer, assistir aos espetáculos e comprar lembrancinhas com reais no bolso. Cada comerciante oferece a sua própria cotação, que pode variar entre 2,40 a 2,50 pesos por real &#8211; preço semelhante ao das casas de câmbio.</p>
<p style="text-align: justify;">As amigas paulistas Sueli Mazer, de 58 anos, e Ana Paula Silva, de 28 anos, disseram que compram &#8220;de tudo&#8221; com reais em Buenos Aires.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1156"></span>&#8220;Compramos roupas, xampú, presentes. Tudo com reais&#8221;, disse Sueli. Mas elas fazem uma ressalva.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É preciso apenas ficar atento ao valor que nos oferecem pela nossa moeda. Às vezes, pode não valer a pena.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">As amigas entraram na loja Dodo, uma rede de produtos de beleza, no calçadão da rua Florida, onde se lia um pequeno aviso na vitrine: &#8220;Aceitamos reais&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Na loja, as vendedoras María Joana, de 23 anos, e Juliana Martins, de 24 anos, disseram que a presença de clientes brasileiros é crescente.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Trabalho aqui há três anos, mas só recentemente a loja passou a aceitar reais. É que são tantos brasileiros que assim as vendas ficaram ainda mais fáceis&#8221;, disse María Joana.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo dados do governo da cidade de Buenos Aires, os brasileiros lideraram o ranking de turistas que chegaram à cidade em 2010 e nos primeiros quatro meses deste ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas casas de câmbio da turística rua Florida é comum ver filas de comerciantes trocando reais por dólares ou pesos. Em algumas lojas vê-se um aviso na entrada: &#8220;Neste estabelecimento falamos português&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Poupança em real</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O artesão Darío Ruben, de 31 anos, disse que está até poupando em reais para viajar de férias com a mulher para o Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Só aceito real, euro, dólar e peso argentino. Neste ano já poupei R$ 1,4 mil com o que recebi dos brasileiros&#8221;, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">A estudante mineira Thaissa Fernandes, de 22 anos, oferece shows de tangos para brasileiros a partir de R$ 120. O pagamento também é feito na moeda brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Promotora da agência Magic Travel, na mesma rua Florida, ela ergue um cartaz oferecendo shows e city tours.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Eu ganho comissão, mas graças a esta imensa presença de brasileiros ganho muito mais aqui do que ganhava no Brasil. Aqui ganho 4 mil pesos por mês e em Minas, como estagiária, recebia 300 reais&#8221;, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">As amigas paulistas Ângela Toniello, Regina Marques e Neide Granja, aposentadas, contaram que pagaram, com reais, quase todas as compras no shopping Galerias Pacifico, em Buenos Aires.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Estou vindo de Ushuaia e de El Calafate, na Patagônia, e lá também aceitaram meus reais&#8221;, contou Ângela.</p>
<p style="text-align: justify;">No aeroporto de Ezeiza, pelo menos uma das empresas de táxis, a Vip Car, aceita pagamento em reais. Entre os cafés e restaurantes, a lista é ampla.</p>
<p style="text-align: justify;">Casos, por exemplo, dos restaurantes La Dorita, nos bairros da Recoleta e Palermo, e Chiquilín, no centro.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O real está valorizado e muitos turistas brasileiros chegam aqui com a moeda no bolso. Então, pra gente vale a pena. Depois, trocamos ou guardamos&#8221;, disse Santiago Bustamante, gerente do Chiquilín.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas fora do circuito turístico a moeda brasileira não tem aceitação. Os paulistas Vinícius Martins e Dagmar Pedroso, de 31, disseram que nada puderam comprar com reais no bairro do Onze, conhecido por ampla concentração de lojas e preços no atacado.</p>
<p style="text-align: justify;">A cabeleirera María Romero, dona do salão Estúdio Recoleta, disse que recebe dezenas de clientes brasileiros por semana. Ela não aceita reais.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Mas mesmo assim muitos fazem cabelos e unhas e, principalmente, compram xampú. E pagam com dólares&#8221;, disse.</p>
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		<title>Brasil impõe restrição à importação de carros</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 11:24:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentário: Trata-se, sim, de retaliação à Argentina. Cerca de 50% dos automóveis que o Brasil importa vêm de lá. O pior, para eles, é que o impacto da restrição é maior para indústria local que para a brasileira, que tem uma pauta de importadores muito mais ampla. O que não dá para entender é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Comentário: Trata-se, sim, de retaliação à Argentina. Cerca de 50% dos automóveis que o Brasil importa vêm de lá. O pior, para eles, é que o impacto da restrição é maior para indústria local que para a brasileira, que tem uma pauta de importadores muito mais ampla. O que não dá para entender é o Governo Brasileiro insistir em dizer que não é retaliação. Por quê? Para manter a política de boa vizinhança? Já faz muito tempo que esta não é a política dos &#8220;hermanos&#8221;. Talvez agora, agindo com a mesma moeda, haja diálogo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Joao Fellet &#8211; <a title="BBC Brasil" href="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/br/2011/05/brasil-impoe-restricao-a-impor.html" target="_blank">BBC Brasil</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) anunciou nesta quinta-feira que o governo impôs uma barreira à importação de veículos.</p>
<p style="text-align: justify;">A associação diz que, a partir desta semana, a entrada de automóveis no Brasil só será permitida após a obtenção de licenças, cuja concessão será avaliada em um prazo de 60 dias, conforme regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).</p>
<p style="text-align: justify;">Até então, as licenças eram concedidas de forma automática.</p>
<p style="text-align: justify;">A assossoria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior confirmou à BBC Brasil a adoção da medida e disse que ela visa &#8220;monitorar o fluxo de importações&#8221; do setor.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo a Anfavea, porém, a nova regra tem como objetivo retaliar o governo argentino por restrições a produtos brasileiros, intenção não confirmada pelo governo.</p>
<p style="text-align: justify;">A Argentina é uma grande produtora de carros e tem o Brasil como um de seus principais mercados. No primeiro trimestre deste ano, a importação de veículos pelo Brasil teve aumento próximo de 50% em relação ao mesmo período de 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">A Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) ainda não se pronunciou sobre a medida.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, o Brasil já impõe restrições à importação de automóveis, ao cobrar 35% de imposto sobre o valor do veículo importado.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da Argentina, também devem ser afetados pela medida México, Estados Unidos e Japão, outros grandes exportadores de veículos para o Brasil.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Fbrasil-impoe-restricao-a-importacao-de-carros%2F&amp;title=Brasil%20imp%C3%B5e%20restri%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20importa%C3%A7%C3%A3o%20de%20carros" id="wpa2a_20"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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