Mais sobre a morte de Osama
Por Sandro Araújo
Na foto ao lado, divulgada pela própria Casa Branca, o presidente estadounidense Barack Obama, a secretária de Estado Hillary Clinton e uma série de assessores acompanham a operação que culminou com a morte de Osama Bin Laden.
Passados cinco dias do episódio, algumas coisas vêm à tona e outras dúvidas igualmente aparecem.
Em declarações divulgadas hoje (5/5), Hillary Clinton afirma que passou os “38 minutos mais intensos de sua vida” durante a operação. De fato, na imagem divulgada pela Casa Branca, ela parece ser a pessoa mais compenetrada e até mesmo espantada com a situação.
Apesar de inicialmente ter sido divulgado que Osama bin Laden teria sido morto porque reagiu à invasão, tal informação foi posteriormente retificada. Na nova versão, Osama não estaria armado mas mesmo assim reagiu à captura – razão pela qual foi morto com um tiro na cabeça.
Declarações de uma filha de bin Laden, no entanto, dão conta de que o pai foi morto na frente da mesma, que assistiu à sua morte.
Daí vem a pergunta: 38 minutos para a ação?
Quando se toma determinado local de assalto, é natural que haja resistência daqueles que ali se encontram. No caso de bin Laden, sua residência contava com razoável segurança e pelos relatos já divulgados, cerca de 20 pessoas estariam na ocasião de sua morte. Imaginemos que dois helicópteros pousem sobre a casa e um grupo de soldados armados invadam a residência. É crível que algum dos seguranças de bin Laden tenha reagido e imediatamente sido morto. Os soldados, uma vez quebrada a primeira barreira, avançam na residência. Osama, tal qual divulgado, estaria no terceiro piso. Há que se esperar que, para sucesso da operação, os soldados hajam com rapidez e procurem encontrar, no menor tempo possível, o procurado. Isto é necessário para evitar que o mesmo tenha tempo para lançar mão de retaliações (uma bomba? metralhadoras?) ou mesmo tente entrar em contato com terceiros.
Suponhamos que, após tomar de assalto a residência, os “SEAL” estadounidenses ficassem parados à porta do quarto de Osama bin Laden por 30 minutos e somente depois consigam invadí-lo. Ao adentrar ao quarto, dão “voz de prisão” ao terrorista, o qual salta em cima dos soldados, tentando tomar as armas. Osama leva um tiro e morre.
É esta a versão que nos querem fazer acreditar.
Questão: porquê esperar 30 minutos? Sem contar que este tempo seria mais que suficiente para que Osama tomasse algum tipo de atitude, não combina com o que se espera de um grupo de elite, treinado para ações rápidas e eficazes.
O mais provável é que, ainda nos primeiros cinco minutos da operação os invasores tenham quebrado qualquer resistência (junto com bin Laden outras 5 pessoas teriam morrido) e chegado finalmente ao “terrorista mais procurado da história mundial”.
O que foi feito nos demais 33 minutos?
As declarações de Hillary Clinton, ao afirmar que foram 38 minutos mais intensos de sua vida, casam com as divulgações iniciais de que a operação demorou 40 minutos.
Teriam os “SEAL” capturado bin Laden, torturado-o, procurando extorquir o máximo de informações possíveis e posteriormente matado-o? Isto casa com a afirmação de sua filha de que teria assistido à morte do pai.
É também razoável crer que toda a operação tenha sido transmitida “ao vivo” para a sala de situação que foi criada na Casa Branca – e cuja foto logo acima permite inferir. O presidente Barack Obama teria tido até mesmo a oportunidade de “conversar” com Osama bin Laden e finalmente ordenado a sua EXECUÇÃO.
Em qualquer das hipóteses, não é crível que a operação tenha demorado 38 minutos e a única reação de bin Laden tenha partido de seus seguranças.
Muitas dúvidas restarão no ar.
Isto sem contar o fato de que o espaço aéreo do Paquistão foi invadido pelas tropas estadounidenses e provavelmente alguns cidadãos daquele país tenham sido mortos, em território pátrio, por forças estrangeiras. Paralelamente, os Estados Unidos tornam público que utilizaram-se de técnicas de tortura para “descobrir” o paradeiro de Osama bin Laden. Afirmam ainda que a morte de bin Laden foi “ato legítimo de auto-defesa”.
Não se questiona a necessidade de combater o terror e até mesmo extirpar do planeta pessoas que o pratiquem. Mas não se pode assinar embaixo das ilegalidades. Tortura é ilegal. Violar o espaço aéreo de uma nação soberana também.
