"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." (Cecília Meireles)

Descoberta de canhões do século 17 na zona portuária do Rio surpreende arqueólogos e historiadores

A descoberta de dois canhões do início do século 17, durante escavações na região portuária da cidade, surpreendeu tanto historiadores militares quanto arqueólogos, que, desde fevereiro de 2011, buscam vestígios do comércio escravagista do século 19.

Por Carolina Gonçalves – Agência Brasil

Segundo a professora Tânia Andrade de Lima, que coordena os trabalhos na região, a existência de uma bateria de canhões na orla, próxima ao Morro da Conceição, era desconhecida pela história. Ela disse que os canhões, aterrados ao longo dos anos, podem ser os mais antigos do Brasil. Pesando cerca de 1 tonelada, cada, os canhões faziam parte de um esquema de defesa num período em que o Rio de Janeiro foi alvo de muitas tentativas de invasão.

“Quando a bateria foi desativada, não dava para sair carregando [os canhões] e a tendência foi jogar no mar. A Rua Sacadura Cabral, nesta época, era mar. Com o passar do tempo, a área foi sendo aterrada e eles [os canhões] foram cada vez mais afundando. Estão claramente arrastados e deslocados. Não estão nem voltados para o mar, mas para o Morro da Conceição. Estamos falando dos primeiros tempos em que essa área era fortemente militarizada”, relatou a antropóloga.

As peças estão sendo analisadas por antropólogos do Museu Nacional, que continua com os estudos, a limpeza e o processamento de objetos do século 19 que já tinham sido encontrados. O grupo já reuniu material suficiente para remontar parte da história dos escravos que chegavam da África e eram vendidos no Cais do Valongo, na zona portuária, desde que o complexo foi construído, em 1811, até sua desativação, em 1843, quando a área foi reformada para receber a imperatriz Teresa Cristina para o casamento com dom Pedro II.

De acordo com Tânia Lima, responsável pelas escavações na área de 2 mil metros quadrados, cerca de 500 mil escravos passaram pelo cais durante o período de comércio humano na região. “Em grande parte, os objetos encontrados são relacionados à proteção dos corpos, que eram brutalizados, violentados de todas as formas e maneiras. Era preciso buscar todas as formas para encontrar a resistência necessária diante de tanta violência”, ressaltou a professora.

Ela disse que o Valongo funcionava como um “grande complexo do negócio feio da carne humana”. Depois de uma travessia transatlântica, os africanos chegavam ao cais em condições desumanas. Muitos morriam no trajeto e eram enterrados, “em situações impiedosas”, no Cemitério dos Pretos Novos, nas proximidades do cais. O cemitério tinha esse nome por abrigar os corpos de negros recém-chegados.

Nos navios, outros escravos adquiriam doenças contagiosas e eram encaminhados ao lazaredo, no Morro da Saúde, também na zona portuária. Quando se recuperavam, depois de um período de quarentena no lazaredo, eram encaminhados para o mercado do Valongo, onde hoje é a Rua Camerino, e ficavam expostos para venda e destinados a diferentes pontos do país.

Como muitos negros continuavam nas imediações, trabalhando no cais, por exemplo, a região ficou historicamente conhecida como “Pequena África”. De acordo com Tânia Lima, diferentemente do que foi reunido ao longo dos anos sobre a escravidão e a trajetória dos negros no país, no local pesquisado, está sendo possível reunir objetos originalmente africanos.

Segundo a arqueóloga , eles tinham tão pouca coisa, que sobreviviam dos restos das classes dominantes. “Do caco da garrafa de vidro, eles lascavam a borda e faziam lâminas de barbear. Não tinham nada que podiam dizer que era deles. Mas, no Valongo, não. No Valongo tem muita coisa que era deles, e isso nos leva aos sentimentos vividos pelos grupos, como medo e esperança e a defesa diante de tanta brutalidade. Tudo isso está materializado em nossa frente. E é muito comovente.”

O registro arqueológico que está sendo elaborado revela as diferentes origens dos escravos que chegavam ao Valongo. Pelas peças, é possível identificar práticas mágico-religiosas muito distintas, e toda a diversidade de crenças aparece nos amuletos resgatados. “Há miniaturas de orixás, muita coisa dos bacongos (Centro-Oeste da África), com materiais protetores como âmbar, corais e cristais. Outras, de origem mais difusa, com práticas europeias, como as figas, que associamos aos africanos, mas a origem delas é a Europa”, afirmou Tânia.

Os arqueólogos do Museu Nacional também encontraram diversos búzios de origem africana, que não existem no Brasil. De acordo com os pesquisadores, os búzios podem ter sido usados tanto em práticas religiosas, quanto como adorno dos corpos ou como moeda, como eram usados na região do Pacífico.

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‘Economist’ aponta sinais de perda da hegemonia dos EUA

Por Sílvio Guedes Crespo – Blog Radar Econômico

A revista britânica “The Economist” enumerou, em um artigo, alguns dados indicando que os Estados Unidos estão perdendo espaço no mercado mundial. Veja abaixo.

  • De 1999 a 2009, a participação dos EUA na indústria aeroespacial mundial caiu 36%. No mesmo período, o país também teve perda nos mercados de tecnologia da informação (queda de 9%), equipamentos de comunicação (8%) e carros (3%);
  • As multinacionais dos EUA têm escolhido outros países para gerar emprego e inovar. Em 1989, 21% dos empregados dessas companhias estavam fora dos EUA; em 2009, essa proporção já estava em 32%. Em 1999, só 9% dos investimentos de multinacionais americanas em pesquisa e desenvolvimento eram feitos fora dos EUA; em 2009, 16% o eram;
  • A Harvard Business School fez recentemente uma pesquisa com seus alunos. Perguntou a eles, entre outras coisas, se as empresas em que eles trabalham têm preferido investir nos EUA ou fora. Os EUA perdiam em dois terços das respostas;

É verdade que esses dados não dizem tudo sobre a economia americana. Por exemplo, a revista não analisou a evolução da produtividade nos EUA. Sobre a transferência de empregos para outros países, não disse se os funcionários contratados no exterior ganham mais ou são mais qualificados.

Enfim, não é um estudo completo sobre a perda da hegemonia dos EUA, mas já diz algo. O país perde mercado em setores de ponta, como o aeroespacial e a tecnologia da informação. Isso vai de encontro ao lugar comum segundo o qual o capital só sai dos EUA quando busca mão de obra barata e pouco qualificada.

Trunfos e dificuldades

Para o semanário, os EUA têm “trunfos enormes” e alguns empecilhos para enfrentar esse cenário. Os trunfos citados pela publicação são as “universidades imbatíveis” e um mercado altamente diversificado.

Os problemas seriam a imprevisibilidade da política. Ou, de “Sem um consenso dos partidos [sobre o desequilíbrio nas contas públicas], ninguém pode conter os imensos programas sociais que crescem automaticamente, como o Medicare (de saúde) e a Seguridade Social (aposentadoria e pensão)”, diz. “Dessa forma, os déficits se escancaram e o estado de bem-estar social continuam aumentando, mesmo que as estradas americanas se desfazem. Essa não é uma receita para o dinamismo”, disse a publicação.

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Depósito secreto de livros antigos é encontrado em biblioteca de museu

Comentário: Bibliófilo que sou, é magnífico “descobrir” este verdadeiro achado em Moscou.

Nos calabouços da biblioteca do Museu Politécnico foi encontrado um verdadeiro tesouro – um depósito secreto de livros e revistas antigos. Quando, quem e, o mais importante, por que motivo alguém escondeu as publicações ninguém sabe, mas todos os livros são de valor único e sem precedentes não apenas como antiguidade, mas também do ponto de vista do conhecimento científico que eles contêm.

Por Aleksandra Guzeva, especial para Gazeta Russa

Foto: Ilia Varlamov

A biblioteca preparava-se para mudar para um espaço temporário, uma vez que o edifício em que está localizada tem mais de cem anos e já precisa de uma restauração. Os funcionários começaram a recolher antecipadamente os principais livros, já que embalá-los leva muito tempo.”A disposição da sala não é exatamente adequada para uma biblioteca, de modo que o armazenamento de livros foi formado aleatoriamente. Quando era preciso um lugar novo, no improviso, íamos construindo prateleiras onde era possível”, conta a diretora-adjunta da biblioteca do Museu Politécnico, Svetlana Kukhtévitch.

Para gerar espaço para as caixas de livros, prateleiras vazias foram desmontadas. Então, atrás de uma delas, foi encontrada uma parede de madeira compensada, que “balançava” de forma estranha. “Nós removemos a madeira compensada e vimos que atrás dela havia livros! Claro, nós imediatamente quebramos a parede e na nossa frente apareceram montanhas de livros empilhados do chão até o teto!”, contou Svetlana.

De acordo com cálculos preliminares, no nicho de dois metros de comprimento havia cerca de 30 mil livros, que eram considerados perdidos. No esconderijo foram encontrados basicamente livros pré-revolucionários em línguas estrangeiras: francês, alemão, latim e grego. “Todos os estudiosos e qualquer pessoa minimamente instruída do século 19 sabiam diversas línguas, por isso, não havia demanda por livros em russo”, afirma Svetlana. O exemplar mais antigo é o livro “Descrição pictórica das áreas ocupadas pela Alemanha”, publicado em 1706. Mas a maioria foi publicada no final do século 19, início do século 20. Um dos livros mais recentes é “Mapa Administrativo da URSS“, da editora NKVD, de 1936.

A maior parte dos livros do “tesouro”, como o esconderijo foi chamado pelos funcionários, entrou na biblioteca do Politécnico através de um depósito público que mantinha todas as coleções privadas nacionalizadas. Ex-proprietários nobres de alguns livros podem ser localizados de acordo com antigos livreiros. Assim, em um catálogo completo de aves na língua francesa, estão registrados desenhos dos famosos comerciantes Mámontov.

Foi possível ver em vários livros a anotação “remover o sinal” e marcas de antigas livrarias arrancadas. Nos tempos soviéticos, tentavam, assim, de modo literal, apropriar-se e nacionalizar todas as coleções privadas. Milagrosamente, a marca pessoal do ministro da Educação do Povo durante o reinado de Nicolau I, o conde Semion Uvarov, permaneceu no livro com letras de ouro, em uma edição em língua francesa de “A História dos Insetos”, datada de 1734.

Dos livros em russo, merece atenção especial o tomo “As Forças Produtivas da Rússia”, sobre todas as fábricas em todos os setores. “Quando você lê um livro desses você entende que tudo prosperou no nosso país, e houve tanto progresso. Progresso que talvez não tenha acontecido em vários países ocidentais”, comenta Olga Plechkova, bibliotecária-chefe do espaço.

Datado de 1906, o livro de história do estudante do segundo ano do ginásio Serguêi Tchelnokov conservou uma vida antiga subterrânea. Dentro, folhas foram acondicionadas com as anotações a lápis do menino. Nelas, vê-se claramente que a princípio ele começara a escrever uma lição ou a fazer anotações, e quando se cansou, ele desenhou alguma coisa e ficou exercitando a escrita do nome do comandante Barclay de Tolly.

Após essa descoberta maravilhosa no porão da biblioteca, foi encontrada ainda outra parede de madeira compensada. Ela foi quebrada sem demora, e foram achados dois nichos também cheios até o teto de periódicos estrangeiros do século 19 – revistas sobre a história da ciência e da tecnologia, sobre as artes e arquitetura. “Agora nós podemos não apenas complementar a nossa coleção de periódicos, mas também substituir as revistas copiadas sem valor por aquelas encontradas no esconderijo”, conta Svetlana.

Um dos presentes proporcionados pela descoberta é ter, por exemplo, quase todos os números da revista “Engenharia” a partir de 1884. Tal descoberta não é boa somente para bibliógrafos, mas também para pesquisadores da área de tecnologia – a revista reúne praticamente todo o patrimônio dos conhecimentos de engenharia.

O mistério permanece do mesmo modo: por que esconder todos esses livros ideologicamente inofensivos e revistas sobre química, física, biologia, agricultura, matemática, história, astronomia e outras ciências?

Não ficou nenhuma evidência de que a gerência da biblioteca ou o governo soviético deu uma diretriz específica para destruir os livros. Mas talvez por medo de perder essas publicações valiosas, os funcionários do museu decidiram escondê-las. Segundo Kukhtévitch: “Nós ficávamos imaginando que em algum lugar na biblioteca poderia ter um esconderijo com livros, mas não sabíamos onde. A antiga diretora trabalhou aqui 30 anos e não encontrou nada”. Os bibliotecários têm em mente ainda um lugar onde pode haver outro esconderijo.

Saiba mais:

  • A biblioteca do Museu Politécnico foi fundada em 1871, antes mesmo do próprio museu, e consistiu sua coleção primeiramente com doações da Sociedade de História Natural, que era composta por professores da Universidade de Moscou (Mendeleev, Butlerov Metchnikov, Setchenov, Timiriazev).
  • A reposição da coleção contribuiu para o intercâmbio de publicações com o Museu de História Natural de Paris e com a Sociedade Real de Edimburgo. Após a Exposição Politécnica em Moscou, da qual a biblioteca fez parte, ela começou a receber, para a sua coleção, literatura de todos os congressos científicos e exposições.
  • Nos tempos soviéticos, a biblioteca fazia parte do Comissariado de Educação do Povo.
  • Ela organizava exposições relacionadas a todos os avanços científicos e tecnológicos do país, de “Literatura popular científica sobre a agricultura” a “Engenharia da luz”.
  • A biblioteca recebeu exemplares de leitura obrigatória sobre ciência e tecnologia, publicados na Rússia. Hoje, nos arquivos, absolutamente todos os livros sobre história da ciência e tecnologia têm sua versão escrita em russo.
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Cientistas russos ressuscitaram flor com 30 mil anos

É uma história que faz lembrar o Jurassic Park, sem âmbar nem dinossauros mas com a ajuda de esquilos pré-históricos: os cientistas russos conseguiram fazer crescer uma flor a partir de material vegetal congelado há 30 mil anos que foi guardado em buracos pelos pequenos mamíferos da época. Os resultados da investigação foram publicados agora na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Por Nicolau Ferreira do Público.pt

A planta que os cientistas ressuscitaram (DR)

O poder de conservação das plantas é bem conhecido pelos cientistas. As sementes podem germinar passado muito tempo, 2000 anos até, no caso de sementes de palmeiras encontradas numa fortaleza de Masada, perto do Mar Morto, em Israel. Mas os resultados obtidos pela equipa liderada por Svetlana Yashina e David Gilichinsky, da Academia de Ciências Russa, não têm precedentes. “No presente, as plantas da S. stenophylla são os mais antigos organismos multicelulares viáveis”, escreveram os autores no artigo.

A planta que conseguiram regenerar da espécie Silene stenophylla continua a crescer na Sibéria. Mas este material biológico da flor estava escondido num dos 70 buracos de hibernação feitos pelos esquilos que viviam naquela altura, que os cientistas investigaram, no Nordeste da Sibéria.

“Todos os buracos foram encontrados a profundidades de 20 a 40 metros, da superfície de hoje, e estão localizados nas mesmas camadas onde existem ossos de grandes mamíferos como mamutes, rinocerontes-lanudos, bisontes, cavalos, veados, alces, e outros representantes da fauna” do Plistocénico tardio, escreveu a equipa.

Os buracos estão na acamada de permafrost, uma camada de solo gelada e que funciona como um congelador gigante. Este solo manteve durante dezenas de milhares de anos o material a uma temperatura média de -7 graus célsius. No laboratório, através da técnica de Carbono 14, os cientistas aferiram a idade do material, que tem cerca de 31.800 anos, com um erro de 300 anos.

O material continha sementes e partes do fruto da espécie vegetal. A equipa tentou germinar as sementes, mas não obteve sucesso, depois utilizaram partes vivas do furto da planta. Ao contrário dos animais, é possível regenerar uma planta a partir de partes vivas de um espécime, que nas condições certas, acabam por se desenvolver dando origem a raízes, caules, folhas, flores e frutos. No fundo, desenvolve-se um clone. Foi o que aconteceu nesta experiência, os cientistas colocaram a germinar pedaços do fruto, que germinou e deu uma planta com flores. Os cientistas conseguiram ainda produzir novas plantas a partir das sementes produzidas por estas flores.

Segundo os autores, este “milagre” foi possível, porque as células do fruto utilizadas para a germinação eram ricas em açúcar, o que protegeu o ADN e o material das células do frio. Esta protecção possibilitou a multiplicação celular quando a equipa pôs o material a germinar.

“Isto é uma enorme descoberta”, disse Grant Zazula, cientista do Programa de Paleontologia de Yukon, do Canadá, ao New York Times, defendendo que “não tem dúvidas” dos resultados obtidos pelos cientistas russos serem verdadeiros.

As novas plantas têm uma fisionomia diferente no formato das flores em relação aos espécimes de hoje. Os cientistas não conseguiram explicar a causa destas diferenças. A equipa defende que esta descoberta pode ajudar a compreender melhor o processo da evolução das espécies, além de dar mais informação sobre o clima que existia ali há 30.000 anos.

Mais excitante, contudo, são as novas possibilidades de regenerar plantas que entretanto se extinguiram, e cujo material se mantém conservado na natureza por um processo semelhante. “Há uma oportunidade de ressuscitar flores que foram extintas da mesma forma que falamos em trazer os mamutes de volta à vida, a ideia parecida com a do Jurassic Park”, disse Robin Probert, do Banco de Sementes Milénio, Reino Unido, citado pela BBC News.

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Ayres Britto assume presidência do STF no dia 19 de abril

Por Débora Zampier – Agência Brasil

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram hoje (15), em sessão administrativa, que a troca na presidência da Corte será no dia 19 de abril. O comando do Judiciário nacional passará para o ministro Carlos Ayres Britto, que assume no lugar de Cezar Peluso.

A posse será em uma quinta-feira, durante sessão plenária do Tribunal. Apesar de o mandato de presidente do STF durar dois anos, Britto ficará no posto apenas até novembro, quando se aposenta compulsoriamente por completar 70 anos de idade. Em seguida, assume o ministro Joaquim Barbosa.

Britto chegou ao STF em 2003, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é advogado de carreira e já foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral entre 2008 e 2010.

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Ipea diz que Brasil está longe de atingir pleno emprego embora tenha aumento de vagas e do rendimento

O emprego no Brasil está crescendo de forma quantitativa e qualitativa, com aumento de empregos com carteira assinada e do rendimento real do trabalho, ou seja, reajustes que ficam acima da inflação. Os dados são de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para quem a interpretação desse quadro significa que o padrão de crescimento do país mudou para melhor.

Por Flávia Villela – Agência Brasil

Mas, ainda assim, o Ipea constata que os brasileiros estão longe de alcançar a situação de pleno emprego. “O pleno emprego é uma situação onde todos teriam uma colocação no mercado de trabalho e com remuneração que o empregado considere justa para o seu trabalho. Não é pleno emprego o que temos hoje no Brasil: mercado informal grande, pessoas com subocupação e rendimentos médios baixos que não condizem com uma situação de pleno emprego”, explicou a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Maria Andreia Lameira.

O estudo aponta que, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 80% das vagas criadas na economia são remuneradas em até dois salários mínimos. Andréia Lameira considerou esse valor baixo, mas ressaltou que “o salário mínimo vem crescendo e de forma real, isso melhora o resultado como um todo”.

A quantidade de empregados domésticos representa cerca de 7% das ocupações nas regiões metropolitanas, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número vem caindo, já representou 9% em anos anteriores, mas demonstra o alto nível de informalidade e de baixos salários na sociedade, de acordo com a pesquisa.

O coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea, Roberto Messember, defendeu a atuação do governo na promoção de mais e melhores empregos por meio de investimentos. “O pleno emprego é uma construção social. O mercado de trabalho é um resultado do desempenho da macroeconomia. O governo pode cooptar o setor privado a investir e romper pontos de estrangulamento na economia, na infraestrutura, transporte e energia, alavancando a produtividade do sistema e de um desenvolvimento econômico sustentável”.

O professor Fernando Mattos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisador do Ipea, observou que falta uma estatística de abrangência nacional para medir o desemprego no país. “Temos apenas pesquisas nas regiões metropolitanas e sobre emprego formal. Existem diferenças de região, entre setores da economia e um alto grau de informalidade no mercado. O ideal seria que existisse uma pesquisa nacional mensal que considerasse os diferentes degradês de desemprego”.

As pesquisas no Brasil sobre emprego e desemprego medem apenas a taxa de desemprego aberto: pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva, nos 30 dias anteriores ao da entrevista, e não exerceram nenhum tipo de atividade nos sete dias anteriores à pergunta. Nesse conceito, não estão pessoas em situação de subemprego, pessoas em inatividade por diversos fatores e outras situações consideradas “desemprego oculto”.

De acordo a PME, o número de pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas do país e cobertas pela pesquisa saltou de 17,6 milhões, em junho de 2002, para 22,7 milhões, em setembro de 2001, um aumento de cerca de 30%. Ainda segundo o IBGE, o desemprego nessas regiões fechou com média de 6% em 2011, contra 6,7% em 2010. O resultado é o menor desde 2002. “Mas as taxas de desemprego ainda são muito altas. Em Salvador, por exemplo, a taxa de desemprego aberto é 10,3% e oculto, 5%”, ressaltou Mattos.

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BNDES aprova R$ 307 mi para primeira fábrica da Hyundai no Brasil

Do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 307,4 milhões à Hyundai Motor Brasil, montadora de automóveis, para a implantação de uma unidade industrial em Piracicaba (SP) destinada à produção de veículos de passeio.

Esta será a primeira fábrica da sul-coreana Hyundai no Brasil, com produção estimada de cerca de 150 mil unidades por ano. O prazo previsto para a conclusão das obras civis da fábrica brasileira, instalação e teste de equipamentos é março próximo.

A produção será destinada à fabricação dos veículos batizados provisoriamente de “Projeto HB”, especialmente desenvolvidos para atender às necessidades dos consumidores brasileiros. O início da produção de veículos está previsto para o final deste ano.

O projeto deverá gerar cerca de 2 mil empregos diretos, a partir do primeiro ano de produção, e outros 3 mil empregos junto aos fornecedores. A geração de empregos, no entanto, tem efeito multiplicador, em função do fortalecimento do parque de fornecedores de autopeças no interior do Estado de São Paulo. Junto com a Hyundai, fornecedores automotivos também estão estabelecendo unidades produtivas na região.

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Estados Unidos cogitam redução drástica de seu arsenal nuclear

Comentário: Durante a chamada “Guerra Fria”, EUA e a antiga URSS realizaram uma escalada de produção de armas nucleares. Uma vez utilizadas, destruiriam o mundo várias vezes. A redução dos arsenais deve ser sempre vista com bons olhos: o fim do mundo ficaria mais distante… Ocorre que por trás da decisão existem outras variáveis e interesses: boa parte das ogivas existentes está fora da sua vida útil. Mantê-las  é caro. Afastada a ameaça do gigante comunista não faz sentido a existência de 1800 bombas nucleares. Ou seja: mais uma vez, “é a economia, estúpido”! E o “cidadão de bem” ainda fica com a impressão de que a paz está vencendo…

Os Estados Unidos estariam estudando a diminuição de seu arsenal nuclear, que poderia passar de 1800 para apenas 300 ogivas. A informação, divulgada por um responsável norte-americano, não foi confirmada pela Casa Branca.

Da RFI

Segundo um responsável político norte-americano que não quis se identificar, os Estados Unidos estariam estudando uma importante redução de seu arsenal nuclear. O cenário mais drástico prevê conservar apenas 300 ogivas, das 1800 em atividade atualmente no país, principal potência atômica mundial. As hipóteses intermediárias prevêem conservar entre 700 e 1100 ogivas.

Se a opção mais extrema for confirmada, a capacidade nuclear dos Estados Unidos poderia se alinhar à posição francesa, segundo país do mundo em número de centrais nucleares. O responsável disse, no entanto, que nenhuma proposta oficial foi apresentada até agora ao presidente Barack Obama, afirmando que trata-se apenas de uma reflexão preliminar.

Questionado sobre o assunto, o general Martin Dempsey, chefe do Estado-maior norte-americano, minimizou as declarações, e disse que essas são apenas “discussões internas sobre nossa futura estratégia de negociações, principalmente com a Rússia”. Segundo o porta-voz do Pentágono, George Little, Barack Obama teria solicitado ao departamento de Defesa que apresentasse várias alternativas sobre o tema, mas ele não deu detalhes sobre os projetos.

A divulgação dessas informações acontece a um mês da próxima reunião de cúpula sobre a segurança nuclear, que será realizada na Coreia do Sul. O presidente norte-americano já havia lançado, em 2009, um apelo para que o mundo se livrasse da ameaça atômica. Na época, Obama havia prometido trabalhar para “um mundo sem armas nucleares”.

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Nova companhia planeja colocar satélite em órbita até 2014

Do Blog DefesaNet

Nas próximas semanas será oficialmente lançada a empresa resultante de uma parceria entre a Telebras e a Embraer, criada para liderar o processo de construção e operação de um satélite geoestacionário. Ainda neste semestre, essa sociedade colocará na rua o edital para contratação da companhia que apoiará a fabricação do equipamento. Serão dois anos de construção, com a sede da nova empresa em São José dos Campos (SP). A Embraer terá participação de 51% e a Telebras, de 49%. A previsão de lançamento é 2014. “Já temos a posição orbital definida. Esse projeto começa a ser tocado no próximo mês”, diz Caio Bonilha, presidente da Telebras.

A compra dos equipamentos que compõem o satélite será feita por etapas. Para este ano, a previsão é de investir R$ 56 milhões no projeto. A construção do satélite tem a participação dos ministérios da Defesa, das Comunicações e da Ciência e Tecnologia. Para a Telebras, diz Bonilha, o equipamento servirá de apoio à disseminação da banda larga em regiões remotas que não forem alcançadas pela fibra óptica. Com o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) está prevista a cobertura de até 4,2 mil municípios por meio de cabos. Ao satélite caberá a cobertura adicional das demais 1,3 mil cidades do país. Para o Ministério da Defesa, o satélite servirá para centralizar informações consideradas críticas para o governo. “Será um tipo de backup de informações consideradas estratégicas.”

A viabilização de um satélite geoestacionário brasileiro é acompanhada de perto pela presidente Dilma Rousseff, que quer a nacionalização dessa indústria, já que os componentes que darão vida ao equipamento serão fornecidos majoritariamente pelo mercado internacional. Incluído no programa plurianual (PPA) de 2012-2015, o satélite tem uma previsão de investimentos de aproximadamente R$ 700 milhões. “As empresas que fabricam satélites fazem parte de um grupo muito restrito em todo o mundo, e o governo vislumbrou uma oportunidade de retomar seu programa espacial geoestacionário. Faremos parte desse grupo”, afirma Bonilha.

A preocupação de lançar o equipamento até 2014 se deve ao fato de que, em dois anos, vencerá o prazo para que o Brasil ocupe a reserva feita para duas posições orbitais a que o país tem direito no espaço para aplicações na área de defesa, conforme as regras definidas pela União Internacional das Telecomunicações (UIT).

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Otimismo das famílias brasileiras bate recorde

Do Blog do IPEA

A décima oitava edição do Índice de Expectativa das Famílias (IEF), divulgado nesta quinta-feira, 9, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), demonstrou um alto grau de otimismo das famílias brasileiras em relação à situação socioeconômica do país. De acordo com o assessor técnico da presidência do Instituto, André Calixtre, o mês de janeiro atingiu a marca de 69%, alcançando a mais alta taxa já registrada pelo índice. Em dezembro de 2011 este número foi de 67,2%.

A pesquisa sinaliza ainda para o fato de que, em vários índices, a região Centro-Oeste se mostra como a mais confiante entre as cinco, com um percentual de 84,8%. Em conseqüência disso, também é a maior responsável pelo aumento do índice geral. A que apresentou menor grau de otimismo foi a Região Norte, com 62,1%.

Quanto à expectativa das famílias sobre a situação econômica para os próximos 12 meses, o IEF aponta que neste primeiro mês do ano 64,9% das famílias acreditam que o Brasil passará por melhores momentos – um crescimento de 0,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior (64,4%). Ao longo prazo esta confiança é relativamente menor: 62% estão otimistas com o desempenho da economia nos próximos cinco anos.

No que diz respeito ao endividamento, 57,1% das famílias consultadas afirmaram não terem dívidas, superando o índice do mês anterior que foi de 56,1%. Sobre o consumo de bens duráveis, 64,4% das famílias acreditam que agora é um bom momento para adquiri-los, enquanto 32% não consideram este um momento ideal.

IEF

O IEF é uma pesquisa estatística por amostragem realizada em 3.810 domicílios, em mais de 200 municípios. Abrangendo todas as unidades da Federação, com margem de erro de 5%, ele aborda temas como: situação econômica nacional; condição financeira passada e futura; decisões de consumo; endividamento e condições de quitação de dívidas e contas atrasadas; mercado de trabalho, especialmente nos quesitos segurança na ocupação e sentimento futuro de melhora profissional.

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