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Mercadante assume com proposta de iniciar pacto nacional pela educação

Ao assumir o Ministério da Educação nesta terça-feira, 24, Aloizio Mercadante fez um relato sobre sua trajetória. Começou dizendo que ocupou importantes cargos no Legislativo, mas que é, acima de tudo, economista e professor. “Essa é a minha verdadeira identidade. Todos os cargos que ocupei, tudo o que fiz, fiz com base nessa profunda e definitiva identidade.”

Por Ionice Lorenzoni – Ascom/MEC

E foi a favor dos professores da educação básica pública que Mercadante assumiu, na condição de ministro, o compromisso de iniciar um diálogo com governadores e prefeitos, para que o piso salarial da categoria se torne realidade em todo o território nacional. Com essa iniciativa, ele pretende melhorar não só a remuneração, mas também as condições de trabalho e da carreira docente.

Outro tema que vai merecer atenção especial é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado pela presidenta Dilma Rousseff no ano passado. “Esse será um dos mais importantes objetivos estratégicos de minha gestão”, explicou.

E para que mais jovens concluam a educação básica e tenham acesso ao ensino superior, Mercadante anunciou que vai trabalhar para fazer um pacto nacional pela educação, que envolva a sociedade civil, os empresários, as famílias e as três esferas de governo. “De fato, a educação precisa se transformar numa espécie de saudável obsessão nacional, que mobilize a todos”, disse.

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Brasil ganha com a posse do novo ministro da ciência e tecnologia

O Brasil ganha com a posse do novo Ministro da Ciência e Tecnologia, o Dr. Marco Antônio Raupp é um técnico competente, que conhece bem a área de inovação tecnológica, atual Presidente da Agência Espacial Brasileira e que exerceu anteriormente o cargo de Diretor Geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos – SP, considerado um polo de desenvolvimento da inovação científica do Brasil, também foi ex-reitor da Universidade de São Carlos.

Por Welinton Santos – no Pravda.ru

No currículo, além de PhD em Matemática e graduado em Física, conta com uma larga trajetória no meio acadêmico científico, presidente licenciado da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi presidente da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) e conselheiro e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Raupp exerceu as atividades de pesquisador titular do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), professor da Universidade de Brasília (UnB), pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e professor associado no Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME/USP).

Foi diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), diretor do INPE e do Instituto Politécnico da Universidade do Rio de Janeiro (IPRJ/UERJ). Recebeu o título de Comendador pela Ordem do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, e de Grão-Cruz pela Ordem Nacional do Mérito Científico, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Raupp é membro titular da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e já participou do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional da Ciência e Tecnologia (CCT).

Em dezembro de 2010 recebeu da atual presidente Dilma Rousseff a missão de reorganizar o Programa Espacial Brasileiro. O cientista se dedicou em três frentes: o projeto Cyclone, para o lançamento de um foguete ucraniano da base de Alcântara (MA); o desenvolvimento do satélite geoestacionário de comunicações; e a correção de rota para a concepção de um foguete brasileiro, o VLS.

Quando conversamos a respeito do seu trabalho no Parque Tecnológico de São José dos Campos, fiquei contente com a sua postura profissional e sinto-me seguro quanto à competência deste grande pesquisador e colaborador da ciência brasileira que acaba de receber um novo desafio. Parabenizo e acredito no sucesso desta nova empreitada.

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Por que os países perdem o bonde da história?

Coluna Econômica – 23/01/2012

Do Blog do Nassif

A lógica é mais ou menos recorrente. O tempo da história nacional é muito mais longo que o prazo do mandato dos governantes. Decisões estratégicas levam anos para se consolidar, mostrar sua lógica, ganhar corações e mentes. O reconhecimento se dá através da história, não de imediato.

Já os governantes pavimentam sua gestão por marcas próprias, pessoais, que sejam captadas imediatamente pelo eleitorado e pela opinião pública.

Em alguns momentos, casa o discurso com o rompimento de paradigmas. Foi assim quando Vargas (assessorado pelo Sr. Crise) rompeu com a inércia financeira da República Velha; quando JK completou o ciclo da indústria de base estatal com a atração de multinacionais; quando Fernando Collor brandiu o discurso da abertura e da desregulamentação que rompeu com a inércia pós-Geisel; e quando Lula desfraldou a bandeira das políticas sociais universalistas, civilizando a irracionalidade fiscal pós-Marcílio Marques Moreira.

Mas ainda não existe no país nem governantes nem grupos de inteligência capazes de definir políticas de longo prazo, institucionalizadas, casando pragmatismo e ações estratégicas, como fizeram os fundadores nos Estados Unidos do século 19.

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Chuva: governo vai acelerar mapeamento geológico de 250 municípios

Em função dos crescentes estragos provocados pela chuva em alguns estados, o governo decidiu acelerar o mapeamento geológico de 250 municípios para conhecer os riscos a que estão sujeitos em caso de tempestade.

Por Yara Aquino – Agência Brasil

A previsão era que esse mapeamento fosse concluído em 2014, mas a presidenta Dilma Rousseff determinou aos ministros que antecipassem a finalização do trabalho. Na próxima semana, a Casa Civil irá coordenar uma reunião com a Petrobras e representantes de universidades federais a fim de identificar geólogos dessas instituições que possam para reforçar o trabalho de mapeamento.

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse só será possível estimar o novo prazo de conclusão do mapeamento após saber quantos profissionais estarão disponíveis para a tarefa. “Depois de feito esse mapeamento poderemos nos deparar inclusive com a necessidade de remover famílias de alguma regiões em função do risco geológico da área”, disse o ministro, hoje (18), após participar de reunião na Casa Civil com integrantes de ministérios como o da Ciência e Tecnologia e o do Meio Ambiente.

Segundo o ministro, a presidenta Dilma Rousseff determinou que os municípios que tiveram imóveis totalmente destruídos tenham prioridade no Programa Minha Casa, Minha Vida. A estimativa, segundo Bezerra, é que a demanda seja de 3 mil unidades habitacionais.

“A presidenta autorizou ao grupo de acompanhamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que todas as demandas que venham a surgir de estados e municípios que tiveram casas totalmente destruídas, que se abra espaço dentro do Minha Casa, Minha Vida. Já temos demandas que chegam de Minas Gerais e Rio de Janeiro e, na próxima semana, teremos os encaminhamentos após a reunião do grupo de acompanhamento do PAC”, explicou.

Fernando Bezerra informou que, devido à previsão de aumento da chuva em São Paulo e em Santa Catarina, vão ser instalados nos dois estados unidade do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.

Ainda hoje, o ministro irá a Belo Horizonte para a transferência de R$ 25 milhões em recursos emergenciais ao estado. O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, deverá entregar ao ministro o pleito de recursos para as obras de recuperação no estado.

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Em 2009, atividades de saúde respondiam por 4,5% dos postos de trabalho no país

As atividades de saúde responderam, em 2009, por 4,3 milhões de postos de trabalho no país, volume que representava, naquele ano, 4,5% do total de ocupações no mercado brasileiro. Em relação a 2007, quando os postos do setor correspondiam a 4,4% do total, houve a criação de 115 mil novas vagas, quase todas em 2008, antes que o Brasil sentisse os efeitos da crise econômica internacional. Ao todo, em 2009, havia no país 96,6 milhões de postos de trabalho

Por Thais Leitão – Agência Brasil

De acordo com a pesquisa Contas Satélite de Saúde, divulgada hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a saúde pública é a atividade que concentra o maior número de ocupações no setor: 1,4 milhão (32,5%); seguida por outras atividades relacionadas com atenção à saúde (27,1%); e comércio de produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e odontológicos (18%).

Outras atividades relacionadas com atenção à saúde e saúde pública também foram as atividades que mais criaram ocupações entre 2007 e 2009 (37,6 mil novos postos e 36,5 mil, respectivamente). Já o comércio de produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e odontológicos teve redução de 9,7 mil vagas no período.

O IBGE destaca que os dados se referem ao total de postos de trabalho e não ao número de pessoas ocupadas em cada atividade, já que no setor de saúde é comum que um mesmo profissional trabalhe em mais de um estabelecimento, ocupando, dessa forma, mais de um posto.

O estudo também revela que o rendimento médio dos ocupados no setor de saúde é superior à média de todas as atividades econômicas no país. Enquanto aqueles profissionais que atuam na saúde – incluindo todas as categorias empregadas na atividade, como funcionários administrativos e de apoio, por exemplo – têm renda média anual de R$ 22.395,00, o rendimento médio anual dos profissionais em geral foi de R$ 14.222,04.

A renda média anual mais elevada entre os setores da saúde em 2009 era a dos trabalhadores de atividades de atendimento hospitalar (R$ 48.851,21), 3,4 vezes maior que a média da economia no período.

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“Mas qual é a proposta?”

Se Lula tem plano de saúde e fontes de recursos para tratar-se no Sírio, fez bem de ir para lá. Pois deixou de ocupar no Icesp uma vaga, que agora irá servir a alguém que não pode pagar o Sírio

Do Blog do Alon

O piadismo na internet sobre o câncer de Luiz Inácio Lula da Silva e o SUS teve pelo menos um efeito positivo. Atraiu o olhar jornalístico para as estruturas da rede pública que atendem pacientes de câncer.

Repórteres foram a hospitais e puderam notar, e depois reportar: o atendimento é defensável e o povo não está desassistido.

Há problemas? É evidente. Poderia melhorar muito? É claro. Mas daí a dizer que o tratamento de câncer no SUS é uma droga vai uma diferença e tanto.

E conforme a realidade se impõe o foco da crítica sofre um ajuste: o problema não seria a má qualidade do serviço, mas a oferta insuficiente e as filas de espera.

Sim, de fato é um problema, e os governos deveriam investir mais. E estão investindo. Em todos os níveis. Aliás estão de língua de fora, desesperados para encontrar novas fontes de financiamento.

O piadismo sobre o câncer de Lula e o SUS alimenta-se também de preconceito social. Digo e provo. Na longa luta contra a doença, José Alencar nunca foi alvo de nada parecido. Talvez por ser sabidamente rico, por ter dinheiro para pagar o dispendiosíssimo tratamento privado.

Não houve campanhas tipo #ZeAlencarnoSUS. Não houve tampouco qualquer episódio de jornalismo especulativo na linha “o que acontece se ele morrer”.

Mas o nó górdio está em outro canto. Como naquelas peças engajadas na universidade nos anos 60 e 70, uma hora o teatro acaba, alguém levanta na plateia e lança a pergunta: “Legal, gostei, mas qual é a proposta?”

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Brasil melhora em ranking de suborno e é ‘líder entre emergentes’, diz ONG

O Brasil foi o país emergente mais bem avaliado em um ranking de percepção das empresas multinacionais sobre a prática de suborno, divulgado nesta quarta-feira pela organização Transparência Internacional.

Da BBC Brasil

O país ficou em 14º lugar na lista de 28 nações, subindo três posições em relação ao último levantamento, em 2008.

A nota do país subiu apenas ligeiramente, dentro da margem de erro, passando de 7,4 para 7,7, em uma escala de zero a dez onde o valor mais alto é melhor.

Entretanto, isso foi suficiente para deixar para trás Hong Kong, África do Sul, Taiwan e inclusive a Itália, país com o qual havia permanecido empatado no último ranking.

O levantamento foi feito ouvindo 3 mil executivos de empresas de países desenvolvidos e em desenvolvimento, que opinaram sobre as probabilidades de uma empresa ser obrigada a pagar propina para operar nos diferentes países e setores.

Cingapura e Coreia do Sul, cujo status de rico ou emergente tem dividido analistas, ficaram à frente do Brasil.

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Como seria um Brasil sem Lula?

Comentário: Interessante análise feita por Luis Nassif, na esteira das notícias do câncer de laringe diagnosticado no ex-Presidente Lula. É uma pena que alguns abutres de plantão estejam torcendo pelo agravamento da doença e afastamento definitivo do grande líder. Seria a melhor hipótese? Talvez não….

Agora que as notícias dão conta da boa perspectiva de restabelecimento do Lula, é curioso debruçar nas análises apressadas sobre uma era pós-Lula.

Por Luis Nassif

Aliás, chocante a maneira como algumas comentaristas celebraram a doença de Lula. Até nos ambientes mais selvagens – das guerras, por exemplo – há a ética do guerreiro, de embainhar as armas quando vê o inimigo caído, por doença, tragédia ou mesmo na derrota. Por aqui, não: é selvageria em estado puro.

A analista-torcedora supos que, com a doença de Lula, haveria uma mudança radical no quadro político. Sem voz, Lula seria como um Sansão sem cabelos. Sem Lula, não haveria Fernando Haddad. Sem contar os diagnósticos médico-políticos-morais, de que Lula foi castigado por sua vida desregrada. Zerado o jogo político, concluiu triunfante.

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Consenso de Brasília

Segue interessante texto, de Patrícia Campos de Melo, sobre o “Consenso de Brasília”. É bom observar por outro ângulo as transformações pelas quais passam nosso país e nossa região.

Ao tomar posse em Lima, no dia 28 de julho, o presidente peruano Ollanta Humala seguiu à risca o script de seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Patrícia Campos de Melo – Do Interesse Nacional

Humala prometeu que vai governar “um Peru para todos”, ecoando o “Brasil, um País de todos” de Lula. Anunciou a expansão do programa de transferência de renda Juntos, nos moldes do Bolsa Família. Decretou aumento de 12,5% do salário-mínimo e enfatizou que sua prioridade será crescimento com inclusão social. Revelou também que iria criar um conselho social, nos moldes do conselho de desenvolvimento social do governo brasileiro. O discurso do peruano foi coescrito pelo petista Luís Favre, que fez toda a campanha de Humala.

Hugo Chávez, antigo inspirador do esquerdista Humala, não mereceu nenhuma menção. Nem indireta.

Com a vitória de Humala na eleição presidencial do Peru – e seu início de governo com muitos afagos para os moderados e um gabinete centrista – avança na América Latina o que vem sendo chamado de “Consenso de Brasília”.

Regimes de esquerda moderada, que combinam inclusão social com nacionalismo na exploração de recursos naturais e estabilidade macroeconômica, estão se consolidando na América Latina.

Os maiores símbolos deste novo consenso são Brasil, Uruguai e El Salvador. O prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, conhecido defensor do livre-mercado, apoiou Humala nesta eleição e falou do novo consenso em coluna no jornal espanhol El País.

“Para que aqueles programas (sociais) sejam bem-sucedidos é indispensável que o Peru continue crescendo como nos últimos anos, senão não há riqueza para distribuir. Os socialistas chilenos, brasileiros, uruguaios e salvadorenhos entenderam isso e, apesar de continuarem se chamando de socialistas, têm feito um governo social-democrata (não digo liberal para não assustar ninguém, mas não seria mentira).”

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Reação provinciana às condecorações de Lula

Comentário: Segue interessante análise de Paulo Moreira Leite, da Revista Época, sobre a série de condecorações recebida pelo ex-Presidente Lula no exterior. É importante notar a crítica ao provincianismo e ao complexo de vira-latas que sempre permeia nossos “formadores de opinião”. Talvez esteja próxima a hora de uma nova onda que poderá afogar a velha imprensa e que permita, de uma vez por todas, ao Brasil e aos brasileiros assumirem um novo papel na geografia internacional. Papel de protagonista e não mais de país periférico. Papel de cidadãos de primeira classe e não mais de submissos. A ver…

Confesso que o esforço de determinados políticos, observadores e acadêmicos para reclamar das condecorações internacionais recebidas por Luiz Inácio Lula da Silva já passou o limite da boa educação, do bom gosto e até do ridículo.

Do Blog de Paulo Moreira Leite

Lula recebeu sua mais nova condecoração há duas semanas em Paris. Até hoje a imprensa continua publicando textos que procuram convencer o leitor, basicamente, do seguinte: os pobres intelectuais do mundo desenvolvido são tão despreparados, tão ignorantes e tão incultos, que não sabem quem é Lula, nunca ouviram falar das mazelas de seu governo e só por isso insistem em lhe dar títulos honorários.

Num artigo publicado no Estadão, hoje, um professor do interior de Minas Gerais tenta convencer o público que os intelectuais europeus estão confundindo Lula com a reencarnação do “bom selvagem,” aquele mito da obra de Jean-Jaques Rousseau.

É até preconceituoso, quando se recorda que o “bom selvagem” não tinha um conteúdo de classe social, mas era uma referencia a civilizações consideradas primitivas pelo pensamento colonial europeu.

É preciso apostar alto na ignorancia do leitor para imaginar que ele vai acreditar que os intelectuais dos países desenvolvidos vivem na Idade da Pedra, sem internet e sem uma imprensa de qualidade, que nos últimos anos tem feito reportagens extensas e profundas sobre o Brasil.

Posturas deste tipo são apenas mesquinhas e provincianas.

Mesquinhas, porque envolvem interesses menores e inconfessáveis, frequentemente eleitorais, apenas disfarçados por um palavrório de tom indignado.

Provincianas, porque a condecoração de um presidente da Republica por instituições respeitadas, como a Ecole de Sciencies Politiques, de Paris, que, com afetada intimidade, alguns comentaristas chamam de Siencies Po, deveria ser motivo de orgulho para qualquer brasileiro.

Outro ponto é que o aplauso acadêmico internacional pelas realizações do governo Lula contém um ensinamento importante para um pais desigual e hierarquizado, onde a boa educação só é acessível a uma minoria.

Estou falando de um preconceito antigo e mal disfarçado contra brasileiros e brasileiras que não puderam frequentar a escola como se deve, na idade em que seria preciso, não tem o domínio perfeito da língua, não respeitam normas cultas, cometem erros de concordancia e exibem um vocabulário muitas vezes limitado.

Com frequencia, essas pessoas costumam ser tratados como cidadãos de segunda classe, pré-destinados a ocupações inferiores e que nada devem fazer além de ganhar a vida em atividades braçais.

Ao premiar um presidente que teve pouca educação formal, mas foi capaz de obter um reconhecimento popular como nenhum outro na história recente do país, as universidades estrangeiras informam que é recomendável enxergar além do estererótipo.

Talvez por isso as condecorações irritem tanto a tantos. O reconhecimento é uma advertencia contra aqueles que valorizam demais os diplomas que conseguiram pendurar na parede. Não faltam motivos concretos para se fazer uma crítica política a Lula e a seu governo. Todo cidadão bem informado tem sua lista de críticas e sua análise.

Mas o esforço para criticar as condecorações internacionais é esforço inglório.

Nem os brasileiros foram convencidos por estes argumentos, como se viu na campanha presidencial e também pelas pesquisas de opinião, que sugerem que Lula está próximo do nível da santificação junto ao eleitorado. Vencidos em casa, seus adversários querem ganhar a eleição no exterior. Além de feia, é uma batalha perdida.

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