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	<title>Blog Sandro Araújo &#187; Opinião</title>
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	<description>Economia, Política, Opinião, Variedades…</description>
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		<title>Presidente do Bradesco destaca solidez da economia brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 15:26:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Sandro Araújo Enquanto alguns questionam a capacidade do Brasil se impor no cenário mundial, o Presidente do Bradesco faz uma análise &#8220;pé no chão&#8221; sobre a realidade nacional. Detalhe: o Bradesco é hoje o segundo maior banco privado. E só foi ultrapassado após a fusão Itaú-Unibanco. Luiz Carlos Trabuco dirige um banco que possui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Sandro Araújo</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto alguns questionam a capacidade do Brasil se impor no cenário mundial, o Presidente do Bradesco faz uma análise &#8220;pé no chão&#8221; sobre a realidade nacional. Detalhe: o Bradesco é hoje o segundo maior banco privado. E só foi ultrapassado após a fusão Itaú-Unibanco. Luiz Carlos Trabuco dirige um banco que possui penetração em todas as classes sociais e, como poucos, possui &#8220;know-how&#8221; de classe C (operou o Banco Postal, dos Correios, até 2011). A classe C é a que mais cresce no país. Qual banco surfará na onda desse crescimento?</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, trecho de entrevista publicada no jornal Correio Braziliense e que pode ser lida <a title="Presidente do Bradesco confia que sociedade não aceitará retrocesso no país" href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,3/2012/01/29/internas_economia,288007/presidente-do-bradesco-confia-que-sociedade-nao-aceitara-retrocesso-no-pais.shtml" target="_blank">aqui</a> (grifos meus).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os últimos indicadores apontam o Brasil como a sexta maior economia do planeta. Mas o país está longe de ter padrão de vida de Primeiro Mundo. As desigualdades sociais permanecem gritantes. É possível imaginar uma qualidade de vida parecida como a que se vê nos Estados Unidos e na Europa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;">A divulgação desse dado veio acompanhada da tese de que nós melhoramos porque os outros pioraram. O engraçado é que, até outro dia, o jargão era o seguinte: “se o mundo pega resfriado, o Brasil pega pneumonia”. Agora, somos o contraponto para o mundo enfrentar a epidemia.</span> Ao contrário dessa provocação, chegamos até aqui por nossas virtudes. Temos uma economia equilibrada e boa blindagem em caso de crise externa. Temos imenso orgulho dessa posição. É claro, há imensos desafios pela frente. Precisamos melhorar o <acronym title='Produto Interno Bruto'>PIB</acronym> per capita, avançar na educação, na inovação, na produtividade. Mas chegar a essa posição no ranking não é pouca coisa. É o indicativo de que criamos condições para superar o atraso e as injustiças sociais. A elevação da qualidade de vida da população pode ser acompanhada todos os dias. <span style="text-decoration: underline;">O índice de miséria era de mais de 20% há cerca de 20 anos; hoje está abaixo de 10%.</span> Há um processo evolutivo captado pelas estatísticas. Outra vantagem é que o Brasil é um país que responde a estímulos de forma rápida. As pessoas têm perspectiva de emprego. Vivemos na fronteira do pleno emprego. Nosso maior desafio é chegar ao padrão de vida dos países maduros. <span style="text-decoration: underline;">As condições estão dadas</span>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2012%2F01%2Fpresidente-do-bradesco-destaca-solidez-da-economia-brasileira%2F&amp;title=Presidente%20do%20Bradesco%20destaca%20solidez%20da%20economia%20brasileira" id="wpa2a_2"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Finados: dia de reflexão</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/11/finados-dia-de-reflexao/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 12:08:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma homenagem àqueles que se foram&#8230; Por Sandro Araújo Hoje é o dia da saudade. Dia de lembrar todos os que já se foram. Tanta gente querida: uns mais próximos, outros mais distantes. Algumas celebridades, outros tantos anônimos&#8230; Dia para celebrar a vida mesmo na morte. Em um outro 2 de novembro lembro-me de participar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Uma homenagem àqueles que se foram&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Sandro Araújo</em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje é o dia da saudade. Dia de lembrar todos os que já se foram. Tanta gente querida: uns mais próximos, outros mais distantes. Algumas celebridades, outros tantos anônimos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Dia para celebrar a vida mesmo na morte. Em um outro 2 de novembro lembro-me de participar de uma missa celebrada em um cemitério (no qual muitos de meus antepassados hoje repousam) e em cuja homilia o padre disse algo assim: Não devemos nos entristecer pela perda de quem amamos. Na certeza da vida eterna e da misericórdia divina devemo-nos alegrar. É a vida que renasce.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada qual tem sua crença, suas convicções. Eu tenho as minhas. E creio na vida eterna. O que fazemos aqui? Uma espécie de estágio para a vida que há de vir. A resposta aos céticos? Vejam o trecho abaixo, de um <em>email</em> que circulou recentemente na rede:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:<br />
- Você acredita na vida após o nascimento?<br />
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.<br />
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?<br />
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.<br />
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.<br />
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.<br />
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.<br />
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.<br />
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?<br />
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.<br />
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.<br />
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">A metáfora é deveras instigante. Ao longo da história, o ser humano aprendeu a lidar com as certezas da vida mas quase nunca sabe lidar com a incerteza da morte. Ou certeza: aliás, a única que temos, a morte. Tudo o mais é variável: se vamos nos casar ou não. Ter filhos ou não. Ter sucesso financeiro ou não. Sermos felizes ou não. Morrer ou não? Não, isso não é uma alternativa, mas uma fatalidade. Só resta-nos a incerteza do quando.</p>
<p style="text-align: justify;">E quando a morte vem quase nunca estamos preparados: a morte de minha mãe veio num momento de certeza da eficácia do tratamento. A morte de meu pai veio após uma longa angústia. Mas a internação que antecedeu à sua morte foi completamente inesperada. Como lidar com isto? Talvez aqui a maioria das religiões sirva de amparo a nós que aqui permanecemos. Religião do latim <a title="Religião na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o" target="_blank"><em>religare</em></a>, de ligação com o divino. Ligação esta que na metáfora dos gêmeos na barriga na mão era representada pelo cordão umbilical.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje é um dia de reflexão. Um dia daqueles em que fazemos um balanço de nossas vidas e avaliamos tudo o que já fizemos e o que estamos por fazer. Mas não é como no primeiro dia do ano, no qual fazemos planos para o ano que se inicia ou mesmo no último dia do ano, no qual avaliamos o que de fato fizemos do planejado para o ano que finda. É um dia de balanço de nossas vidas. Um dos poucos dias em que nos permitimos fazer um &#8220;balanço geral&#8221;&#8230; É sim um dia de tristeza e de lembrança. Mas pode &#8211; e deve &#8211; ser um dia de alegria.</p>
<p style="text-align: justify;">Alegro-me ao pensar que hoje existo graças à minha saudosa mãe e ao meu saudoso pai. Alegro-me ao me lembrar de tantos exemplos de vida que ambos me passaram. A calma, a paciência, a obstinação, o prazer pela leitura e pela busca ao conhecimento. A alegria de nascer e viver em família. Tudo isso &#8211; e muito, muito mais &#8211; devo a eles. E alegro-me por ser quem hoje sou. Resta também a certeza de trazer em meu sangue, em meu nome, a história dos meus pais.</p>
<p style="text-align: justify;">A eles, minha homenagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos leitores do <em>Blog</em>, peço desculpas pelo momento de introspecção que o dia me trouxe. Mas convido-os a igualmente refletirem sobre a vida e sobre a morte. A encararem o fato de que quando ela chega (a morte), nem sempre estamos preparados. Os cristãos conhecem bem a parábola que termina com o famoso &#8220;<em>Vigiai e Orai pois não sabeis nem o dia e nem a hora</em>&#8220;. E aproveitemos, todos, os momentos que temos com nossos entes queridos para celebrar a vida. Aproveitar os momentos juntos sempre imbuídos no amor e nunca na incompreensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao senhor Aldo e à senhora Catarina Maria, minhas homenagens!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F11%2Ffinados-dia-de-reflexao%2F&amp;title=Finados%3A%20dia%20de%20reflex%C3%A3o" id="wpa2a_4"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Poderia a Rússia alcançar o Brasil?</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/06/poderia-a-russia-alcancar-o-brasil/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 03:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando será que os russos terão a maturidade política dos brasileiros? Quando serão os russos, tal qual os brasileiros, autorizados a eleger governadores de estados e prefeitos de grandes cidades, e a terem eleições livres e competitivas para o congresso e para a presidência? Por James Brooke*, The Moscow News &#8211; Tradução por Sandro Araújo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Quando será que os russos terão a  maturidade política dos brasileiros? Quando serão os russos, tal qual os  brasileiros, autorizados a eleger governadores de estados e prefeitos de  grandes cidades, e a terem eleições livres e competitivas para o  congresso e para a presidência?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por James Brooke*, <a title="Can Russia catch up with Brazil?" href="http://themoscownews.com/russiawatch/20110606/188729315.html" target="_blank">The Moscow News</a> &#8211; Tradução por <a title="Blog Sandro Araújo" href="http://www.araujosam.net" target="_blank">Sandro Araújo</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Estas questões são um pouco ofensivas para muitos russos. Afinal, o Brasil era uma mera colônia portuguesa de bananeiras e coqueiros no tempo em que Ivan o Terrível estava forjando o núcleo de um Estado moderno na imensidão da neve da Rússia.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas avance cinco séculos e a Rússia e o Brasil terão aproximadamente o mesmo peso econômico. Cada um possui uma economia de 2 trilhões de dólares. Ambos são membros fundadores do grupo <acronym title='Acrônimo para Brasil, Rússia, Índia e China, BRIC, criado pela Goldman Sachs - Posteriormente a África do Sul foi incluída'>BRICS</acronym>, de nações emergentes.</p>
<p style="text-align: justify;">A comparação política é apropriada já que a Rússia entra num ano eleitoral, ao eleger o parlamento em dezembro e um novo presidente em março.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu acabei de retornar de minha primeira viagem de volta ao Brasil em 16 anos. Por um total de 16 anos, de 1980 a 1995, eu cobri o Brasil para jornais dos <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym>. Estes foram os anos-chave da transição do Brasil da ditadura para a democracia.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1610"></span>Os russos, se de alguma forma pensarem seriamente sobre o desenvolvimento político do Brasil, assumirão que a democracia surge de forma natural para uma sociedade do Novo Mundo nas Américas.</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, 150 anos atrás, a Rússia e o Brasil estavam aproximadamente no mesmo lugar: sociedades escravocratas governadas por imperadores. O Czar aboliu a servidão na Rússia em 1.861. A escravidão foi abolida no Brasil em 1.888, a última nação do hemisfério ocidental a fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, a abolição da escravatura levou à queda do imperador e iniciou uma sucessão de 75 anos de golpes militares, domínio pela oligarquias de partidos civis, um governo de estilo fascista durante a Segunda Guerra Mundial, e finalmente, a &#8220;revolução&#8221; militar de 1964. Pelos próximos 21 anos, uma série de generais do Exército, vestidos em ternos civis, dirigiu o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">A cena política da Rússia hoje é muito similar à cena do Brasil quando eu o visitei pela primeira vez como um estudante universitário 35 anos atrás, em 1976.</p>
<p style="text-align: justify;">Os russos hoje são governados por aquilo que os latino americanos chamam de &#8220;ditabranda&#8221;. A palavra &#8220;ditadura&#8221; poderia ser hoje aplicada aos regimes de Cuba ou Bielorrússia.</p>
<p style="text-align: justify;">Como no Brasil dos militares, a Rússia possui uma imprensa escrita amplamente livre. Mas a mídia eletrônica &#8211; TV e rádio &#8211; opera sobe pesada auto-censura. Tal qual no Brasil dos militares, a liderança nacional da Rússia manipula as eleições e os partidos políticos para garantir sua continuidade no poder.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil dos militares, o congresso sem poder era pelo menos uma &#8220;caixa de ressonância&#8221;. Na Rússia, a Duma nem sequer a isto pode aspirar. Em 2005, o presidente da Duma, Boris Gryzlov, reprimiu outro deputado, dizendo que &#8220;o Parlamento não é um lugar para discussões políticas&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas ruas da Rússia atualmente, o mais simples &#8220;protesto não-autorizado&#8221; é contido com cacetetes e camburões. Policiais uniformizados e à paisana impediram a manifestação por direitos homossexuais em 28 de maio, detendo à força cerca de 30 pessoas em frente ao Kremlin.</p>
<p style="text-align: justify;">Então como o Brasil teria feito o grande movimento de um sistema político autoritário nos anos 1970 para a democracia civil de hoje?</p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo dia que a polícia russa estava batendo em homossexuais e seus simpatizantes em Moscou, eu estava em Florianópolis, Brasil, almoçando uma moqueca de camarão com Roberto Schmidt, um advogado e veterano do movimento lento e demorado do Brasil para um regime civil pleno.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A expansão da sociedade civil é a chave&#8221;, disse ele. &#8220;Um ano no início dos anos 1980, grupos de vizinhança começavam a se formar através de Florianópolis&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Como repórter no Brasil no início da década de 1980, eu me lembro pensando que esta proliferação de ONGs, grupos de vizinhança, grupos de igreja, grupos ambientalistas, grupos de mulheres, e sindicatos independentes eram um assunto chato. Como notícia de valor, como estes fenômenos das bases se comparariam com a pirotecnia da guerra civil em El Salvador, Augusto Pinochet batendo cabeça no Chile e Margareth Thatcher voltando atrás com a ocupação argentina nas Ilhas Malvinas (Falkland)? Mas para o Brasil, esta transição para a democracia era &#8220;A&#8221; história.</p>
<p style="text-align: justify;">No nível político, estas ONGs levaram à formação do Partido dos Trabalhadores, o primeiro partido brasileiro realmente nascido nas bases. Este é o partido que suplantou expectativas de classe e colocou no palácio presidencial Luis Inacio Lula da Silva, um engraxate quando menino e cuja educação formal parou na quarta-série.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o partido que derrubou as expectativas de gênero ao vencer a eleição do último outubro com Dilma Rousseff, a primeira mulher a se tornar presidente do Brasil. (Como medida da distância ideológica percorrida, Rousseff, a filha de um imigrante comunista búlgaro, começou sua carreira política em um colégio fazendo trabalho clandestino com um Grupo de Guerrilha Marxista lutando contra a ditadura militar).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas além de contribuir para o sucesso do Partido dos Trabalhadores, a expansão das ONGs contribuiu para o crescimento do senso de cidadania do brasileiro médio. O crescimento econômico do Brasil contribuiu enormemente com este processo, movendo 23 milhões de brasileiros da pobreza para a classe média na última década.</p>
<p style="text-align: justify;">Em contraste, os líderes autoritários da Rússia parecem congelados em 1976, com medo da sociedade civil.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob a desculpa de lutar contra a &#8220;revolução das cores&#8221;, eles restringem severamente as ONGs na Rússia. Eles treinam grupos de jovens afiliados ao Kremlin &#8211; Nashi, Molodaya Gvardia e outros &#8211; para promover batalhas de rua contra dissidentes e movimentos políticos independentes. O sistema político russo parece estar cada vez mais distante da sociedade civil e da participação popular.</p>
<p style="text-align: justify;">A &#8220;eleição&#8221;, no último outono, do novo prefeito de Moscow, Sergei Sobyanin, ex-chefe de equipe de Vladimir Putin, é emblemática. Prevista para dar aos moscovitas um sentimento de participação política, a transmissão ao vivo pela TV estatal do voto da Duma da Cidade teve um pouco mais de suspense que o voto nos tempos soviéticos. Foi por 32 votos a favor, 2 contra.</p>
<p style="text-align: justify;">Os argumentos do Kremlin de que residentes na maior cidade da Europa não têm a maturidade política para eleger seu próprio prefeito ecoam os argumentos de 40 anos antes dos militares sobre São Paulo. Nos anos 1970, os prefeitos de São Paulo eram indicados pelos generais. Eleições competitivas, livres, foram restauradas nos anos 1980.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão permanece: irá a Rússia seguir o caminho do Brasil e mover para a democracia plena?</p>
<h5 style="text-align: justify;">* James Brooke é o chefe de escritório em Moscow da Voz da América. Esta é uma versão ligeiramente abreviada de um comentário que apareceu em primeiro lugar no voanews.com, onde todos os seus artigos &#8220;Russia Watch&#8221; podem ser vistos.</h5>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F06%2Fpoderia-a-russia-alcancar-o-brasil%2F&amp;title=Poderia%20a%20R%C3%BAssia%20alcan%C3%A7ar%20o%20Brasil%3F" id="wpa2a_6"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Como vota a Academia Brasileira de Letras</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/06/como-vota-a-academia-brasileira-de-letras/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 13:25:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[ABL]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentário: A ABL fede. Merval Pereira merece vaga em academias de jornalistas ou mesmo de comentaristas políticos. O que se espera de uma Academia Nacional de Letras é a nata da literatura nacional. Quem já leu um livro de Merval Pereira? Particularmente tenho minhas críticas a Jorge Amado e sua esposa, Zélia Gattai. Mas ambos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Comentário: A ABL fede. Merval Pereira merece vaga em academias de jornalistas ou mesmo de comentaristas políticos. O que se espera de uma Academia Nacional de Letras é a nata da literatura nacional. Quem já leu um livro de Merval Pereira? Particularmente tenho minhas críticas a Jorge Amado e sua esposa, Zélia Gattai. Mas ambos foram escritores prolíficos. Quando Paulo Coelho foi eleito, houve quem o criticasse pois sua obra seria &#8220;popular demais&#8221;. Mas tem uma obra vasta e vendida no mundo inteiro. Como autor, quem é Merval Pereira? Na eleição, derrubou outro candidato, Antonio Torres, autor de vários livros e traduzido em diversos idiomas. Daí a pergunta: Que motivos teriam levado à escolha do agora novo &#8220;imortal&#8221;? Sua militância política? O poderio da empresa em que trabalha? Se bem que, ao ter entre seus pares um José Sarney, não é de se esperar outra coisa. Sarney, o político, está para a literatura tanto quanto Pereira, o jornalista!</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Do <a title="Como vota a Academia Brasileira de Letras" href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/como-vota-a-academia-brasileira-de-letras" target="_blank">Portal do Nassif</a>, com adaptações</em>.<em> Por Alberto Porem Junior</em></p>
<p style="text-align: justify;">Merval Pereira acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras ( ABL).</p>
<p style="text-align: justify;">Autor de dois importantíssimos livros, aliás os únicos que escreveu:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>&#8220;A Segunda Guerra, a sucessão de Geisel&#8221; em 1979,</li>
<li> &#8220;O Lulismo no poder&#8221; em 2010.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Venceu a <strong>Antonio Torres</strong> que tem a seguinte biografia:</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos escritores mais conhecidos de sua geração, com livros traduzidos na Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária, entre outros</p>
<p style="text-align: justify;">Prêmios:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Romance do Ano &#8211; 1996 &#8211; Concedido pel Pen Clube do Brasil.</li>
<li>Prêmio Hors Concours &#8211; 1998 &#8211; União Brasileira dos Escritores</li>
<li>Chevalier des Arts et des Lettres &#8211; 1998 &#8211; Condecorado pelo governo francês.</li>
<li>Prêmio Machado de Assis &#8211; 2000 &#8211; concedido pela Academia Brasileira de Letras.</li>
<li>Prêmio Passo Fundo Zaffari &amp; Bourbon de Literatura &#8211; 2001 &#8211; na 9ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo – RS</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Bibliografia:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><em>Um Cão Uivando para a Lua (romance)</em>. Rio de Janeiro, Edições Gernasa, 1972; 3a ed., São Paulo, Ática, 1979.</li>
<li><em>Os Homens dos Pés Redondos (romance)</em>. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1973; 3a ed., Rio de Janeiro, Record, 1999.</li>
<li><em>Essa Terra (romance)</em> São Paulo, Ática, 1976; 15a ed., Rio de Janeiro, Record, 2001.</li>
<li><em>Carta ao Bispo (romance)</em>. São Paulo, Ática, 1979; 2a ed., São Paulo, Ática, 1983.</li>
<li><em>Adeus, Velho (romance)</em>. São Paulo, Ática, 1981; 4a ed., São Paulo, Ática, 1994.</li>
<li><em>Balada da Infância Perdida (romance)</em>. Prêmio em 1987, Pen Clube do Brasil, categoria &#8220;Romance&#8221;. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986; 2a ed., Rio de Janeiro, Record, 1999.</li>
<li><em>Um Táxi para Viena D’Áustria</em> por ter este livro e Essa Terra traduzidos na França, recebe, do governo francês, o título de &#8220;Cavaleiro das Artes e das Letras&#8221; em 1999. São Paulo, Companhia das Letras, 1991; 4a ed., Rio de Janeiro, Altaya/Record &#8211; Coleção Mestres da Literatura Protuguesa e Brasileira, 1999; 5a ed., Record, 2001.</li>
<li><em>Centro das Nossas Desatenções (crônica)</em>. Rio de Janeiro, RioArte/Relume-Dumará, 1996.</li>
<li><em>O Cachorro e o Lobo</em> em 1999 ganha o Prêmio &#8220;Hors-concours de Romance&#8221; (para obra publicada) da União Brasileira de Escritores. Rio de Janeiro, Record, 1997; 2a ed., Rio de Janeiro, Record, 1998.</li>
<li><em>O Circo no Brasil (crônica)</em>. Rio de Janeiro/São Paulo, Funarte/Atração, 1998.</li>
<li><em>Meninos, Eu Conto (literatura para jovens)</em>. Rio de Janeiro, Record, 1999; 3a ed., Record, 2001.</li>
<li><em>Meu Querido Canibal (crônica)</em>. Rio de Janeiro, Record, 2000; 2a ed., Record, 2001.</li>
<li><em>O Nobre Sequestrador (romance)</em>. Rio de Janeiro, Record, 2003.</li>
<li><em>Pelo Fundo da Agulha (Romance)</em>. 2006, Rio de Janeiro, Record.</li>
<li><em>Minu, O Gato Azul (infantil)</em> Rio de Janeiro, 2007.</li>
<li><em>Sobre Pessoas (Crônicas)</em>, Editora Leitura, Belo Horizonte, 2007</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Na notícia publicada no G1, onde se lê &#8220;<strong>entre outros</strong>&#8221; NÃO existem outros.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F06%2Fcomo-vota-a-academia-brasileira-de-letras%2F&amp;title=Como%20vota%20a%20Academia%20Brasileira%20de%20Letras" id="wpa2a_8"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Parar de crescer não significa parar de se desenvolver</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/06/parar-de-crescer-nao-significa-parar-de-se-desenvolver/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Jun 2011 10:50:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Marcus Eduardo de Oliveira* Um dos pontos mais importantes discutidos nos meandros da economia ecológica diz respeito ao fato de que fazer a economia parar de crescer não significa, conseqüentemente, parar de se desenvolver. O que os economistas com uma visão mais apurada da questão ambiental desejam é justamente obter desenvolvimento. O que esses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Marcus Eduardo de Oliveira*</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_1474" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2011/06/EconomiaEcologica2.jpeg"><img class="size-full wp-image-1474" title="EconomiaEcologica2" src="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2011/06/EconomiaEcologica2.jpeg" alt="" width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Economia Ecológica</p></div>
<p style="text-align: justify;">Um dos pontos mais importantes discutidos nos meandros da economia ecológica diz respeito ao fato de que fazer a economia parar de crescer não significa, conseqüentemente, parar de se desenvolver. O que os economistas com uma visão mais apurada da questão ambiental desejam é justamente obter desenvolvimento. O que esses mesmos economistas tanto condenam é o crescimento conseguido sob as ruínas da degradação do capital natural. Assim, a economia ecológica não se coloca contra o desenvolvimento, mas sim contra as elevadas taxas de crescimento que inflam a economia à custa de piorar o meio ambiente, e, por conseguinte, a qualidade de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos de definição, crescimento é o aumento na produção, na parte física; em outras palavras é &#8220;mais quantidade&#8221;. Desenvolvimento, por sua vez, supera essa idéia e busca &#8220;mais qualidade&#8221;. Com tecnologia e inovação, é possível produzir a mesma quantidade de bens, porém de forma eficaz, com qualidade. A idéia fundamental então é a seguinte: produção deve servir para repor, e não para acumular. Hoje, vivenciamos o contrário. A preocupação primeira da economia tradicional é produzir para acumular.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1473"></span>Entender isso passa primeiramente pela necessidade de se ter em conta que o desenvolvimento não está ligado ao crescimento econômico. Trata-se de pura e cristalina ilusão achar que fazendo a economia crescer atinge-se, por conseqüência, o desenvolvimento. Logo, por essa perspectiva, o processo entendido como &#8220;desenvolvimento econômico&#8221; (qualidade) não só é desejável como é perfeitamente possível, ainda que não haja crescimento (mais quantidade) da economia.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão primordial nos parece ser essa: se continuarmos colocando a economia sob as bases do processo produtivo que responde apenas (e em nome) pelos (dos) ganhos do mercado de capitais, não se logrará sucesso algum, visto que esse mercado somente tem olhos para a &#8220;quantidade&#8221;. O que é necessário fazer e, isso não é tarefa fácil, é direcionar à produção para o atendimento exclusivo das necessidades humanas, que não necessariamente passam pela questão do &#8220;ter&#8221;. Para isso é imprescindível colocar a economia a serviço das pessoas, rompendo-se assim com a situação tradicional que tem vigorado por longo tempo que insiste em colocar as pessoas a serviço da economia.</p>
<p style="text-align: justify;">Urge entender, definitivamente, uma premissa relativamente simplista: a economia, em larga medida, precisa fazer sua volta às origens que remontam aos tempos em que estava incubada nos aspectos da Filosofia Moral, quando os clássicos, na elaboração de seus primeiros &#8220;tratados&#8221;, orientavam à economia (atividade produtiva) para que as pessoas com isso atingissem o bem-estar comum, a felicidade plena.</p>
<p style="text-align: justify;">Na esteira desse comentário, é de bom alvitre salientar que a felicidade, embora encontre morada em uma base conceitual de total subjetividade, nunca esteve ligada a posse de dinheiro. Dentro dessa perspectiva, não é o mercado então, como insistem alguns e como quer fazer prevalecer a economia tradicional, um lugar &#8220;sagrado&#8221; onde se encontra à venda uma mercadoria chamada &#8220;felicidade&#8221;. Felicidade não é (e nunca foi) uma mercadoria; logo, não tem preço!</p>
<p style="text-align: justify;">Compreender isso, de certa forma, ajuda a romper com a lógica de que a economia deva ser vista meramente como uma ciência que dita e direciona os rumos apenas do mercado em seu bel-prazer, como se o mercado fosse unicamente responsável por gerar felicidade e bem-estar. Antes disso, é oportuno salientar que a economia &#8211; sendo uma disciplina pertencente ao campo das humanidades &#8211; deva estar preocupada exclusivamente com o bem-estar das pessoas, tomando a noção básica de que se trata de uma ciência feita pelas pessoas e para as pessoas. Por sinal, a economia nasceu para isso; para fazer as pessoas prosperarem no aspecto mais básico e elementar: atingir qualidade de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Querer medir o desempenho (melhoria) de uma sociedade pelo que se pode (ou se deseja) comprar num shopping center é fazer da vida uma mera questão mercadológica, tipificando as coisas pelo sistema de preços. Definitivamente, a ciência econômica precisar superar essa visão antiga e prosperar sobre a afirmação de que depende totalmente das coisas da natureza, daí a necessidade suprema em se praticar a preservação e a sustentabilidade, para que com isso ocorra sua efetiva consolidação de ciência social que esteja a serviço de melhorar a vida das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">* Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo. Membro do GECEU &#8211; Grupo de Estudos de Comércio Exterior (UNIFIEO) e articulista do Portal EcoDebate, do site &#8220;O Economista&#8221;, da Agência Zwela de Notícias (Angola) e do jornal Diário Liberdade (Galiza, Europa).</p>
<ul>
<li>prof.marcuseduardo@bol.com.br</li>
<li>twitter.com/marcuseduoliv</li>
<li><a href="http://blogdoprofmarcuseduardo.blogspot.com" target="_blank">http://blogdoprofmarcuseduardo.blogspot.com</a></li>
</ul>
<p>** Artigo publicado no <a title="Breves comentários sobre Economia Ecológica" href="http://port.pravda.ru/busines/27-05-2011/31663-economia_ecologica-0/#" target="_blank">Pravda.ru</a></p>
<p>*** Publicado com autorização do autor</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F06%2Fparar-de-crescer-nao-significa-parar-de-se-desenvolver%2F&amp;title=Parar%20de%20crescer%20n%C3%A3o%20significa%20parar%20de%20se%20desenvolver" id="wpa2a_10"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>América Latina: razões para se animar</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/05/america-latina-razoes-para-se-animar/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 17:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Da coluna beyondbrics, do FT &#8211; Tradução por Sandro Araújo Há várias razões para ser pessimista sobre a América Latina. Como o Financial Times afirma em um editorial nesta terça-feira: &#8220;Apesar da colheita das commodities, as economias mais importantes experimentam déficits orçamentários e alta do risco&#8230; O continente mais desigual do mundo sofre de corrupção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em> Da coluna <a title="Latin Amercia: reasons to be cheerful" href="http://blogs.ft.com/beyond-brics/2011/05/31/latin-amercia-reasons-to-be-cheerful" target="_blank">beyondbrics</a>, do FT &#8211; Tradução por <a title="Blog Sandro Araújo" href="http://www.araujosam.net/" target="_blank">Sandro Araújo</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Há várias razões para ser pessimista sobre a América Latina. Como o <em>Financial Times</em> afirma em um <a title="Latin lessons" href="http://www.ft.com/intl/cms/s/0/6ef56c50-8aea-11e0-b2f1-00144feab49a.html" target="_blank">editorial</a> nesta terça-feira: &#8220;Apesar da colheita das <em>commodities</em>, as economias mais importantes experimentam déficits orçamentários e alta do risco&#8230; O continente mais desigual do mundo sofre de corrupção visível, criminalidade em alta e comércio de drogas ilegais em crescimento&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Realize uma visão mais aprofundada, no entanto, e a figura será mais animadora.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A América Latina, antes sinônimo de moratória, é um credor internacional. Em 20 anos, a pobreza caiu da metade da população para menos de um terço. Os mercados domésticos estão se expandindo e a cada dia mais integrados através do continente; seu dinamismo é independente do <em>boom</em> de <em>commodities</em> inspirado na Ásia. A região também aproveita melhor o impulso  demográfico de uma população economicamente ativa jovem que os tigres do sudeste asiático tiveram sua vez. A América Latina encara uma oportunidade histórica.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O <em>Financial Times</em> com frequência defende publicamente que os governos latinos tendem a desperdiçar tais oportunidades. Tal qual Lex sublinhou recentemente, <a href="http://www.ft.com/intl/cms/s/3/562b986e-5a27-11e0-86d3-00144feab49a.html" target="_blank">o Brasil, por exemplo, gasta muito tempo mexendo na margem, e não realiza as reformas de base</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, como o editoral desta terça-feira afirma, a visão aprofundada revela que uma mudança fundamental tem sido operada &#8211; uma que sinaliza para mais mudanças e melhores padrões de vida no futuro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A estabilidade econômica vinha sendo o objetivo de apenas alguns tecnocratas econômicos. Agora ela pode ser também um assunto popular e vencedor das urnas. Ao mesmo tempo, outras alternativas mais radicais e &#8220;revolucionárias&#8221; têm falhado. Sozinho, isto sugere que o recente sucesso da América Latina pode durar. Ser um otimista da América Latina é sempre arriscado, devido ao histórico do continente de altos e baixos. Mas estes riscos vêm reduzindo rapidamente.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Famerica-latina-razoes-para-se-animar%2F&amp;title=Am%C3%A9rica%20Latina%3A%20raz%C3%B5es%20para%20se%20animar" id="wpa2a_12"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Breves comentários sobre Economia Ecológica</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/05/breves-comentarios-sobre-economia-ecologica/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 May 2011 17:06:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Variedades]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Marcus Eduardo de Oliveira* À medida que o meio ambiente apresenta evidentes sinais de estar enfraquecido em face da agressão patrocinada pela expansão econômica sem freios, abre-se perspectiva de maior inserção dos preceitos que emolduram a Economia Ecológica. Mas, o que significa Economia Ecológica? Economia Ecológica (EE) é uma compreensão de que o sistema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Marcus Eduardo de Oliveira*</em></p>
<div id="attachment_1341" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2011/05/EconomiaEcologica.jpeg"><img class="size-full wp-image-1341" title="EconomiaEcologica" src="http://www.araujosam.net/wp-content/uploads/2011/05/EconomiaEcologica.jpeg" alt="" width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Economia Ecológica</p></div>
<p style="text-align: justify;">À medida que o meio ambiente apresenta evidentes sinais de estar enfraquecido em face da agressão patrocinada pela expansão econômica sem freios, abre-se perspectiva de maior inserção dos preceitos que emolduram a Economia Ecológica. Mas, o que significa Economia Ecológica?</p>
<p style="text-align: justify;">Economia Ecológica (EE) é uma compreensão de que o sistema econômico &#8220;gira&#8221; (ou funciona) em torno do mundo biofísico de onde saem matérias-primas e energia. Essencialmente, a (EE) busca nas Leis da Termodinâmica (calor, potência, energia, movimento) a base para explicar teoricamente a realidade socioeconômica e ambiental. Busca promover a interface entre os ecossistemas naturais e o sistema econômico. O ponto relevante da (EE) repousa sobre o entendimento de que o sistema econômico é aberto ao universo na tentativa de captação de energia. É assim que a (EE) toma as leis da física para explicar os limites do crescimento econômico. Com isso, promove-se a velha e boa discussão entre consumo x ambiente; dito de outra forma, o que está em debate é a velocidade de crescimento econômico versus a capacidade de regeneração dos recursos naturais, afinal, habitamos um planeta em que três quartos da população mundial vivem em países que consomem mais recursos do que conseguem repor.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1340"></span>A existência, portanto, de uma corrente de pensamento denominada de Economia Ecológica se prende a um ponto factual: não há economia (produção &#8211; consumo &#8211; distribuição) sem sistema ecológico. Pensar a economia fora dessa questão ambiental é o mesmo que pensar, de forma absurda, diga-se de passagem, um mundo sem a presença das pessoas, habitado, apenas e tão somente, por insetos e seus congêneres. Por essa perspectiva, somos levados a pontuar um fato inexorável: a economia está &#8220;dentro&#8221; de algo muito maior chamado meio ambiente. E o meio ambiente é escasso, não &#8220;vive&#8221; se expandindo todos os dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em que pese o fato da economia tradicional se &#8220;julgar&#8221; superior ao meio ambiente, o que representa, per si, uma visão estreita, o ponto de maior relevância é que a economia (atividade) é completamente dependente das coisas da natureza, e não o contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">Reforça ainda mais esse argumento outro fato importante: a capacidade de sobrevivência da espécie humana é integralmente dependente das condições ambientais. Quando então por essa mesma via pensamos a economia e sua relação com a perspectiva sócio-ambiental, não se pode perder de vista, a título de melhor compreensão, a brilhante definição dada por Lionel Robbins (1898-1984) à economia como sendo &#8220;a ciência que estuda o comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos que têm usos alternativos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Desse modo, promover a interface entre as pessoas, a economia e o meio ambiente nos parece ser de fundamental importância, visto que tanto a economia quanto as pessoas dependem integralmente do meio ambiente, e a economia depende, por seu turno, das pessoas assim como também as pessoas dependem da economia, mas, o meio ambiente, não. Esse último é soberano; não depende de ninguém e poderá ficar sozinho &#8220;ad eternun&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, o meio ambiente se encontra em posição superior a tudo, e não o contrário como ainda insistem alguns, em especial os defensores da velha economia tradicional que acreditam na possibilidade de expansão econômica sem restrições, como se o mundo fosse uma grande massa que se expande ininterruptamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Entender os conceitos que formam a base teórica da (EE) significa compreender definitivamente que o ecossistema é o TODO; a economia (atividade), por sua vez, é apenas uma PARTE dependente desse todo. Esse é, em síntese, o discurso mais proeminente que emerge da (EE) que traz ainda em seu bojo a necessidade de condenar veementemente o discurso predominante da macroeconomia tradicional que apenas intenciona fazer a economia crescer a qualquer preço. Ora, pensar assim, medindo a economia apenas com a régua macroeconômica, é olhar para a questão ambiental e vê-la tão somente como mais uma mera externalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Definitivamente, a (EE) entende o sistema econômico a partir de sua inserção e relação com as questões ambientais, sabendo da existência de limites, pois aponta dedo em riste para o fato de que o planeta Terra não aumentará de tamanho.</p>
<p style="text-align: justify;">O meio ambiente é escasso e limitado, e por mais que se tente imaginar mil maneiras diferentes, não sofrerá aumento em seu tamanho. Isso é fato, e não retórica. Portanto, essa questão fica mais clara assim: não é possível crescer a qualquer preço! Há e sempre haverá limites físicos. O freio a ser dado, portanto, reside no lado das necessidades humanas. Diminuir a voracidade de consumo para dar respiro ao ecossistema. Que a Economia Ecológica esteja sempre presente nas ações e no ideário de todos que sonham viver num mundo melhor. A vida e o planeta Terra certamente saberão agradecer.</p>
<p style="text-align: justify;">* Economista brasileiro. Especialista em Política Internacional e Mestre em Integração da América Latina (USP). Professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo. Articulista do Portal EcoDebate, da Agência Zwela de Notícias (Angola) e do jornal Diário Liberdade (Galiza)</p>
<ul>
<li>prof.marcuseduardo@bol.com.br</li>
<li>twitter.com/marcuseduoliv</li>
<li>http://blogdoprofmarcuseduardo.blogspot.com</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">** Artigo publicado no <a title="Breves comentários sobre Economia Ecológica" href="http://port.pravda.ru/busines/27-05-2011/31663-economia_ecologica-0/#" target="_blank">Pravda.ru</a></p>
<p style="text-align: justify;">*** Publicado com autorização do autor</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Fbreves-comentarios-sobre-economia-ecologica%2F&amp;title=Breves%20coment%C3%A1rios%20sobre%20Economia%20Ecol%C3%B3gica" id="wpa2a_14"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Os xerifes da língua</title>
		<link>http://www.araujosam.net/2011/05/os-xerifes-da-lingua/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 13:24:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Variedades]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentário: Esta é uma das críticas mais conscientes sobre a &#8220;Polêmica do Livro Didático&#8221;. O assunto já foi tratado neste blog nos artigos Alfabetização de adultos precisa levar em conta “norma popular”, defendem especialistas e Livro Didático: Polêmica ou Ignorância? Do Site Oficial de José Ribamar Bessa Freire. Coluna publicada no Jornal Diário do Amazonas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Comentário: Esta é uma das críticas mais conscientes sobre a &#8220;Polêmica do Livro Didático&#8221;. O assunto já foi tratado neste blog nos artigos </em><a title="Alfabetização de adultos precisa levar em conta “norma popular”, defendem especialistas" href="http://www.araujosam.net/2011/05/alfabetizacao-de-adultos-precisa-levar-em-conta-%e2%80%9cnorma-popular%e2%80%9d-defendem-especialistas/" target="_blank">Alfabetização de adultos precisa levar em conta “norma popular”, defendem especialistas</a><em> e <a title="Livro Didático: Polêmica ou Ignorância?" href="http://www.araujosam.net/2011/05/livro-didatico-polemica-ou-ignorancia/" target="_blank">Livro Didático: Polêmica ou Ignorância?</a><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Do Site Oficial de <a title="Taqui pra ti" href="http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=918" target="_blank">José Ribamar Bessa Freire</a>. Coluna publicada no Jornal Diário do Amazonas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Os toques de clarim e o rufar dos tambores chamaram a Infantaria e a 7ª. Cavalaria. O Exército colocou de prontidão os seus soldados armados até os dentes: a tropa da Academia Brasileira de Letras (ABL), o batalhão dos jornalistas, a brigada ligeira dos escritores, a legião de políticos, o pelotão do Ministério Público e até algumas divisões blindadas da Universidade. Todos eles irmanados na santa cruzada lançaram o grito de guerra que ecoou pelos campos, vilas e cidades do Brasil, ameaçando o inimigo:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>- “Oh, vós, que desejais assassinar o idioma. Liquidar-vos-emos. Avante!”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O inimigo é o livro “<em>Por uma vida melhor</em>” da professora Heloísa Ramos, adotado pelo MEC, que é apenas a ponta do iceberg. Lá, a autora apresenta a diferença entre falar e escrever e reconhece que na fala existe muito mais variação do que na escrita. O jeito de falar muda bastante, de acordo com a região, a classe social e a situação de comunicação. A mesma pessoa fala diferente se está em casa, na feira, no bar, no tribunal ou na igreja.</p>
<p style="text-align: justify;">- “<em>Existem várias línguas faladas em português</em>” – já disse o escritor José Saramago, prêmio Nobel da literatura. Nesse sentido, cada um de nós é “bilíngue” na própria língua. Uma dessas línguas é a chamada ‘norma culta’, a de maior prestígio em nossa sociedade, que é usada na sala de aula e está mais próxima da escrita formal. Outras são as variedades populares, regidas por uma diversidade de regras, mas que não chegam a prejudicar a intercompreensão.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1108"></span>Acontece que milhões de brasileirinhos chegam à escola, falando segundo as regras da variedade popular. Por isso, são ridicularizados e humilhados. Dessa forma, são levados a se envergonharem das variedades que a norma culta considera “erradas”, e não se apropriam, nessas condições adversas, da outra variedade considerada “certa”. São reprimidos. Sua fala fica excluída dos espaços públicos, comprometendo o exercício da cidadania.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse fato demonstra a incapacidade do Estado, que não encontrou ainda o caminho para permitir que todos os alunos transitem pela norma culta. A autora defende, então, que a alternativa é admitir que a variedade popular EXISTE, tem suas regras e é legítima. As duas normas não se excluem, mas se complementam. O respeito ao jeito de falar do aluno cria um ambiente acolhedor e propício à aprendizagem da norma culta. Só isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas tal proposta foi suficiente para que os xerifes da língua, que combatem a diversidade, disparassem suas armas alegando, alguns deles, que o MEC quer instituir o “lulês” como idioma oficial. Distorceram – ou no mínimo não compreenderam (será que leram?) &#8211; o que está escrito no livro. Eles acham que quem defende o respeito à norma popular quer impô-la ao conjunto da sociedade, como eles o fazem com a norma culta. Por isso, chamam a 7ª. Cavalaria!!!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As cavalgaduras</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A cavalaria veio. Na linha de frente, cavalgando um pangaré manco – tololoc, tololoc &#8211; o centurião José Sarney (PMDB, vixe-vixe!), membro da ABL, ex-presidente da República e presidente do Senado. No artigo ‘<em>Fale errado, está certo</em>’ na <em>Folha de SP</em> – com a espada em riste, ele faz aquilo que fez ao longo de sua vida: atribui aos outros seus próprios defeitos. Escreve que o livro em questão pretende “<em>oficializar a burrice</em>”, que “<em>o Brasil resolve criminalizar quem fala corretamente</em>”, quando é justamente o contrário, e que “<em>defender a língua é defender a pátria</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sarney, defensor da pátria? Quaquaraquaquá! O que é ‘a língua’ e o que é ‘a pátria’ para ele? Em sua ‘pátria’ não cabem os deserdados, apenas os beneficiados pelo nepotismo. Já a ‘língua’ que defende não é um sistema variado, dinâmico e rico, mas se reduz à norma culta, que ele congela. Elimina as demais variedades, proclamando que apenas <span style="text-decoration: underline;">uma </span>variedade é <span style="text-decoration: underline;"><strong>o português</strong></span>, embora nas conversas telefônicas com sua neta, que ouvimos gravadas e reproduzidas pelos telejornais, a norma usada para contratar o namorado dela, mais coloquial, não foi bem a que ele defende.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, Sarney, o <em>vixe-vixe</em>, protesta com indignação contra a anarquia:</p>
<p style="text-align: justify;">- “<em>Voltemos ao sistema tribal: cada um fala como quer</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagina! Que país é esse onde cada um fala como quer e não como os sarneys da vida pretendem impor! Sarney, que passou a vida confundindo a coisa pública com a privada, sobretudo no que se refere à grana, quer privatizar também a língua. Acha que ela é sua e dos seus. Não reconhece que se trata de produção coletiva. Nem sequer suspeita que existam regras no falar popular. Exige que a norma culta seja o padrão de correção de todas as demais variedades, confirmando o que escreveu Roland Barthes:</p>
<p style="text-align: justify;">- “<em>A língua não é fascista quando impede de dizer, mas quando obriga a dizer de uma determinada forma</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Cavalgando um burro alazão – tololoc, tololoc – o presidente da ABL Marcos Villaça também atacou o livro. Reduziu a riqueza do idioma a uma reles operação aritmética, com uma visão primária da matemática, dizendo que admitir outras formas de falar “<em>é como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre doze, seja na periferia ou no palácio</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesma imagem foi usada por sua colega, a escritora Ana Maria Machado, que esqueceu o que ensinou quando foi minha professora de Comunicação Fabular e Icônica na UFRJ. Ela reforça essa comparação infeliz: “<em>Equivale a aceitar que dois mais dois possam ser cinco, com a boa intenção de derrubar preconceitos aritméticos</em>”. Trata-se de uma falácia, porque ninguém está reivindicando que 2+2=5, mas a possibilidade de ser 1+1+1+1 ou 3+1 e até 2+2=5-1 e assim por diante, já que o quatro contém o infinito.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas quem se superou mesmo em bobagens foi o jornalista Merval Pereira &#8211; um projetinho de Sarney &#8211; que veio cavalgando uma besta de sela desembestada: tololoc, tololoc. Em sua coluna no <em>Globo</em> concluiu que se o português popular é legitimo, então ele deveria “<em>ser ensinado nas escolas e faculdades</em>”, como se fosse preciso ensinar o que já se sabe.</p>
<p style="text-align: justify;">Merval condenou ainda o que chamou de “<em>pedagogia da ignorância</em>” e criminalizou o livro adotado pelo MEC: “<em>Se for uma tentativa de querer justificar a maneira como o presidente Lula fala, aí então teremos um agravante ao ato criminoso de manter os estudantes na ignorância</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os criminosos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ops! Vocês ouviram o que eu ouvi? Ato criminoso? Pois é. Parece que os xerifes do idioma querem criminalizar a desobediência às regras da norma culta, reproduzindo o que aconteceu na Cabanagem, a revolta popular mais importante da história da Amazônia (1832-1840). Bilhetes escritos pelos cabanos, anexados aos processos criminais, foram exibidos nos tribunais durante o julgamento como “<em>prova de seus instintos criminosos</em>”. Um deles assinado por Antônio Faustino, um cabano com a patente de major, diz:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Axome çem monisão que muntas vezis teno pidido. Çe uver cunfelito aqi não çei o qe soçederá. Estarei em pouçilitado de zequtar qalqer prugetu. Halguns camaradas já çairão daqi pur farta de cumer”. Pontu da Barra, 3 de otobro de 1835. Antonho Fostino, manjor de artilharia.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O outro, que também se encontra no Arquivo Público do Pará, “<em>com uma caligrafia feita de garranchos</em>”, é de um chefe cabano que adverte o presidente da Província:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“&#8230;E se V. Exa. Responsave pellos mal desta província não sortar logo logo móhirmão e outros patrisio que saxão prezo prometo intrar na sidade comeu inzercito de sinco mil Ome i não dexar Pedra sobre Pedra”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Um terceiro documento, escrito pelo tenente-comandante de Soure, é um ofício dirigido ao cabano Eduardo Angelim, que ocupou o cargo de presidente da Província:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Rogo a V. Exa. Nois quera há-remidiar com algun çal e mesmo harmamentu que estamos mointos faltos deles. O mais V. Exa. verá no Pidido jontu q. faz obegeto tãoben desti ufisio. Deos guarde V. Exa. pur moitos anus. Soure, 13 de Dezembru de 1835”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Que Deus guarde a ABL, Sarney e Merval pelo período de tempo acima indicado, bem como proteja políticos como o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), para quem o livro adotado pelo MEC “<em>está transformando a ortografia em pornografia gramatical</em>” e até o senador Cristovão Buarque (PDT), ex-reitor da UnB e ex-ministro da Educação, que declarou sobre o livro em questão:</p>
<p style="text-align: justify;">- “<em>Claro que o livro deseduca e, pior, mantém o apartheid linguístico. Manter o português errado é um crime, é manter a desigualdade</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Crime? Desigualdade? Segundo Boaventura de Souza Santos, devemos “<em>lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem e lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize</em>”. Não se trata, evidentemente, de adotar as normas dos cabanos, mas de recusar sua criminalização.</p>
<p style="text-align: justify;">A professora Heloisa, que fez um trabalho cuidadoso, está sendo tratada como “criminosa” segundo algumas divisões blindadas da própria Universidade que também entraram em ação. Cláudio Moreno, doutor em Letras, ameaçou no jornal Zero Hora de Porto Alegre:</p>
<p style="text-align: justify;">- “<em>O livro tem que ser proibido e as pessoas devem ser punidas</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não disse que tipo de punição considera mais adequada. Acionado, o pelotão do Ministério Público partiu para o ataque. A procuradora da República Janice Ascari, do Ministério Público Federal, cavalgando um jegue – tololoc, tololoc &#8211; considerou o livro citado como “<em>um crime contra nossos jovens</em>”, ganhando manchete de página no <em>Globo</em>. “<em>Essa conduta não cidadã é inadmissível, inconcebível e, certamente, sofrerá ações do Ministério Público</em>”, avisou a procuradora.</p>
<p style="text-align: justify;">O historiador peruano Pablo Macera comenta que se o Império Romano conseguisse proibir o latim vulgar, como querem agora os xerifes da língua, nós não estaríamos hoje falando espanhol, português, francês, italiano, romeno, catalão – todas elas variantes “erradas” do latim clássico, conhecidas como línguas vulgares na Idade Média.</p>
<p style="text-align: justify;">A troca de ‘l’ em ‘r’, que costuma ser considerada como “atraso mental”, quando alguém fala “pobrema”, “craro” ou “pranta” é um fenômeno fonético presente na formação da língua portuguesa, como esclarece Marcos Bagno. Palavras latinas como “<em>blandu, clavu, flacu, sclavu, obligare</em>” mantiveram o “l” no espanhol, no francês e no italiano, mas ficaram consagrados na norma culta da língua portuguesa com o “r”: “<em>brando, cravo, fraco, escravo, obrigar</em>”, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Os xerifes querem continuar hegemônicos na formulação da política de línguas, autoritária e intolerante. Para isso, manipulam a opinião pública, ignorando a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, aprovada em 1996 em Barcelona, num evento realizado com o apoio da Unesco, recomendando que “os direitos linguísticos sejam considerados direitos fundamentais do homem” e que as diferenças linguísticas sejam respeitadas.</p>
<p style="text-align: justify;">P.S. – Agradeço os colegas do COMIN e da EST, de São Leopoldo (RS), e os colegas da lista Uerj XXI, com quem pude trocar ideias sobre essa questão. Eles não têm, no entanto, qualquer responsabilidade pelo conteúdo ou pela forma desse texto.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Fos-xerifes-da-lingua%2F&amp;title=Os%20xerifes%20da%20l%C3%ADngua" id="wpa2a_16"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A fiança do banqueiro e o brasileiro preso há mais de dois anos sem condenação</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 03:08:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Sandro Araújo O banqueiro Dominique Strauss-Kahn foi solto sob fiança de 1 milhão de dólares após 5 dias de prisão. O brasileiro Ricardo Costa permanece preso há mais de dois anos e sua fiança foi estipulada em 75 milhões de dólares. Depois de cinco noites recolhido à prisão em Nova Iorque, nos Estados Unidos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por <a title="Blog Sandro Araújo" href="http://www.araujosam.net/" target="_blank">Sandro Araújo</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O banqueiro Dominique Strauss-Kahn foi solto sob fiança de 1 milhão de dólares após 5 dias de prisão. O brasileiro Ricardo Costa permanece preso há mais de dois anos e sua fiança foi estipulada em 75 milhões de dólares.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de cinco noites recolhido à prisão em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e após <a title="Preso em NY, Dominique Strauss-Kahn renuncia à chefia do FMI" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/05/110519_strauss-kahn_renuncia_fmi_rw.shtml" target="_blank">renunciar</a> à Chefia do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn teve o <a title="Justiça concede liberdade sob fiança para ex-diretor do FMI" href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/05/110519_strausskahn-fianca_pai.shtml" target="_blank">pedido de fiança</a> aceito pela justiça. Quando o então todo-poderoso chefe do <acronym title='Fundo Monetário Internacional'>FMI</acronym> foi preso, não foram poucos os que se levantaram para afirmar: &#8220;Está vendo? Isto sim é justiça. Isto sim é país civilizado. Um dos homens mais poderosos do mundo é preso, algemado e enviado a um presídio. Viva os <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym>!&#8221;. Mesmo que houvesse quem questionasse a aplicabilidade ou não de imunidade diplomática a Strauss-Kahn, a justiça chegou mesmo a negar o seu primeiro pedido de fiança.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1035"></span>Dentre os crimes a que Strauss-Kahn é acusado, incluem-se abuso sexual e tentativa de estupro. Há quem diga que possa se tratar de uma conspiração patrocinada por seus adversários políticos na França, já que o executivo era cotado como candidato ao governo daquele país. Não custa lembrar que o filho de Muammar Khadaffi, ditador líbio, chegou a insinuar que o Presidente Francês, Nicolas Sarkozi, foi financiado por seu pai quando da candidatura a presidência francesa. Strauss-Kahn poderia estar sendo vítima de seus adversários políticos ou mesmo de fogo amigo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Reportagem da BBC informa que &#8220;A Justiça determinou que o ex-diretor do <acronym title='Fundo Monetário Internacional'>FMI</acronym> pagará US$ 1 milhão pela  fiança, ficará em prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico e  acompanhado por um guarda durante as 24 horas do dia. Ele também terá de  fazer uma espécie de seguro-caução de US$ 5 milhões.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isto&#8230; O brasileiro Ricardo Costa, ex-modelo e divorciado de uma cidadã estadunidense, com a qual teve três filhos, permanece preso há mais de dois anos sem ter sido julgado nem condenado. Seu caso foi recentemente apresentado no programa Fantástico, da Rede Globo, ocasião em que se tornou conhecido de grande parte da população nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Ricardo Costa permanece preso. Seus amigos criaram um sítio na internet, denominado &#8220;Free Ricardo Costa&#8221; (<a href="http://www.freericardocosta.com/" target="_blank">http://www.freericardocosta.com/</a>). Mesmo com diversas tentativas, não há nada no horizonte.</p>
<p style="text-align: justify;">Em ambos os casos, temos denúncias de abuso sexual. No caso do francês, seu apetite pelo sexo oposto é público e notório e ele já se viu envolvido em outros escândalos. Nenhum, no entanto, tão grave quanto o atual. No caso do brasileiro, Ricardo Costa é acusado de ter abusado sexualmente dos próprios filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">A diferença? Enquanto Dominique Strauss-Kahn ficou &#8220;apenas&#8221; cinco dias preso e teve o pedido de prisão domiciliar concedido, com fiança de 1 milhão de dólares, Ricardo Costa teve sua fiança estipulada em 75 milhões. É simplesmente a segunda maior fiança da história dos <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym>! No caso de Michael Jackson, também acusado de crimes de natureza sexual, sua fiança foi estipulada em 3 milhões de dólares. Pior: a justiça somente aceita a fiança integral, nada de garantias bancárias. Outra faceta do disparate é que provavelmente Dominique Strauss-Kahn tem solvência para pagar 1 milhão de dólares. Ricardo Costa não. No momento em que este artigo está sendo escrito, Ricardo Costa já está preso por 881 dias e 13 horas. Apesar de o sistema legal dos <acronym title='Estados Unidos da América'>EUA</acronym> prever o chamado &#8220;<em>Fast Trial</em>&#8220;, a partir do qual ninguém fica preso sem julgamento por mais de 150 dias, uma série de chicanas legais tem prolongado a permanência de Costa na prisão.</p>
<p style="text-align: justify;">Resta uma dúvida: como pode um banqueiro estar solto tão rápido e nosso compatriota permanecer preso por tanto tempo?</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Fa-fianca-do-banqueiro-e-o-brasileiro-preso-ha-mais-de-dois-anos-sem-condenacao%2F&amp;title=A%20fian%C3%A7a%20do%20banqueiro%20e%20o%20brasileiro%20preso%20h%C3%A1%20mais%20de%20dois%20anos%20sem%20condena%C3%A7%C3%A3o" id="wpa2a_18"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Livro Didático: Polêmica ou Ignorância?</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 15:20:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Araújo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentário: conheço a obra de Marcos Bagno e aguardava por ver a sua opinião a respeito do tema. Em entrevista à rádio CBN, o Ministro da Educação, Fernando Haddad foi enfático em dizer que o MEC não tem envolvimento direto quer na seleção, quer na adoção dos livros. Disse ainda que no caso em questão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Comentário: conheço a obra de Marcos Bagno e aguardava por ver a sua opinião a respeito do tema. Em entrevista à rádio CBN, o Ministro da Educação, Fernando Haddad foi enfático em dizer que o MEC não tem envolvimento direto quer na seleção, quer na adoção dos livros. Disse ainda que no caso em questão a grande imprensa se pegou em um parágrafo de uma página de uma obra com quatro volumes. Disse também que a obra questionada apresenta diversos exercícios baseados no &#8220;bom português&#8221;, e que apresenta o coloquial, inclusive nas formas &#8220;inadequadas&#8221;, como forma de inclusão dos alunos da chamada &#8220;educação de jovens e adultos&#8221;, os quais, em sua maioria, não possuem formação prévia ou a mesma foi deficiente.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Discussão sobre Livro Didático só revela ignorância da grande imprensa</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Do sítio de <a title="Polêmica ou Ignorância?" href="http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=745" target="_blank">Marcos Bagno</a>, professor da Universidade de Brasília</em></p>
<p style="text-align: justify;">Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.</p>
<p style="text-align: justify;">Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).</p>
<p style="text-align: justify;">Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantados para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.</p>
<p style="text-align: justify;">A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;">Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).</p>
<p style="text-align: justify;">O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?”</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.araujosam.net%2F2011%2F05%2Flivro-didatico-polemica-ou-ignorancia%2F&amp;title=Livro%20Did%C3%A1tico%3A%20Pol%C3%AAmica%20ou%20Ignor%C3%A2ncia%3F" id="wpa2a_20"><img src="http://www.araujosam.net/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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