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Presidente do Bradesco destaca solidez da economia brasileira

Por Sandro Araújo

Enquanto alguns questionam a capacidade do Brasil se impor no cenário mundial, o Presidente do Bradesco faz uma análise “pé no chão” sobre a realidade nacional. Detalhe: o Bradesco é hoje o segundo maior banco privado. E só foi ultrapassado após a fusão Itaú-Unibanco. Luiz Carlos Trabuco dirige um banco que possui penetração em todas as classes sociais e, como poucos, possui “know-how” de classe C (operou o Banco Postal, dos Correios, até 2011). A classe C é a que mais cresce no país. Qual banco surfará na onda desse crescimento?

Abaixo, trecho de entrevista publicada no jornal Correio Braziliense e que pode ser lida aqui (grifos meus).

Os últimos indicadores apontam o Brasil como a sexta maior economia do planeta. Mas o país está longe de ter padrão de vida de Primeiro Mundo. As desigualdades sociais permanecem gritantes. É possível imaginar uma qualidade de vida parecida como a que se vê nos Estados Unidos e na Europa?

A divulgação desse dado veio acompanhada da tese de que nós melhoramos porque os outros pioraram. O engraçado é que, até outro dia, o jargão era o seguinte: “se o mundo pega resfriado, o Brasil pega pneumonia”. Agora, somos o contraponto para o mundo enfrentar a epidemia. Ao contrário dessa provocação, chegamos até aqui por nossas virtudes. Temos uma economia equilibrada e boa blindagem em caso de crise externa. Temos imenso orgulho dessa posição. É claro, há imensos desafios pela frente. Precisamos melhorar o PIB per capita, avançar na educação, na inovação, na produtividade. Mas chegar a essa posição no ranking não é pouca coisa. É o indicativo de que criamos condições para superar o atraso e as injustiças sociais. A elevação da qualidade de vida da população pode ser acompanhada todos os dias. O índice de miséria era de mais de 20% há cerca de 20 anos; hoje está abaixo de 10%. Há um processo evolutivo captado pelas estatísticas. Outra vantagem é que o Brasil é um país que responde a estímulos de forma rápida. As pessoas têm perspectiva de emprego. Vivemos na fronteira do pleno emprego. Nosso maior desafio é chegar ao padrão de vida dos países maduros. As condições estão dadas.

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Finados: dia de reflexão

Uma homenagem àqueles que se foram…

Por Sandro Araújo

Hoje é o dia da saudade. Dia de lembrar todos os que já se foram. Tanta gente querida: uns mais próximos, outros mais distantes. Algumas celebridades, outros tantos anônimos…

Dia para celebrar a vida mesmo na morte. Em um outro 2 de novembro lembro-me de participar de uma missa celebrada em um cemitério (no qual muitos de meus antepassados hoje repousam) e em cuja homilia o padre disse algo assim: Não devemos nos entristecer pela perda de quem amamos. Na certeza da vida eterna e da misericórdia divina devemo-nos alegrar. É a vida que renasce.

Cada qual tem sua crença, suas convicções. Eu tenho as minhas. E creio na vida eterna. O que fazemos aqui? Uma espécie de estágio para a vida que há de vir. A resposta aos céticos? Vejam o trecho abaixo, de um email que circulou recentemente na rede:

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

A metáfora é deveras instigante. Ao longo da história, o ser humano aprendeu a lidar com as certezas da vida mas quase nunca sabe lidar com a incerteza da morte. Ou certeza: aliás, a única que temos, a morte. Tudo o mais é variável: se vamos nos casar ou não. Ter filhos ou não. Ter sucesso financeiro ou não. Sermos felizes ou não. Morrer ou não? Não, isso não é uma alternativa, mas uma fatalidade. Só resta-nos a incerteza do quando.

E quando a morte vem quase nunca estamos preparados: a morte de minha mãe veio num momento de certeza da eficácia do tratamento. A morte de meu pai veio após uma longa angústia. Mas a internação que antecedeu à sua morte foi completamente inesperada. Como lidar com isto? Talvez aqui a maioria das religiões sirva de amparo a nós que aqui permanecemos. Religião do latim religare, de ligação com o divino. Ligação esta que na metáfora dos gêmeos na barriga na mão era representada pelo cordão umbilical.

Hoje é um dia de reflexão. Um dia daqueles em que fazemos um balanço de nossas vidas e avaliamos tudo o que já fizemos e o que estamos por fazer. Mas não é como no primeiro dia do ano, no qual fazemos planos para o ano que se inicia ou mesmo no último dia do ano, no qual avaliamos o que de fato fizemos do planejado para o ano que finda. É um dia de balanço de nossas vidas. Um dos poucos dias em que nos permitimos fazer um “balanço geral”… É sim um dia de tristeza e de lembrança. Mas pode – e deve – ser um dia de alegria.

Alegro-me ao pensar que hoje existo graças à minha saudosa mãe e ao meu saudoso pai. Alegro-me ao me lembrar de tantos exemplos de vida que ambos me passaram. A calma, a paciência, a obstinação, o prazer pela leitura e pela busca ao conhecimento. A alegria de nascer e viver em família. Tudo isso – e muito, muito mais – devo a eles. E alegro-me por ser quem hoje sou. Resta também a certeza de trazer em meu sangue, em meu nome, a história dos meus pais.

A eles, minha homenagem.

Aos leitores do Blog, peço desculpas pelo momento de introspecção que o dia me trouxe. Mas convido-os a igualmente refletirem sobre a vida e sobre a morte. A encararem o fato de que quando ela chega (a morte), nem sempre estamos preparados. Os cristãos conhecem bem a parábola que termina com o famoso “Vigiai e Orai pois não sabeis nem o dia e nem a hora“. E aproveitemos, todos, os momentos que temos com nossos entes queridos para celebrar a vida. Aproveitar os momentos juntos sempre imbuídos no amor e nunca na incompreensão.

Ao senhor Aldo e à senhora Catarina Maria, minhas homenagens!

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Poderia a Rússia alcançar o Brasil?

Quando será que os russos terão a maturidade política dos brasileiros? Quando serão os russos, tal qual os brasileiros, autorizados a eleger governadores de estados e prefeitos de grandes cidades, e a terem eleições livres e competitivas para o congresso e para a presidência?

Por James Brooke*, The Moscow News – Tradução por Sandro Araújo

Estas questões são um pouco ofensivas para muitos russos. Afinal, o Brasil era uma mera colônia portuguesa de bananeiras e coqueiros no tempo em que Ivan o Terrível estava forjando o núcleo de um Estado moderno na imensidão da neve da Rússia.

Mas avance cinco séculos e a Rússia e o Brasil terão aproximadamente o mesmo peso econômico. Cada um possui uma economia de 2 trilhões de dólares. Ambos são membros fundadores do grupo BRICS, de nações emergentes.

A comparação política é apropriada já que a Rússia entra num ano eleitoral, ao eleger o parlamento em dezembro e um novo presidente em março.

Eu acabei de retornar de minha primeira viagem de volta ao Brasil em 16 anos. Por um total de 16 anos, de 1980 a 1995, eu cobri o Brasil para jornais dos EUA. Estes foram os anos-chave da transição do Brasil da ditadura para a democracia.

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Como vota a Academia Brasileira de Letras

Comentário: A ABL fede. Merval Pereira merece vaga em academias de jornalistas ou mesmo de comentaristas políticos. O que se espera de uma Academia Nacional de Letras é a nata da literatura nacional. Quem já leu um livro de Merval Pereira? Particularmente tenho minhas críticas a Jorge Amado e sua esposa, Zélia Gattai. Mas ambos foram escritores prolíficos. Quando Paulo Coelho foi eleito, houve quem o criticasse pois sua obra seria “popular demais”. Mas tem uma obra vasta e vendida no mundo inteiro. Como autor, quem é Merval Pereira? Na eleição, derrubou outro candidato, Antonio Torres, autor de vários livros e traduzido em diversos idiomas. Daí a pergunta: Que motivos teriam levado à escolha do agora novo “imortal”? Sua militância política? O poderio da empresa em que trabalha? Se bem que, ao ter entre seus pares um José Sarney, não é de se esperar outra coisa. Sarney, o político, está para a literatura tanto quanto Pereira, o jornalista!

Do Portal do Nassif, com adaptações. Por Alberto Porem Junior

Merval Pereira acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras ( ABL).

Autor de dois importantíssimos livros, aliás os únicos que escreveu:

  • “A Segunda Guerra, a sucessão de Geisel” em 1979,
  • “O Lulismo no poder” em 2010.

Venceu a Antonio Torres que tem a seguinte biografia:

Um dos escritores mais conhecidos de sua geração, com livros traduzidos na Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária, entre outros

Prêmios:

  • Romance do Ano – 1996 – Concedido pel Pen Clube do Brasil.
  • Prêmio Hors Concours – 1998 – União Brasileira dos Escritores
  • Chevalier des Arts et des Lettres – 1998 – Condecorado pelo governo francês.
  • Prêmio Machado de Assis – 2000 – concedido pela Academia Brasileira de Letras.
  • Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura – 2001 – na 9ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo – RS

Bibliografia:

  • Um Cão Uivando para a Lua (romance). Rio de Janeiro, Edições Gernasa, 1972; 3a ed., São Paulo, Ática, 1979.
  • Os Homens dos Pés Redondos (romance). Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1973; 3a ed., Rio de Janeiro, Record, 1999.
  • Essa Terra (romance) São Paulo, Ática, 1976; 15a ed., Rio de Janeiro, Record, 2001.
  • Carta ao Bispo (romance). São Paulo, Ática, 1979; 2a ed., São Paulo, Ática, 1983.
  • Adeus, Velho (romance). São Paulo, Ática, 1981; 4a ed., São Paulo, Ática, 1994.
  • Balada da Infância Perdida (romance). Prêmio em 1987, Pen Clube do Brasil, categoria “Romance”. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986; 2a ed., Rio de Janeiro, Record, 1999.
  • Um Táxi para Viena D’Áustria por ter este livro e Essa Terra traduzidos na França, recebe, do governo francês, o título de “Cavaleiro das Artes e das Letras” em 1999. São Paulo, Companhia das Letras, 1991; 4a ed., Rio de Janeiro, Altaya/Record – Coleção Mestres da Literatura Protuguesa e Brasileira, 1999; 5a ed., Record, 2001.
  • Centro das Nossas Desatenções (crônica). Rio de Janeiro, RioArte/Relume-Dumará, 1996.
  • O Cachorro e o Lobo em 1999 ganha o Prêmio “Hors-concours de Romance” (para obra publicada) da União Brasileira de Escritores. Rio de Janeiro, Record, 1997; 2a ed., Rio de Janeiro, Record, 1998.
  • O Circo no Brasil (crônica). Rio de Janeiro/São Paulo, Funarte/Atração, 1998.
  • Meninos, Eu Conto (literatura para jovens). Rio de Janeiro, Record, 1999; 3a ed., Record, 2001.
  • Meu Querido Canibal (crônica). Rio de Janeiro, Record, 2000; 2a ed., Record, 2001.
  • O Nobre Sequestrador (romance). Rio de Janeiro, Record, 2003.
  • Pelo Fundo da Agulha (Romance). 2006, Rio de Janeiro, Record.
  • Minu, O Gato Azul (infantil) Rio de Janeiro, 2007.
  • Sobre Pessoas (Crônicas), Editora Leitura, Belo Horizonte, 2007

Na notícia publicada no G1, onde se lê “entre outros” NÃO existem outros.

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Parar de crescer não significa parar de se desenvolver

Por Marcus Eduardo de Oliveira*

Economia Ecológica

Um dos pontos mais importantes discutidos nos meandros da economia ecológica diz respeito ao fato de que fazer a economia parar de crescer não significa, conseqüentemente, parar de se desenvolver. O que os economistas com uma visão mais apurada da questão ambiental desejam é justamente obter desenvolvimento. O que esses mesmos economistas tanto condenam é o crescimento conseguido sob as ruínas da degradação do capital natural. Assim, a economia ecológica não se coloca contra o desenvolvimento, mas sim contra as elevadas taxas de crescimento que inflam a economia à custa de piorar o meio ambiente, e, por conseguinte, a qualidade de vida.

Em termos de definição, crescimento é o aumento na produção, na parte física; em outras palavras é “mais quantidade”. Desenvolvimento, por sua vez, supera essa idéia e busca “mais qualidade”. Com tecnologia e inovação, é possível produzir a mesma quantidade de bens, porém de forma eficaz, com qualidade. A idéia fundamental então é a seguinte: produção deve servir para repor, e não para acumular. Hoje, vivenciamos o contrário. A preocupação primeira da economia tradicional é produzir para acumular.

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América Latina: razões para se animar

Da coluna beyondbrics, do FT – Tradução por Sandro Araújo

Há várias razões para ser pessimista sobre a América Latina. Como o Financial Times afirma em um editorial nesta terça-feira: “Apesar da colheita das commodities, as economias mais importantes experimentam déficits orçamentários e alta do risco… O continente mais desigual do mundo sofre de corrupção visível, criminalidade em alta e comércio de drogas ilegais em crescimento”.

Realize uma visão mais aprofundada, no entanto, e a figura será mais animadora.

A América Latina, antes sinônimo de moratória, é um credor internacional. Em 20 anos, a pobreza caiu da metade da população para menos de um terço. Os mercados domésticos estão se expandindo e a cada dia mais integrados através do continente; seu dinamismo é independente do boom de commodities inspirado na Ásia. A região também aproveita melhor o impulso demográfico de uma população economicamente ativa jovem que os tigres do sudeste asiático tiveram sua vez. A América Latina encara uma oportunidade histórica.

O Financial Times com frequência defende publicamente que os governos latinos tendem a desperdiçar tais oportunidades. Tal qual Lex sublinhou recentemente, o Brasil, por exemplo, gasta muito tempo mexendo na margem, e não realiza as reformas de base.

Mas, como o editoral desta terça-feira afirma, a visão aprofundada revela que uma mudança fundamental tem sido operada – uma que sinaliza para mais mudanças e melhores padrões de vida no futuro:

A estabilidade econômica vinha sendo o objetivo de apenas alguns tecnocratas econômicos. Agora ela pode ser também um assunto popular e vencedor das urnas. Ao mesmo tempo, outras alternativas mais radicais e “revolucionárias” têm falhado. Sozinho, isto sugere que o recente sucesso da América Latina pode durar. Ser um otimista da América Latina é sempre arriscado, devido ao histórico do continente de altos e baixos. Mas estes riscos vêm reduzindo rapidamente.

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Breves comentários sobre Economia Ecológica

Por Marcus Eduardo de Oliveira*

Economia Ecológica

À medida que o meio ambiente apresenta evidentes sinais de estar enfraquecido em face da agressão patrocinada pela expansão econômica sem freios, abre-se perspectiva de maior inserção dos preceitos que emolduram a Economia Ecológica. Mas, o que significa Economia Ecológica?

Economia Ecológica (EE) é uma compreensão de que o sistema econômico “gira” (ou funciona) em torno do mundo biofísico de onde saem matérias-primas e energia. Essencialmente, a (EE) busca nas Leis da Termodinâmica (calor, potência, energia, movimento) a base para explicar teoricamente a realidade socioeconômica e ambiental. Busca promover a interface entre os ecossistemas naturais e o sistema econômico. O ponto relevante da (EE) repousa sobre o entendimento de que o sistema econômico é aberto ao universo na tentativa de captação de energia. É assim que a (EE) toma as leis da física para explicar os limites do crescimento econômico. Com isso, promove-se a velha e boa discussão entre consumo x ambiente; dito de outra forma, o que está em debate é a velocidade de crescimento econômico versus a capacidade de regeneração dos recursos naturais, afinal, habitamos um planeta em que três quartos da população mundial vivem em países que consomem mais recursos do que conseguem repor.

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Os xerifes da língua

Comentário: Esta é uma das críticas mais conscientes sobre a “Polêmica do Livro Didático”. O assunto já foi tratado neste blog nos artigos Alfabetização de adultos precisa levar em conta “norma popular”, defendem especialistas e Livro Didático: Polêmica ou Ignorância?

Do Site Oficial de José Ribamar Bessa Freire. Coluna publicada no Jornal Diário do Amazonas.

Os toques de clarim e o rufar dos tambores chamaram a Infantaria e a 7ª. Cavalaria. O Exército colocou de prontidão os seus soldados armados até os dentes: a tropa da Academia Brasileira de Letras (ABL), o batalhão dos jornalistas, a brigada ligeira dos escritores, a legião de políticos, o pelotão do Ministério Público e até algumas divisões blindadas da Universidade. Todos eles irmanados na santa cruzada lançaram o grito de guerra que ecoou pelos campos, vilas e cidades do Brasil, ameaçando o inimigo:

- “Oh, vós, que desejais assassinar o idioma. Liquidar-vos-emos. Avante!”.

O inimigo é o livro “Por uma vida melhor” da professora Heloísa Ramos, adotado pelo MEC, que é apenas a ponta do iceberg. Lá, a autora apresenta a diferença entre falar e escrever e reconhece que na fala existe muito mais variação do que na escrita. O jeito de falar muda bastante, de acordo com a região, a classe social e a situação de comunicação. A mesma pessoa fala diferente se está em casa, na feira, no bar, no tribunal ou na igreja.

- “Existem várias línguas faladas em português” – já disse o escritor José Saramago, prêmio Nobel da literatura. Nesse sentido, cada um de nós é “bilíngue” na própria língua. Uma dessas línguas é a chamada ‘norma culta’, a de maior prestígio em nossa sociedade, que é usada na sala de aula e está mais próxima da escrita formal. Outras são as variedades populares, regidas por uma diversidade de regras, mas que não chegam a prejudicar a intercompreensão.

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A fiança do banqueiro e o brasileiro preso há mais de dois anos sem condenação

Por Sandro Araújo

O banqueiro Dominique Strauss-Kahn foi solto sob fiança de 1 milhão de dólares após 5 dias de prisão. O brasileiro Ricardo Costa permanece preso há mais de dois anos e sua fiança foi estipulada em 75 milhões de dólares.

Depois de cinco noites recolhido à prisão em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e após renunciar à Chefia do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn teve o pedido de fiança aceito pela justiça. Quando o então todo-poderoso chefe do FMI foi preso, não foram poucos os que se levantaram para afirmar: “Está vendo? Isto sim é justiça. Isto sim é país civilizado. Um dos homens mais poderosos do mundo é preso, algemado e enviado a um presídio. Viva os EUA!”. Mesmo que houvesse quem questionasse a aplicabilidade ou não de imunidade diplomática a Strauss-Kahn, a justiça chegou mesmo a negar o seu primeiro pedido de fiança.

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Livro Didático: Polêmica ou Ignorância?

Comentário: conheço a obra de Marcos Bagno e aguardava por ver a sua opinião a respeito do tema. Em entrevista à rádio CBN, o Ministro da Educação, Fernando Haddad foi enfático em dizer que o MEC não tem envolvimento direto quer na seleção, quer na adoção dos livros. Disse ainda que no caso em questão a grande imprensa se pegou em um parágrafo de uma página de uma obra com quatro volumes. Disse também que a obra questionada apresenta diversos exercícios baseados no “bom português”, e que apresenta o coloquial, inclusive nas formas “inadequadas”, como forma de inclusão dos alunos da chamada “educação de jovens e adultos”, os quais, em sua maioria, não possuem formação prévia ou a mesma foi deficiente.

Discussão sobre Livro Didático só revela ignorância da grande imprensa

Do sítio de Marcos Bagno, professor da Universidade de Brasília

Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantados para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?”

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