Democratas ganham controle da Câmara (EUA)

Da BBC Brasil

O Partido Democrata ganhou o controle da Câmara dos Representantes nas eleições parlamentares dos Estados Unidos nesta terça-feira.

Os democratas precisavam ganhar 15 novos assentos para tirar o controle dos republicanos - que dominaram a Câmara nos últimos 12 anos.

Pelos resultados divulgados até agora, os democratas tiraram 16 assentos dos republicanos na Câmara - número suficiente para garantir o controle da Casa, desde que mantenham os assentos que já tinham.

O porta-voz da presidência dos Estados Unidos, Tony Snow, afirmou que a Casa Branca reconhece a derrota na Câmara.

"Nós acreditamos que os democratas terão o controle da Câmara e esperamos trabalhar com líderes democratas nas questões que permanecem em primeiro lugar na agenda, incluindo vencer a guerra no Iraque e a guerra maior contra o terror, além de manter a economia em uma trajetória de crescimento", afirmou Snow.

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Americanos votam em eleição-chave para Bush

Da BBC Brasil

Bush durante evento na Universidade do ArkansasOs eleitores americanos votam nesta terça-feira em eleições para a renovação do Congresso que podem determinar o futuro dos últimos dois anos da Presidência de George W. Bush.

As pesquisas indicam que o Partido Democrata tem uma chance de retomar o controle de uma ou das duas casas do Congresso.

Caso isso aconteça, ficará mais difícil para Bush aprovar leis e sua administração republicana poderá ser alvo de escrutínios por poderosos comitês no Congresso dominados pelos democratas.

Veja o especial da BBC Brasil sobre as eleições nos EUA

Piada de Kerry causa ira de republicanos

O candidato derrotado às eleições presidenciais americanas, o democrata John Kerry, foi criticado por ter feito uma piada sobre a guerra no Iraque.

Da BBC Brasil

Na terça-feira, Kerry disse a um grupo de estudantes na Califórnia que "se você estudar bastante, fizer sua lição de casa e fizer um esforço, você se sai bem".

"Se não, você acaba no Iraque", disse ele.

A Casa Branca exigiu que Kerry peça desculpas, mas o senador pelo Estado do Massachusetts disse que o alvo da piada seria "a política fracassada" do presidente George W. Bush, e não as tropas americanas.

Indignação

A guerra de palavras acontece dias antes das eleições parlamentares e para governador de alguns Estados americanos.

O assunto Iraque pode ser um fator decisivo para muitos eleitores.

O correspondente da BBC em Washington, James Coomarasamy, diz que a Casa Branca lançou o ataque a Kerry para tentar atingir Partido Democrata por tabela.

Fazendo campanha no Estado da Geórgia, Bush disse que os comentários de Kerry seriam "um insulto e uma vergonha" e pediu para que seu antigo rival peça desculpas para as tropas.

"Os integrantes do Exército americano são bastante inteligentes e muito corajosos, e o senador por Massachusetts lhes deve um pedido de desculpas", disse Bush.

Kerry disse que os republicanos se recusam a discutir assunto importantes referentes à política internacional.

"Me causa indignação que um grupo de republicanos que não usaram o uniforme de nosso país queiram mentir sobre aqueles que o fizeram", disse Kerry, um condecorado veterano da guerra do Vietnã.

Tortura no Iraque pode ter piorado após Saddam sair, diz ONU

Da BBC Brasil

O investigador especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a tortura, Manfred Novak, disse nesta quinta-feira que a prática de tortura no Iraque pode hoje estar mais disseminada do que era sob o governo de Saddam Hussein.

Segundo Novak, milícias religiosas, grupos terroristas e algumas forças do governo iraquiano operam sem respeito nenhum aos direitos humanos.

Baseado em entrevistas realizadas na Jordânia, país com o qual o Iraque faz fronteira, Novak afirmou que há evidências suficientes para se dizer que há tortura nos centros de detenção do governo do Iraque.

«O que a maioria das pessoas relatam é que a situação da tortura no Iraque saiu completamente fora de controle», disse Novak, que é um professor de direito austríaco.

«A sensação que as pessoas têm é que a situação é pior do que quando Saddam Hussein estava no poder», disse.

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Annan e Lula abrem Assembléia Geral da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pedir nesta terça-feira, no início da Assembléia Geral da ONU, em Nova York, maior envolvimento das nações desenvolvidas no combate à pobreza.

Da BBC Brasil

Seguindo a tradição, o chede de Estado brasileiro foi o primeiro líder de um país a discursar na Assembléia Geral.

No seu discurso, Lula também falou sobre a necessidade de eliminar barreiras comerciais e pediu a conclusão da Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial.

Antes de Lula, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, abriu a Assembléia Geral fazendo um balanço da situação do mundo, agora que ele está nos seus últimos meses no cargo.

Annan, que deixa de ser secretário-geral no fim do ano, disse que embora se sinta orgulhoso do papel da ONU na resolução de guerras, ainda existem pessoas demais sujeitas a conflitos.

Ele destacou três grandes desafios enfrentados pelo mundo: a injustiça da economia global; a desordem e o desrespeito generalizado pelos direitos humanos e pelo estado de direito.

Austrália faz alerta sobre nova onda de violência no Timor Leste

O Ministério de Assuntos Exteriores avisa sobre possíveis manifestações contra o Governo e concentrações andarilhas que podem tornar-se violentas entre 17 e 19 de setembro

EFE

Sydney - O Governo australiano recomendou neste domingo a seus cidadãos que evitem viajar ao Timor Leste por causa da possibilidade de que nos próximos dias aconteça uma onda de violência como a que em maio colocou o país à beira de uma guerra civil.

O Ministério de Assuntos Exteriores avisa sobre possíveis manifestações contra o Governo e concentrações andarilhas que podem tornar-se violentas entre 17 e 19 de setembro, sem descartar que essas cenas prossigam pelo restante da semana.

O Governo pede aos australianos que se encontrem em Díli, capital do Timor Leste, que durante esse período não se aproximem dos edifícios institucionais, como o Palácio Presidencial e o Parlamento.

O aviso acontece dois dias depois que quatro pessoas ficaram feridas em conseqüência dos violentos enfrentamentos entre grupos andarilhos na capital do Timor.

Essas expressões de violência foram freqüentes em abril e maio, quando o país afrontou a maior de suas crises desde que conseguiu a independência, em 2002.

A crise explodiu quando um grande número de militares se amotinou para exigir o fim da discriminação étnica no Exército e a renúncia do então primeiro-ministro, Mari Alkatiri, que após apresentar sua demissão foi substituído por José Ramos Horta.

Indonésia e Austrália ajudarão Timor Leste pela paz

A reunião também fortaleceu a vontade dos três países vizinhos a colaborar para estabelecer relações comerciais

EFE

Sydnei - Os ministros de Assuntos Exteriores australiano, indonésio e timorense decidiram nesta segunda-feira em reunião realizada em Díli cooperar para que o Timor Leste consiga restabelecer a paz e a estabilidade em seu território.

“Os ministros decidiram colaborar em uma série de frentes para ajudar o Timor Leste a fazer uma transição rumo à paz e à estabilidade”, afirmou o Ministério de Exteriores da Austrália em comunicado.

O australiano Alexander Downer, o indonésio Hassan Wirayuda e o timorense José Luis Guterres também “deram as boas-vindas à Missão Integrada no Timor Leste (Unmit, em inglês), que possui mandato do Conselho de Segurança da ONU para promover a reconciliação nacional, ajudar nas eleições de 2007, distribuir ajuda humanitária aos necessitados e apoiar a força policial em assuntos de lei e ordem”.

A Unmit, criada na resolução do Conselho de Segurança adotada em 25 de agosto, contará com 1.608 policiais e 34 militares e terá um mandato inicial de seis meses.

O Timor Leste, que se tornou independente em 20 de maio de 2002 como uma das nações mais pobres do mundo após uma difícil e sangrenta transição, voltou a ficar imerso na violência este ano devido a diferenças, rivalidades e antagonismos.

A violência deixou 30 mortos e 150 mil deslocados e levou o Governo a pedir a Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal tropas para restabelecer a ordem.

O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, renunciou em 25 de junho e foi substituído no início de julho por José Ramos Horta, prêmio Nobel da Paz em 1996, que semanas antes tinha saído do Ministério de Exteriores.

A reunião também fortaleceu a vontade dos três países vizinhos a colaborar para “estabelecer relações comerciais mais estreitas e enfrentar ameaças de segurança regionais, como o contrabando e a imigração ilegal”.

Os ministros de Exteriores de Austrália, Indonésia e Timor Leste voltarão a se reunir no ano que vem, para revisar a situação das disposições estabelecidas hoje e para acordar novas medidas que promovam a colaboração entre as três nações.

ONU estuda levar ao Haiti programas sociais e econômicos brasileiros

Roberta Lopes - Agência Brasil

Brasília - Um programa similar ao Fome Zero e ao Bolsa Família, outro para estimular a produção de biodiesel e ainda um terceiro, voltado para garantir financiamento aos agricultores pobres, podem ser implantados no Haiti com auxílio do Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO-ONU).

Segundo o diretor-geral da organização para a América Latina e Caribe, José Graziano, ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e um dos idealizadores do Fome Zero brasileiro, a FAO dará apoio técnico ao Banco Central do Haiti e os recursos devem ser obtidos junto a comunidade de doadores da União Européia.

“Eles têm um arbusto muito parecido com o pinhão manso, que é muito bom para produção de biodiesel. Há um grande potencial nessa área», avalia Graziano.

O Programa Nacional de Financiamento (Pronaf) é outro projeto brasileiro que pode ser levado ao Haiti. Segundo Graziano, uma missão da FAO notou que os agricultores familiares são tão pobres que não têm condições de recuperar sua produção sem uma linha de credito com juros baixos.

“Os agricultores são tão pobres que sem mecanismos de credito barato, não será possível recuperar a capacidade produtiva desses pequenos agricultores familiares», disse.

O diretor-geral informou também que Argentina, Brasil, e Chile - que coordenam a ajuda dos países da América do Sul ao Haiti - deverão realizar uma missão nos próximos meses para levar programas de desenvolvimento ao país caribenho.

Na madrugada de domingo, a barbárie visitou Qana

A morte de 60 civis, entre eles 37 crianças, resultado de um bombardeio da força aérea de Israel, chocou o mundo, provocando protestos inclusive em Israel. EUA veta na ONU condenação a Israel, que anuncia suspensão de ataques aéreos por 48 horas. Governo brasileiro condena ataque e apóia proposta de cessar-fogo imediato.

Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

O massacre continua no Líbano. Pelo menos 60 pessoas morreram nos bombardeios de Israel contra o vilarejo de Qana, sul do país, na madrugada deste domingo. Dentre as vítimas, 37 eram crianças, segundo fontes da polícia libanesa e das equipes de resgate ouvidas pelas agências internacionais de notícias. Um prédio de três andares que servia de abrigo a famílias que haviam fugido de outras cidades do sul do Líbano bombardeadas nos últimos dias pelo Exército israelense, acabou desabando. De acordo com um sobrevivente, 63 pessoas estavam no edifício no momento do ataque. A correspondente da agência France Press relatou: «As mulheres abraçaram os filhos para protegê-los da morte, mas este último e inútil escudo não foi suficiente no abrigo de Qana. Os corpos de mães, vestidas com calças compridas estampadas de flores, estavam deitados no chão, com os olhos aterrorizados; morreram apertando os filhos nos braços».

Ao comentar o massacre em Qana, o secretário de Estado dos EUA, Nicholas Burns, disse que a morte de mais de 50 civis no ataque aéreo israelense é «trágica», mas não constitui um crime de guerra. Em entrevista à rede de televisão ABC, Burns comentou: «É um dia muito triste para o Líbano. É um dia trágico. Põe em evidência que todos devemos trabalhar muito, muito rápido, para conseguir um cessar-fogo duradouro e sustentável para que este tipo de incidente não se repita no futuro. Os Estados Unidos não acreditam que os episódios das últimas duas semanas e meia sejam crimes de guerra. Achamos que todos os países têm direito a se defender sob o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, mas também acreditamos que este tipo de conflito deva terminar». Na manhàde domingo, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse estar «profundamente triste com a terrível perda de vidas inocentes». A visita que faria ao Líbano neste domingo foi cancelada.

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Timor: é só o começo

Da Agência Carta Maior

A interferência da Austrália na fabricação da crise timorense está cada vez mais clara: documentos de política estratégica australiana de 2002 revelam a importância de Timor Leste para a consolidação da posição regional australiana, tanto no plano econômico como militar.

Boaventura de Sousa Santos*

A crise política em Timor, para além de ter colhido de surpresa a maior parte dos observadores, provoca algumas perplexidades e exige, por isso, uma análise menos trivial do que aquela que tem vindo a ser veiculada pela comunicação social internacional. Como é que um país, que ainda no final do ano passado teve eleições municipais, consideradas por todos os observadores internacionais como livres, pacíficas e justas, pode estar mergulhado numa crise de governabilidade? Como é que um país, que há três meses foi objeto de um elogioso relatório do Banco Mundial, que considerou um êxito a política econômica do governo, pode agora ser visto por alguns como um Estado falhado?

À medida que se aprofunda a crise em Timor Leste, os fatores que a provocaram vão se tornando mais evidentes. A interferência da Austrália na fabricação da crise está agora bem documentada e vem desde há vários anos. Documentos de política estratégica australiana de 2002 revelam a importância de Timor Leste para a consolidação da posição regional da Austrália e a determinação deste país em salvaguardar a todo o custo os seus interesses. Os interesses são econômicos (as reservas de petróleo e gás natural estão calculadas em trinta mil milhões de dólares) e geomilitares (controlar rotas marítimas de águas profundas e travar a emergência do rival regional: a China).

Desde o início da seu governo, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, um político lúcido, nacionalista mas não populista, centrou a sua política na defesa dos interesses de Timor, assumindo que eles não coincidiam necessariamente com os da Austrália. Isso ficou claro desde logo nas negociações sobre a partilha dos recursos do petróleo em que Alkatiri lutou por uma maior autonomia de Timor e uma mais eqüitativa partilha dos benefícios. O petróleo e o gás natural têm sido a desgraça dos países pobres (que o digam a Bolívia, o Iraque, a Nigéria ou Angola). E o David timorense ousou resistir ao Golias australiano, subindo de 20% para 50% a parte que caberia a Timor dos rendimentos dos recursos naturais existentes, procurando transformar e comercializar o gás natural a partir de Timor e não da Austrália, concedendo direitos de exploração a uma empresa chinesa nos campos de petróleo e gás sob o controlo de Dili.

Por outro lado, Alkatiri resistiu às táticas intimidatórias e ao unilateralismo que os australianos parecem ter aprendido em tempos recentes dos seus amigos norte-americanos. O Pacífico do Sul é hoje para a Austrália o que a América Latina tem sido para os EUA há quase duzentos anos. Ousou diversificar as suas relações internacionais, conferindo um lugar especial às relações com Portugal, o que foi considerado um ato hostil por parte da Austrália, e incluindo nelas o Brasil, Cuba, Malásia e China. Por tudo isto, Alkatiri tornou-se um alvo a abater. O fato de se tratar de um governante legitimamente eleito fez com que tal não fosse possível sem destruir a jovem democracia timorense. É isso que está em curso.

Uma interferência externa nunca tem êxito sem aliados internos que ampliem o descontentamento e fomentem a desordem. Há uma pequena elite descontente, quiçá ressentida por não lhe ter sido dado acesso aos fundos do petróleo. Há a Igreja Católica que, depois de ter tido um papel meritório na luta pela independência, não hesitou em pôr os seus interesses acima dos interesses da jovem democracia timorense ao provocar a desestabilização política com as vigílias de 2005 apenas porque o governo decidiu tornar facultativo o ensino da religião nas escolas. Toleram mal um primeiro-ministro muçulmano, mesmo laico e muito moderado, porque o ecumenismo é só para celebrar nas encíclicas.

E há, obviamente, Ramos Horta, Prêmio Nobel da Paz, um político de ambições desmedidas, totalmente alinhado com a Austrália e os EUA e que, por essa razão, sabe não ter hoje o apoio do resto da região para a sua candidatura a secretário-geral da ONU. Foi ele o responsável pela passividade chocante da CPLP (Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa) nesta crise. A tragédia de Ramos Horta é que nunca será um governante eleito pelo povo, pelos menos enquanto não afastar totalmente Mari Alkatiri. Para isso, é preciso transformar o conflito político num conflito jurídico, convertendo eventuais erros políticos em crimes e contar com o zelo de um procurador-geral para produzir a acusação. Daí que as organizações de direitos humanos, que tão alto ergueram a voz em defesa da democracia de Timor, tenham agora uma missão muito concreta a cumprir: conseguir bons advogados para Mari Alkatiri e financiar as despesas com a sua defesa.

E que dizer de Xanana Gusmão? Foi um bom guerrilheiro e é um mau presidente. Cada século não produz mais que um Nelson Mandela. Ao ameaçar renunciar, criou um cenário de golpe de Estado constitucional, um atentado direto à democracia por que tanto lutou. Um homem doente e mal aconselhado, que agora corre o risco de hipotecar o crédito que ainda tem junto do povo para abrir caminho a um processo que acabará por destruí-lo.

Timor não é o Haiti dos australianos, mas, se o vier a ser, a culpa não será dos timorenses. Uma coisa parece certa, Timor é a primeira vítima da nova guerra fria, apenas emergente, entre os EUA e a China. O sofrimento vai continuar.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).