Ramos Horta lidera apurações no Timor Leste

Da BBC Brasil

Resultados preliminares das eleições presidenciais do Timor Leste indicam que o primeiro-ministro José Ramos Horta tem uma pequena vantagem em relação aos outros sete candidatos.

Os resultados oficiais devem ser divulgados no dia 16 de abril, mas o porta-voz da comissão eleitoral, Martinho Gusmão, disse nesta terça-feira que resultados preliminares do distrito de Dili mostram que Ramos Horta está na frente com cerca de 30% dos votos. Cerca de 20% dos votos foram apurados até agora.

Em segundo lugar, está Fernando "Lasama" de Araújo, presidente o Partido Democrata, de oposição, que tem 25% dos votos, e o presidente do partido governista Fretilin, Francisco "Lu-Olo" Guterres, está com 20%.

Mas analistas dizem que é pouco provável que Ramos Horta obtenha a maioria de 50% necessária que impeça um segundo turno.

A maioria dos resultados das apurações até o momento vem da capital, Dili, pois problemas técnicos atrasaram a contagem de votos fora da capital.

Apesar dos problemas, observadores internacionais dizem que estão satisfeitos com a forma como a eleição foi realizada.

Esta é a primeira eleição presidencial no Timor Leste desde que o país ficou independente da Indonésia, em 2002.

Muita gente espera que a eleição ajude a resolver as tensões políticas e a instabilidade no país.

Choques entre facções militares rivais no ano passado acabaram em distúrbios nas ruas que deixaram 30 mortos.

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Brasil e Equador discutirão construção de rodovia ligando os dois países

Carolina Pimentel - Agência Brasil

Brasília - Representantes dos governos brasileiro e equatoriano vão se reunir daqui a 15 dias para discutir a construção de rodovia ligando o Porto de Manta, no Equador, a Manaus. O encontro será no Equador. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de se reunir com o presidente do Equador, Rafael Correa.

"O Equador se converterá em eixo de transporte entre Ásia, Europa e África, tendo a América do Sul como ponto focal. O Equador nos permite chegar ao Pacífico e nós permitimos o Equador chegar ao Atlântico", disse Lula.

De acordo com o assessor da presidência para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia, o Brasil deverá investir US$ 400 milhões no projeto. Ainda segundo Garcia, os equatorianos têm financiamento próprio para obras no porto.

Liderança global de Lula pode salvar Doha, dizem EUA

Bruno Garcez - BBC Brasil

A representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, acredita que a liderança global exercida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva será vital para retomar a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial.

”O presidente Lula tem um papel especial como líder global. Ele sabe de seu potencial para ajudar a promover e até mesmo para salvar a Rodada de Doha”, disse, em entrevista à BBC Brasil.

A representante americana acredita que a liderança de Lula junto aos países em desenvolvimento poderá contribuir para que parceiros brasileiros e americanos abram seus mercados e revejam supostas posições protecionistas, como é o caso da Índia.

”O Brasil, assim como os Estados Unidos, tem interesse real em exportar mais produtos agrícolas para a Índia. Queremos trabalhar junto com o Brasil para abrir o mercado indiano. E abrir também o nosso próprio mercado, assim como o brasileiro.”

Schwab acredita que Lula pode contribuir para que ”esta seja uma rodada de desenvolvimento, que promova o comércio norte-sul, mas também o comércio sul-sul.”

Posições semelhantes

A representante comercial qualificou o encontro entre o presidente Lula e o líder americano, George W. Bush, no último sábado, em Camp David, como ”excelente” e afirmou que a reunião dos dois líderes contribuiu para que a posição dos dois países em relação a Doha se estreitasse ainda mais.

”Brasil e Estados Unidos têm interessses bem semelhantes em relação a Doha. Ambos queremos um desdobramento que seja ambicioso e equilibrado.”

"O Congresso estaria disposto a aceitar um acordo forte para a Rodada de Doha, mesmo um no qual fossem feitos cortes significativos em políticas nacionais distorcivas." -  Susan Schwab

Negociações

A Rodada de Doha chegou a um impasse em meados do ano passado. O Brasil queria a derrubada dos subsídios que americanos e europeus dão aos seus setores agrícolas. Estes, por sua vez, buscavam maior acesso ao mercado dos países em desenvolvimento.

Schwab acredita que as concessões terão de se dar de forma simultânea. ”Os Estados Unidos não esperam que o Brasil aja primeiro. E acredito que o Brasil não espera o mesmo dos Estados Unidos. Temos de atuar juntos para que, quando estivermos perto de um avanço, todos possam colocar suas cartas na mesa, como diz o presidente Lula, de forma simultânea, para que não haja supresas.”

Fast track

Um dos fatores considerados essenciais para o sucesso da Rodada de Doha é a renovação da trade promotion authority (TPA), o dispostivo que dá ao presidente americano a autoridade de renovar acordos comerciais sem a possibilidade de emendas pelo Congresso.

A TPA, também conhecida como ”fast track”, vence em julho deste ano. Susan Schwab se diz confiante em relação à renovação.

”Estamos mantendo um diálogo muito intenso com os líderes do Congresso e temos confiança na renovação. O Congresso estaria disposto a aceitar um acordo forte para a Rodada de Doha, mesmo um no qual fossem feitos cortes significativos em políticas nacionais distorcivas”, acredita Schwab.

Mas ela acredita que a condição para que congressistas e senadores aceitem que os Estados Unidos cortem subsídios seria que os Estados Unidos ”também adquiram acesso suficiente a novos mercados, em agricultura, serviços e produtos manufaturados”.

Relatório

A representação comercial dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira um relatório no qual afirma que as tarifas impostas individualmente pelo Brasil e pela TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul estão prejudicando a exportação de produtos agrícolas, bebidas destiladas e artigos de informática e telecomunicações.

"O Brasil aplica tarifas adicionais que poderão dobrar o custo de importações no país", diz o documento. "Altas tarifas para equipamentos e peças de informática, além de altos impostos, levaram à criação de um enorme mercado negro de computadores."

O documento critica também a pirataria, mas afirma que as autoridades brasileiras têm feito avanços no sentido de combatê-la.

O texto traz ainda críticas à burocracia brasileira, ao observar que empresas americanas ”continuam a criticar a onerosa e documentação exigida para importar determinadas mercadorias para o Brasil, até mesmo de forma provisória”.

O Brasil representa o 13º maior mercado de exportações para os Estados Unidos.

China sofre pior fuga de cérebros do mundo, diz relatório

Da BBC Brasil

A China está enfrentando a mais grave fuga de cérebros do mundo, de acordo um relatório divulgado pela mídia estatal.

Estudantes ChinesasCerca de dois terços dos chineses que estudaram em outro país desde a década de 80 escolheram não voltar ao país, segundo o jornal China Daily.

Estes números, que constam de um novo relatório da Academia de Ciências Sociais de Pequim, seriam os maiores do mundo.

Um dos autores do relatório, Li Xiaoli, disse ao jornal que a China agora "precisa muito de pessoas especializadas".

"Foi uma grande perda para a China ver profissionais bem educados irem embora depois que o país investiu muito neles", disse Li.

Desde 2002 mais de 100 mil estudantes foram para outros países, mas os números dos que voltaram foi de apenas 20 a 30 mil, segundo o relatório.

Integração com o mundo

Para o jornal China Daily, até certo ponto, a tendência é inevitável, pois reflete a crescente integração da China com o resto do mundo.

Mas em um editorial o jornal disse que o governo deveria fazer mais para encorajar estes profissionais a voltarem para o país.

"Muitos chineses talentosos emigraram para outros países, pois não conseguiam encontrar oportunidades em seu país. É o momento de promover a migração invertida", afirmou o editorial do China Daily.

Cerca de 35 milhões de pessoas de origem chinesa estão vivendo em mais de 150 países no mundo todo, segundo o relatório.

Conselho de Segurança deve incluir Brasil, diz Blair

Da BBC Brasil

O primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou que o Conselho de Segurança da ONU precisa incluir o Brasil.

Durante um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, Blair afirmou que o conselho será mais efetivo se incluir países como Brasil, Alemanha, Japão e Índia, além de nações africanas e muçulmanas.

"Um Conselho de Segurança da ONU sem a Alemanha, Japão, Brasil ou Índia, para não citar nações africanas ou muçulmanas, como membros permanentes irá, com o tempo, não apenas perder a legitimidade aos olhos do mundo, mas inibir seriamente ações efetivas", disse.

"De qualquer forma, podemos ter algum mecanismo de ligação, talvez o status semi-permanente sem veto, para um conselho reformado. Mas isto deve ser feito", acrescentou.

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Lista de professores selecionados para o Timor Leste sai amanhã

Comentário: na primeira edição do Programa, cerca de 50 professores foram enviados ao Timor-Leste, tendo trabalhado no país nos anos de 2005 e 2006.

Da Agência Brasil

O resultado da última etapa de seleção de professores para escolas primárias no Timor Leste, sudoeste da Ásia, sai nesta segunda-feira (29). Os selecionados viajarão na primeira quinzena de fevereiro.

A segunda edição do Programa de Qualificação de Docente e Ensino de Língua Portuguesa faz parte de um acordo de cooperação internacional firmado entre Brasil e Timor Leste para a reconstrução do sistema educacional daquele país.

Pleiteiam uma das 13 vagas oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) 32 profissionais.

O valor das bolsas é de US$ 1,1 mil para bolsista e US$ 2 mil para bolsista coordenador de atividades, além de seguro-saúde, auxílio-transporte, auxílio-instalação e transporte aéreo.  

Brasil leva à África experiência na universalização de energia elétrica

Daniel Merli e Lourenço Canuto - Agência Brasil

“Os países africanos ainda estão em situação de muito atraso em relação ao Brasil para a implantação de programas visando a universalização do fornecimento de eletricidade às comunidades mais pobres, como acontece aqui com o programa Luz para Todos, segundo constatou o assessor especial do Ministério de Minas e Energia, Aurélio Pavão de Farias. Ele participou de discussões, no Quênia, sobre o assunto, durante o 7o Fórum Social Mundial.

Aurélio avalia que o modelo de privatização implantado no continente africano, ao lado da questão da regulamentação e da falta de recursos, são os maiores impasses para que a população africana mais pobre tenha acesso à energia elétrica. Apenas 40% dos africanos  contam hoje com esse serviço em casa.

Segundo Aurélio, “a situação é agravada pela falta de interesse das empresas privadas em universalizar o serviço, em vista da situação econômica crítica vivida pela população e da falta de recursos públicos para essa expansão”.

No Brasil, segundo o assessor, a universalização do fornecimento de energia elétrica foi alcançada mais cedo porque o governo investiu nessa área, se antecipando ao cumprimento da meta exigida das distribuidoras, prevista para 2015.

“A solução para a África é haver investimento público e privado, com a contribuição também de outras nações”, disse.

Os africanos estão interessados nas fontes alternativas de energia. O assessor do Ministério de Minas e Energia mostrou no Quênia a experiência brasileira com o biodiesel e o biocombustível e na substituição de combustíveis não renováveis por fontes renováveis e não poluidoras despertando muito interesse dos africanos.

Ministro usa YouTube para falar aos italianos

Assimina Vlahou - BBC Brasil

O ex-magistrado Antonio di Pietro, que foi símbolo da Operação Mãos Limpas e hoje é ministro de Infra-Estrutura da Itália, usa o YouTube para explicar diretamente aos cidadãos italianos como o governo toma suas decisões.

“É justo dizer aos cidadãos o que acontece nas reuniões dos ministros, para que haja transparência total sobre as decisões”, diz no vídeo o ex-magistrado que, com suas investigações e interrogatórios nos anos 1990, contribuiu para desmontar um enorme esquema de corrupção e revolucionar a política italiana.

Di Pietro, líder do partido Italia dos Valores, que faz parte da coalizão de centro-esquerda que governa o país, aparece sentado numa poltrona, olhando diretamente para a câmera.

Ele se dirige aos italianos como se estivesse na sala de sua casa, em tom coloquial, para dizer porque acha importante contar o que acontece nas reuniões do conselho de ministros.

“É para mostrar que nestas reuniões nao há só brigas, mas trabalho, como decidir nomeações importantes e as leis que serão levadas para a aprovação do parlamento”, diz o ministro.

Di Pietro prometeu um vídeo a cada semana, logo depois das reuniões, que ocorrem nas sextas-feiras.

O primeiro foi gravado no dia 19 e dura cerca de seis minutos.

Nele, o ex-magistrado explica detalhadamente como são esses encontros e relata as últimas decisões tomadas no campo das reformas constitucionais e no setor agrícola.

Brasil vai antecipar concessões fiscais para reduzir conflitos no Mercosul

Mylena Fiori - Agência Brasil

Brasília - Em janeiro, as lideranças e representantes do Mercosul participam da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, marcada para o dia 19, no Rio de Janeiro. Este mês, alguns dos principais pontos que deverão entrar em debate foram abordados durante a 31ª Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), realizada em Brasília.

O encontro reuniu ministros de relações exteriores e da área econômica do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. As assimetrias entre os países-membros foi um dos principais temas do encontro.

O Brasil tomou a dianteira e anunciou que está disposto a flexibilizar regras e impostos de importação para impulsionar as economias do Uruguai e Paraguai, parceiros menores do Mercosul.  Segundo Celso Amorim, deve ser antecipada, unilateralmente, a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum para as economias menores.

Isso significa que um produto que entrar no Mercosul pelo Uruguai ou Paraguai poderá ser exportado para o Brasil sem nova cobrança de imposto de importação – é a chamada união aduaneira, que só deve entrar em vigor entre todos os países do bloco a partir de 2009. A antecipação da medida tem o objetivo de incentivar o investimento nesses países e as exportações do Uruguai e Paraguai.

Outra concessão que o Brasil pretende fazer refere-se às regras de origem. Pelo regime do Mercosul, é considerado originário da região qualquer produto que possua pelo menos 60% de valor agregado regional (insumos produzidos na região). Com a flexibilização das regras de origem, esse percentual cairá para 30% no caso do Uruguai e 25% no Paraguai.

Segundo relato de Celso Amorim, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, foi receptivo às concessões aos países menores do Mercosul. O Chanceler argentino, Jorge Taiana, disse que o país analisará as medidas antes de se posicionar.

A integração das cadeias produtivas é outra estratégia que pode reduzir as assimetrias do bloco, segundo o chanceler brasileiro. Projetos nesse sentido poderão ser aprovados durante a 31ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul, em janeiro.

Outro tema delicado que finalmente entrou em pauta no Conselho do Mercado Comum é a disputa entre Uruguai e Argentina envolvendo a construção das fábricas da Empresa Nacional Celulosa España (Ence) e da finlandesa Botnia na margem uruguaia do Rio Uruguai. O governo argentino afirma que o país vizinho violou acordos internacionais que regulam a exploração do rio.

Também alega que as fábricas ameaçam o meio ambiente. O Uruguai se defende justificando que os projetos seguem os padrões internacionais e vão proporcionar empregos e investimentos na região. O conflito, que vem sendo mediado pelo governo espanhol, já dura um ano e aguarda decisão da Corte Internacional de Haia, órgão judiciário das Nações Unidas. Enquanto isso, manifestantes argentinos bloqueiam as pontes entre os dois países.

Na reunião do Conselho do Mercado Comum, o Uruguai alegou prejuízos econômicos e pleiteou o desbloqueio das pontes entre os dois países. O chanceler argentino, Jorge Taiana, garantiu que o governo está fazendo o possível para desbloquear as pontes.

Apesar da insatisfação do Uruguai, o chanceler Reinaldo Gargano tratou de dissipar os boatos de que o país deixaria o bloco para firmar um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos. “Para o Uruguai, o Mercosul é uma opção de caráter estratégico. O que queremos é um Mercosul maior e melhor”, destacou Gargano.

O Uruguai solicitou, no entanto, que as assimetrias entre os parceiros sejam levadas em conta nas negociações do bloco com outros países ou regiões – o que, segundo Celso Amorim, os parceiros estão “dispostos a conceder”. Tais flexibilizações ocorreriam, por exemplo, nas negociações entre Mercosul e União Européia.

Outro tema tratado na reunião – e que demonstra a confiança dos governos no processo de integração – é a ampliação do bloco. Os chanceleres do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e Venezuela acolheram positivamente a entrada da Bolívia no bloco. O desejo de ingresso no Mercosul foi manifestado pelo presidente boliviano, Evo Morales, durante a 2ª Reunião de Chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), realizada no começo de dezembro.

“Houve concordância entre os chanceleres não só em acolher positivamente este pleito, mas até de já constituirmos, quem sabe, uma pequena missão que possa já conversar com a parte boliviana sobre como fazer com que isso se concretize da maneira mais rápida possível”, revelou Amorim.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, manifestou disposição em também acelerar  os procedimentos e as medidas práticas para a plena adesão da Venezuela – o protocolo de adesão foi assinado em julho deste ano, mas a chamada adesão plena depende de um conjunto de medidas de adaptação que devem ser implementadas pela Venezuela num prazo máximo de quatro anos.

Brasileiro foi morto por engano

Multidão furiosa julgou que o missionário fosse australiano; violência no Timor explodiu em março

Australianos são hostilizados no país desde que soldado matou um civil timorense; eles são maioria na força de paz da ONU

Thaiza Castilho - Dili

Todas as noites de domingo, os missionários da Assembléia de Deus celebram o culto na casa de Sheila e Xavier, casal de evangélicos que vive em Timor Leste. Na próxima semana, não haverá culto. No último domingo, Edgard Gonçalves Brito, 27, sua irmã Elizama e mais três timorenses retornavam de carro para casa após o culto quando foram atacados no bairro de Balide, onde moravam.

O carro em que estavam foi cercado por um grupo de jovens armados com pedras e facas, que gritavam "não gostamos de australianos", conta a irmã. Os missionários tentaram argumentar que eram brasileiros, mas, quando Edgard desceu o vidro do carro, para conversar, foi atingido no braço por um dos timorenses, com uma espada de samurai. Outro golpe atingiu o pescoço do missionário, que fugiu, arrancando em direção à casa de amigos que também vivem na região.

"Quando ele perdeu o controle do volante, o carro estava em baixa velocidade, e a irmã saiu aos gritos pedindo socorro aos vizinhos, que correram para ajudar", conta Evilásio de Oliveira, 33, missionário da Jocum (Jovens com uma Missão), e amigo da vítima, reproduzindo o relato da irmã de Edgard.

Ainda ferido, Edgard foi levado ao hospital Guido Valadares, mas a passagem estava impedida devido a conflitos na região. Foi transportado até a clínica do bairro Pité, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Há menos de um mês, um soldado australiano matou com um tiro um timorense num confronto no aeroporto da capital. Os 2.700 soldados da missão da ONU, australianos na maioria, não têm permissão para disparar contra cidadãos do Timor -daí a revolta provocada pelo caso.

Edgard Brito era de Belo Horizonte e morava havia quase dois anos em Timor Leste, onde dava aulas de português para crianças e fundou a pré-escola de Bicali, em Viqueque, interior do país. "Ele marcou a vida de todos nós, era uma pessoa que estava sempre de bom humor. Para ele, todos eram iguais -essa foi a mensagem mais importante que ele deixou", diz Evilásio.

Autoridades policiais já iniciaram as investigações do assassinato, mas, até o momento, ninguém foi preso. O premiê, José Ramos-Horta, declarou que o trabalho do brasileiro era muito respeitado e um forte símbolo da amizade entre Brasil e Timor Leste. "O seu amor pelo povo de Timor permanecerá como um exemplo para nós. Damos graças a Deus pela vida e obra deste missionário a serviço da sua fé em prol do povo timorense", disse.

O embaixador do Brasil no país, Antonio Souza e Silva, esteve no hospital com a irmã do missionário resolvendo os trâmites legais para o traslado do corpo até o Brasil.

Ondas de violência

O missionário é a primeira vítima estrangeira da violência generalizada que assola o país desde março passado.

A crise surgiu quando quase 600 dos 1.400 militares timorenses se rebelaram e pediram que o então premiê Mari Alkatiri mudasse os critérios de promoção. Alkatiri era acusado de discriminar pessoas originárias de regiões suspeitas de simpatizarem com a Indonésia, o antigo ocupante de Timor Leste.

Alkatiri não atendeu a reivindicação e demitiu os grevistas. Com a polícia rachada e em crise, o país caiu nas mãos de saqueadores, gangues comuns e grupos pró-Indonésia aproveitaram para praticar atentados.

Em dois meses de violência, 37 civis morreram e cerca de 145 mil abandonaram suas casas. Independente desde 2002, Timor Leste tem 1 milhão de habitantes. Em junho, enfraquecido, o premiê renunciou e Ramos-Horta assumiu em seu lugar, acalmando os ânimos. Não foi o suficiente para a pacificação total.

Publicado na Folha de São Paulo