Arquivo

Arquivo de janeiro, 2010

Órgão da ONU admite erro em previsão sobre aquecimento global

Da BBC Brasil:

O vice-presidente do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Jean-Pascal van Ypersele, admitiu, nesta terça-feira, que o órgão cometeu um erro ao afirmar que as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035.

O IPCC havia feito a previsão em 2007 em um relatório intitulado AR4, que trazia uma avaliação sobre os impactos do aquecimento global.

“As geleiras no Himalaia estão desaparecendo mais rápido do que em qualquer outra parte do mundo (…) A probabilidade de elas desaparecerem até 2035 ou talvez até antes é muito alta”, afirma o documento.

Recentemente, diversos cientistas contestaram os dados divulgados pelo Painel. Em entrevista à BBC Yepersele admitiu o erro e disse que os dados serão revisados.

Apesar disso, o vice-presidente afirmou que o erro não muda a tendência atual do impacto das ações do homem no clima.

A polêmica voltou às discussões de diversos websites dedicados às mudanças climáticas nos últimos dias.

Alguns comentaristas afirmam que o erro pode ameaçar a credibilidade dos dados científicos sobre o clima, e também do próprio IPCC.

Mas Yepersele disse que esse não é o caso.

“Eu não vejo como um erro em um relatório de 3 mil páginas possa prejudicar a credibilidade de todo o conteúdo do documento”, disse.

Origem

A afirmação de que as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035 parece ter se originado em uma entrevista com o glaciologista indiano Syed Hasnain, publicada na revista científica New Scientist em 1999.

O dado voltou a aparecer em 2005 em um relatório do grupo ambientalista WWF – documento citado na avaliação de 2007 do IPCC.

Um origem alternativa para a informação sugere que seria um erro de leitura de um estudo de 1996 que teria indicado que a data seria 2350.

Ciência

A polêmica voltou à tona no ano passado, antes da Cúpula da ONU sobre o Clima em Copenhague, na Dinamarca.

Em dezembro, quatro importantes glaciologistas prepararam uma carta para publicação na revista científica Science na qual afirmam que o completo degelo das geleiras até 2035 era “fisicamente impossível”.

“Não há como ser feito”, disse Jeffrey Kargel, da Universidade do Arizona, à BBC, no período de publicação.

“Se você pensar em uma espessura de 200-300 metros, em alguns casos até de 400 metros – e se perdermos o gelo a uma taxa de um metro por ano, ou dois metros por ano, você não vai se livrar de 200 metros de gelo em meio século”, afirmou Kargel.

Share
Categories: Internacional Tags: , ,

Brasil tem condição de vencer a pobreza extrema até 2016

Do Portal do IPEA:

Comunicado da Presidência nº 38, apresentado em São Paulo, analisa a melhoria nos indicadores

O Brasil encontra-se diante da oportunidade histórica de praticamente erradicar a pobreza extrema até 2016 e obter o menor índice de desigualdade de renda desde que os registros começaram a ser feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1960. Para atingir esses resultados, o País precisa manter o ritmo de melhorias sociais observado nos últimos cinco anos, segundo o Comunicado da Presidência nº 38, apresentado nesta terça-feira, 12, em São Paulo.

O estudo, intitulado Pobreza, desigualdade e políticas públicas, foi detalhado pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann, no auditório da Superintendência da Caixa Econômica na Praça da Sé. O documento mostra que, entre 2003 e 2008, a queda média anual na taxa nacional de pobreza extrema (até ¼ de salário mínimo per capita) foi de 2,1%. Já a queda média anual na taxa de pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita) foi de 3,1%.

Caso o desempenho do período 2003-2008 seja projetado para 2016, o Brasil chegará ao ano da Olimpíada no Rio de Janeiro com indicadores sociais próximos aos dos países desenvolvidos, aponta o Comunicado da Presidência. O índice de Gini (uma das mais conhecidas medidas de desigualdade de renda), por exemplo, atingiria 0,488 naquele ano, ante 0,544 em 2008. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país. A Itália tem, atualmente, um índice de 0,33, enquanto nos Estados Unidos ele é de 0,46, e na Alemanha, de 0,26.

“Se em 2008 a taxa de pobreza absoluta era de 28,8%, em 2016 pode chegar a 4%. Da mesma forma, a pobreza extrema pode ser reduzida a 0%”, afirmou Pochmann, ressaltando que acabar definitivamente com a pobreza é um desafio que nem países altamente desenvolvidos conseguem superar. O presidente do Ipea declarou que o intervalo de 2003 a 2008 foi o melhor período de redução da pobreza no País.

Entre os motivos para essa melhoria, Pochmann destacou a maneira como o Estado se estruturou, desde a Constituição de 1988, para lidar com a problemática da pobreza. “Até 1988, o Estado atendia a população de maneira quase filantrópica, ou não atendia. As grandes estruturas de atendimento armadas desde a Constituição estão em sintonia com aquelas existentes em países desenvolvidos”, disse.

“A despeito do crescimento econômico pequeno nos anos 1990, as mudanças evitaram que pudéssemos ter desestruturação social”, continuou o presidente do Ipea, que mencionou ainda a descentralização das políticas públicas (com papel maior assumido pelos municípios) e a maior participação da sociedade na conformação e gestão das políticas sociais como fatores preponderantes para os avanços.

Segundo Pochmann, o Instituto divulgará em breve uma outra pesquisa com a mesma temática, analisando a mudança do perfil dos pobres no Brasil nas últimas quatro décadas.

Share
Categories: Economia Tags: