Presidente da Argentina vê o país na condição de parceiro menor do mercosul
Do Jornal Valor Econômico (Edição de 8 de dezembro):
A presidente Cristina Kirchner deixou de lado a tradicional disputa com o Brasil pela liderança na região e colocou a Argentina na condição de parceiro menor do Mercosul. Cristina disse que este é o momento de debater os desequilíbrios do bloco “analisando os números de suas economias e os termos de intercâmbio”. Para isso, lembrou a União Europeia e o papel de liderança exercido pela Alemanha na integração do bloco, em razão do “tamanho de sua economia”. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, criticou a “agenda defensiva e protecionista” dos países do Mercosul. Ele disse que as vendas paraguaias ao bloco caíram 32% no ano e a balança comercial teve déficit de US$ 600 milhões. (Grifo meu)
Comentário: É um fato tão inusitado que por si só demonstra o quão baratinada está a Argentina. Enquanto o Real tem se valorizado frente ao dólar (em grande parte pela entrada enorme de divisas), a moeda argentina permanece em cotação superior a 3×1 em relação à americana. Nesta condição, um Real compra dois Pesos! Pelo histórico, o Brasil deve manter ressalvas a esta “mudança de posição”. Por outro lado, caso as assimetrias entre os países do Mercosul fossem de fato consideradas para a tomada de novos avanços, é de se crer que o bloco poderia enfim almejar uma futura União Sulamericana, a exemplo da União Européia. No caso dos “irmãos do velho mundo”, França e Alemanha trouxeram para si o papel de motor do bloco e financiaram a correção de distorções dos outros sócios. No nosso caso talvez coubesse ao Brasil (e é isto que sugere a Presidente da Argentina) o papel de financiador. Uma pré-condição para tal seria exatamente o reconhecimento explícito daquele país de que o Brasil exerce papel de liderança. Poderiam começar por nos apoiar na busca pelo assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o que ainda não o fizeram.
