Arquivo

Arquivo de setembro, 2007

Lula propõe nova conferência global sobre o clima no Brasil

 

Bruno Garcez – BBC Brasil

Presidente Lula na abertura da Assembléia Geral da ONUO presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta terça-feira em Nova York, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, a realização no Brasil de uma nova conferência mundial para discutir as mudanças ambientais, nos moldes da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a chamada Rio 92.

O presidente sugeriu que a nova reunião fosse realizada em 2012 e seja chamada Rio+20.

No discurso, Lula afirmou que ”a eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do planeta” e comentou que o ônus do combate ao aquecimento global não pode se dar sobre os países em desenvolvimento.

Leia: Igualdade é arma contra degradação do planeta, diz Lula

Para o presidente, ”cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa”. Mas acrescentou não ser ”admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da terra”.

Lula afirmou que a comunidade internacional precisa ”reverter essa lógica aparentemente realista e sofisticada, mas, na verdade anacrônica, predatória e insensata, da multiplicação do lucro e da riqueza a qualquer preço”.

”Não nos iludamos – se o modelo de desenvolvimento global não for repensado, crescem os riscos de uma catástrofe ambiental e humana sem precedentes.”

Etanol

Lula também anunciou que no ano que vem o Brasil ser sede de outra reunião, esta sobre biocombustíveis, e que o país lançará em breve o seu Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas.

”São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento." -  Luiz Inácio Lula da Silva

Lula tratou ainda do programa brasileiro de etanol e comentou que ”os biocombustíveis podem ser muito mais do que uma alternativa de energia limpa”.

O presidente também refutou as críticas de que o etanol pode contribuir para a fome mundial, ”A experiência brasileira de três décadas mostra que a produção de biocombustíveis não afeta a segurança alimentar”.

De acordo com Lula, cabe às nações em desenvolvimento dar o exemplo. Ele voltou a fazer críticas aos países ricos, ao tratar de temas que vêm travando os avanços da Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial, como os subsídios oferecidos pelas nações mais desenvolvidas.

”São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento”.

”O Brasil não poupará esforços para o êxito das negociações, que devem beneficiar sobretudo os países mais pobres”.

Bush e Doha

No discurso que realizou em seguida, o presidente americano, George W. Bush, também fez pronunciamentos sobre a Rodada de Doha.

De acordo com Bush, ”a comunidade internacional tem agora uma chance histórica de abrir mercados em todo o mundo, ao concluir uma rodada de Doha de sucesso”.

Leia também: Bush anuncia sanções contra Mianmar na ONU

As maiores potências comerciais – inclusive os maiores países em desenvolvimento – tem uma responsabilidade especial em tomar as duras decisões políticas necessárias para reduzir barreiras comerciais”, disse Bush.

Share
Categories: Internacional, Política Tags:

Línguas nativas do Brasil estão 'entre as mais ameaçadas'

Da BBC Brasil

Línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaças de extinção, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e o Instituto Living Tongues.

Elas estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, os Andes e a região do chaco, revelaram os pesquisadores.

Menos de 20 pessoas falam ofayé, e menos de 50 conseguem se expressar em guató, ambas faladas no Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai e à Bolívia, para citar um exemplo.

A área é considerada de "alto risco" para línguas em risco de extinção, alertaram os pesquisadores.

Em outra área de risco ainda maior – grau "severo" – apenas 80 pessoas conhecem o wayoró, língua indígena falada nas proximidades do rio Guaporé, em Rondônia.

Os cientistas descreveram esta parte do globo como "uma das mais críticas" para as línguas nativas: extremamente diversa, pouco documentada e oferecendo ameaças imediatas aos idiomas indígenas.

Entre estas ameaças, estão as línguas regionais mais fortes, como o português na Amazônia brasileira, o espanhol falado na Bolívia, e o quéchua e o aymara, difundidos no norte e no sul dos Andes bolivianos, respectivamente.

Risco

O mapeamento das línguas em extinção faz parte do projeto "Enduring Voices: Documenting the Planet’s Endangered Languages" (em tradução livre, "Vozes Resistentes: Documentando as Línguas Ameaças do Planeta"), que identificou as regiões do globo onde as línguas nativas estão mais fortemente ameaçadas.

Os pesquisadores alertaram que metade das cerca de 7 mil línguas faladas hoje no mundo – muitas nunca gravadas – desaparecerão ainda neste século. Uma língua morre a cada 14 dias, afirmaram.

"Com a extinção de uma língua, toda uma cultura se perde. Cada vez que uma língua morre, perdemos parte do quadro geral que nosso cérebro pode desenhar", diz um texto que apresenta as conclusões do projeto.

Fora da América do Sul, os pesquisadores identificaram outras áreas de risco para as línguas nativas.

A mais severa delas, o norte da Austrália, abriga algumas das línguas mais ameaçadas do planeta. Apenas três pessoas falam magati re e yawuru, e só existe um falante de amurdag.

Em parte do Canadá e nos Estados americanos de Washington e Oregon, cada uma das cerca de 50 línguas nativas estão ameaçadas, afirmaram os cientistas. O falante mais jovem de qualquer uma delas tem pelo menos 60 anos.

No leste da Rússia, Sibéria, China e Japão, políticas oficiais forçaram os nativos em línguas minoritárias a adotar idiomas nacionais.

Já nos centro dos Estados Unidos e Novo México, as línguas nativas caíram em desuso a um ponto em que, em 2005, apenas cinco idosos podiam se comunicar em yuchi – um idioma que não guarda relação com nenhum outro no mundo.

Share
Categories: Variedades Tags: