Do Blog de Fernando Rodrigues
O Mercosul, essa (ainda) ficção criada por José Sarney e Raúl Alfonsin nos anos 80, lança agora sua mais nova sinecura: o Parlamento do Mercosul.
Isso mesmo. O Parlamento do Mercosul terá sua primeira sessão em Montevidéu (Uruguai) no próximo dia 7, às 17h. Para que esse corpo legislativo começasse a funcionar, o Brasil cedeu e terá apenas 18 vagas –número igual ao dos outros países membros (Argentina, Paraguai e Uruguai), embora a população brasileira seja muito maior do que a de seus vizinhos.
Dessa forma, o Parlamento do Mercosul já começa desrespeitando a regra máxima da democracia representativa: um homem, um voto.
O Uruguai terá 3.447.920 habitantes em dezembro deste ano. O Brasil, 190.011.861. Ou seja, um parlamentar do Mercosul uruguaio representará 191.551 eleitores. Já um colega seu brasileiro terá o dever de representar 10,556 milhões de eleitores.
Para registro, no final deste ano a Argentina terá 40.403.943 habitantes. O Paraguai, 6.667.884.
Em tese, essa distorção poderá ser corrigida com o tempo. O Brasil pretende requerer uma divisão mais equânime das cadeiras. Possivelmente, não terá sucesso, pois os outros 3 Estados membros sempre estarão unidos para barrar o “imperialismo brasileiro”.
As 18 cadeiras do Brasil serão ocupadas a partir da semana que vem por 9 deputados e 9 senadores do Congresso Nacional. Foram indicados pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Em 2010, a escolha será direta. Os eleitores vão apertar mais uma tecla ao votar. É que o Parlamento do Mercosul exige que os seus integrantes sejam escolhidos dessa forma pelos eleitores dos países membros.
E o que farão esses “parlamentares do Mercosul”? A lista de atribuições é longa e pode ser vista no endereço do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul.
Os felizardos brasileiros que farão parte desta fase biônica do Parlamento do Mercosul são os seguintes:
Senadores: Sérgio Zambiasi (PTB-RS), Pedro Simon (PMDB-RS), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), Efraim Morais (DEM-PB), Romeu Tuma (DEM-SP), Marisa Serrano (PSDB-MS), Aloizio Mercadante (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Inácio Arruda (PC do B-CE).
Deputados: Dr. Rosinha (PT-PR), Cezar Schirmer (PMDB-RS), George Hilton (PP-MG), Max Rosenmann (PMDB-PR), Claudio Diaz (PSDB-RS), Geraldo Resende (PPS-MS), Germano Bonow (DEM-RS), Beto Albuquerque (PSB-RS) e José Paulo Tóffano (PV-SP).
E há também os suplentes:
Senadores suplentes: Neuto de Couto (PMDB-SC), Valdir Raupp (PMDB-RO), Adelmir Santana (DEM-DF), Raimundo Colombo (DEM-SC), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Flávio Arns (PT-PR), Fernando Collor (PTB-AL) e Jefferson Péres (PDT-AM).
Deputados suplentes: Nilson Mourão (PT-AC), Íris de Araújo (PMDB-GO), Renato Molling (PP-RS), Valdir Colatto (PMDB-SC), Fernando Coruja (PPS-SC), Gervásio Silva (DEM-SC), Júlio Redecker (PSDB-RS), Vieira da Cunha (PDT-RS) e Dr. Nechar (PV-SP).