Ata do Copom confirma influência do PAC na redução do ritmo da queda dos juros

Por Sandro Araújo

Em artigo deste blog, A Taxa Selic e a Dívida Pública, de 25 de janeiro, alertávamos para o fato de que o Conselho de Política Monetária do Banco Central (Copom) poderia ter levado o PAC como justificativa para redução do ritmo da queda dos juros:

O Governo Federal anunciou recentemente o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, com uma série de medidas para estimular o crescimento. Vale ressaltar que geralmente o crescimento traz consigo uma maior demanda para uma série de insumos. E junto a velha máxima de mercado: maior demanda, menor oferta, alta nos preços = inflação. O Copom certamente leva isto em consideração quando fala da possibilidade de um repique inflacionário…

Matéria do Jornal O Estado de São Paulo, analisando a Ata da última reunião do Copom confirma nossa previsão:

(…) Mesmo sem citar especificamente o PAC, o BC aponta na ata o risco do aumento dos gastos do governo com o programa elevar ainda mais a demanda da economia e provocar novas pressões sobre os preços.

Para o Banco Central, esse é um risco adicional para a inflação, neste momento em que a demanda doméstica já se expande a taxas “robustas” por causa do processo de queda da taxa Selic desde 2005 e do aumento do crédito, da renda das pessoas e das despesas do governo no ano passado.

Acreditamos que a redução do ritmo deverá se manter nas próximas reuniões. Torcemos, no entanto, para que a queda dos juros se mantenha. O FED dos Estados Unidos (equivalente ao nosso Banco Central), em sua última reunião anunciou a manutenção da taxa de juros estadounidense em 5,25%. Analistas afirmam que em breve esta taxa entrará também em descenso. Caso isto se confirme, as taxas de juros no Brasil tenderão a ser mais atrativas ao capital internacional: e com a oferta de maiores recursos o Copom tenderia a manter a queda que vem ocorrendo desde o final de 2005.

Brasil pode ganhar Partido Democrata - ex-PFL

Por Sandro Araújo

Depois da anunciada fusão entre PL, PRONA e PT do B que resultou na criação do Partido da República (PR), o Brasil pode ganhar um novo partido, o Democrata. O Partido Democrata surgiria da fusão entre o PFL e um partido de pequeno porte. Resultaria também num novo estatuto e programa, com possíveis mudanças ideológicas. Ao contrário do nome Partido da República, que faz certa referência ao Partido Republicano dos Estados Unidos, a movimentação do PFL possui uma inspiração ianque ainda mais clara, com nome igual ao do Partido Democrata daquele país.

Matéria do Jornal O Estado de São Paulo detalha o plano da cúpula pefelista. É interessante notar, no entanto, que historicamente o PFL tem um alinhamento ideológico maior com o próprio Partido Republicano dos EUA, ao qual é filiado o atual presidente, George W. Bush. A matéria do Estadão relata, no entanto, intenção dos caciques do PFL em renunciar à pecha direitista - a mesma que justifica o tal alinhamento com o PR dos EUA. A escolha de um nome como Partido Democrata poderia soar como música neste sentido.

O ruim da história é ver mais um "americanismo" no Brasil, com a criação de dois novos partidos por cá com nomes claramente inspirados naqueles estadounidenses. A ver os próximos capítulos…