Parlamentares brasileiros ganharão mais que alemães e britânicos

Marcelo Crescenti, Rodrigo Durão Coelho e Daniel Gallas - BBC Brasil

A partir de 1º de fevereiro, os parlamentares brasileiros terão salários maiores que os pagos a representantes do Legislativo da Alemanha e da Grã-Bretanha.

Deputados e senadores do Brasil aprovaram na quinta-feira um aumento de 92% nos vencimentos – de R$ 12.720 para R$ 24,6 mil mensais.

O salário brasileiro é 24% maior do que o pago a parlamentares alemães, que recebem mensalmente 7.009 euros, equivalente a cerca de R$ 19,7 mil.

Em comparação com os britânicos, o valor brasileiro é 17% superior ao salário de 5.023 libras esterlinas (ou R$ 20,9 mil).

Os parlamentares brasileiros ganharão o equivalente a 70 salários mínimos. Cada legislador britânico recebe cerca de 5,4 salários mínimos do país.

Na Grã-Bretanha, o salário mínimo é onze vezes maior do que o pago no Brasil. Considerando-se uma jornada de 40 horas semanais, o salário mínimo mensal britânico é de 926 libras esterlinas (cerca de R$ 3,9 mil). No Brasil, a renda mínima é de R$ 350 por lei.

A legislação alemã não prevê um salário mínimo.

Outras despesas

Além do rendimento, cada deputado brasileiro tem direito a cerca de R$ 65 mil mensais, sendo R$ 50 mil para os salários dos funcionários no gabinete em Brasília e R$ 15 mil para gastos com um escritório no seu Estado de origem. No caso dos senadores, que têm direito a preencher cargos de confiança, o valor pode extrapolar os R$ 100 mil mensais.

Na Grã-Bretanha, cada um dos 646 parlamentares recebe verbas mensais de 7.273 libras (ou R$ 29 mil) para o pagamento de salários de funcionários do gabinete. Eles podem ainda receber ainda 1.842 libras (R$ 7,3 mil) para cobrir despesas quando estão desempenhando funções parlamentares fora de suas constituintes.

Na Alemanha, a verba de gabinete é de 3.647 euros (ou R$ 10,2 mil). Membros do Parlamento têm direito a outras facilidades, como gastos com viagens aéreas em função do cargo.

Salários nos Parlamentos

  • Brasil - R$ 24,6 mil
  • Grã-Bretanha - R$ 20,9 mil
  • Alemanha - R$ 19,7 mil

OCDE volta mostrar «firme expansão» do Brasil

Foi a quinta alta consecutiva do índice da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para o Brasil nos últimos seis meses

João Caminoto - Agência Estado

LONDRES - O "Índice de Indicadores Antecedentes" (CLI, na sigla em inglês) divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sinalizou novamente "uma firme expansão" da economia brasileira nos próximos meses. O CLI do Brasil referente a outubro subiu 1,9% ante o mês anterior, atingindo 133,8 pontos. Foi a quinta alta consecutiva do índice para o Brasil nos últimos seis meses.

A taxa de mudança de seis meses do CLI para o Brasil registrou uma alta de 9,2% em outubro, também o quinto mês consecutivo de elevação. Esse número é considerado pela OCDE como um termômetro mais preciso da tendência de longo prazo do ritmo atividade.

O CLI é elaborado mensalmente pela OCDE, sempre com base em indicadores de dois meses anteriores. Ele tem o objetivo de "oferecer sinais antecipados de pontos de viradas entre expansões e desaquecimento na atividade econômica". Segundo a entidade, "a principal mensagem dos movimentos do CLI ao longo do tempo é se a direção é de alta ou de baixa, ao invés de oferecer níveis" específicos de expansão do PIB. Para calcular o CLI, a OCDE se baseia entre cinco e dez indicadores econômicos de cada país.

Os CLIs divulgados mostram que os 30 países da OCDE, vão manter o crescimento econômico nos próximos meses. Mas sugerem uma tendência de enfraquecimento da atividade na área do Euro e nos Estados Unidos. Em contrapartida, as perspectivas para o Japão são de aceleração econômica. "Os spreads das taxas de juros estão contribuindo negativamente para a performance dos CLIs em todas as sete maiores economias do mundo, enquanto a confiança das empresas está tendo um impacto positivo na área do Euro e negativo no Canadá e Estados Unidos", disse a OCDE.

Os CLIs para a China e a Índia sugerem um crescimento mais moderado nos próximos meses. No caso da China, o CLI aumentou em 2,6 pontos, mas o ritmo do crescimento no indicador tem mostrado uma tendência de queda desde abril de 2006.