Lula é o 41º presidente e o segundo reempossado democraticamente

Alessandra Bastos - Agência Brasil

Brasília - A Esplanada dos ministérios está pronta para a festa da posse presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. No sábado (30) foi realizado um ensaio geral para garantir que tudo corra como o previsto na cerimônia.Esta será a segunda vez que um presidente da República será reempossado democraticamente. O primeiro a ocupar novamente o cargo foi Fernando Henrique Cardoso, que criou a possibilidade ao fazer uma reforma na Constituição. Durante o primeiro mandato, Luiz Inácio Lula da Silva declarou-se contra a reeleição, mas afirmou que, apesar de não concordar, não desperdiçaria a oportunidade criada pelo adversário PSDB.

Fernando Henrique foi também o primeiro presidente, em 40 anos, a passar a faixa a um sucessor também eleito pelo voto direto. Desde a posse de Jânio Quadros, o Brasil não vivia esse momento.

Lula é o 41º homem a chegar ao poder. O primeiro chefe a comandar o país foi Deodoro da Fonseca, de 1889 a 1891, seguido de Floriano Peixoto, Prudente de Moraes e Campos Salles, que terminou o mandato já no século seguinte, em 1902.

Durante 30 anos, foram onze presidentes. Em 1930, assume Menna Barreto e, no mesmo ano, Isaías de Noronha, Augusto Fragoso e Getúlio Vargas, o campeão de mandatos. Ele ficou no poder de 1930 a 1945 (três mandatos) e assumiu novamente em 1951.

Até Juscelino Kubitschech (1956 a 1961) houve mais três presidentes. Juscelino passou a faixa para Jânio Quadros, que foi substituído por Paschoal R. Mazzilli e este por João Goulart, que governou de 1961 a 1964.

Chegava a ditadura militar. E, com ela, Mazzili reassume, seguido de Castello Branco (até 1967) e Costa e Silva (até 1969). Neste ano, o país teve quatro presidentes: Aurélio Lyra, Augusto Radamaker, Márcio Melo e Emílio G. Médici, que ficou no poder até 1974, quando assume Ernesto Geisel.

Em 1985, João Figueiredo passaria faixa a Tancredo Neves, que não chega assumir. Quem fica em seu lugar é o vice José Sarney. Em 1990, assume Fernando Collor, que comanda a presidência por dois anos, não chegando a termina o mandato. Assume o vice Itamar Franco que, em 1995, é substituído por Fernando Henrique Cardoso.

Saddam Hussein é executado na forca

Ele foi condenado à morte em 5 de novembro por um tribunal iraquiano pelo massacre de 148 xiitas, em 1982, o que foi considerado crime contra a humanidade

Da Agência Estado:

O ex-ditador do Iraque Saddam Hussein foi enforcado por volta das 6 horas deste sábado em Bagdá (1 hora pelo horário de Brasília), anunciou a TV iraquiana Al-Hurra, emissora criada e financiada pelos EUA. A execução foi confirmada minutos depois pelo vice-chanceler iraquiano Labeed Abbawi e por um alto funcionário americano citado pelo site do New York Times.

A hora da execução foi combinada entre autoridades iraquianas e americanas. Por volta das 5h30 locais, um clérigo muçulmano chegou ao local para ouvir as últimas palavras do ex-ditador, deposto em abril de 2003 por uma invasão internacional liderada pelos EUA. O local exato da execução de Saddam, que tinha 69 anos, não foi imediatamente divulgado. A TV informou apenas que ocorreu na superprotegida Zona Verde de Bagdá. Exilada na Jordânia, Raghd, filha de Saddam, pediu que o corpo do ex-presidente seja enterrado provisoriamente no Iêmen, “até que o Iraque seja libertado e ele possa ser sepultado em seu país”.

O ex-ditador foi condenado à morte em 5 de novembro por um tribunal iraquiano pelo massacre de 148 xiitas na aldeia de Dujail, em 1982, o que foi considerado crime contra a humanidade.

Leia mais no sítio da Agência Estado.

Vídeo no YouTube inova em campanha contra a Dengue

Por Sandro Araújo

Vídeo produzido para a campanha contra a Dengue pela Secretaria da Saúde do estado do Rio Grande do Sul é a nova sensação da internet. O vídeo faz alusão às cenas tórridas vividas pela apresentadora Daniela Cicarelli e seu namorado em praia da Espanha. O mote da campanha é: "É na água que o mosquito da dengue se reproduz".

Assista ao vídeo no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=lsegA8ijcNQ

Cientistas usam cobras para prever terremotos na China

Da BBC Brasil
 
As cobras podem perceber a iminência de um terremoto até cinco dias antesCientistas na China desenvolveram uma nova forma de prever terremotos: a observação do comportamento incomum das cobras.

Especialistas do bureau de sismologia em Nanning, na província de Guangxi, no sul do país, estão monitorando viveiros locais de cobras através de webcams em operação 24 horas por dia.

Eles dizem que as serpentes podem sentir um terremoto a uma distância de 120 quilômetros, até cinco dias antes do fenômeno ocorrer.

Os animais reagem erraticamente, chegando a bater a cabeça contra as paredes em uma tentativa de fugir, dizem os cientistas.

"De todas as criaturas da Terra, as cobras talvez sejam as mais sensíveis a terremotos", disse Jiang Weisong, diretor do bureau de sismologia de Nanning ao jornal The China Daily.

Os répteis reagem com comportamento extremamente errático, afirma o técnico.

"Quando um terremoto está em vias de ocorrer, as cobras saem de seus ninhos, mesmo no frio do inverno. Se o terremoto for forte, as cobras chegam a se jogar contra paredes ao tentarem escapar."

Nanning - uma área sujeita a abalos sísmicos - é uma das doze cidades chinesas monitoradas por equipamento sofisticado. Ela também possui 143 unidades de monitoramento animal.

"Com a instalação de câmeras sobre ninhos de cobras, nós aprimoramos nossa habilidade de prever terremotos. O sistema pode ser ampliado para incluir outras partes do país para tornar nossas previsões mais precisas", disse Jiang Weisong.

A China é atingida por terremotos com freqüência.

Em 1976, cerca de 250 mil pessoas morreram quando a cidade de Tangshan foi devastada por um abalo sísmico.

Unesp desenvolve computador de baixo custo 100% nacional

Da Assessoria de Imprensa da UNESP

Projeto começou em novembro de 2005 e resultou em protótipo com custo de US$ 250 a procura de investimentos para entrar em produção

A Unesp (Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho) acaba de desenvolver o protótipo de um computador que promete revolucionar o mercado de computadores no Brasil. Ainda sob o codinome "Cowboy", o novo produto foi projetado para os usuários que não precisam de todo o poder computacional disponível em um PC tradicional e que procuram uma forma nova e mais confortável de interagir com um computador, pensando em mobilidade e conveniência.

O projeto começou a ser desenvolvido em novembro do ano passado. A intenção era criar um dispositivo móvel inovador, de baixo custo e com tecnologia nacional para uso nas salas de aula. "Ele é menos que um PC ou notebook e mais que um PDA (Personal Digital Assistants ou computador de bolso)", explicou o professor Eduardo Morgado, coordenador do Laboratório de Tecnologia da Informação Aplicada, da Unesp de Bauru.

Apesar de ter potência menor que a de um PC tradicional, esse computador móvel será capaz de oferecer acesso a outros PCs ou servidores por meio de um sistema de conectividade. Ou seja, ele pode "conversar com outros dispositivos", sem a necessidade de uma configuração adicional. Isso será possível porque adota a tecnologia conhecida como UPnP (Universal Plug and Play). Essa é uma tendência da indústria de eletrônicos e informática, que permite a conexão entre dispositivos de forma mais amigável.

O projeto foi desenvolvido com base no conceito de "Computação Confortável", que permite uma navegação mais simples, organizada e intuitiva. No sistema operacional, com o objetivo de melhorar as funções multimídia e simplificar as configurações de hardware, foram avaliados vários modelos de software e a melhor combinação encontrada foi modificar uma versão aberta do Windows CE. "Essa foi a nossa opção porque constatamos que ela oferece a melhor relação entre custo de desenvolvimento e experiência do usuário, se encaixando bem dentro da nossa proposta", afirmou Morgado.

O protótipo também dispensa o uso do mouse em função de sua nova proposta ergonômica, onde cada aplicação pode ser acessada por uma única tecla. A dissipação de calor desse produto é de apenas 1 Watt, muito inferior a de um processador tradicional, que gera é de 50 Watts de calor, e com isso, também dispensa o uso de ventoinhas.

O computador móvel da Unesp terá um painel LCD que desliza sobre o teclado para que seja usado como um livro eletrônico. Entre os aplicativos apresenta MP3 Player, leitor de E-Book e editor de documentos, navegador de internet, compartilhamento de arquivos, acesso a terminal remoto e mensagens instantâneas, além de suporte para objetos educacionais. O protótipo tem processador RISC de 400 MHz, 128 MB de memória RAM, display colorido de alta resolução, 1 GB de capacidade interna e conectividade wireless e por cabo.

Leia mais no Sítio da UNESP

Brasil vai antecipar concessões fiscais para reduzir conflitos no Mercosul

Mylena Fiori - Agência Brasil

Brasília - Em janeiro, as lideranças e representantes do Mercosul participam da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, marcada para o dia 19, no Rio de Janeiro. Este mês, alguns dos principais pontos que deverão entrar em debate foram abordados durante a 31ª Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), realizada em Brasília.

O encontro reuniu ministros de relações exteriores e da área econômica do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. As assimetrias entre os países-membros foi um dos principais temas do encontro.

O Brasil tomou a dianteira e anunciou que está disposto a flexibilizar regras e impostos de importação para impulsionar as economias do Uruguai e Paraguai, parceiros menores do Mercosul.  Segundo Celso Amorim, deve ser antecipada, unilateralmente, a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum para as economias menores.

Isso significa que um produto que entrar no Mercosul pelo Uruguai ou Paraguai poderá ser exportado para o Brasil sem nova cobrança de imposto de importação – é a chamada união aduaneira, que só deve entrar em vigor entre todos os países do bloco a partir de 2009. A antecipação da medida tem o objetivo de incentivar o investimento nesses países e as exportações do Uruguai e Paraguai.

Outra concessão que o Brasil pretende fazer refere-se às regras de origem. Pelo regime do Mercosul, é considerado originário da região qualquer produto que possua pelo menos 60% de valor agregado regional (insumos produzidos na região). Com a flexibilização das regras de origem, esse percentual cairá para 30% no caso do Uruguai e 25% no Paraguai.

Segundo relato de Celso Amorim, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, foi receptivo às concessões aos países menores do Mercosul. O Chanceler argentino, Jorge Taiana, disse que o país analisará as medidas antes de se posicionar.

A integração das cadeias produtivas é outra estratégia que pode reduzir as assimetrias do bloco, segundo o chanceler brasileiro. Projetos nesse sentido poderão ser aprovados durante a 31ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul, em janeiro.

Outro tema delicado que finalmente entrou em pauta no Conselho do Mercado Comum é a disputa entre Uruguai e Argentina envolvendo a construção das fábricas da Empresa Nacional Celulosa España (Ence) e da finlandesa Botnia na margem uruguaia do Rio Uruguai. O governo argentino afirma que o país vizinho violou acordos internacionais que regulam a exploração do rio.

Também alega que as fábricas ameaçam o meio ambiente. O Uruguai se defende justificando que os projetos seguem os padrões internacionais e vão proporcionar empregos e investimentos na região. O conflito, que vem sendo mediado pelo governo espanhol, já dura um ano e aguarda decisão da Corte Internacional de Haia, órgão judiciário das Nações Unidas. Enquanto isso, manifestantes argentinos bloqueiam as pontes entre os dois países.

Na reunião do Conselho do Mercado Comum, o Uruguai alegou prejuízos econômicos e pleiteou o desbloqueio das pontes entre os dois países. O chanceler argentino, Jorge Taiana, garantiu que o governo está fazendo o possível para desbloquear as pontes.

Apesar da insatisfação do Uruguai, o chanceler Reinaldo Gargano tratou de dissipar os boatos de que o país deixaria o bloco para firmar um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos. “Para o Uruguai, o Mercosul é uma opção de caráter estratégico. O que queremos é um Mercosul maior e melhor”, destacou Gargano.

O Uruguai solicitou, no entanto, que as assimetrias entre os parceiros sejam levadas em conta nas negociações do bloco com outros países ou regiões – o que, segundo Celso Amorim, os parceiros estão “dispostos a conceder”. Tais flexibilizações ocorreriam, por exemplo, nas negociações entre Mercosul e União Européia.

Outro tema tratado na reunião – e que demonstra a confiança dos governos no processo de integração – é a ampliação do bloco. Os chanceleres do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e Venezuela acolheram positivamente a entrada da Bolívia no bloco. O desejo de ingresso no Mercosul foi manifestado pelo presidente boliviano, Evo Morales, durante a 2ª Reunião de Chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), realizada no começo de dezembro.

“Houve concordância entre os chanceleres não só em acolher positivamente este pleito, mas até de já constituirmos, quem sabe, uma pequena missão que possa já conversar com a parte boliviana sobre como fazer com que isso se concretize da maneira mais rápida possível”, revelou Amorim.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, manifestou disposição em também acelerar  os procedimentos e as medidas práticas para a plena adesão da Venezuela – o protocolo de adesão foi assinado em julho deste ano, mas a chamada adesão plena depende de um conjunto de medidas de adaptação que devem ser implementadas pela Venezuela num prazo máximo de quatro anos.

Taxa de juros cobrada sobre investimentos na produção é a menor da história

Wellton Máximo - Agência Brasil

Brasília - O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou hoje a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6,85% ao ano para 6,5%. Esse é o menor nível desde a criação da taxa, em 1994.

A TJLP serve como referência para os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e por isso é considerada importante na sinalização dos rumos da economia do país, principalmente pelo setor industrial.

Segundo o ministro Guido Mantega, da Fazenda, com a redução, a taxa se aproxima da que é cobrada nos países mais avançados, e isso funciona como mais um estímulo para o investimento produtivo e o conseqüente crescimento econômico do país.

“O país está passando por uma verdadeira revolução no crédito. A redução da TJLP é um desses instrumentos que proporcionará o crescimento da economia em níveis maiores”, disse Mantega, logo após o anúncio da decisão.

A redução foi aprovada por unanimidade entre os 15 membros do CMN. O conselho tem entre seus integrantes, além de Mantega, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

A próxima reunião do CMN acontece em janeiro. A nova TJLP passa a vigorar imediatamente.

Exigências do Vista podem levar usuários ao Linux; veja comparativo

Do UOL Tecnologia

Ao ler esse texto, você tem cerca de 95% de chances de estar usando um computador com Windows. Essa é a fatia de mercado que possuem os sistemas operacionais da Microsoft —XP, 2000, 98, ME, NT, 95, CE e Vista—, segundo a consultoria Net Applications. Já o Linux, o sistema de código aberto mais conhecido do mundo, detém apenas 0,38% de participação.

Nem por isso esse é um segmento sem maiores polêmicas, como os números fazem supor. No Brasil, principalmente, há muita discussão sobre a adoção de sistemas não-proprietários —outra denominação que programas de código aberto recebem—, principalmente depois que o governo federal anunciou uma política de adoção de software livre na administração pública, em outubro de 2003.

A discussão aumenta ainda mais se lembrarmos que em 2007 a Microsoft fará o lançamento do Windows Vista, versão de seu sistema operacional que sucede o XP. A indústria toda se movimenta para receber o novo sistema que, segundo testes e demonstrações, vai exigir uma máquina potente, que está longe de ser o padrão atual do mercado de computadores.

Leia mais no sítio do UOL Tecnologia

Risco Brasil cai abaixo de 200 pontos pela 1ª vez

Do Portal G1, com informações da Reuters

O risco Brasil caiu abaixo de 200 pontos-básicos nesta terça-feira (19), pela primeira vez na história. O indicador, medido pelo JP Morgan, é um termômetro da confiança dos investidores internacionais no país.

O nível mais baixo do índice até então havia sido obtido no dia 15, quando registrou 201 pontos.

Segundo o operador da Schaim Corretora, Kleber Detoni, a queda recorde do medidor reflete o momento otimista vivido pelo mercado financeiro: grande volume de dólares no país, bom desempenho das bolsas internacionais e da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Além disso, a possibilidade de que no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sejam feitas reformas para estimular o crescimento econômico anima o mercado.

Alguns analistas acreditam que o Brasil consiga em 2008 o investment grade - nota dada pelas agências de classificação de risco quando  recomendam um investimento como aplicação segura e rentável.

O Brasil deve caminhar para uma classificação ‘investment grade’ nos próximos três a quatro anos, o que significa que deveremos também ver o risco Brasil convergir para perto de 100 pontos", comentaram mais cedo Tomás Awad, estrategista, e Júlio Ziegelmann, diretor de pessoas físicas da Itaú Corretora.

Eles lembraram que o risco-país no México é perto de 100 pontos-básicos e que o país já é ‘investment grade’, de acordo com a classificação das agências de rating mais reconhecidas.

O Brasil está a dois degraus do grau de investimento, pela nota atribuída pelas agências de classificação.

Às 18h03 (horário de Brasília), o risco-país cedia 3 pontos, para 200 pontos-básicos sobre os Treasuries, minutos depois de marcar 199 pontos-básicos.

O risco da cesta de emergentes (EMBI+) cedia 3 pontos, a 174 pontos-básicos.

Deu Pau - Uma crônica do Apagão Aéreo

Por Sandro Araújo

Sou um homem da tecnologia. Já se vão 20 anos que lido com os computadores. Mas existe um princípio que sempre levei em conta ao lidar com estas máquinas: elas são falíveis!

Uma das primeiras demonstrações da falibilidade dos computadores foi o episódio em que uma simples mariposa - como tantas que buscavam abrigo e calor na contemplação das válvulas dos primeiros computadores - morreu torrada, causando erros nos cálculos realizados. Pronto: o mundo ganhou uma das primeiras palavras do jargão informático: o BUG - inseto, em inglês. O processo de correção de erros foi batizado de "DEBUG". Por estas terras, houve quem utilizasse a palavra "depurar" para designar o mesmo processo. E o erro? Foi batizado como "erro", "bug" ou simplesmente "pau": quem nunca ouviu "deu pau"? Pois é…

O tema da vez, como nos últimos 60 dias, é o "pau" que deu no controle de vôo brasileiro em seguida aos acontecimentos que ocasionaram a queda do avião Boeing 737-300 da empresa Gol, atingido em pleno ar por uma aeronave de menor porte, um Embraer Legacy. Avião bom este Embraer: derrubou um Boeing e pousou quase ileso! Para quem não se lembra, a Embraer é uma empresa brasileira e foi estatal até bem pouco tempo: mais, a aeronáutica ainda mantém 25% das ações da empresa.

Há quem diga, muitas vezes em tom jocoso, que a fila de encomendas do Legacy triplicou depois do episódio. Inúmeros executivos mundo afora teriam ficado entusiasmados com a segurança da aeronave! Agora digo eu: onde há fumaça, há fogo…

Mas prefiro ater-me a um tema até então pouco discutido: qual a participação dos computadores e dos demais equipamentos eletrônicos na tragédia? Dias atrás uma pane nos equipamentos do CINDACTA I, em Brasília, causou aquele que é considerado o maior caos do transporte aéreo brasileiro em todos os tempos. E mais: faltava um técnico tupiniquim que pudesse dar a devida manutenção no mesmo. Mais uma vez, "deu pau" ! E salve o "bug" !!!

De volta ao tema. Pergunta número um: SE os pilotos do avião Legacy tivessem cumprido o plano de vôo, teria acontecido o acidente? Certamente não, uma vez que o plano de vôo previa que após a passagem em Brasília o mesmo mudaria de altitude. O plano não foi seguido… Pergunta número dois: SE os controladores de vôo em Brasília não houvessem confiado nos radares e no famigerado "transponder", agindo de maneira pró-ativa e verificando com os pilotos do avião Legacy a troca de altitude, teria acontecido o acidente? Novamente a resposta é não! Certos nesta história, infelizmente, apenas os pilotos e os passageiros do vôo 1907 da Gol que, cumprindo o plano de vôo previamente discutido, voavam em altitude coerente com o mesmo.

Atrevo-me a comentar sobre alguns outros equipamentos existentes no controle de tráfego e nos aviões. Confesso que não sou especialista no assunto mas, como tantos brasileiros, sofremos uma avalanche de informações inerentes ao tema nos últimos dias.

Os aviões possuem um outro equipamento que permite identificar a aproximação de algum objeto. É um sistema "anti-colisão". Aparentemente o mesmo não teria disparado nos segundos que antecederam o toque em pleno vôo. Outra hipótese é a de que, tendo disparado, não teria havido tempo hábil para uma ação efetiva dos pilotos do Boeing.

Quando estamos dirigindo um carro, seja numa rua, seja numa rodovia, geralmente temos atenção redobrada. Um simples discuido, uma simples tirada da visão para o lado e um acidente pode acontecer. No caso de um avião moderno, como o Boeing e o próprio Legacy, temos dezenas, centenas de equipamentos que auxiliam o trabalho dos pilotos. Existe até mesmo um piloto automático! Não foi o que houve, mas imagino a cena: após a estabilização do avião e verificação de detalhes como o curso e a altitude, o comandante ativa o piloto automático e vira-se alegremente para o co-piloto e começam a contar piadas ou discutir amenidades… Se algo ocorresse? Certamente uma série de alarmes dispararia na cabine. O sistema anti-colisão é apenas um deles! Após este disparo, bastaria ao comandante retomar o controle da aeronave.

O fato é que confiamos dia após dia, mais e mais, nos computadores, nos equipamentos. Não nos lembramos de que eles próprios têm suas limitações. Ainda: são projetados e programados por seres humanos - estes últimos sujeitos a todo o tipo de falibilidade. Basta lembrar que, logo após o acidente, tornou-se público que "transponders" do mesmo fabricante daquele existente na aeronave da Embraer possuíam erro de programação que faziam com que os mesmos desligassem voluntariamente. O ser humano é fundamental! Não o fosse já viajaríamos hoje em aviões totalmente automatizados, sem pilotos ou co-pilotos… O próprio piloto automático somente é acionado, como disse, após a estabilização da aeronave.

E o controle de tráfego? Teriam também confiado nos equipamentos? Certamente sim. A rotina de um controlador de vôo, estressante, é o monitoramento de uma tela de radar que possui um número determinado de aviões, conferindo o curso, a altitude e outras informações referentes aos mesmos. Com o caminhar das investigações descobriu-se que um dos controladores inferiu que a altitude do avião Legacy seria aquela constante do plano de vôo, sem no entanto confirmar a informação com o piloto da aeronave. Mais uma vez, confiou-se no equipamento. Como se confiou que os procedimentos seriam seguidos pelos pilotos estadounidenses.

Não quero aqui isentar uns ou acusar outros. Uma seqüência de erros fez com que 154 pessoas morressem. O mais grave deles? Em minha opinião um avião que não seguia um plano de vôo pré-determinado. Quando ocorre um acidente de carro e um dos dois veículos está na contra-mão, de quem é a culpa? Certamente daquele que andava na contra-mão… Situação idêntica é verificada no caso em foco.

Um motorista de carro poderia alegar que um buraco na pista fez com que desviasse para a contra-mão. Neste caso a culpa seria do Estado, que não teria dado a devida manutenção à rodovia. Ou ainda de "São Pedro", que teria deixado que chovesse muito naquele trecho de rodovia. Haverá também quem procure dizer que a culpa é dos caminhoneiros que transitam na mesma rodovia com sua carga excessiva, desgastando o asfalto. Outros dirão que é do Governo Federal, que tem incentivado a exportação e em função disto os agricultores plantam mais e mais e exportam em igual quantidade. Mas existe um fato: naquele momento, vindo outro veículo na direção contrária, aquele carro não poderia andar na contra-mão. E foi isto que ocasionou o acidente.

No caso do avião da Gol, ressalvados alguns detalhes, temos situação idêntica. Um avião Embraer Legacy estava fora do curso pré-determinado (ou da altitude pré-determinada, para os puristas), tendo chocado com o avião Boeing que estava no seu curso e altitudes corretos. A busca de qualquer responsabilidade adicional é acessória!

O fato, porém, traz à discussão uma série de problemas e irregularidades encontradas no controle de tráfego aéreo brasileiro. Verifica-se a necessidade de aquisição de mais radares, mais rádios e principalmente da contratação de mais seres humanos.

Uma coisa, entretanto, não pode ser esquecida: NÃO SE DEVE CONFIAR CEGAMENTE NOS EQUIPAMENTOS. Possivelmente este e outros acidentes não teriam acontecido caso houvesse uma desconfiança maior nas máquinas. É uma pena que de todas as discussões até então existentes este assunto não tenha entrado em pauta.

Falo isto, mais uma vez, como homem de tecnologia. A tecnologia é ótima! Mas é falível! Nada substitui o ser humano…