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Arquivo de novembro, 2006

Relatório do FMI aponta aumento de 6,6% nos gastos públicos no Brasil

Edla Lula – Agência Brasil

Brasília – Os gastos públicos na América Latina cresceram 7,4% em 2005, revela o documento Panorama Econômico Regional, divulgado ontem (2) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Brasil está entre os países cujas despesas cresceram menos. Enquanto na Venezuela o aumento foi de 22,9% e na Argentina, de 14,4%, no Brasil ficou em 6,6%. No Chile o crescimento foi de 5,9% e no México, de 3,9%.

Para este ano, a previsão é de que os gastos públicos cresçam 7,3% na média dos países da América Latina, contra crescimento de 5% do Brasil.

Ainda que esse aumento aconteça, segundo o documento, no "período trienal de expansão mais importante desde a década de 70", o Fundo adverte que há necessidade de os países economizarem ou sanarem as suas dívidas. "A política fiscal está adquirindo uma orientação expansiva na maioria dos países, precisamente quando o rápido crescimento econômico brinda a oportunidade de diminuir com maior prontidão as vulnerabilidades que criam o elevado endividamento", diz o texto.

O documento prevê crescimento econômico na região de 4,75% em 2006 e de 4,25% em 2007. No Brasil, o desempenho será mais fraco, de 3,2% este ano e de 4% no próximo. 

O Fundo cita o programa Bolsa Família como exemplo de diminuição das disparidades sociais. Segundo o texto, esse programa vai atingir 11,2 milhões de famílias em 2006, contra 8,7 milhões em 2005 e 6,7 milhões em 2004. "Esses e outros programas de assistência social são consideravelmente promissores como ferramentas para redução de pobreza", diz o relatório.

Essa tendência se repete na média dos países latino-americanos. De acordo com o documento, "a proporção da população da região que vive na pobreza caiu ao redor de 44% em 2003 para pouco mais de 40% em 2005. No mesmo período, a extrema pobreza baixou de 19% para 17%". No Brasil, a pobreza retrocedeu de 28% em 2003 para 23% em 2005.

O documento do FMI afirma que a experiência bem-sucedida se baseia em "um sistema que combina a assistência social com oportunidades de receber educação e capacitação". E destaca ainda o crescimento do emprego e a diminuição em 10% do mercado informal na região.

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Canadense molesta criança ao vivo na internet e é preso

 
Um homem foi preso depois que um policial detetive o viu, ao vivo na internet, abusando sexualmente de uma menina na casa do suspeito em Toronto, no Canadá.

Da BBC Brasil

O homem foi preso e a criança, que estaria na pré-escola, foi resgatada duas horas depois do ataque, no que a unidade de combate à exploração sexual de Toronto afirma ser o primeiro caso de flagrante desse tipo.

O detetive estava navegando por sites pedófilos como parte de uma longa investigação, quando viu a cena e alertou a polícia.

A polícia afirmou que não vai revelar se o suspeito e a vítima se conheciam para tentar proteger a identidade da criança, que foi colocada sob os cuidados da família.

"Minha primeira reação foi de querer entrar pelo monitor e tirar aquela criança dali", disse o detetive Paul Krawczyk, o policial disfarçado de pedófilo que testemunhou o ataque no domingo. "Arrepiou meus cabelos", acrescentou.

O detetive alertou a polícia de St. Thomas, uma cidade a sudoeste da região de Ontario, onde seria a casa do suspeito. Os policiais conseguiram encontrar o homem em duas horas.

"Ver aquela criança, olhar nos seus olhos e perceber que ela estava sendo abusada, ao vivo, em algum lugar…Tínhamos que salvá-la. No minuto em que percebemos o que estava acontecendo, fomos o mais rápido possível", disse Krawczyk em uma entrevista coletiva na quinta-feira, descrevendo os eventos de domingo passado.

Leia matéria completa no sítio da BBC Brasil

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Para Wall Street, novo governo Lula será mais estável

Angela Pimenta – BBC Brasil

Ao contrário das previsões feitas durante a campanha eleitoral, o segundo mandato do presidente Lula deverá ser mais estável do que o primeiro. A previsão é de analistas econômicos que se reuniram nesta terça-feira em Nova York para um seminário da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

"Acredito que diversamente do primeiro mandato, em que o PT levou dois terços do ministério, agora o Lula vai incorporar a coalizão ao governo e, por isso, ele será mais estável", disse Drausio Giacomelli, vice-presidente do banco JP Morgan Chase.

"Além disso, graças aos 58 milhões de votos obtidos, hoje o Lula tem um capital político bem maior do que em 2002", acrescentou.

De acordo com Giacomelli, o cenário econômico brasileiro em 2007 também deverá ser marcado pela estabilidade. Ele prevê uma queda adicional entre 1 e 1,5 ponto percentual na taxa Selic, uma taxa de inflação entre 3% e 4% e a taxa de câmbio fechando o ano com o dólar em torno de R$ 2,20.

Meirelles ‘fica’

Já para Rogério Chequer, diretor-gerente do fundo de investimentos Discovery, apesar dos recentes rumores em contrário publicados pela imprensa brasileira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve permanecer no cargo.

"Creio que a chance dele ficar é maior agora", disse Chequer, que argumenta que a saída de Meirelles do BC poderia provocar o pedido de demissão de diretores-chave da instituição, o que, por sua vez, traria turbulência aos mercados.

"A esquerda brasileira hoje está mais moderada. Além disso, existe pouco incentivo para que a política econômica do governo seja muito diferente da atual", acrescentou.

Segundo Chequer, o segundo governo Lula deverá ser marcado pelo gradualismo na tentativa de aprovar reformas macro e microeconômicas, a fim de garantir o ajuste fiscal do país.

Reformas

Lisa Schineller, diretora de crédito soberano para América Latina da agência Standard & Poor’s, afirma que "o grande desafio para o país é a rigidez fiscal".

"O Brasil nunca esteve tão bem posicionado para crescer mais rápida e consistentemente, mas quando você tem uma carga de impostos da ordem de 38% do PIB (Produto Interno Bruto), o país não tem como crescer mais", acrescentou.

De acordo com Schineller, entre as reformas necessárias para aliviar o caixa do governo federal, a da Previdência é a que deve ser mais facilmente aprovada pelo Congresso.

"No caso da reforma da Previdência, o governo certamente contaria com o apoio dos governadores, que também seriam beneficiados por ela", disse.

Mas Schineller acrescenta que a reforma do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) deve encontrar mais obstáculos, uma vez que beneficiaria alguns Estados em prejuízo dos demais.

Quanto à classificação de risco brasileira, a diretora da Standard & Poor’s afirma que dificilmente o país alcançará o grau de investimento a curto prazo. Hoje, a nota do Brasil para a S&P é BB com perspectiva estável.

"Apenas 20% dos países que hoje têm grau de investimento e já estiveram na posição do Brasil alcançaram o grau de investimento em um prazo de cinco anos", acrescentou.

Crescimento

Ao abordar as baixas taxas de crescimento da economia brasileira, Paulo Leme, diretor de pesquisa de mercados emergentes do banco Goldman Sachs, disse que não faz sentido esperar que o Brasil cresça no mesmo ritmo da Índia ou da China, as duas maiores potências emergentes do planeta.

"O Brasil está em um estágio de desenvolvimento diferente", disse Leme. "Mas o país não deve esperar que o crescimento da economia venha apenas do aumento populacional ou da acumulação de capital."

"Se o Brasil fizer as reformas necessárias, aumentar a produtividade e investir em tecnologia, deve crescer em torno de 4% ao ano", concluiu.

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Presidente Lula saiu fortelecido da eleição, diz cientista político

Cristina Indio do Brasil – Agência Brasil

Rio de Janeiro – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu fortalecido das eleições. Apesar de algumas crises importantes enfrentadas a partir de 2005, ele conseguiu se proteger politicamente e manter a rédea da condução do governo, a despeito dos abalos sofridos. A avaliação é do cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj), Fabiano Santos.

“Do ponto de vista eleitoral numérico, a vitória foi consagradora e, do ponto de vista político, foi bastante contundente. Isso não quer dizer que a tarefa se torna mais fácil, pelo contrário, há um desafio importante de compor um governo mais equilibrado”, disse o cientista político em entrevista ao Programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Segundo o professor, para conduzir bem um entendimento no Congresso e não repetir erros recentes, é preciso costurar uma negociação com o PMDB que não é fácil, na avaliação dele, e ainda partir para uma tarefa maior que é a de reorganização e fortalecimento do PT.

Santos acredita que o partido não saiu totalmente quebrado da eleição e teve um bom desempenho, mas também passou por um desgaste. “O Lula vai terminar o mandato em 2010 e a proposta política tem que permanecer. A política é feita não apenas de pessoas, mas fundamentalmente de instituições. O legado institucional do Lula é o PT, então, a tarefa maior ao longo do processo do ponto de vista político e institucional é a reconstrução do Partido dos Trabalhadores”, comentou.

Para promover o entendimento com os partidos políticos, em particular com o PMDB, o professor afirmou que será necessária uma ponderação adequada do peso que cada um oferece para o governo no Congresso.

“Tem que estar expressa na participação desse partido no ministério, seja no ponto de vista numérico, seja de importância dos ministérios concedidos. Essa regra não foi seguida no primeiro mandato, com as conseqüências que percebemos. Acho que agora isso vai ser objetivo, pelo menos em uma tentativa”, analisou.

Santos entende que a definição da agenda política com prioridades para o país depende de um entendimento entre os partidos e no interior do próprio PT, mas ponderou que é necessário que embora não seja fácil é preciso que o presidente Lula encare de frente essa tarefa. Quanto à reforma política o cientista afirmou que envolve uma gama muito grande de variáveis e por isso é preciso avaliar a amplitude do que se deseja adotar no país.

Sobre a perda de votos do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, no segundo turno da eleição presidencial, ele disse que embora seja um fato raro não é inédito na história recente do país. Para ele a candidatura da oposição foi favorecida no fim do primeiro turno pelo noticiário sobre a suposta compra por integrantes da campanha petista der um dossiê contra políticos tucanos.

“Teve um noticiário muito pesado, foi um bombardeio em quinze dias e a candidatura do PSDB foi inflada com esse episódio. Depois que isso passou e a agenda normal da campanha voltou a dar o tom das eleições".

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Lula vira em 912 cidades do 1º para o 2º turno

José Roberto de Toledo – Prima Página
 
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem razão em agradecer ao eleitor por ter provocado um segundo turno de votação para escolha do novo presidente. Nos 29 dias entre um pleito e outro, o candidato à reeleição granjeou não apenas 11,6 milhões de votos a mais. Ele virou a eleição em 4 unidades da Federação e em nada menos do que 912 municípios.

Como resultado, a cisão estampada no mapa de votação do 1º turno não se repetiu no 2º. Desta vez, Lula ganhou em 4.014 dos 5.565 municípios (72% das cidades). Em 1º de outubro o índice de vitória ficara em 56%.

Apenas nas 912 cidades onde perdera e deu a volta por cima, o presidente reeleito aumentou sua votação em um terço, incorporou 1,966 milhão de novos eleitores enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) perdia 590 mil votos. Assim, o que era uma desvantagem de 1,273 milhão de votos no 1º turno, transformou-se em uma dianteira de 1,283 milhão de votos no 2º turno.

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Mauro Santayana: "FHC não tem liderança política"

Do Conversa Afiada – Paulo Henrique Amorim

O jornalista que foi colaborador do presidente Tancredo Neves, Mauro Santayana, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 31, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “faria um bem enorme ao Brasil se estudasse a história do país e escrevesse sobre isso”. “Liderança política ele não tem mais”. disse Santayana.

Mauro Santayana disse que o Brasil é uma República Federativa e deve se acostumar com a idéia de um candidato de fora de São Paulo ser eleito presidente. “Nós estamos há muito tempo com a idéia de que como São Paulo é a força hegemônica do ponto de vista econômico do Brasil, São Paulo também tem que ter a hegemonia política da Nação”, disse Santayana.

Para Mauro Santayana, é preciso acabar com essa hegemonia política de São Paulo para que o Brasil seja um país integrado e com a unidade nacional preservada. Segundo ele, acabar com essa hegemonia é uma questão de democracia.

Santayana os jornais e os jornalistas perderam o sentimento de solidariedade com o povo. “No meu tempo, os jornais eram solidários com o povo, hoje os jornais são solidários com os banqueiros. Vou ser mais duro: são os jornalistas. Poucos jornalistas conseguem manter o sentimento de solidariedade com o povo brasileiro”, disse Santayana.

Veja a íntegra da entrevista com Mauro Santayana no sítio do Conversa Afiada.

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Piada de Kerry causa ira de republicanos

O candidato derrotado às eleições presidenciais americanas, o democrata John Kerry, foi criticado por ter feito uma piada sobre a guerra no Iraque.

Da BBC Brasil

Na terça-feira, Kerry disse a um grupo de estudantes na Califórnia que "se você estudar bastante, fizer sua lição de casa e fizer um esforço, você se sai bem".

"Se não, você acaba no Iraque", disse ele.

A Casa Branca exigiu que Kerry peça desculpas, mas o senador pelo Estado do Massachusetts disse que o alvo da piada seria "a política fracassada" do presidente George W. Bush, e não as tropas americanas.

Indignação

A guerra de palavras acontece dias antes das eleições parlamentares e para governador de alguns Estados americanos.

O assunto Iraque pode ser um fator decisivo para muitos eleitores.

O correspondente da BBC em Washington, James Coomarasamy, diz que a Casa Branca lançou o ataque a Kerry para tentar atingir Partido Democrata por tabela.

Fazendo campanha no Estado da Geórgia, Bush disse que os comentários de Kerry seriam "um insulto e uma vergonha" e pediu para que seu antigo rival peça desculpas para as tropas.

"Os integrantes do Exército americano são bastante inteligentes e muito corajosos, e o senador por Massachusetts lhes deve um pedido de desculpas", disse Bush.

Kerry disse que os republicanos se recusam a discutir assunto importantes referentes à política internacional.

"Me causa indignação que um grupo de republicanos que não usaram o uniforme de nosso país queiram mentir sobre aqueles que o fizeram", disse Kerry, um condecorado veterano da guerra do Vietnã.

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