Renda do trabalhador, de janeiro a outubro, é a melhor desde 2002, aponta IBGE

Vitor Abdala - Agência Brasil

Rio de Janeiro - A renda média do trabalhador brasileiro nos dez primeiros meses deste ano superou o valor registrado no mesmo período dos três anos anteriores. O dado é da Pesquisa Mensal de Emprego divulgada hoje (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda média registrada entre janeiro e outubro de 2006 foi de R$ 1.029,10, contra R$ 988,20 em 2005.

Comparando apenas outubro deste ano com o mesmo período de 2005, o trabalhador passou a ganhar em média R$ 55 a mais, totalizando uma renda de R$ 1.046,50. A comparação com setembro mostra melhora de R$ 12,40.

O IBGE também identificou um aumento do número de postos de trabalho com carteira assinada em outubro deste ano: 41,5% da população ocupada, um aumento de 6,7% com relação a outubro de 2005. Em números absolutos, significa que cerca de 536 mil pessoas passaram a trabalhar com carteira assinada neste período.

"O mercado de trabalho hoje apresenta aumento no rendimento e aumento na qualidade de emprego. Ou seja, o mercado de trabalho está mais formal, está contratando mais pessoas com carteira de trabalho assinada. A resposta disso é um pagamento melhor. O trabalhador tem um poder de compra maior", explicou o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo.

A Pesquisa Mensal de Empregos é realizada mensalmente em seis capitais do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre.

Brasileiro foi morto por engano

Multidão furiosa julgou que o missionário fosse australiano; violência no Timor explodiu em março

Australianos são hostilizados no país desde que soldado matou um civil timorense; eles são maioria na força de paz da ONU

Thaiza Castilho - Dili

Todas as noites de domingo, os missionários da Assembléia de Deus celebram o culto na casa de Sheila e Xavier, casal de evangélicos que vive em Timor Leste. Na próxima semana, não haverá culto. No último domingo, Edgard Gonçalves Brito, 27, sua irmã Elizama e mais três timorenses retornavam de carro para casa após o culto quando foram atacados no bairro de Balide, onde moravam.

O carro em que estavam foi cercado por um grupo de jovens armados com pedras e facas, que gritavam "não gostamos de australianos", conta a irmã. Os missionários tentaram argumentar que eram brasileiros, mas, quando Edgard desceu o vidro do carro, para conversar, foi atingido no braço por um dos timorenses, com uma espada de samurai. Outro golpe atingiu o pescoço do missionário, que fugiu, arrancando em direção à casa de amigos que também vivem na região.

"Quando ele perdeu o controle do volante, o carro estava em baixa velocidade, e a irmã saiu aos gritos pedindo socorro aos vizinhos, que correram para ajudar", conta Evilásio de Oliveira, 33, missionário da Jocum (Jovens com uma Missão), e amigo da vítima, reproduzindo o relato da irmã de Edgard.

Ainda ferido, Edgard foi levado ao hospital Guido Valadares, mas a passagem estava impedida devido a conflitos na região. Foi transportado até a clínica do bairro Pité, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Há menos de um mês, um soldado australiano matou com um tiro um timorense num confronto no aeroporto da capital. Os 2.700 soldados da missão da ONU, australianos na maioria, não têm permissão para disparar contra cidadãos do Timor -daí a revolta provocada pelo caso.

Edgard Brito era de Belo Horizonte e morava havia quase dois anos em Timor Leste, onde dava aulas de português para crianças e fundou a pré-escola de Bicali, em Viqueque, interior do país. "Ele marcou a vida de todos nós, era uma pessoa que estava sempre de bom humor. Para ele, todos eram iguais -essa foi a mensagem mais importante que ele deixou", diz Evilásio.

Autoridades policiais já iniciaram as investigações do assassinato, mas, até o momento, ninguém foi preso. O premiê, José Ramos-Horta, declarou que o trabalho do brasileiro era muito respeitado e um forte símbolo da amizade entre Brasil e Timor Leste. "O seu amor pelo povo de Timor permanecerá como um exemplo para nós. Damos graças a Deus pela vida e obra deste missionário a serviço da sua fé em prol do povo timorense", disse.

O embaixador do Brasil no país, Antonio Souza e Silva, esteve no hospital com a irmã do missionário resolvendo os trâmites legais para o traslado do corpo até o Brasil.

Ondas de violência

O missionário é a primeira vítima estrangeira da violência generalizada que assola o país desde março passado.

A crise surgiu quando quase 600 dos 1.400 militares timorenses se rebelaram e pediram que o então premiê Mari Alkatiri mudasse os critérios de promoção. Alkatiri era acusado de discriminar pessoas originárias de regiões suspeitas de simpatizarem com a Indonésia, o antigo ocupante de Timor Leste.

Alkatiri não atendeu a reivindicação e demitiu os grevistas. Com a polícia rachada e em crise, o país caiu nas mãos de saqueadores, gangues comuns e grupos pró-Indonésia aproveitaram para praticar atentados.

Em dois meses de violência, 37 civis morreram e cerca de 145 mil abandonaram suas casas. Independente desde 2002, Timor Leste tem 1 milhão de habitantes. Em junho, enfraquecido, o premiê renunciou e Ramos-Horta assumiu em seu lugar, acalmando os ânimos. Não foi o suficiente para a pacificação total.

Publicado na Folha de São Paulo

Arquidiocese ordena segundo padre surdo do Brasil

Da Assessoria de Imprensa da CNBB

O dia 26 de novembro vai se tornar uma data histórica para a Igreja no Brasil. Wilson Czaia será ordenado sacerdote, tornando-se o primeiro padre natisurdo (nascido com surdez profunda) do Paraná e o segundo do país. A cerimônia ocorre na Paróquia São Francisco de Paula, pela imposição das mãos de Dom Moacyr José Vitti, arcebispo metropolitano de Curitiba (PR), às 15h.

Ordenado diácono no último dia 10 de junho, Wilson é nascido em Curitiba e tem 37 anos. Ele iniciou fazendo um discernimento vocacional em 1999 e atuando na Pastoral dos Surdos da capital. Em 2000 ingressou no Seminário Filosófico Bom Pastor. Desde então, a equipe de formadores dos seminários da arquidiocese vem acompanhando o caso do Wilson como uma verdadeira inclusão. Ele morou no seminário, conviveu com outros seminaristas, foi tratado como igual e teve as adaptações necessárias naquilo que lhe era próprio. Na Teologia teve o apoio do padre Loir Oliveira, então seminarista, que interpretava todas as aulas.

De acordo com o diácono Wilson o maior desafio é superar preconceitos. "As pessoas confundem deficiência com incapacidade. Muitos perguntam aos meus pais: Como ele vai rezar missa? Como vai confessar? Digo que tudo isso é possível quando as pessoas estão dispostas a nos conhecer. Poderei ser padre para surdos e para ouvintes. Para os surdos é mais fácil, para mim, porque é minha cultura. Mas, nada impede de atender aos ouvintes. A missa não deixará de ser missa porque um surdo vai rezá-la: basta que tenham um ouvido paciente para aceitar a minha voz," conclui.

Czaia demonstrou interesse em tudo, o que facilitou sua integração, e mais ainda, provou que a surdez não é obstáculo para nada. Ele dirige muito bem, domina computador, se comunica com linguagem de sinais e com leitura labial, conversa com os outros surdos via internet e celular (enviando mensagens) e ministra curso de Batismo e de Linguagem de sinais para os que querem trabalhar com surdos.

A ordenação diaconal de Wilson Czaia também foi marcada, em Curitiba, pelo lançamento da Pastoral das Pessoas com Deficiência, que ocorreu na mesma data e local, como fruto das ações desenvolvidas pela Campanha da Fraternidade 2006, que discute a questão das pessoas com deficiência.

Padres Surdos

O último padre surdo profundo a ser ordenado foi o Monsenhor Vicente Burnier, em 1951, em Juiz de Fora/MG. Hoje com 84 anos, ele foi o primeiro sacerdote surdo do Brasil e o segundo do mundo. O primeiro do mundo foi um francês: padre Jean de La Fonta em 1921. No mundo há padres natisurdos nos Estados Unidos, Coréia e África do Sul.

Lula banca Renan e Aldo

Do Blog de Fernando Rodrigues

Na Folha de hoje:

Lula autoriza articulação para reeleger Renan e Aldo

Petista sinaliza preferir manter em seus cargos os atuais presidentes do Senado e da Câmara

Em conversas reservadas, petista indica que novos ministros devem ser anunciados em dezembro, depois de viagem à Nigéria

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou seus aliados políticos a articularem a recondução de Renan Calheiros (PMDB-AL) e de Aldo Rebelo (PC do B-SP) para as presidências do Senado e da Câmara, respectivamente.

A Folha apurou que, quando consultado sobre o assunto, o presidente responde que deseja Renan e Aldo nas mesmas cadeiras no ano que vem.

Lula não falará sobre esse tema em público, pois sabe que seria acusado de interferir na decisão de um outro Poder. Em conversas reservadas, entretanto, o presidente tem sido explícito a respeito de sua preferência. Considera necessário evitar o que acha ter sido "um erro" em janeiro e fevereiro de 2005, quando o PT articulou de maneira desastrada a candidatura do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh para presidir a Câmara. Severino Cavalcanti (PP-PE) acabou eleito com 300 votos contra apenas 195 do petista Greenhalgh.

Em abril de 2005, Lula chegou a comentar a eleição de Severino: "Possivelmente tenha sido um erro do governo não ter tido uma participação maior na sucessão na Câmara". O presidente estava certo no diagnóstico. O PT e a base aliada se desorganizaram. A condução dos trabalhos no Congresso ficou à deriva. Em junho de 2005 eclodiu com força o caso do mensalão. Por outras razões, Severino renunciou ao cargo. Aldo Rebelo foi eleito para um mandato tampão -com forte apoio do Planalto.

Para evitar a repetição do cenário de 2005, o presidente deixa claro para seus interlocutores que o Congresso estará melhor se os presidentes do Senado e da Câmara ficarem nos seus postos. O sinal verde de Lula libera vários partidos para trabalharem as suas chapas para os outros cargos de direção congressual.

É que, além de seus presidentes, os deputados e os senadores elegem as Mesas Diretoras. São seis cargos em cada Casa, muito desejados dentro da estrutura interna. Com a liberação de Lula, os partidos já começam a fazer os conchavos para ter apoios cruzados.

Apóiam as reeleições de Renan e Aldo o PMDB, o PC do B e o PSB. Outros partidos da base governista devem ser incorporados, como PR (ex-PL), PTB e PP. Uma ala do PT pretende que a sigla tenha candidato próprio na Câmara. O nome petista é o de Arlindo Chinaglia (SP), hoje líder do governo na Câmara, cujas chances só crescem se for ungido por Lula.

Ocorre que uma ala grande de petistas deseja que Chinaglia se lance para, como se diz na política, fazer a fila andar. Ganhando ou perdendo, Chinaglia abriria espaço para outros petistas passarem a postular cargos. O atual líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), por exemplo, tem intenção de ocupar o cargo de líder do governo -e precisa que Chinaglia desocupe a cadeira.

Ministros

Os mesmos interlocutores que ouvem de Lula a preferência sobre Renan e Aldo também saem com a impressão de que a reforma ministerial se estenderá até dezembro.

O presidente evita ao máximo declinar nomes que já estariam confirmados para o segundo mandato. Diz que os nomes começarão a ser divulgados apenas após o seu retorno da Nigéria, país africano que deve visitar em 29 e 30 deste mês. Sua volta está prevista para o dia 1º ou 2 de dezembro.

Quem precisa de software pirata tendo uma lista como essa?

Marcellino Junior - Blog NeoComputing

Sinceramente ainda não entendo como tem gente que utiliza software pirata, nada contra, cada um faz o que quer, porém eu estou aqui novamente para dizer que alternativas não faltam no mercado! Na minha opinião, a melhor maneira de protestar contra a desenvolvedora de software não é pirateando e sim usando o software gratuito do concorrente. Se todo mundo fizesse isso as coisas seriam bem diferentes, porque o mercado é cruel, sem demanda a desenvolvedora é obrigada a diminuir o preço.

Os softwares Free/Opensource estão cada vez melhores, cerca de 1 ano e meio atrás eu utilizava o OpenOffice na faculdade e não considerava um aplicativo bom o suficiente para instalar no meu computador. Hoje, o software evoluiu tanto que este é a PRINCIPAL suite de escritório em todos os meus computadores. Graças a colaboração de vários programadores que, indignados com a politica de preços apresentada pela líder do mercado resolveram abraçar a causa do opensource. Não é só no caso do OpenOffice, inúmeros projetos estão a pleno vapor, e, através dessa lista eu espero incentivar o uso desses softwares, que são tão bons quanto os comerciais.

Leia lista completa aqui.

Paraná economizou R$ 127 milhões com software livre

Lúcia Nórcio - Agência Brasil

Foz do Iguaçu - O estado do Paraná poupou R$ 127,3 milhões, de 2003 até agora, com o uso e o desenvolvimento de programas de software livre em órgãos da administração pública direta e indireta.

"Mais da metade desse valor, R$ 78,5 milhões, é creditada ao uso de software livre no programa Paraná Digital, da Secretaria da Educação, que está sendo implementado em todas as escolas estaduais", explica o presidente da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), Marcos Mazoni.

Em parceria com a Itaipu Binacional, a empresa promove, de hoje (16) até amanhã, a 3ª Conferência Latino-Americana de Software Livre - Latinoware 2006, realizada em Foz do Iguaçu.

Segundo o chefe do Departamento de Informática da Universidade Federal do Paraná, Marcos Castilho, o objetivo do programa é equipar com laboratórios de informática as 2,1 mil escolas de ensino médio e fundamental. Os laboratórios são conectados por uma Rede Privada Virtual (VPN) que interliga os 399 municípios do estado.

"Atualmente, a rede pública de ensino paranaense tem cerca de 1,5 milhão de alunos e 57 mil professores. Nos próximos meses, para atender a essa demanda, programa pretende instalar 44 mil computadores que serão gerenciados remotamente a partir de um núcleo desenvolvido pelo Centro de Computação Científica e Software Livre da universidade".

Na avaliação do presidente da Celepar, o fato de o estado desenvolver suas próprias soluções em informática tem garantido ao governo o domínio completo sobre a tecnologia empregada.

"O objetivo é evitar que o governo, que administra os bens públicos, fique em condição frágil, como ocorre quando contrata serviços e produtos de informática com empresas que mantém todas as informações sob seu controle. Há também questões estratégicas relacionadas à segurança das informações", destacou Mazoni.

Ele aponta outras vantagens em relação aos programas de código fechado, como o fato de o software livre não ficar sujeito a algumas formas de pressão do mercado.

"Como não existe uma entidade que detenha os direitos de propriedade sobre o código fonte, não há possibilidade de um determinado produto ser descontinuado segundo a conveniência comercial do fornecedor do sistema. Para a administração pública, isso significa mais uma fonte de economia".

IPEA: “Fomos mal interpretados”

Do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim

O diretor de estudos macro-econômicos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Paulo Levy, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 14, que o estudo do IPEA sobre o crescimento do Brasil foi mal interpretado (clique aqui para ouvir). Ele explicou que a simulação do Instituto não indica uma previsão, mas mostra que numa trajetória de investimento gradual, o crescimento também é gradual.

“Se houver mecanismos que permitam que a poupança, como um todo, aumente, seja do setor público ou do setor privado, e com isso alavanque um volume maior de investimentos, certamente é possível crescer mais rapidamente já a partir do ano que vem”, explicou Levy.

Paulo Levy defendeu também que o Brasil não pode ficar sem a CPMF. Segundo ele, o país pode cortar o imposto, mas não ficar sem. “A CPMF é importante para a Receita monitorar as movimentações financeiras e impedir evasão de divisas do país”, disse Levy.

Paulo Levy disse que defende a manutenção de uma CPMF baixa apenas para servir como uma forma de monitoramento das movimentações financeiras do Brasil. “A idéia, inclusive na proposta que o IPEA vinha discutindo há algum tempo era de reduzir essa alíquota gradualmente, até possivelmente uma alíquota de apenas 0,01%” , disse o economista.

Segundo Levy, essa CPMF mantida com uma alíquota baixa obriga que os bancos comuniquem as movimentações financeiras e permite à Receita um monitoramento de transações.

Veja a íntegra da entrevista de Paulo Levy no sítio Conversa Afiada.

Ministério da Fazenda apresenta oito propostas de redução de impostos a Lula

Edla Lula e Juliana Andrade - Agência Brasil

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que entregou hoje (14) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo menos oito propostas de redução de impostos. Todas elas, são relacionadas a tributos do setor produtivo. Mantega citou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), além impostos na área de exportação. “As empresas hoje pagam uma carga excessiva e o consumidor brasileiro também”.

O ministro também  disse que vai iniciar diálogo com os atuais e os futuros governadores para tratar de uma reforma tributária que proporcione “uma estrutura tributária eficiente”. Segundo Mantega, a reforma tributária em negociação no Congresso Nacional é insuficiente para promover, de fato, a redução de impostos.

“O presidente determinou que conversássemos com os estados, porque cabe a eles uma parte importante da responsabilidade”. O ministro lembrou que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de responsabilidade dos estados, é um dos que mais pesam na carga tributária do país. “Além disso, a diversidade de ICMS entre os estados é o que mais atrapalha a produção”. Da maneira como funciona atualmente, cada estado tem uma legislação diferente para o ICMS.

As propostas foram apresentadas em reunião no Palácio dos Planalto, com a presença de Mantega, Lula e a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, Paulo Bernardo, do Planejamento, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, representando o ministro Luiz Fernando Furlan, que está em Moscou.

Reservas internacionais devem alcançar US$ 81 bilhões, anuncia secretário do Tesouro

Vitor Abdala - Agência Brasil

Rio de Janeiro - As reservas internacionais do Brasil devem alcançar US$ 81 bilhões esta semana. A expectativa é do secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, que espera a entrada de uma emissão de títulos no valor de US$ 1,5 bilhão feita no mercado externo na última semana.

Atualmente, as reservas brasileiras estão em torno de US$ 79,8 bilhões. “Uma posição sólida de reservas internacionais é a melhor maneira de nós garantirmos de que o risco de inflação se mantenha baixo, a médio e longo prazos. Portanto, isso beneficia toda a estrutura-termo da taxa de juros e é fundamental para a estratégia do Tesouro de alongamento da dívida”, explicou.

Kawall também informou, em coletiva à imprensa, durante a Assembléia da Federação Latino-americana de Bancos (Felaban), que a participação dos papéis pré-fixados no montante do total de títulos da dívida interna ultrapasse no primeiro semestre de 2007 a dos títulos pós-fixados indexados à taxa básica de juros (Selic).

Classe E deverá desaparecer em dois ou três anos no Brasil

3,8 milhões de famílias brasileiras mudam de status

Do Diário da Manhã Online (Go)

Extrato mais pobre da população, a classe E tende a desaparecer em dois ou três anos caso sejam mantidos os atuais critérios de classificação socioeconômica utilizados pelas empresas de pesquisa. Em 2002, ano da eleição do presidente Lula para o primeiro mandato, os lares de classe E representavam 12,7% do total de domicílios urbanos no País. No final deste ano, devem representar apenas 2,5%, o que corresponde a 1,181 milhão de famílias. Eram 5,024 milhões há quatro anos.

A diferença, que espelha um encolhimento de 76,5%, significou a ascensão de 3,843 milhões de famílias para as classes D e C. Para especialistas, o que explica esse movimento é o acesso fácil ao crédito.

"Está na hora de fazer uma revisão no critério de classificação socioeconômica para que ele seja mais compatível com a realidade atual de mercado", afirma Marcos Pazzini, diretor da Target Marketing, consultoria especializada em pesquisa de mercado, responsável pelo estudo sobre a mobilidade de classes no País. "Se um dos extratos está sumindo é porque há alguma coisa errada", argumenta.

A classe D também encolheu nos últimos quatro anos. Sua participação no total de lares brasileiros caiu de 34,4% para 28,9%. A escalada dessas dessas famílias de classes E e D encorpou a classe C, cuja fatia aumentou de 20,56% para 39,4% dos domicílios - um salto equivalente a cerca de 4 milhões de famílias.

"Não é que essas famílias estão mais ricas", diz Clifford Alexander Young, diretor-executivo do instituto Ipsos. "Elas estão é conseguindo consumir mais graças ao crédito fácil e abundante". Young explica que o critério de classificação socioeconômica no País é baseada na posse de itens de conforto da população. À medida que as famílias de classes mais baixas conseguem adquirir bens como TV em cores, geladeira, carros e aparelhos de DVD, entre outros, acumulam pontos numa escala que leva a mudança de patamares.

A família do metalúrgico Raimundo Nonato de Oliveira, de 45 anos, é um exemplo típico desse processo. Analfabeto, ex-bóia-fria em sua cidade natal, Mombaça, no Ceará, de onde se mudou para São Paulo faz 20 anos, Raimundo subiu na vida, como ele mesmo diz.

No ano passado, o metalúrgico conseguiu um financiamento para a compra da casa própria e saiu de uma favela onde vivia com a mulher e um casal de filhos. Também comprou pelo crediário uma segunda TV e um aparelho de DVD para os filhos. Agora, quer realizar mais um sonho.

"Vou começar a separar um dinheiro todo mês para comprar um carrinho simples", diz o metalúrgico, que ganha R$ 1,5 mil por mês de salário numa fábrica de autopeças.

A classe C, da qual a família de Raimundo passou a fazer parte, é considerada o mercado com maior potencial de crescimento para o consumo. De acordo com o estudo da Target, essas famílias já respondem por 27,3% do consumo urbano no País, ante 25,77% em 2002.

"Isso mostra um crescimento de R$ 16,9 bilhões de consumo nessa classe", observa Pazzini. Pelos cálculos da consultoria, que se baseiam em dados do IBGE e da FGV, entre outros, o consumo da classe C este ano é da ordem de R$ 300 bilhões.

Fonte: Agencia Estado - Marcelo Rehder