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Arquivo de outubro, 2006

Lula diz que assumirá pessoalmente 'construção de alianças'

Da BBC Brasil
 
Presidente Luiz Inácio Lula da SilvaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em resposta a perguntas de internautas da BBC Brasil, que pretende "assumir pessoalmente a construção das alianças que o governo tem de fazer para garantir uma base de sustentação no Congresso" caso seja reeleito.

Sem maioria absoluta no Legislativo, o candidato à reeleição pelo PT disse ainda que, se necessário, está disposto a fazer acordos com a oposição sobre questões de interesse nacional.

"Vamos conversar com os aliados, com o PMDB, com outros partidos políticos e com os governadores", afirmou Lula. "É assim que vamos construir as condições políticas para dar ao país a tranqüilidade de que ele necessita."

O presidente também reafirmou que o Brasil precisa fazer uma reforma política com urgência. Lula diz que o mecanismo da reeleição é um "retrocesso político" para o país e defende que a solução mais adequada seria um mandato presidencial de cinco anos.

As perguntas apresentadas ao presidente Lula foram selecionadas pela BBC Brasil a partir de mais de 550 mensagens enviadas por internautas entre os dias 9 e 14 de outubro. As questões selecionadas foram enviadas aos assessores do candidato na semana seguinte.

Leia mais no sítio da BBC Brasil

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TSE proíbe distribuição de adesivos com "mão do presidente"

Da Folha Online

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a distribuição de adesivos que façam referência à deficiência física do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. O ministro Marcelo Ribeiro, relator do processo, também proibiu qualquer outro tipo de propaganda eleitoral que cite a falta do dedo mínimo da mão esquerda de Lula.

O presidente, na época um metalúrgico, perdeu um dedo em um torno mecânico em um acidente de trabalho.

O pedido para que fosse proibida a propaganda partiu da senadora Ideli Salvatti (PT-SC). No entanto, como ela não tem legitimidade para representar no TSE, o pedido foi analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que passou a ser o autor da ação.

No pedido original feito pela líder do PT no Senado, também foi solicitado que o TSE determinasse a abertura de um inquérito pela Polícia Federal, a fim de que seja identificado o autor da propaganda, o qual foi atendido pelo ministro.

O adesivo distribuído, principalmente em cidades do sul do país, mostra uma mão com apenas quatro dedos inserida em um símbolo de trânsito que indica proibição –com uma faixa diagonal vermelha sobre a mão sem o dedo mínimo.

De acordo com a decisão do ministro, o material "atenta contra a dignidade da pessoa humana, promovendo discriminação em razão de deficiência física" e pode configurar em crime contra a honra.

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Revista Veja e o acidente do vôo 1907

Sandro Araújo

A revista Veja desta semana presta um desserviço enorme à comunicação de massa no nosso país. Ao relatar o acidente do vôo 1907, apresenta versão claramente distorcida dos fatos. Uma leitura da matéria leva à conclusão de que o acidente ocorreu mais por falha do controle de vôo que pela seqüência de falhas da tripulação do avião Legacy: basta lembrar que o transponder do avião estava desligado e o plano de vôo não foi seguido, já que o avião estava em altitude diferente da prevista.

Em determinado trecho da reportagem, a revista Veja utiliza a expressão "minutos depois de o Legacy passar por Brasília, seu transponder se tornou inoperante", dando a entender que a tal inoperância teria sido por falha de equipamento e não por ação humana. Coloca ainda a culpa no controle de vôo, ao citar que "o piloto do Legacy, provavelmente, entendeu que não precisava entrar em contato com o controle aéreo ao passar por Brasília – se sua altitude fosse inadequada, ele seria alertado imediatamente pelo rádio" e mais: "houve um problema de comunicação entre o piloto e o controle".

Leia a matéria no sítio da revista e tire suas conclusões.

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Especial explora contradições do país que vai às urnas

A campanha da eleição para presidente ainda não acabou, mas há quase um consenso de que a divisão do eleitorado passará para a história como uma das marcas da disputa.

Resultado do primeiro turno expôs polarização entre Lula e AlckminDesde a redemocratização do país depois do regime militar, a diferença entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno nunca tinha sido tão pequena quanto nesta eleição.

Mais do que isso. A divisão do voto entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Geraldo Alckmin parece refletir, de modo radical, desigualdades brasileiras mais profundas.

De um lado, o Brasil de Lula: das regiões Norte e Nordeste, dos municípios menores, mais pobres e de menor desenvolvimento humano, das áreas de agricultura familiar e onde a dependência ecônomica do Orçamento da União é maior.

Do outro, o país de Alckmin: das regiões Sul e das partes mais ricas do Sudeste, dos munícipios médios de melhor qualidade de vida, das áreas onde predomina o agronegócio e onde as verbas federais fazem menos diferença.

Para mostrar essa divisão de perto e entender como ela se relaciona com os grandes temas da política nacional, a BBC Brasil foi a quatro cidades-símbolo desse quadro: as lulistas Curuçá (PA) e Serra Talhada (PE), e as tucanas Arroio do Padre (RS) e Mococa (SP).

De Curuçá e Serra Talhada, a repórter Denize Bacoccina mostra como os programas de complementação de renda do governo Lula, como o Bolsa Família, têm um impacto econômico que extrapola o universo dos beneficiários diretos e neutraliza o poder dos líderes políticos regionais.

Mas se, neste retrato, o voto dos rincões em Lula tende a ter uma motivação mais homogênea, a preferência pelo candidato tucano pode ser mais complexa.

A enviada especial da BBC Brasil Alessandra Corrêa encontrou o voto antilula em Arroio do Padre, onde a agricultura do fumo passa por crise profunda, e um apoio mais claro e pessoal ao ex-governador paulista em Mococa.

Veja o especial no sítio da BBC Brasil

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Os riscos de Lula

Do Blog de Fernando Rodrigues

Se Lula ganhar a eleição domingo que vem, a dúvida é sobre quais riscos ele correrá no eventual segundo mandato com tantos indícios de crime cometidos nas redondezas do Planalto. O senso comum do establishment antiLula prevê uma catástrofe inevitável. Será o "governo que já acabou antes de começar", tem sido a frase do tucanato. A realidade, entretanto, é mais complexa.

Os exemplos sempre citados de presidentes eleitos e depois abatidos em pleno vôo são os do brasileiro Fernando Collor (eleito em 1989 e deposto por impeachment em 1992) e do norte-americano Richard Nixon (reeleito de 1972 e forçado a renunciar em 1974).

Collor e Nixon foram eleitos com grandes votações, mas, assim como Lula, pessoas muito próximas a eles cometeram crimes. Daí o silogismo do momento: "Lula também vai cair depois da eleição". Mais ou menos. Ou melhor, depende.

Nixon perdeu uma guerra (Vietnã) e desvalorizou o dólar. A inflação dos EUA em 1974, quando ele renunciou, bateu em 11% -a primeira vez acima de 10% desde 1947! A auto-estima do norte-americano médio estava ao rés do chão. Collor tem história conhecida. Atolou o país em recessão em 1992.

A inflação foi a 1.129,45%. E Lula em 2007, se for reeleito? Possivelmente o Brasil crescerá na faixa dos 3% a 4%. Ou até mais, com a possível saída da turma ortodoxa da economia.

No Congresso, os 300 picaretas vão aderir ao presidente, seja ele quem for, logo depois de domingo que vem. Sobra a Lula o risco de seus "meninos aloprados" abrirem o bico oferecendo provas materiais da suposta atuação do Planalto nos malfeitos já noticiados. Menos do que isso será pouco para padrões brasileiros. Foi assim com FHC. Deve ser assim novamente com Lula.

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Maioria dos 'novatos' na Câmara é de velhos conhecidos

Por José Roberto de Toledo – BBC Brasil

O currículo dos eleitos para a próxima legislatura revela que "novo" não é um adjetivo apropriado para traçar o perfil dos deputados que ocuparão a Câmara Federal até 2010.

Dos 513 deputados federais que devem ser empossados no próximo ano, 267 foram reeleitos. Continuam onde estão. Outros 50 eleitos são ex-deputados que já passaram pela Casa na condição de suplentes ou (a maioria) como titulares – vários por mais de uma legislatura.

Dos 196 novatos, que nunca ocuparam o cargo de deputado federal, mais da metade tem larga experiência em cabalar votos com sucesso e já ocupou um ou mais cargos públicos eletivos.

Os que estão ascendendo na política e saltaram das Assembléias de seus Estados para Brasília são a maior parte: há 66 deputados estaduais entre os novatos.

Somam-se a eles 31 prefeitos ou vice-prefeitos e 30 vereadores ou ex-vereadores. Eles vêm desde capitais, como Vitória (ES), até de pequenos municípios, como Malacacheta (MG).

Fecha a conta um grupo especial que não é formado exatamente por neófitos: são 6 ex-senadores, que sofreram um downgrade político, além de 6 ex-governadores ou vice-governadores que, pela primeira vez em suas carreiras políticas, conquistaram um mandato de deputado federal.

A estrela é Ciro Gomes (PSB-CE). Ex-ministro de Lula e de FHC, ex-governador do Ceará e candidato derrotado a presidente, ele chega com a maior votação proporcional da nova safra de parlamentares: 16,2% dos votos válidos para deputado federal em seu Estado.

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Comércio justo


Da coluna Empresas do Bem da Revista IstoÉ Dinheiro

O chamado comércio justo, que incentiva a agricultura orgânica em comunidades rurais, está beneficiando os integrantes da Cooperativa Agroindustrial (Coagel) de Goioerê (PR). São eles que fornecem a matéria-prima usada na confecção de roupas da Pistache&Banana. As peças da nova coleção (foto) serão exportadas para a França e a Inglaterra. A grife baseada em Americana (SP) paga 40% acima do valor de mercado pelo algodão orgânico comprado da Coagel.

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Ibope: Lula abre 21 pontos de vantagem

Lula tem 57% das intenções de voto e Alckmin, 36%; petista cresceu 5 pontos em relação ao levantamento anterior e tucano caiu 4

Do Portal G1

A segunda pesquisa Ibope do segundo turno, divulgada nesta sexta-feira (20) pelo “Jornal Nacional”, mostra que aumentou nove pontos percentuais (de 12 para 21) a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida presidencial. Essa é a maior diferença já registrada em pesquisas de intenção de voto desde o início do segundo turno.

Lula registrou 57% das intenções de voto, cinco a mais que no levantamento anterior, quando tinha 52%. Alckmin perdeu quatro pontos e caiu de 40% para 36%. O índice de brancos e nulos passou de 4% para 3% e o de eleitores indecisos se manteve em 4%.

Considerando apenas os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), o petista tem 62% contra 38% do tucano. Na pesquisa do dia 12, Lula tinha 57% e Alckmin, 43%.

Nesta semana, duas outras pesquisas já haviam apontado o alargamento da vantagem do petista em relação ao adversário. Na última terça (17), o instituto Datafolha mostrou que a vantagem de Lula havia aumentado de 11 para 19 pontos. Na quinta (19), o Vox Populi constatou uma diferença de 20 pontos — eram 10 em 12 de outubro.
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Vox Populi: Lula abre 20 pontos sobre Alckmin


Lula atinge 56% nas menções espontâneas, recupera terreno no Sudeste e na classe média, e abre 20 pontos de frente em relação ao tucano Geraldo Alckmin

Por Maurício Dias – Carta Capital

O segundo turno da eleição presidencial pode perder a emoção na sempre acalorada reta final das grandes disputas. Depois do confronto do primeiro turno com um resultado final apertado, a nova pesquisa CartaCapital/Bandeirantes/Vox Populi, realizada entre os dias 16 e 17, aponta para um distanciamento de 20 pontos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin e sinaliza também, a 12 dias da eleição, que o petista está em ascensão e o tucano, em queda.

Lula saiu do primeiro turno com 48,6% dos votos (arredondados para 49%) na edição anterior da pesquisa, alcançou 51% e tem agora 57% na estimulada. Alckmin saiu do primeiro turno com 41,6% (arredondados para 42%), oscilou negativamente para 41% e voltou a 37%. O porcentual de Lula significa que, se a eleição fosse hoje, ele seria eleito com 61% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos) e Alckmin teria 39%.

Leia mais no sítio da Revista Carta Capital e na edição impressa.

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A oposição ama Freud e esquece Platão

Paulo Henrique Amorim – Conversa Afiada

Nesse período pré-eleitoral seria interessante se a oposição e a mídia que a apóia voltassem os olhos para um outro problema, que parece enterrado numa laje fria.

Platão: não o homem do mito da caverna ou do cavalo alado. Mas, o prosaico Platão dos vampiros.

Veja só de que de que a oposição se esquece:

Platão Fischer Pühler foi diretor do Departamento de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde no governo FHC. Ele era homem de confiança de Serra.

Deixou as funções no Ministério para montar um comitê de campanha para Serra na Asa Sul, em Brasília, em 2002.

Em maio deste ano, Platão foi chamado para dar explicações à Polícia Federal sobre envolvimento na máfia dos vampiros.

Sua secretária, Rozuíla Maura, que também prestou depoimento à PF, disse que boa parte da estrutura do comitê de Serra foi financiada com dinheiro da Voetur, uma empresa denunciada por irregularidades no contrato com vários ministérios no governo FHC.

Platão tinha bom relacionamento com os empresários da Voetur. A secretária-adjunta dele, Abadia Francisca, confirmou também à PF que toda a estrutura do comitê foi paga pela Voetur. Segundo Abadia, Platão só viajava para o interior do Brasil e para o exterior com passagens pagas por laboratórios farmacêuticos.

A PF continua a investigar a ligação de Platão com a máfia dos vampiros. E aparentemente, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, não pediu nem a OAB nem ao TSE que apressem a investigação da PF sobre Platão.

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