Especial explora contradições do país que vai às urnas
Desde a redemocratização do país depois do regime militar, a diferença entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno nunca tinha sido tão pequena quanto nesta eleição.
Mais do que isso. A divisão do voto entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Geraldo Alckmin parece refletir, de modo radical, desigualdades brasileiras mais profundas.
De um lado, o Brasil de Lula: das regiões Norte e Nordeste, dos municípios menores, mais pobres e de menor desenvolvimento humano, das áreas de agricultura familiar e onde a dependência ecônomica do Orçamento da União é maior.
Do outro, o país de Alckmin: das regiões Sul e das partes mais ricas do Sudeste, dos munícipios médios de melhor qualidade de vida, das áreas onde predomina o agronegócio e onde as verbas federais fazem menos diferença.
Para mostrar essa divisão de perto e entender como ela se relaciona com os grandes temas da política nacional, a BBC Brasil foi a quatro cidades-símbolo desse quadro: as lulistas Curuçá (PA) e Serra Talhada (PE), e as tucanas Arroio do Padre (RS) e Mococa (SP).
De Curuçá e Serra Talhada, a repórter Denize Bacoccina mostra como os programas de complementação de renda do governo Lula, como o Bolsa Família, têm um impacto econômico que extrapola o universo dos beneficiários diretos e neutraliza o poder dos líderes políticos regionais.
Mas se, neste retrato, o voto dos rincões em Lula tende a ter uma motivação mais homogênea, a preferência pelo candidato tucano pode ser mais complexa.
A enviada especial da BBC Brasil Alessandra Corrêa encontrou o voto antilula em Arroio do Padre, onde a agricultura do fumo passa por crise profunda, e um apoio mais claro e pessoal ao ex-governador paulista em Mococa.
Veja o especial no sítio da BBC Brasil


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