Do Blog de Fernando Rodrigues
A campanha de reeleição de Lula contratou o Vox Populi para uma pesquisa nacional, realizada nos dias 28 e 29 de setembro. O resultado era para ser divulgado, disse a esse blog mais de uma pessoa da campanha. Mas não foi. Os números foram saindo de maneira envergonhada ao longo da noite de ontem.
Os dados vazados para a mídia são de 46% para Lula contra 42% de todos os adversários somados. A diferença, portanto, é de 4 pontos. Por esses números, a eleição bate na trave e Lula ainda vence no 1º turno. Mas está apertadíssimo.
Sobre essa pesquisa Vox Populi é necessário mencionar que foram realizadas apenas 2.000 entrevistas e não foram incluídos os Estados de Roraima e Amapá. A margem de erro anunciada foi de 2,2 pontos percentuais. Só hoje de manhã, no site do instituto, os dados apurados foram amplamente divulgados:
- Lula – 46%
- Alckmin – 33%
- Heloísa – 7%
- Cristovam – 1%
- Ana M. Rangel – 1%
- Bivar – 0%
- Rui Pimenta – 0%
- Eymael – 0%
- Nenhum/branco/nulo – 5%
- Não sabe/não respondeu – 7%
Curiosidade: na pesquisa espontânea (quando os eleitores respondem em quem votariam sem ver a lista de nomes), Lula tem 44% (só 2 pontos a menos do que na pesquisa estimulada). Alckmin, nessa categoria espontânea, tem 30% (só 3 pontos a menos do que na estimulada). O que isso significa: intenções de voto muito cristalizadas. Daqui para a frente, mudanças devem ser pequenas, dentro da margem de erro da pesquisa — considerando-se que levantamento do Vox Populi esteja fiel ao que se passa no eleitorado brasileiro.
Do Blog de Fernando Rodrigues:
Lula não compareceu aos debates nesta fase da eleição. Para o Brasil e para a democracia pode ter sido ruim. Para o petista, do ponto de vista tático-eleitoral, não havia alternativa.
Sejamos francos: político quer ganhar eleição. O que Lula poderia ganhar se fosse? Muito pouco. Só que o risco de perder seria sempre enorme.
Numa visão edulcorada da realidade, poetas e “luas-pretas” ao lado de Lula começaram a argumentar há uma semana que o presidente deveria ir ao debate para debelar a sangria de votos que poderia se dar por causa do escabroso “dossiêgate”. Por essa teoria, Lula se daria muito bem na discussão, garantiria os votos que já tem e ainda teria até como conquistar alguns outros. A tese é polêmica.Digamos que num momento ruim Lula se irritasse com a pancadaria.
Quando Heloísa Helena o chamasse de covarde ou algo mais. O petista poderia soltar uma palavra mal colocada ou até um palavrão. Pronto. Perderia a eleição. Como bem se sabe, debate não se ganha, apenas não se perde. E Lula estava marcado mais para perder.Se perdesse, viria o segundo turno e o petista entraria na parada já fragilizado pela derrota na TV. Péssimo cenário para ele.É claro que a eleição está apertada –ao que parece– e pode ainda dar um segundo turno. Mas nesse caso, como Lula não foi ao debate, não se expôs e vai “fresh” para essa nova fase da disputa.
Para completar, as pesquisas mostram uma certa estabilidade no quadro. Há chance mais do que real também de Lula vencer no primeiro turno.Esse foi o raciocínio por trás da não-ida de Lula ao debate da TV Globo, na quinta-feira (28/set) à noite.Ruim para a população, certamente, que não teve a chance de assistir a Lula sob pressão. Mas seguramente uma opção clara do petista pelo caminho mais apropriado para tentar ganhar um segundo mandato.
Do Blog do Noblat:
E agora, Jorge?
Uma pergunta a Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL: qual é a origem do R$ 1,9 milhão apreendido em agosto com o ex-secretário de Fazenda do governo Luiz Henrique, em Santa Catarina?
O candidato do PT ao governo do estado, José Fritsch, diz que é dinheiro de caixa 2. Luiz Henrique, candidato à reeleição apoiado por Bornhausen, nega. Mas até agora a Polícia Federal não deu pistas da origem e da finalidade do dinheiro.
Pois então, sejamos justos: se Bornhausen reclama da lentidão da Polícia Federal em descobrir a origem do R$ 1,7 milhão usados pelo PT para tentar comprar o dossiê contra José Serra, deveria fazer o mesmo no caso de gente ligada à campanha do PMDB-PFL-PSDB no Estado dele.
Do Portal Terra:
O Instituto Nacional de Criminalística não encontrou escutas ilegais nas linhas telefônicas utilizadas por ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive do presidente Marco Aurélio Mello. De acordo com a rádio CBN, o laudo do Instituto fará parte do inquérito que a Polícia Federal deve concluir amanhã.
Além de Marco Aurélio, teriam sido monitorados de forma ilegal os ministros Cezar Peluso e Marcelo Ribeiro, segundo informações do TSE. Os grampos foram detectados durante rastreamento feito por empresa especializada contratada pelo tribunal eleitoral na semana passada.
A investigação foi instaurada por solicitação do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, e do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em atendimento à solicitação encaminhada pelo presidente do TSE.
A investigação foi conduzida pela Área de Contra-Inteligência da Diretoria de Inteligência do órgão, segundo a assessoria de imprensa da PF.
Denize Bacoccina – BBC Brasil
Os programas de governo dos principais candidatos a presidente estão mais curtos, menos detalhados e estão sendo divulgados muito mais tarde do que em eleições anteriores.
A coligação A Força do Povo (PT, PC do B e PRB) apresentou o programa de governo para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas a 33 dias da eleição.
O principal candidato da oposição, Geraldo Alckmin da coligação Por um Brasil decente (PSDB-PFL), só divulgou até agora três dos 30 itens do programa.
Em 2002, Lula apresentou seu programa de governo – um documento de 73 páginas mais outras 20 explicando a concepção e as diretrizes do programa – em 23 de julho, com 75 dias de antecedência em relação ao dia de votação.
Já o programa do tucano de José Serra em 2002, na época candidato do PSDB à Presidência, foi apresentado no dia 7 de agosto e tinha 80 páginas.
Leia mais no sítio da BBC Brasil
Rogerio Wassermann – BBC Brasil
O que leva os eleitores brasileiros a optar por um determinado candidato presidencial? Quais as razões que explicam sua escolha?
Para tentar explicar as motivações por trás de cada escolha eleitoral, a BBC ouviu “eleitores típicos” de cada um dos principais candidatos, e também um que pretende votar nulo, para colher algumas indicações que possam ajudar a responder as perguntas acima.
Com base nos dados de uma pesquisa eleitoral do instituto Datafolha realizada em agosto, foram identificadas quatro pessoas que representam os eleitores típicos de cada um dos candidatos.
Perfis
Assim, a pesquisa indicava que aqueles que pretendem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão concentrados principalmente no interior da região Nordeste, são majoritariamente do sexo masculino e têm em sua maioria entre 25 e 34 anos, renda até R$ 700 mensais e escolaridade baixa (até ginásio incompleto).
No caso do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), seus eleitores têm em sua maioria entre 16 e 34 anos e estão concentrados no interior da região Sudeste. A proporção de intenções de votos masculinos e femininos no ex-governador é praticamente igual. A maioria dos eleitores de Alckmin tem renda mensal superior a R$ 701 e escolaridade entre colegial completo e superior completo.
O perfil típico do eleitor que pretende votar na senadora Heloísa Helena (PSOL) é de uma mulher, entre 16 e 44 anos, moradora de alguma capital das regiões Sudeste ou Sul, com renda mensal entre R$ 701 e R$ 7.000 e escolaridade alta (entre colegial completo e pós-graduação). Entre aqueles que pretendem votar branco ou nulo em 1º de outubro, a maioria mora em cidades capitais da região Sul, é mulher, tem entre 25 e 59 anos, tem renda mensal acima de R$ 1.051 e escolaridade também alta (entre colegial completo e pós-graduação).