O risco da vitória ou da derrota acachapante

Do Blog de Fernando Rodrigues:

O Sensus está apontando para uma vitória como nunca se viu na eleição presidencial. Todas as pesquisas reservadas dos candidatos já mostravam isso desde o fim de semana.

É momento para reflexão. O Brasil está tão bem a ponto de um presidente da República, Lula, ter tamanha aprovação? O voto é soberano e o eleitor deve saber o que está fazendo. Mas o momento oferece uma oportunidade para pensar sobre o estado da política no país. Será inédito o tamanho do a ser conferido a Lula e ao PT depois desta eleição –a serem confirmados os números das pesquisas, é claro.

Lula e o PT estão maduros o suficiente? Vamos todos saber na prática. E os partidos que se dizem de oposição, mas que estão babando de vontade para aderir a Lula? O que será deles?

O pior dos mundos é se sair mesmo o tal acordão unindo os principais partidos a partir de 2007. Sem diversidade não há democracia.

Lula cresce e aumenta vantagem sobre candidatos - Sensus

Por Natuza Nery - Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu nas intenções de voto para a eleição de outubro e ampliou sua vantagem sobre os demais adversários, confirmando a vitória no primeiro turno, mostrou pesquisa do instituo Sensus nesta terça-feira.

Segundo a sondagem, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), a intenção de voto no candidato Lula subiu de 47,9 por cento para 51,4 por ento, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB), ficou praticamente estável, váriando de 19,7 por cento para 19,6 por cento. A senadora Heloísa Helena (PSOL) também oscilou dentro da margem de erro da pesquisa, de 3 pontos percentuais, passando de 9,3 por cento para 8,6 por cento.

“A eleição, passados 15 dias do programa eleitoral (gratuito no rádio e TV), com os candidatos já tendo mostrado suas propostas, já está praticamente definida”, disse Ricardo Guedes, responsável pela pesquisa CNT/Sensus.

Em um hoje improvável segundo turno, Lula bateria o tucano por 56,7 por cento contra 30,8 por cento. Na pesquisa anterior, realizada no início deste mês, o petista vencia por 52,5 por cento a 29,8 por cento.

Outro dado positivo em favor de Lula foi o crescimento, apontado pelo levantamente, da rejeição a Alckmin, que subiu de 37,6 por cento para 42,0 por cento. Enquanto isso, a rejeição ao presidente oscilou dentro da margem de erro, mas no sentido contrário, passando de 27,0 por cento para 25,5 por cento.

O Instituto Sensus entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 22 e 25 de agosto, em 195 municípios do país.

Com processos abertos, senadores não podem mais renunciar para evitar possível cassação

Iolando Lourenço e Luciana Vasconcelos - Agência Brasil

Brasília - Agora, após a instalação pelo Conselho de Ética do Senado dos processos contra os três senadores investigados pela Comissão Parlamentar Mista dos Sanguessugas, não há mais a possibilidade de renúncia para evitar uma possível cassação e perda de parte dos direitos políticos.

O presidente do conselho, João Alberto, já designou os relatores de cada caso: Jefferson Perez, para o processo contra Ney Suassuna (PMDB-PB); Paulo Otavio (PFL-DF), vai relatar o de Serys Slhessarenko (PT - MT) e Demostenes Torres (PFL-GO), o de Magno Malta (PL-ES). Todos são investigados por envolvimento no esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento.

A partir de hoje (28), os relatores iniciam a fase de análise e investigação. Segundo o regimento do Senado, os senadores têm direito à ampla defesa, que pode ser escrita ou verbal. Depois de finalizados os processos, os relatores apresentarão seus pareces, que podem pedir a cassação ou o arquivamento do caso.

Caso seja aprovado em votação no Conselho de Ética, o parecer será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, em que serão analisadas questões sobre sua legalidade. O último passo para o processo é a votação no plenário do Senado para deliberação final. Para o parlamentar perder o mandato, é necessária a maioria absoluta dos 81 senadores, ou seja, pelo menos 41 votos.

Os relatores deverão agora noticiar os senadores citados pela CPI. A partir da notificação eles terão prazo de cinco sessões plenárias do senado para apresentar defesa. A próxima reunião do conselho está marcada para 5 de setembro, durante o esforço concentrado do Congresso Nacional. Nesse dia os relatores deverão apresentar o cronograma de trabalho. «Devemos extirpar do nosso meio o mau político. Se alguém errou, deve pagar pelo seu erro», disse João Alberto.

Sem mudança constitucional, a votação em plenário continuará secreta. A proposta de emenda constitucional (PEC 349), em tramitação no Congresso Nacional e que prevê o voto aberto para processos de cassação, pode mudar esse quadro. Caso haja a aprovação da proposta pela Câmara e Senado, os processos dos parlamentares investigados pela CPI dos Sanguessugas podem ser os primeiros a serem julgados com a nova regra.

Lula sobe para 49%, Alckmin vai a 22% e Heloísa cai para 9%, diz Estado/Ibope

Por Carlos Marchi - Agência Estado

A 34 dias das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive num mar de rosas e o oposicionista Geraldo Alckmin (PSDB) entra num redemoinho que pode deflagrar uma crise em sua campanha: pesquisa Estado/Ibope que foi a campo entre quarta e sexta-feira mostra que Lula subiu 2 pontos porcentuais e chegou aos 49% (47% há 9 dias), enquanto Alckmin subiu 1 ponto e foi para 22% (21% há 9 dias). O novo resultado não deixa dúvidas: o horário eleitoral, que segundo Alckmin mudaria tudo, após duas semanas foi insuficiente sequer para arranhar a vantagem de Lula.

O mais complicado para o tucano é que, se ele e Lula subiram dentro da margem de erro da pesquisa, a terceira colocada, a candidata Heloísa Helena (PSOL), caiu 3 pontos e desceu para apenas 9%, diminuindo ainda mais a possibilidade de haver um segundo turno. Agora, a vantagem do presidente sobre os demais adversários é de 15 pontos porcentuais (11 pontos há 9 dias); ele tem 49% e a soma dos adversários é de 34%, diferença que ameaça consolidar uma decisão no primeiro turno.

Leia matéria completa no sitio da Agência Estado

Agora é para baixo e para o chão

Do Blog de Josias de Souza

Confrontado com os números do Datafolha, na semana passada, o presidenciável tucano disse: «Agora é para cima e para o alto». Os números não justificavam o otimismo. Lula prevalecia sobre o adversário na proporção de 49% das intenções de voto contra 25%. Uma nova pesquisa, feita pelo Ibope, foi divulgada neste domingo pelo Estadão (assinantes). De novo, os dados sugerem um movimento inverso ao que fora previsto por Alckmin ou, no máximo, a cristalização do quadro já detectado.

O Ibope contabilizou os mesmos 49% que o Datafolha atribuíra a Lula. Quanto a Alckmin, apontou percentual ainda mais modesto: 22%. Heloisa Helena, a terceira colocada, aparece nesta nova pesquisa com 9%. Os pesquisadores do Ibope foram às ruas entre os dias 23 e 25 de agosto. Percorreram 140 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

ONU estuda levar ao Haiti programas sociais e econômicos brasileiros

Roberta Lopes - Agência Brasil

Brasília - Um programa similar ao Fome Zero e ao Bolsa Família, outro para estimular a produção de biodiesel e ainda um terceiro, voltado para garantir financiamento aos agricultores pobres, podem ser implantados no Haiti com auxílio do Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO-ONU).

Segundo o diretor-geral da organização para a América Latina e Caribe, José Graziano, ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e um dos idealizadores do Fome Zero brasileiro, a FAO dará apoio técnico ao Banco Central do Haiti e os recursos devem ser obtidos junto a comunidade de doadores da União Européia.

“Eles têm um arbusto muito parecido com o pinhão manso, que é muito bom para produção de biodiesel. Há um grande potencial nessa área», avalia Graziano.

O Programa Nacional de Financiamento (Pronaf) é outro projeto brasileiro que pode ser levado ao Haiti. Segundo Graziano, uma missão da FAO notou que os agricultores familiares são tão pobres que não têm condições de recuperar sua produção sem uma linha de credito com juros baixos.

“Os agricultores são tão pobres que sem mecanismos de credito barato, não será possível recuperar a capacidade produtiva desses pequenos agricultores familiares», disse.

O diretor-geral informou também que Argentina, Brasil, e Chile - que coordenam a ajuda dos países da América do Sul ao Haiti - deverão realizar uma missão nos próximos meses para levar programas de desenvolvimento ao país caribenho.

Site “Políticos do Brasil” entra no ar sábado

Do Blog de Fernando Rodrigues

O site www.politicosdobrasil.com.br entra no ar neste sábado, dia 26 de agosto. Oferecerá cerca de 25 mil registros de políticos das eleições de 1998, 2002 e 2006. Dezenas de dados estarão disponíveis, inclusive as declarações de bens e os CPFs.

No mesmo dia, sábado, estará nas livrarias o livro “Políticos do Brasil“.

A 40 dias das eleições, só um candidato a presidente já apresentou programa de governo

Por Keite Camacho - Agência Brasil

A propaganda eleitoral em rádio e TV começou na semana passada, marcando, praticamente, a metade do período oficial de campanha eleitoral (6 de julho a 28 de setembro). Diferente do que aconteceu em campanhas presidenciais anteriores, até agora, apenas um, dos seis concorrentes, José Maria Eymael (PSDC), divulgou oficialmente sua proposta de programa de governo.

Eymael lançou seu programa de governo durante a convenção que o indicou como candidato, no dia 17 de junho. Com 27 itens, em alusão ao número do PSDC, o candidato diz que o programa consiste em “uma visão sintetizada de grandes idéias”. O programa tem quatro páginas e ainda não está disponível na internet.

O PT, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PRB/PCdoB), tinha inicialmente previsto a divulgação de seu plano de governo para o próximo dia 23, mas adiou a divulgação para o dia 29. Segundo a assessoria de imprensa do partido, por questões de agenda, a primeira data foi inviabilizada. Conforme a assessoria, o programa está “quase” pronto.

Para o coordenador da área de internet da campanha do candidato Lula, Valter Pomar, a situação do candidato do PT é diferente da dos outros partidos, por ele concorrer à reeleição. “Nós já estamos executando aquele programa que foi apresentado por nós na eleição de 2002 e estamos apresentando um candidato à reeleição. Portanto, no nosso caso, há uma exigência diferente daquela que se coloca para os demais candidatos”, diz ele. “Um candidato que nunca disputou a eleição, que não está no governo, tem a obrigação de dizer para o país no início da campanha o que é que veio fazer, o que se pretende.”

Já o PSDB, de Geraldo Alckmin (PSDB/PFL), informa que não vai apresentar “por agora” um programa fechado, de acordo com a assessoria de imprensa da campanha. O candidato vem apresentando publicamente propostas pontuais. À medida que Alckmin for divulgando os pontos do seu programa - que apresenta mais de 30 temas -, eles serão disponibilizados no site do candidato.

O candidato pedetista, Cristovam Buarque, deve lançar o seu programa no dia 1º de setembro. De acordo com um dos coordenadores do programa de governo do PDT, Elimar Pinheiro do Nascimento, o documento é dividido em duas partes. A primeira contém as diretrizes e está em fase final de revisão. A segunda, que aponta como executar essas diretrizes, está sendo finalizada. O candidato optou por não tratar de todos os temas juntos. “A educação é a grande marca do Cristovam. O segundo tema que ele começou a abordar foi a consolidação das instituições”, afirma.

O PSL, de Luciano Bivar, disponibilizou 13 propostas no site do candidato (www.lucianobivar17.can.br). Já o Psol, de Heloísa Helena (Psol/PSTU/PCB), deve apresentar o seu programa de governo no fim do mês.

Em 2002, o PT apresentou seu programa de governo presidencial em 23 de julho, e o PSDB, no dia 7 de agosto. O primeiro turno das eleições presidenciais aconteceu em 6 de outubro daquele ano.

O desenvolvimento está nos detalhes

Reproduzo abaixo, texto de Claudio de Moura Castro, publicado na Revista Veja em 20/05/1998, com agradecimentos à amiga Magaly Oliveira, pela sugestão.

O desenvolvimento está nos detalhes

por Claudio de Moura Castro

Dizia Schumpeter no princípio deste século que desenvolvimento econômico não é a nobreza ter meias de seda, mas os pobres também as terem. Mas na revolução industrial que ele viu bastavam líderes iluminados, pois o desenvolvimento era fruto de grandes iniciativas, gerando vendavais de mudança. Para o povaréu, bastavam algumas destrezas manuais.

Mudaram a economia e os processos produtivos. Hoje, o desenvolvimento econômico depende cada vez mais do que fazem os pequenos e os humildes. Do meu caderno de viagem reproduzo algumas notas:

A água não flui no ralo do banheiro do hotel. Com a mesma tecnologia, os canos da Suíça sempre funcionam. Por que o pedreiro não limpou o cimento que caiu sobre o azulejo, na época da construção do banheiro?

Por que, ao pintar a parede, o pintor não pôs um jornal no chão, para impedir que este fosse também pintado?

Na reunião marcada para as 10, metade chega na hora, mas é preciso esperar o último retardatário, que chega às 10h30. Quanto vale o tempo dos que chegaram mais cedo?

Pela porta entreaberta da cozinha do restaurante vejo uma jovem abrir uma lata com a ponta de uma faca usando o cabo da outra como martelo. Quanto custa um abridor?

O ângulo reto na Alemanha, onde foi feito o esquadro, tem exatamente 90 graus. Por que o ângulo da esquadria feita não tem também 90 graus?

Tampouco deveria haver fresta no canto da porta. Desmarquei meu compromisso para esperar o consertador da máquina de lavar, e ele não veio. Na França, deixava a porta aberta para que entrasse, fizesse o conserto e mandasse depois a conta pelo correio.

Se ninguém está olhando, o peão pára de trabalhar. Portanto, haverá um capataz tomando conta e subtraindo do que poderia ser o seu salário.

Perguntei ao guarda, na praça principal, onde estavam as famosas ruínas maias. Não sabia. Perguntei à funcionária do labiríntico aeroporto de Frankfurt quanto tempo para o portão F26: três minutos e meio.

Acabou a cerveja, lá se vai a lata pela janela. Mas o excursionista suíço guarda a lata vazia na mochila para jogar no primeiro cesto de lixo disponível. Quem tem mais recursos para pagar o catador de lixo?

A 4.500 metros de altitude, nos Andes, encontra-se a caçamba cheia de minério de estanho com outra vindo na direção oposta. Solução: os mineiros levantam uma delas na unha e a tiram da linha, para poder passar a outra. Deve haver uma tecnologia melhor.

Buzina o motorista indignado. O preço do seu desabafo sonoro é o desconforto de dezenas de pessoas ao redor.

O peão do meu amigo Barreto matou todas as suas vacas, pois pensou que a dose era um vidro de remédio, em vez de uma colher.

Explicava-me o chofer de táxi em Cingapura que atrair turistas é fácil, o difícil é fazer com que voltem. Fiquei pensando nos nossos.

Quando pensamos nos países avançados, as imagens que nos vêm à cabeça são as obras monumentais, as viagens à Lua, os prêmios Nobel, os salários altos e por aí afora. Mas deixamos de observar o pequeno, o detalhe, como a gente comum cuida do seu cotidiano.

Temos alguns líderes educados e com visão, nas empresas, no governo e na ciência. Não estudaram em universidades piores nem são menos preparados do que os líderes dos países mais ricos. A diferença não está neles, mas no ato cotidiano do trabalhador, do pequeno funcionário. É aí onde se originam e perpetuam a diferença de produtividade e a qualidade de vida. Um país é atrasado pelo somatório dos pequenos atos malfeitos, matados, improvisados, impensados e de horizonte curto.

Mas, obviamente, não podemos culpar nosso povo pelo que lhe falta em educação e civismo. Os brasileiros vivem no mundo onde os que podem um pouco mais toleram uma péssima educação. Somos nós os culpados. Ao pensar nas maravilhas dos países ricos, devemos entender que a grande diferença não está nos planos grandiosos, na engenharia mirabolante, mas no comportamento cotidiano dos que estão na base da sociedade. Se não criarmos as condições para que esses comportamentos mudem, nada feito. Viveremos dos sonhos do país do futuro.

Trabalhador poderá escolher banco para receber salário, diz Mantega

Por Edla Lula - Agência Brasil

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, nesta manhã, em entrevista exclusiva à Radiobrás, que o trabalhador vai poder transferir dinheiro da conta de onde recebe seu salário para outra, em banco de sua escolha, sem pagar CPMF ou tarifas bancárias. "Estamos dando ao trabalhador o direito de escolher o banco com que quer trabalhar. Ele vai poder fazer isso sem pagar CPMF e sem pagar tarifas", afirmou.

A decisão do governo faz parte de um conjunto de medidas a serem anunciadas nos próximos dias com o objetivo de promover a competitividade entre os bancos e, com isso, reduzir os juros. "Muitas vezes as empresas negociam a folha de pagamento com o banco e têm alguma vantagem em troca. E aí fica o compromisso de que essa conta não pode sair de lá. Cria-se uma dificuldade, principalmente com tarifa elevada", comentou Mantega. "Queremos que os bancos corram atrás do cliente e não que o cliente fique pedindo favores aos bancos".