Satélite de sensoriamento remoto terá câmeras nacionais
- Investimento brasileiro nos dois equipamentos que irão integrar o Cbers-3 totalizará R$ 90 milhões. O satélite sino-brasileiro de sensoriamento remoto Cbers-3 terá duas câmeras de fabricação brasileira, num investimento total de R$ 90 milhões. A empresa Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), será a responsável pela construção da câmera MUX de alta resolução. Essa será o primeiro aparelho deste tipo com tecnologia totalmente nacional. A Opto também construirá parte da câmera de imageamento WFI, que opera como uma grande angular, em parceria com a Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP). Ambas terão um alto grau de nacionalização.
Esse satélite faz parte da segunda etapa do consórcio técnico-científico Brasil-China. O programa denominado oficialmente de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, prevê ainda outro equipamento similar. O Cbers-3 deve seguir para o espaço em outubro de 2008 e o lançamento do Cbers-4 está previsto para 2011. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é o responsável pela coordenação geral do programa no Brasil. O investimento total nestes dois novos aparelhos é de US$ 300 milhões, sendo 50% de responsabilidade brasileira.
Na primeira fase do contrato, o Brasil era responsável por 30% dos investimentos e produção dos satélites. O programa com a China já colocou em órbita dois exemplares acordados, o Cbers 1 e 2. Ambos custaram ao País US$ 118 milhões e a vida útil de cada unidade é estimada em dois anos. O primeiro, lançado em 1999, deixou de funcionar em agosto de 2003. O segundo modelo, que entrou em órbita em outubro de 2003, ainda está em operação.
Agora o Inpe se prepara junto com os chineses para colocar no espaço um satélite que fará a transição até o lançamento do Cbers-3. Trata-se do Cbers-2B, que vem sendo testado e foi montado com as peças e equipamentos remanescentes da versão original. Devido a esse reaproveitamento, o custo final despencou para US$ 15 milhões, que inclui até o lançamento pelo foguete chinês Longa Marcha 4. Sua entrada em funcionamento é esperada para final deste ano.
A nova geração da família Cbers tem uma série aperfeiçoamentos técnicos em relação à primeira. Além do Brasil e China partilharem igualmente a produção e investimentos dos satélites, a vida útil dos modelos 3 e 4 subiu para três anos, assim como a participação da indústria brasileira neste projeto.
As câmeras brasileiras
O melhor exemplo disto vem da construção das câmeras de alto grau de complexidade e precisão, cruciais neste tipo de satélite. Duas das quatro unidades que serão embarcadas no Cbers3 serão desenvolvidas e projetadas pelas empresas nacionais, Opto e Equatorial Sistemas. A primeira foi qualificada pelo Inpe, ela produzirá o exemplar de alta resolução, a câmera MUX. Esse instrumento é capaz de registrar objetos com tamanho até 20 metros e seu campo de visada chega a 113 quilômetros. Essa companhia nunca tinha feito antes qualquer trabalho para o setor aeroespacial e será capacitada pelo Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) a ingressar neste novo segmento de atividade.
Segundo seu diretor, Antonio Fontana, o investimento no projeto é de R$ 50 milhões, com verbas oriundas do Inpe e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Essa câmera nos dará a oportunidade de sermos os primeiros a produzir lentes anesféricas no Brasil”, disse. “O modelo de testes da MUX foi avaliado com sucesso pelo Inpe”, completou.
A participação da Opto vai adiante. Em consórcio com a Equatorial Sistemas, que já participa do programa Cbers, desenvolverão juntas uma segunda câmera, a WFI, de baixa resolução e alta abrangência de cobertura. Esse modelo funciona como uma grande angular e sua visada será de 890 quilômetros. A parceria recebeu R$ 40 milhões dos financiadores para a criação e construção do projeto. O objetivo é aumentar os índices de nacionalização de componentes e equipamentos tanto nas câmeras como nos satélites.
