Análise por Sandro Araújo
O instituto Sensus acaba de divulgar nova pesquisa do Índice de Satisfação do Consumidor, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes. É a primeira pesquisa realizada após o registro dos candidatos no TSE - traduzindo portanto uma lista de candidatos concreta e não provável como nas rodadas anteriores.
Um detalhamento da pesquisa pode ser lida aqui. Para os interessados, é possível ainda verificar a pesquisa detalhada em arquivo disponível no sítio da CNT clicando aqui.
Segundo os dados desta última pesquisa, quando oferecida uma lista de candidatos aos eleitores, o presidente Lula seria reeleito ainda no primeiro turno, tendo um total de 44,1% das intenções de voto. A soma dos demais candidatos é de 36,1%. Cumpre salientar que os votos nulos, brancos e indecisos somam 20%. Votos brancos e nulos não são considerados para efeitos de identifação do eleito: consideram-ser apenas os votos válidos. Para ser eleito em primeiro turno o candidato deverá ter 50% + 1 voto, dos tais votos válidos.
Os demais candidatos possuem as seguintes intenções de voto: Geraldo Alckmin 27,2%, Heloísa Helena 5,4%, Cristóvam Buarque 1,4%, Ana Maria Rangel 1,2%, Rui Costa Pimenta 0,3%, José Maria Eymael 0,3% e Luciano Bivar 0,3%.
Chama atenção o nível de rejeição dos principais candidatos: Alckmin tem 35,8% de rejeição, sendo que 7,1% do eleitorado afirma não conhecê-lo (portanto não teriam condições de sequer rejeitá-lo). Já Lula tem 32,4% de rejeição - menor que Alckmin. Heloísa Helena tem 46,4% de rejeição: 17,6% dos pesquisados afirmam não conhecê-la. Todos estes candidatos tiveram diminuídas as suas taxas de rejeição desde a última sondagem. Apenas 0,7% dos pesquisados afirmam não conhecer o presidente-candidato Lula.
Nas sondagens anteriores o Sensus apresentava diversas listas aos pesquisados. Selecionamos duas cujos integrantes são mais próximos daqueles desta última sondagem.
Em uma primeira lista tínhamos Lula com 42,7%, Alckmin com 20,3%, Heloísa Helena com 8%, José Maria Eymael com 0,7% e Cristóvam Buarque com 0,5%. Estavam ainda incluídos Roberto Freire, que teve 2,5% de intenções e Enéas Carneiro, com 1,6%. A soma dos votos destes dois últimos perfaz 4,2%. Os indecisos/brancos e nulos somavam 23,9%.
Uma comparação entre estas duas sondagens evidencia:
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O número de indecisos/brancos/nulos caiu de 23,9% para 20% - isto pode evidenciar que, com a definição das candidaturas os eleitores podem estar iniciando a consolidação das intenções. Restando quase três meses para a eleição, esta hipótese deve ser tomada com bastante cuidado.
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Tanto Lula quanto Alckmin tiveram aumento nas intenções de voto. O primeiro teria saltado de 42,7% para 44,1% (dentro da margem de erro da pesquisa). Já Alckmin experimentou um salto de 20,3% para 27,2%. Esta alta de Alckmin deve ser tida como verdadeira, já que supera a margem de erro. Como já comentado em outra
análise que fizemos sobre a pesquisa da Datafolha, o eleitorado de Enéas e de Roberto Freire tende a migrar para Alckmin - o que certamente teria havido. Somados 20,3% com os 4,2% de intenção de Freire e Enéas, Alckmin teria 24,5%. Analisando-se assim, sua real alta teria sido de 2,7% - ainda superior à margem de erro da pesquisa.
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Já Heloísa Helena teve uma queda nas intenções de 8% para os atuais 5,4%. Curiosamente a diferença, 2,6%, parece com os 2,7% que Alckmin teria ganho.
- Ganho expressivo teria tido Cristóvam Buarque, que foi de 0,5% para 1,4%, quase triplicando suas intenções de voto.
- A grande guerra de Alckmin parece ser descobrir como TIRAR votos de Lula. Não adianta crescer, vendo Lula crescer e ainda outros candidatos em potencial, como Heloísa Helena, 'emagrecerem' num momento tão embrionário da disputa.
Já outra lista da pesquisa anterior trazia Lula com 40,9%, Alckmin com 18,5%, Garotinho com 7,9%, Heloísa Helena com 6,8%, Enéas com 1,8%, Roberto Freire com 1,5%, Cristóvam Buarque com 0,5% e José Maria Eymael com 0,5%.
Como Garotinho foi alijado da disputa já a um certo tempo, preferimos utilizar a lista anterior como base de comparação. De qualquer forma, se considerássemos que Alckmin teria recebido todos os votos de Garotinho, Enéas e Roberto Freire, deveria estar com 29,7%! Nota-se portanto que parte do eleitorado de Garotinho teria migrado para outros candidatos.
É curioso observar que candidatos desconhecidos do grande público (quer por serem novatos, quer por não terem espaço na mídia) conseguiram 0,3% de intenções. Com um universo de 2000 pesquisados, 6 eleitores teriam demonstrado intenção de votar em Rui Costa Pimenta, José Maria Eymael ou Luciano Bivar. Já a candidata do PRP, Ana Maria Rangel, para chegar aos seus 1,2% de intenções de voto, teria sido citada por 24 eleitores/pesquisados.
De imediato uma pergunta vem à mente: como podem Eymael (o da musiquinha) e Rui Costa Pimenta, igualmente candidato em outro pleito, serem lembrados por apenas 6 eleitores e Ana Maria por 24? Ana Maria tem enfrentado uma briga com seu partido, o PRP, acusando o presidente do partido de tentar extorquí-la para registrar sua candidatura. Tal fato teve uma repercussão razoável na mídia (leia aqui). O fato de ser, ao lado de Heloísa Helena, uma das duas mulheres na disputa, bem como esta exposição da sua candidatura 'forçada' devem ter colaborado com a sua performance na sondagem.
Vale ressaltar que na pesquisa estimulada o eleitor recebe uma lista de candidatos e informa em quem tem interesse de votar. Muitos eleitores simplesmente 'jogam no bicho': escolhem o primeiro nome que vem à mente. Isto também poderia explicar a intenção de voto de candidatos não tão conhecidos. Certo mesmo é o número de indecisos/brancos/nulos: mesmo tendo à frente uma lista de candidatos para escolher, o eleitor prefere não se manifestar.
À primeira análise, parece que a disputa deverá se polarizar entre Lula e Geraldo Alckmin - o desempenho de Heloísa Helena, que poderia ser o fiel da balança, tem sido ainda pior que Alckmin.
Muita água ainda passará por debaixo da ponte. Teremos pela frente a campanha televisiva. E Alckmin tem mais tempo que Lula.
O candidato tucano terá, no entanto, um duplo desafio: TIRAR votos de Lula e torcer para que os demais candidatos, em especial Heloísa Helena, também crescerem. Já para o segundo turno ficará uma dúvida: caso Alckmin dispute com Lula (cenário mais provável), quais dos demais candidatos o apoiariam? Heloísa Helena? Rui Costa Pimenta? Eymael? Cristóvam Buarque? Falando deste último: até onde irá seu fôlego? Continuará crescendo nas próximas sondagens ou este foi apenas um soluço?
É esperar para ver….