Reservas superam débitos, mas Fazenda repele renegociação

Desde 13 de julho, o cofre do BC tem mais dólares do que o volume da dívida externa. Naquele dia, os débitos somavam US$ 63,4 bilhões e as reservas, US$ 63,7 bilhões, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional.

André Barrocal - Carta Maior

BRASÍLIA – O conservadorismo da política econômica adotada pelo Brasil nos últimos anos repele qualquer ensaio de revisão de juros e prazos de pagamento entre o governo e credores da dívida pública. No caso específico da dívida externa, o Brasil atingiu, nos últimos dias, uma posição que fortaleceria o País numa renegociação. As reservas de dólares do Banco Central (BC) são suficientes para quitar a dívida externa do governo federal. Neste cenário, credor que recusasse novas condições, não teria como chantagear o país, e ainda poderia pedir o dinheiro de volta, que haveria dólar para pagá-lo.

Mas nem assim, a equipe econômica admite procurar especuladores para conversar. Acredita que o caixa do BC vai fazer juros caírem e prazos esticarem naturalmente, segundo as regras do próprio “mercado”. “O risco-país diminui, o país tem como remunerar menos os títulos que coloca no exterior, porque o investidor pensa: ‘esse país tem capacidade de pagamento’”, diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O risco-país é uma espécie de tabela de juro que o “mercado” internacional inventou para orientar especuladores sobre quanto eles deveriam cobrar, ao emprestar dinheiro para um país sob a forma de aquisição de títulos. A tabela leva em conta o palpite do “mercado” sobre eventual calote nos especuladores. Dívida alta e menor capacidade de pagá-la empurram o risco e, portanto, o juro exigido pelo especulador.

A posição mais confortável do Brasil na dívida externa federal observa-se desde 13 de julho. O cofre do BC passou a abrigar mais dólares do que o volume da dívida. Naquele dia, os débitos somavam US$ 63,4 bilhões e as reservas, US$ 63,7 bilhões, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, órgão do ministério da Fazenda encarregado de administrar a dívida. Na última segunda-feira (17), a folga entre dívidas e reservas cresceu de US$ 288 milhões para US$ 734 milhões. Considerando empresas estatais e privadas, a dívida externa totalizava US$ 157,7 bilhões até junho, segundo dados divulgados pelo BC nesta quinta-feira (20). Em maio, estavam em US$ 160 bilhões.

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