Na madrugada de domingo, a barbárie visitou Qana

A morte de 60 civis, entre eles 37 crianças, resultado de um bombardeio da força aérea de Israel, chocou o mundo, provocando protestos inclusive em Israel. EUA veta na ONU condenação a Israel, que anuncia suspensão de ataques aéreos por 48 horas. Governo brasileiro condena ataque e apóia proposta de cessar-fogo imediato.

Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

O massacre continua no Líbano. Pelo menos 60 pessoas morreram nos bombardeios de Israel contra o vilarejo de Qana, sul do país, na madrugada deste domingo. Dentre as vítimas, 37 eram crianças, segundo fontes da polícia libanesa e das equipes de resgate ouvidas pelas agências internacionais de notícias. Um prédio de três andares que servia de abrigo a famílias que haviam fugido de outras cidades do sul do Líbano bombardeadas nos últimos dias pelo Exército israelense, acabou desabando. De acordo com um sobrevivente, 63 pessoas estavam no edifício no momento do ataque. A correspondente da agência France Press relatou: «As mulheres abraçaram os filhos para protegê-los da morte, mas este último e inútil escudo não foi suficiente no abrigo de Qana. Os corpos de mães, vestidas com calças compridas estampadas de flores, estavam deitados no chão, com os olhos aterrorizados; morreram apertando os filhos nos braços».

Ao comentar o massacre em Qana, o secretário de Estado dos EUA, Nicholas Burns, disse que a morte de mais de 50 civis no ataque aéreo israelense é «trágica», mas não constitui um crime de guerra. Em entrevista à rede de televisão ABC, Burns comentou: «É um dia muito triste para o Líbano. É um dia trágico. Põe em evidência que todos devemos trabalhar muito, muito rápido, para conseguir um cessar-fogo duradouro e sustentável para que este tipo de incidente não se repita no futuro. Os Estados Unidos não acreditam que os episódios das últimas duas semanas e meia sejam crimes de guerra. Achamos que todos os países têm direito a se defender sob o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, mas também acreditamos que este tipo de conflito deva terminar». Na manhàde domingo, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse estar «profundamente triste com a terrível perda de vidas inocentes». A visita que faria ao Líbano neste domingo foi cancelada.

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Fóssil brasileiro resolve mistério do réptil voador

Da BBC Brasil

Reprodução de tupuxuaras (Imagem: Universidade de Portsmouth)

Descoberta foi importante porque havia poucos fósseis do animal
Cientistas britânicos dizem que a descoberta de um fóssil no Brasil resolveu o mistério sobre por que os répteis pré-históricos pterossauros tinham cristas na cabeça.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Portsmouth, a descoberta do crânio do pterossauro chamado de tupuxuara no Nordeste indica que as cristas aparenciam na puberdade e eram usadas para atrair o sexo oposto.

“As cristas eram usadas como o rabo do pavão, uma gigantesca estrutura colorida”, diz o paleobiólogo Darren Naish, um dos autores do estudo publicado na mais recente edição da revista Palaeontology.

“Nós não temos certeza, mas imaginamos que elas eram balançadas e usadas para atrair outros pterossauros”, acrescenta.

Maturidade física

A descoberta do tupuxuara foi importante porque havia poucos fósseis do animal no mundo e todos eles eram de adultos.

Naish e David Martill examinaram o fóssil brasileiro e descobriram que a crista era diferente em espécimes jovens.

Segundo os cientistas, até a puberdade, a crista era sustentada por dois ossos, e não apenas um como nos adultos.

Os dois ossos só se juntariam para formar o osso adulto durante a puberdade, dando origem à crista.

“Isso é significativo, porque liga o crescimento da crista à maturidade física e então, presumivelmente, ao sexo”, explicou Naish.

Alemanha não quer Brasil e outros emergentes no G-8

A possibilidade de inclusão do Brasil, China, Índia, México e África do Sul havia sido citada por Tony Blair. Chanceler alemàserá a próxima presidente do grupo

João Caminoto - Agência Estado

LONDRES - A chanceler alemàAngela Merkel, que assumirá a presidência rotativa do G-8 (sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia) em 2007, rejeitou a proposta apresentada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que previa a ampliação do grupo por meio da inclusão do Brasil, China, Índia, México e África do Sul. A informação, publicada nesta sexta-feira pelo Financial Times, ressaltou que os países em desenvolvimento, com exceção da China, poderão não ser nem mesmo convidados para participar como convidados dos encontros de cúpula e de ministros das finanças do G-8 no próximo ano.

Angela pretende alterar profundamente a agenda do encontro de cúpula do G-8, que nos últimos anos tem se concentrado em temas ligados ao desenvolvimento. A líder alemàquer que o grupo se concentre mais em assuntos econômicos, inclusive os desequilíbrios globais que ameaçam a estabilidade financeira.

Segundo o FT, essa mudança no foco do G-8 é uma das razões apresentadas por Angela rejeitar a ampliação do grupo com a entrada de grandes países em desenvolvimento. Ela teme que um G-8 expandido correria o risco de repetir a experiência dos encontros de cúpula da União Européia, nos quais discussões sobre temas pré-agendados se tornaram impossíveis após o bloco ter sido ampliado a 25 nações.

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Presidente Heloísa Helena

Interessante o ensaio de Roberto Pompeu de Toledo, publicado na revista Veja de 26 de julho de 2006. Vale a pena ressaltar que na verdade é uma republicação de idêntico ensaio publicado três anos antes… E continua atual, como quase tudo em política!

Texto disponível em http://www2.uol.com.br/pagina20/25072006/opiniao.htm

Presidente Heloísa Helena

Roberto Pompeu de Toledo

O que esperar de sua gestão e outras observações sobre a candidata que mais subiu nas pesquisas

Vai ser a maior vitória da calça jeans e do rabo-de-cavalo em todos os tempos. Talvez ela também calce um par de tênis ao subir a rampa do Palácio. No discurso de posse, atacará os “parasitas do Banco Mundial” e os “gigolôs do FMI”. Investirá contra os “delinqüentes da política nacional” e os que se lambuzam no “vergonhoso balcão dos negócios sujos”. Alguns estarão presentes. Balançarão a cabeça, em sinal de aprovação. Dirá que em seu governo não haverá lugar para “gente falsa, cínica”. Lembrará que, “em gente ordinária”, ela “vomita em cima”. Alguns desviarão ligeiramente a cabeça, como a desviar-se de algo que cai do alto. Sorrirão em seguida.

No dia seguinte, a Bolsa de Valores de São Paulo fechará em baixa de 82%. O novo ministro da Fazenda, Bruno Maranhão, dirá que esse efeito já era esperado. No mesmo dia, anuncia-se a revogação das privatizações. A das telefônicas será a primeira. Consumada, o efeito imediato é 80% das linhas amanhecerem mudas. A ministra das Comunicações, Luciana Genro, dirá que é melhor assim: a população voltará a se comunicar pessoalmente, com efeito sem dúvida benéfico para as relações humanas.

A inflação dispara. Em três dias, atinge os 250%. O governo decreta o congelamento de preços. Os gêneros alimentícios desaparecem dos mercados. O governo ameaça apreender bois no pasto. Donas-de-casa saem às ruas batendo panelas. Do lado oposto, a frente “estudantil camponesa” pede a radicalização do processo. Um de seus expoentes, João Pedro Stedile, chefe do “Movimento Pol Pot pela Revogação dos Costumes Burgueses (Mopopo)”, reclama a transferência da população das cidades para o campo. Falta gasolina. Cessam as atividades, uma a uma.

Reúne-se o ministério. Uma ala pede a imediata abolição da propriedade privada, o desmanche das instituições burguesas, a prisão dos inimigos do povo e o justiçamento dos recalcitrantes. A questão é debatida durante dezessete horas. Chega-se afinal à conclusão de que não há condições objetivas para tais providências. “Que outras opções temos?”, pergunta a presidente. O ministro Babá, da Casa Civil, diz que só vislumbra duas alternativas. “Uma é a renúncia”, começa. A presidente faz cara de espanto. “E a outra?” Babá respira fundo, hesita. “A outra”, diz, enfim, baixinho, “a outra… é pagar mensalão”. A presidente fecha os olhos e afunda na cadeira, desalentada.

O crescimento da senadora Heloísa Helena na pesquisa do Datafolha, de 6% para 10% das preferências, tem aspectos curiosos. Ela cresceu com força nas regiões Sul (de 6% para 13%) e Sudeste (de 7% para 11%). Ou seja, deu uma arrancada na metade mais rica do país. No Nordeste, onde tem sua origem, cresceu pouco (de 5% para 7%). Heloísa Helena possui 8% da preferência dos eleitores com renda familiar até dois salários mínimos (700 reais). Entre os que ganham acima de dez salários (3.500 reais) fica com porção bem maior – 14% –, o que confirma que faz mais sucesso entre os bem de vida que entre os pobres. E, se alguém acha que seu eleitorado se identifica com a pureza socialista encarnada pela senadora, então veja isso: 39% de seus eleitores dizem que optarão por Alckmin, caso se vejam na contingência de mudar de candidato, e 21% por Lula. Isso é que é eleitorado eclético. A senadora mais parece herdeira do Enéas do que dos desencantados com o PT. “Meu nome é Heloísa Helena!!!”

Ninguém no mundo político exibe tanta raiva quanto Heloísa Helena. “Vigarice”, “mentira” e “estelionato” são palavras que lhe brotam dos lábios com a facilidade com que de outros brotam “bom dia” e “obrigado”. O fervor de cruzada que lhe embala a pregação embute a perigosa sugestão de que só ela é honesta e só sua verdade conta. A raiva a faz parecer tão religiosamente ideológica quanto um radical islâmico. E no entanto… No entanto, Heloísa Helena é também um poço de afeto. Seu sorriso é aberto, em certos momentos ela faz uma carinha de criança. As lágrimas lhe vêm fácil. Na crise de sua expulsão do PT, chorou mais de uma vez.

Essas palavras foram publicadas por este autor, neste mesmo espaço, três anos atrás. Vinham a propósito de um programa Roda Viva com a senadora. Como sempre, ela se apresentou como campeàda justiça e da decência. No entanto, não foi capaz, naquele programa, de condenar o regime de Cuba, que acabara de impor punições a um punhado de dissidentes. O texto lembrava também que a senadora aplicava o adjetivo “burguesa” quando se referia à Constituição, o que sugeria desprezo pelo estado de direito, e concluía: “Heloísa Helena é muito simpática quando não está com raiva e às vezes até quando está. Com certeza é excelente amiga de seus amigos. Mas não dá vontade de viver no país que ela tem em mente”.

A reação da senadora foi telefonar para dizer que o autor do texto seria bem-vindo no país que ela imagina. Heloísa Helena é uma fera…. Mas Heloísa Helena é fofa.

Ibope repete Datafolha e mostra possível saturação do “fenônemo” Heloísa Helena

Do Blog do Fernando Rodrigues

A pesquisa Ibope que acaba de ser divulgada traz quase nenhuma diferença em relação ao último levantamento do Datafolha. O que deve ser notado é uma certa estabilidade geral no patamar que cada candidato pontuava na semana passada. Com destaque para a candidata do PSOL, Heloísa Helena, que ficou no mesmo lugar depois de ter sido chamada de grande fenômeno eleitoral desta disputa.

Eis os números:

  • Lula: 44%
  • Alckmin: 27%
  • Heloísa Helena: 8%
  • Cristovam: 1%
  • Eymael: 1%
  • Rui Pimenta: 1%
  • Bivar: (menos de 1%)
  • Brancos e nulos: 9%
  • Indecisos: 9%

Como se observa, Lula teria a possibilidade de ganhar no primeiro turno se a eleição fosse hoje (atenção: a eleição é só em 1º de outubro). É uma boa pesquisa para o petista. Seus 44% ficam 6 pontos acima dos 38% de todos os seus adversários somados. No Datafolha, a diferença era de apenas 3 pontos.

No limite mínimo da margem de erro do Ibope (2 pontos), Lula poderia ter apenas 42%. Já os adversários (no limite máximo da margem de erro) chegam só a 40%. Em resumo, a fatura seria liquidada no primeiro turno.

O que merece mais reflexão é a pontuação de Heloísa Helena. Os seus 8% estão (dentro da margem de erro) iguais aos 10% pesquisados há uma semana pelo Datafolha. E daí? Daí que a candidata do PSOL esteve desde a última quarta-feira à noite aparecendo como um tal “fator HH” em todas as TVs. Era uma possível novidade nas urnas. Teve até quem começasse a prever que ela pudesse passar Alckmin (nada disso foi encontrado nem escrito aqui neste blog, “bien sûr”).

A pesquisa do Ibope (realizada no sábado, domingo e segunda) teve condições de captar o momento positivo para Heloísa Helena. Não obstante, a senadora do PSOL não saiu do lugar.

Nada também de dizer que o tal “fator HH” já era etc. O que parece mais correto a esta altura é supor que o eleitorado pode ter fixado um teto para HH e seu discurso agressivo. Algo próximo aos 10%. Mas essa conclusão só poderá ser tirada mais adiante, com mais algumas semanas de campanha e novas pesquisas.

Até lá, nada de muito novo no front. Lula continua com chances reais de ganhar no 1º turno. A campanha de Alckmin é desalentadora. E HH ainda é uma promessa. Os outros são nanicos.

Por fim, este blog já apontou outro dia: o cenário é muito semelhante a 1998, quando FHC se reelegeu (apertado) no primeiro turno.

Heloísa quer votos do PT e oposição perdeu chance de impeachment, diz Afif

Tathiana Barbar - Folha Online

O empresário Guilherme Afif Domingos, que concorre ao Senado pelo PFL-SP, em coligação com o PSDB, afirmou nesta terça-feira que a oposição perdeu a chance de pedir o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após os escândalos de corrupção.

Afif Domingos, que participou hoje de sabatina da Folha, disse ainda que a candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloísa Helena (AL), quer arrebanhar os petistas arrependidos, envergonhados. “Isso prejudica o presidente Lula. Ele que se cuide, pois Heloísa Helena vai acabar levando a eleição para segundo turno.”

“O PT falhou muito como governo. No momento em que Duda [Mendonça] disse que recebia dinheiro por fora, aquele era o momento de pedir o impeachment do presidente”, explicou.

Segundo o empresário, o PT, PFL e PSDB estão num período de aprendizado. “Quem era oposição foi para o governo. Estamos num período de aprendizado. O PT aprendendo a governar e o PFL e PSDB aprendendo a fazer oposição.”

Leia entrevista completa no sítio da Folha Online

Reservas superam débitos, mas Fazenda repele renegociação

Desde 13 de julho, o cofre do BC tem mais dólares do que o volume da dívida externa. Naquele dia, os débitos somavam US$ 63,4 bilhões e as reservas, US$ 63,7 bilhões, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional.

André Barrocal - Carta Maior

BRASÍLIA – O conservadorismo da política econômica adotada pelo Brasil nos últimos anos repele qualquer ensaio de revisão de juros e prazos de pagamento entre o governo e credores da dívida pública. No caso específico da dívida externa, o Brasil atingiu, nos últimos dias, uma posição que fortaleceria o País numa renegociação. As reservas de dólares do Banco Central (BC) são suficientes para quitar a dívida externa do governo federal. Neste cenário, credor que recusasse novas condições, não teria como chantagear o país, e ainda poderia pedir o dinheiro de volta, que haveria dólar para pagá-lo.

Mas nem assim, a equipe econômica admite procurar especuladores para conversar. Acredita que o caixa do BC vai fazer juros caírem e prazos esticarem naturalmente, segundo as regras do próprio “mercado”. “O risco-país diminui, o país tem como remunerar menos os títulos que coloca no exterior, porque o investidor pensa: ‘esse país tem capacidade de pagamento’”, diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O risco-país é uma espécie de tabela de juro que o “mercado” internacional inventou para orientar especuladores sobre quanto eles deveriam cobrar, ao emprestar dinheiro para um país sob a forma de aquisição de títulos. A tabela leva em conta o palpite do “mercado” sobre eventual calote nos especuladores. Dívida alta e menor capacidade de pagá-la empurram o risco e, portanto, o juro exigido pelo especulador.

A posição mais confortável do Brasil na dívida externa federal observa-se desde 13 de julho. O cofre do BC passou a abrigar mais dólares do que o volume da dívida. Naquele dia, os débitos somavam US$ 63,4 bilhões e as reservas, US$ 63,7 bilhões, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, órgão do ministério da Fazenda encarregado de administrar a dívida. Na última segunda-feira (17), a folga entre dívidas e reservas cresceu de US$ 288 milhões para US$ 734 milhões. Considerando empresas estatais e privadas, a dívida externa totalizava US$ 157,7 bilhões até junho, segundo dados divulgados pelo BC nesta quinta-feira (20). Em maio, estavam em US$ 160 bilhões.

Leia mais no sítio da Agência Carta Maior

Telefonia de baixo custo

Interessante matéria do Valor Econômico sobre experiência de telefonia de baixo custo em cidades do nordeste brasileiro:

No sertão do Ceará, a prosa agora é sem fio
Talita Moreira - Valor Econômico

No sertão cearense dos anos 70, Luiz Avanildo comprou postes e cabospara que seu hotel, um dos mais antigos de Quixadá, pudesse ter um telefone. Os fios que ligaram o sertão ao mundo continuam por lá, mas Avanildo não quer mais falar por meio deles.

Prefere teclar no aparelho de uma concorrente da Telemar, a herdeira, por lá, da Telebrás que ele conheceu faz três décadas. Prefere porque diz economizar na conta e porque pode levar o aparelho a qualquer parte de Quixadá,município que fica 167 quilômetros ao sul de Fortaleza.

Avanildo faz parte de um experimento ainda singular no país, mas que deve se espalhar para outras regiões nos próximos meses: é um dos 1,6 mil clientes da Local Telecom, empresa de telefonia fixa que oferece serviços baseados em uma tecnologia móvel.

Não por acaso o serviço estreou em Quixadá, cidade de 75 mil habitantes e PIB per capita de R$ 2.384 (a média brasileira é de R$ 8.694, segundo dados do IBGE em 2003). Foi o cenário perfeito encontrado pelos investidores canadenses da Ruralfone, holding que controla a Local, para fazer negócio no rastro das grandes operadoras.

O plano deles é oferecer telefonia de baixo custo em municípios derenda menor que a nacional e população entre 50 mil e 100 milhabitantes. “Existem 400 deles no Brasil”, diz Alain Bissada, um dos fundadores da empresa e gerente-geral das operações no país.

Leia mais no sítio do Valor Econômico: aqui, aqui e aqui.

Agências Reguladoras - Com PL estacionado, poder de ministérios do governo Lula é alvo de ataques

ESPECIAL - AGÊNCIAS REGULADORAS

Com PL estacionado, poder de ministérios do governo Lula é alvo de ataques

Projeto de lei que regulamenta as agências tramita há 27 meses no Congresso, período em que o poder dos ministérios aumentou, desagradando parcela do setor financeiro e empresarial. Para Carlos Lessa, essa disputa envolve a pressão em prol de políticas que não possam ser modificadas pelo voto popular.

Antonio Biondi – Carta Maior

SÃO PAULO – O projeto de lei do Executivo federal destinado a criar um modelo único de funcionamento das agências reguladoras (PL 3.337/2004) se encontra há 27 meses praticamente parado na Câmara dos Deputados. Diante das incertezas sobre o futuro do modelo de gestão de serviços essenciais para a população, como a energia elétrica e as telecomunicações, os setores que desde o início bombardearam a proposta do governo passaram a direcionar suas críticas a um novo alvo: o poder dos ministérios.

Enviado pelo Executivo em abril de 2004 à Câmara, o PL gerou intensos debates entre os parlamentares e recebeu 137 emendas. O projeto buscava normatizar o funcionamento das agências, os reajustes tarifários e a sucessão de dirigentes. Politicamente, indicava que o governo do presidente Lula “aceitou” o modelo entregue pela gestão anterior, mas exigiria mudanças para torná-las menos autônomas, como com a criação de ouvidorias.

Em julho de 2004, quando o governo ainda tinha uma maioria mais folgada no Congresso, foi apresentado requerimento de urgência ao PL pelos líderes das bancadas, no último suspiro do projeto. Desde então, a relação entre ministérios e agências tem se desenhado nas bases estipuladas pelo governo do presidente Lula. Como as perspectivas apontadas pelo Executivo vêm consolidando o poder dos ministérios e diminuindo a influência das agências, a oposição passou a se movimentar para interromper esse processo.

Leia matéria completa no sítio da Agência Carta Maior

Trololó tucano

André Petry - Veja

“Cá para nós: os tucanos governam São Paulo há doze anos, governaram o Brasil por oito anos e Lula, há quatro no poder, é o único culpado pelo caos?”

Dá gosto ver como os tucanos reagem quando a vaca vai para o brejo. São Paulo virou show da bandidagem, e Geraldo Alckmin, governador do estado até quatro meses atrás, percorreu um calvário de explicações: começou a semana falando em “números europeus” e encerrou insinuando que o PT pode estar por trás das ações criminosas do PCC. Vale a pena acompanhar a evolução:

  • Domingo, dia 9. Ao embarcar para a Europa, Alckmin não enxerga crise alguma, diz que os presídios paulistas estão sob controle e que o índice de fugas das penitenciárias do estado é de apenas 0,13%, “um número europeu”.
  • Segunda, dia 10. Já na Europa, Alckmin descobre a América, vislumbra um pedacinho de crise e faz um diagnóstico ululante: “Nosso problema são os presos, temos 140.000 pessoas em presídios, inclusive líderes de facções criminosas”.
  • Quarta-feira, dia 12. De volta a São Paulo, Alckmin vai mais longe e explica que a nova onda de atentados do PCC decorre de um acerto do governo paulista. “É reação a uma ação da polícia, que prendeu um dos grandes traficantes, líder do crime organizado no estado.” (Referia-se ao bandido Emivaldo Silva Santos, de 30 anos, preso no dia anterior.) No mesmo dia, o senador Jorge Bornhausen, a Bia Falcão da política nacional, diz suspeitar que o PT está por trás das ações do PCC. Por quê? Porque as ações criminosas recrudesceram no dia em que uma pesquisa eleitoral apontava crescimento de Alckmin…
  • Quinta-feira, dia 13. Alckmin finalmente enxerga uma crise importante, mas agora acha que Bornhausen pode ter razão e tudo muda: “Estranhas a forma como a coisa ocorre, a época em que ocorre, a maneira como os atos são desencadeados”.

Como assim? A coisa não ocorre porque “nosso problema são os 140.000 presos, inclusive líderes de facções criminosas”? A época em que a coisa ocorre não é por causa da “ação da polícia, que prendeu um dos grandes traficantes, líder do crime organizado no estado”?

O episódio é uma demonstração constrangedora do esforço dos tucanos para se eximirem de responsabilidade numa crise em que estão cobertos de responsabilidade. O tucano José Serra, virtualmente eleito para o governo paulista, passou a semana dizendo que Lula era o responsável pela crise em São Paulo e que, em vez de tomar as providências necessárias, optou por fazer “demagogia e trololó”. Serra até encampou, com mais ênfase que Alckmin, a tese de que o PT anda dando a linha para o PCC…

Lula não fez nada na área da segurança pública. Na campanha de 2002, disse que seria sua prioridade, apresentou um programa bonitão e, depois de eleito, engavetou todas as letras. Prometeu que faria cinco presídios federais de segurança máxima. Se conseguir um milagre, encerra o mandato com dois. Mas, cá para nós: os tucanos governam São Paulo há doze anos, governaram o Brasil por oito anos e Lula, há quatro no poder, é o único culpado pelo caos?

Ora, senhores: dizer isso é combinar demagogia com trololó.