Do Portugal Diário
Informação terá sido transmitida por Ramos Horta. «Ganhamos esta guerra», diz Xanana. Mas pede calma: «Não podemos matar nem uma formiga». Manifestantes pressionam governo
O ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, José Ramos-horta, comunicou hoje ao corpo diplomático em Díli que há um entendimento político sobre a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, disse à Lusa fonte diplomática.
A decisão só deverá ser formalizada sábado, depois de uma reunião do comité central da Fretilin, com o partido maioritário a indicar um novo nome para a chefia do governo, acrescentou a mesma fonte, citando a informação transmitida por Ramos-Horta.
Entretanto, o presidente timorense, Xanana Gusmão, deslocou-se hoje ao Palácio do Governo, em Díli, para falar a milhares de manifestantes que ali se encontram a exigir a demissão do governo.
Acompanhado pela mulher, Kirsty, e pelos seus seguranças, Xanana Gusmão foi saudado efusivamente pelos manifestantes. «Falhámos em garantir a vossa estabilidade, mas com a vossa esperteza ganhámos esta guerra», afirmou Xanana Gusmão, perante o entusiasmo dos manifestantes, que exigem a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
No entanto, Xanana Gusmão não avançou qualquer solução para a crise política em Timor-Leste, nem se referiu à ameaça, feita quinta-feira, de resignar hoje ao cargo se Mari Alkatiri não se demitir.
Perante os slogans dos manifestantes que diziam «morte a Alkatiri», Xanana fez cara feia e apelou ao pacifismo: «Não podemos matar nem uma formiga».
Após as palavras de Xanana, manifestantes em caravanas automóveis, vigiados por militares australianos, dirigiram-se para a zona da residência do primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, no bairro do Farol, em Díli, para exigir a sua demissão, mas sem registo de incidentes.
A passagem das caravanas começou a fazer-se a partir da parte da tarde (hora local), mas cerca de 3 mil pessoas continuam concentradas defronte do Palácio do Governo.
Os manifestantes que durante a manhã se tinham concentrado defronte do Parlamento, passaram da parte da tarde para a frente do Palácio do Governo, tentando aumentar a pressão sobre o governo e onde efectivos australianos asseguram a segurança da área.
A marginal defronte da entrada principal do parque que conduz ao Palácio do Governo está praticamente lotada com os manifestantes, que empunham cartazes com dizeres anti-governamentais, na maioria, mas também com inscrições a saudar Xanana Gusmão e a presença no país das forças militares internacionais.