Arquivo

Arquivo de junho, 2006

Grupos palestinos aceitam plano que reconhece o Estado de Israel

Da Folha Online

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, chegaram a um acordo para reconhecer o Estado de Israel implicitamente, o que pode pôr fim à crise dentro do governo palestino, que já dura semanas e deixou mortos e feridos entre membros de dois partidos políticos e grupos terroristas, Hamas e Fatah [este último ligado à ANP].

Até agora, o Hamas [no governo desde que foi eleito democraticamente, em janeiro deste ano] se negava a reconhecer a existência de Israel e pregava sua destruição.

O documento firmado entre o Hamas e a ANP, chamado de Plano dos Prisioneiros, deve ser assinado ainda hoje, mas não há informações detalhadas sobre a forma como foi redigido o texto. Também não foi informado se Abbas cancelará o referendo popular que tinha convocado para 26 de julho sobre o plano.

O Plano dos Prisioneiros, entre outras coisas, prevê a criação de um Estado palestino nas fronteiras determinadas antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Este ponto supõe o reconhecimento implícito do Estado de Israel.

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Lula vai constranger Alckmin comparando-o a FHC

Do Blog de Josias de Souza:

«Eles morderam a isca». Com essa frase, dita em reserva a um assessor, Lula festejou nesta segunda-feira a reação de Fernando Henrique Cardoso ao discurso que pronunciara no sábado, ao ser aclamado como candidato à reeleição na convenção nacional do PT. Para constranger o adversário Geraldo Alckmin, Lula decidiu intensificar uma linha de campanha que já havia definido: a comparação de seus 42 meses de governo com os oito anos da era FHC.

Com sua estratégia, Lula quer grudar a imagem de Alckmin à de FHC, cuja impopularidade resultou, no final de 2002, na ascensão do PT ao poder. Porém, ao contrário do que faz supor a conclusão do presidente, nem Alckmin nem os integrantes do comando de sua campanha «morderam a isca». O candidato tucano está decidido, agora mais do que antes, a não cair no que chama de «jogo do PT». Quer dissociar sua campanha do governo FHC.

Embora não vá deixar de se solidarizar com FHC, o alto comando da campanha tucana decidiu que cabe ao ex-presidente, não ao candidato, responder às provocações de Lula. A partir de 15 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, o programa de TV de Alckmin vai seguir a linha das peças publicitárias exibidas pelo PSDB neste mês de junho. Alckmin será vendido como uma liderança nova, com biografia independente e com uma obra própria a exibir: o governo de São Paulo.

O receio do tucanato de ver Alckmin tachado como um prosseguimento de FHC, anima ainda mais Lula a dar curso à tática da comparação. Nesta segunda-feira, depois de participar de uma reunião do comitê gestor do governo, com a presença de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) esboçou a estratégia. Referindo-se a um fragmento de uma das frases ditas por FHC «Eu quero a comparação. Venham com qualquer tema (…)» – Tarso disse que o ex-presidente «foi corajoso».

Em timbre estudado, Tarso soou irônico: “Ao invés de se ater à sua condição de ex-presidente, Fernando Henrique respondeu pelo Alckmin. Tiro disso duas conclusões: Alckmin não quer se responsabilizar pelo governo de FHC e FHC quer fazer essa colagem”.

Ao tentar arrastar o adversário para um canto da arena eleitoral que o tucanato rejeita, Lula imagina que irá imprimir à campanha um tom crítico sem que os os partidários de Alckmin possam acusá-lo de ter cedido à «baixaria». Irá ao ataque valendo-se de uma arma que define como «programática». Não fará senão a defesa dos projetos que julga ter implementado, comparando os resultados de sua gestão com os da administração FHC.

Depois de insinuar que Lula o venceu «na corrupção», FHC chamou o sucessor de «incompetente». Disse: “É uma vergonha que em um mundo nas condições de hoje, bem diferentes das do meu tempo, o Brasil não tenha aproveitado a onda para crescer mais. Falavam e ameaçavam. Mesma coisa: 2,6%. Eu, com quatro crises financeiras, e eles com um “boom” econômico no mundo todo. Incompetentes.”

O petismo desdenha dos argumentos econômicos de FHC. Alegam que, no biênio 95-96, auge do plano real, com um cenário internacional mais favorável do que o atual, a gestão tucana exibiu números menos favoráveis que os de Lula.

No livro “Brasil, Primeiro Tempo”, lançado há cerca de um mês e meio, o petista Aloizio Mercadante anota que, nos primeiros três anos da gestão Lula, as exportações brasileiras aumentaram 96%. Mais do que a média internacional, de 60%. Em contrapartida, no biênio de ouro de FHC, sem crises internacionais, as exportações brasileiras cresceram só 9,6%, contra uma média mundial de 26%. «Aproveitar cenários favoráveis não é, pois, algo fácil e automático», escreveu Mercadante, que hoje disputa com o tucano José Serra o governo de São Paulo.

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Intel lança Dual-Core Xeon

Por Mário Nagano – PC World

Segundo a empresa o chip Woodcrest oferece ganho de 40% de desempenho o que pode levar ao desenvolvimento de servidores mais acessíveis

A Intel anunciou nesta segunda-feira (26/06) o lançamento do Woodcrest, seu primeiro chip de núcleo duplo para servidores baseado na microarquitetura Core que deverá suceder a atual arquitetura Dempsey, usada na linha Pentium D.

Segundo Marcel Saraiva, gerente de plataformas de servidores da Intel no Brasil, o Woodcrest manterá o nome Xeon e receberá a série de números 51xx.

Serão cinco os primeiros modelos anunciados pela empresa (os Xeons 5150, 5140, 5130, 5120 e 5110), com velocidades que vão de 1,6 GHz a 2,66 GHZ, e preços que variam entre 209 dólares e 690 dólares para lotes de mil peças nos Estados Unidos.

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SP e Rio disparam em ranking de cidades mais caras

Comentário: é nisto que dá a moeda forte…

Da BBC Brasil

São Paulo e Rio de Janeiro dispararam no ranking das cidades mais caras do mundo, passando da 119ª e 124ª posição para a 34ª e 40ª, respectivamente.

O levantamento, que põe Moscou no topo da lista, foi divulgado nesta segunda-feira pela Mercer Human Resource Consulting e toma por base o custo de vida de executivos de multinacionais em 140 cidades ao redor do mundo.

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Primeiro-ministro do Timor Leste renuncia ao cargo

Agência Lusa

Díli (Timor Leste) – O primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri, renunciou ao cargo hoje (26). De acordo com a Agência Lusa, o presidente do país, Xanana Gusmão, aceitou a demissão e convocou uma reunião do Conselho de Estado para amanhã (27). Na semana passada, Gusmão ameaçou demitir-se caso o primeiro-ministro não o fizesse. Ele acusava Alkatiri e seus aliados políticos de agir para desestabilizar o país.

Em meio à crise, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ramos Horta, pediu afastamento do cargo no último final de semana, assim como o ministro dos Transportes, Ovideo Amaral, o ministro da Educação, Armindo Maia, e o vice-ministro da Saúde, Luís Lobato.

Esta semana, uma missão diplomática brasileira deverá ser enviada ao país. Segundo a assessoria do Ministério das Relações Exteriores, a viagem ocorrerá até sexta-feira (30). No Timor, os diplomatas devem buscar informações sobre os recentes conflitos e oferecer ampliação das parcerias com o governo timorense.

A crise na ex-colônia portuguesa foi desencadeada pela demissão de 600 militares do Exército. No dia 28 de abril deste ano, eles organizaram uma manifestação que acabou em confronto com a polícia. A partir de então, a Organização das Nações Unidas (ONU) registrou embates freqüentes, com a morte de pelo menos 37 pessoas.

Os governos da Austrália, Portugal, Nova Zelândia e Malásia enviaram tropas para ajudar na estabilização do país. O Brasil já participa com representante de uma missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Cerca de 150 brasileiros moram no Timor Leste. A maioria deles atua nos programas de cooperação, em áreas como cultura, saúde e educação.

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Placas-mãe nacionais superam contrabando

Aproveitando a onda de venda legal de PCs, fabricantes nacionais de componentes aumentam produção e já superam o mercado cinza

Alexandre Barbosa/AE

SãO PAULO – O mercado nacional de tecnologia vive hoje um bom momento, com o reaquecimento nas vendas de PCs, graças a incentivos como o programa governamental Computador para Todos, do governo federal, e ao câmbio favorável, que baixou o custo de componentes e tornou os micros mais acessíveis para o consumidor final e para as empresas.

Os números dão conta de que o mercado de PCs cresceu 36% no ano passado, atingindo 5,5 milhões de unidades vendidas.

E, indo a reboque desta recuperação, fabricantes de placas-mãe comemoram números positivos na produção e já superam o contrabando.

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Brasil enviará missão diplomática ao Timor Leste

Agência Lusa

Díli (Timor Leste) – Uma missão diplomática brasileira deverá viajar para o Timor Leste no final da próxima semana. De acordo com a assessoria do Ministério das Relações Exteriores, a viagem está confirmada, mas falta ainda definir a data do embarque de diplomatas e representantes do governo em áreas como educação, saúde, justiça e defesa.

Em entrevista à Agência Lusa , o subsecretário geral para a África, Ásia, Oceania e Médio Oriente, Pedro Motta, disse que a missão ficará no Timor entre 30 de junho e 4 de julho. O objetivo seria compreender a crise no país e reforçar as parcerias com o governo timorense.

"Queremos manter a cooperação com Timor Leste e, eventualmente, ajustá-la às circunstâncias atuais, como na área eleitoral, por exemplo, com a proximidade das eleições, marcadas para Abril de 2007", afirmou Motta. "Estamos muito preocupados. É urgente que as Nações Unidas assumam o seu papel de manutenção da paz e da estabilidade política e social de Timor Leste", acrescentou.

De acordo com o embaixador, a missão brasileira ao Timor Leste foi constituída a pedido do ministro Celso Amorim. Ela estaria totalmente desvinculada da missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa no país, da qual o Brasil participa por meio do novo diretor da Agência Brasileira de Cooperação, Luiz Henrique Fonseca.

A crise no Timor Leste começou em abril, com conflitos envolvendo militares e políticos. Cerca de 600 militares foram dispensados pelas forças armadas timorense. Eles afirmam ter sido alvo de discriminação étnica por parte dos superiores. Nos embates, mais de 30 pessoas já morreram e 145 mil tiveram de abandonar suas casas.

Na última quinta-feira (22), o presidente do Timor, Xanana Gusmão, ameaçou pedir demissão caso o primeiro-ministro Mari Alkatiri não deixasse o cargo. Gusmão acusa o primeiro-ministro e seus aliados políticos de contribuírem para a crise.

Amanhã (25), Alkatiri deverá anunciar a própria saída, no congresso do partido pelo qual foi eleito (Fretlin). Hoje (24), centenas de manifestantes foram ao parlamento timorense e fizeram um fechamento simbólico, usando uma fita azul nas portas. Eles defendem a dissolução do parlamento caso o primeiro-ministro não renuncie ao cargo.

Cerca de 150 brasileiros moram no Timor Leste. A maior parte deles atua nos programas de cooperação em áreas como cultura, saúde e educação.

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Diga-me para quem governas…

Da Revista do BrasilAgência Carta Maior

As elites elogiam a firmeza de Lula à frente da estabilidade, mas não fazem questão de sua presença. O que sustenta a sua liderança é a consistência dos programas sociais. Lula é aceito por uns e detestado por outros, os que acham que política é coisa só para gente graúda

Há pouco mais de um ano, uma revista e emissoras de TV revelaram o flagrante do ex-diretor dos Correios Maurício Marinho empurrando 3 mil reais para o bolso do paletó e o país para um dos maiores turbilhões políticos de sua história. Marinho, sumido, foi demitido, anda com escolta policial e colabora com a apuração de irregularidades na empresa para a qual, por vias judiciais, tenta voltar. Sua queda em tentação foi o estopim de um bombardeio sem trégua ao governo que dura até os dias de hoje. Alianças foram abaladas, ministros e lideranças políticas e partidárias históricas foram varridos do poder. CPIs renderam holofotes diários a oposicionistas e um noticiário que um dia critica, outro agride. E o país?

O país mantém a economia sob controle e em fase de crescimento, bate recordes de exportação, de grão em grão reduz o desemprego e, segundo o IBGE, a renda do trabalho vem subindo e o nível de desigualdade, caindo. Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente, com um arranhão aqui, outro acolá, continua com elevada dose de aprovação e lidera todas as pesquisas de intenção de voto. Qual será o segredo de Lula: apanha muito porque pode se reeleger, ou pode se reeleger porque apanha muito? Paródias à parte, os institutos de pesquisas e estatísticas tentam explicar a energia do presidente com base em «indicadores favoráveis». Mas dificilmente conseguem medir com precisão um outro indicador, cujos sensores são a pele, o estômago e o bolso de alguns brasileiros. Alguns milhões deles, que tiveram sua vida modificada, para melhor, por algum dos chamados programas sociais.

Para a filósofa Marilena Chauí, professora da USP, o governo não desmantelou programas sociais e não privatizou direitos sociais e culturais. «Ao contrário, ampliou as políticas sociais, inovou em várias delas, criou outras novas. Não distribuiu, mas transferiu renda. Contrariando o neoliberalismo, investiu prioritariamente os fundos públicos no pólo da força de trabalho», analisa, em depoimento ao livro Lições da Crise (Editora Fundação Perseu Abramo, 2006).

Na prática
A família da estudante Sheila Albuquerque, 18 anos, que recebe recursos do programa Bolsa Família há dois anos, tem outra forma de traduzir essa mesma filosofia. Ela mora no município de Embu das Artes, na Grande São Paulo, com os pais e duas irmãs e está desempregada. «O dinheiro ajuda a comprar as coisas em casa, o gás principalmente. É pouco, mas é um dinheiro que chega fixo, você pode contar todos os meses. Este ano eu e minhas irmãs pudemos comprar material escolar, livros, que antes a gente não tinha», relata Sheila. «O ideal seria que a bolsa fosse um pouco maior. Só o suficiente para a gente comprar um pouco mais de coisas em casa, sem ter de optar entre pagar uma conta ou comprar comida. Seria bom porque meus pais não teriam que discutir tanto por causa disso.»

O programa acima citado alcançou no ano passado 8,7 milhões famílias em situação igual ou pior que a de Sheila. E neste ano deve chegar a 11 milhões, mais de um quarto da população. São auxílios que variam de 50 reais a 95 reais por mês, dependendo do grau de pobreza, para famílias com filhos até 16 anos – desde que os mantenha na escola, com a vacinação em dia e sob acompanhamento médico regular. O Bolsa Família unificou ações antes pulverizadas (bolsa-escola, bolsa-alimentação, cartão-alimentação, auxílio-gás). Passou a atingir mais gente e foram celebrados convênios com estados e municípios para auxiliar na identificação dessas famílias e na fiscalização daquelas condicionantes. O programa não consegue resolver as brigas entre os pais de Sheila, mas numa casa em que a renda média por pessoa é inferior a meio salário mínimo, garantir o gás e o material escolar faz muita diferença.

Assim como faz diferença na renda do zelador Arnaldo Xavier de Araújo, usuário de medicamento de uso contínuo, ter acesso a uma «farmácia popular» instalada pelo governo federal no Centro de São Paulo. «Eu ganho 690 reais por mês e só com remédios gasto 300 reais, contando com os medicamentos que eu não encontro aqui», expõe o zelador. «O que precisava era ter mais variedade», opina. A dona de casa Francineide Marques freqüenta a mesma farmácia. «Compro tudo aqui, remédio para pressão, estômago e diabetes. Significa muito para mim. A renda em casa é de 500 reais. Com o dinheiro que eu economizo aqui, compro outras coisas, pago conta de luz e de água. Na farmácia, gastaria mais de 300 reais. Aqui não chega a 60 reais. Quando o médico passava remédio, antes, muitas vezes a gente nem tomava», conta ela.

Uma economia equivalente a metade do salário é pouco? Então, o monitor de oficinas culturais Jesus Leopoldino filosofa mais um pouco. Separado e tendo de criar dois filhos, ele trabalha com 30 crianças atendidas pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) no Horto Florestal de Sumaré, na região de Campinas (SP). «Eu tinha que trabalhar na roça. Meus filhos ficavam na rua ou tinham que ir catar acerola comigo. Tinha medo que eles ficassem na rua porque lá a criança não aprende nada de bom. E em casa, sozinhos, é complicado. Quando descobrimos o Peti, mudou minha vida. Meu filho entrou com 7 anos e minha filha com 8. Hoje eu sou treinador de futebol das crianças, dou aula de capoeira, ensino artesanato. Tudo isso para mim tem sido uma grande vitória. E sei que meus filhos não estão sozinhos nem trabalhando», define Jesus.

Taciana da Conceição, de São Vicente, no litoral de São Paulo, aos 16 anos passou a ser atendida pelo programa Agente Jovem, que atende adolescentes em conflito com a lei, concede de bolsas, oferece oficinas de capacitação e exige, em contrapartida, freqüência escolar e prática em trabalhos comunitários. Ela freqüentou oficinas de dança e hoje é professora. «Quando fiz 18 anos, me chamaram para dar aula de dança no Peti. Hoje recebo 467 reais. pago meu curso de Magistério e ainda consigo ajudar minha mãe. No Peti, formei um grupo de dança, o Play Dance, para as crianças interagirem com outras pessoas e conhecerem outros lugares», conta. «A dança me tirou das armadilhas da vida, mostrou que eu era capaz de fazer as coisas. É por isso que meu trabalho vale a pena.»

Compromissos
A programas sociais como esses -
aos quais Marilena Chauí acrescenta a política de microcrédito e banco popular, economia solidária e incubadeiras populares, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, os incrementos no saneamento básico, na ampliação da rede elétrica destinada a regiões que não a possuíam, a demarcação das terras indígenas, ampliação da reforma agrária entre outros – os líderes da oposição costumam atribuir função meramente eleitoreira. Chegaram até a barrar a votação do orçamento porque transferia 3 bilhões de reais ao Bolsa Família neste ano.

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, entende o direito dos opositores de espernear, mas tem versão diferente. «O governo está cumprindo compromissos com os trabalhadores e com os pobres. Saiu do campo do clientelismo e do assistencialismo para políticas públicas efetivas. Os programas sociais incrementam a economia como um todo e contribuem para a diminuição da violência. Por isso, a sociedade tem avaliado o governo positivamente», avalia.

O professor Juarez Guimarães, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, considera que o respaldo de setores importantes dos s sociais reforçam a resistência de Lula, além de sua liderança histórica, construída nestas últimas três décadas, e do impacto das medidas de inclusão social que o diferenciam de governos anteriores. «Não houve a quebra dos laços entre os principais movimentos sociais e o governo Lula; há aí o que poderíamos chamar de um apoio crítico», avalia Guimarães, organizador do livro Lições da Crise.

O historiador Wanderley Guilherme dos Santos prefere recorrer à própria mãe para explicar o desempenho do presidente: «Ela é operária e estudou até a quarta série. Minha mãe sempre fala que não tem nenhuma amiga dela sem emprego», diz. A observação ecoa na vida do ex-desempregado Elton de Souza, que chegou a passar um ano e sete meses vivendo de pequenos bicos para sustentar esposa e filho: «Hoje estou de carteira assinada de novo em uma metalúrgica. Voltei a ter auto-estima».

*Com reportagens de Flávio Aguiar e Guilherme Jeronymo, da Agência Carta Maior; Krishma Carreira e Xandra Stefanel

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Em 9 a 12 meses, EUA passarão Brasil na produção de álcool combustível

Do Blog de Fernando Rodrigues

Deu hoje no jornal «The New York Times» (para leitores cadastrados) que  «pelo menos 39 novas usinas de etanol devem ser completadas nos próximos 9 a 12 meses». Esses projetos colocarão os Estados Unidos na frente do Brasil como o país que mais produz álcool combustível.

A reportagem «Para o bem e para o mal, “boom” de etanol remodela a economia do interior» afirma que dezenas de usinas que produzem álcool combustível a partir do milho estão surgindo pelo interior norte-americano, do Tennessee ao Kansas, chegando até a Califórnia.

Essas novas 39 usinas citadas pelo «Times» produzirão «1,4 bilhões de galões por ano, um aumento de 30% sobre a produção atual de 4,6 bilhões de galões». Em 2008, os EUA estarão produzindo «8 bilhões de galões».

(para quem não se lembra, um galão equivale a 3,7854 litros).

A razão desse boom de etanol nos EUA (comparado um pouco com a corrida do ouro) é o temor generalizado no país a respeito da dependência de petróleo importado. No post abaixo, os parágrafos iniciais da reportagem do «Times» (sorry, only in English), que deixará os usineiros brasileiros de cabelo em pé, até porque logo no terceiro parágrafo fica-se sabendo que o processo se dá em meio a «generosos subsídios do governo».

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Lula assume candidatura com ataques à oposição

Da Agência Estado

Ele chamou a oposição de vozes do atraso, comparou seu governo ao de FHC e fez auto-elogios

João Domingos, Vera Rosa, Luciana Nunes Leal

BRASÍLIA – Na convenção nacional do PT que oficializou sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso recheado de ataques à oposição, comparações com o governo de Fernando Henrique Cardoso e auto-elogios.

Ele chamou a oposição de “vozes do atraso”, “que fazem da agressão e da calúnia suas principais armas”, atacou indiretamente seu oponente, o tucano Geraldo Alckmin, por causa da crise na segurança, e disse que o povo não esqueceu o tamanho do buraco que PSDB e PFL cavaram.

No salão do Minas Tênis Clube, decorado com painéis gigantes com um Lula sorridente e um slogan populista – “Lula de novo com a força do povo” -, o presidente repetiu dez vezes a expressão “volto a ser candidato”.

“Condutas equivocadas”

Para todas, encontrou a justificativa de que o projeto de mudanças do Brasil tem de continuar e que o sonho não acabou. O presidente, no entanto, foi condescendente com o mensalão, citando a crise política apenas superficialmente, chamando o maior escândalo já investigado pelo Congresso de “condutas equivocadas”.

Ao falar sobre a crise política provocada pelo mensalão e pela revelação de que o PT praticava caixa 2, o presidente afirmou que o importante é que seu partido não perdeu o rumo e iniciou um processo de autocrítica. “A oposição aproveitou-se de algumas condutas equivocadas para generalizar culpas e tentar destruir o partido mais autenticamente popular do Brasil; o único construído de baixo para cima, com sonhos e a dor de milhões de brasileiros”.

Diante de uma platéia de cerca de 4 mil petistas, e ao lado do vice José Alencar (PRB), que foi anunciado como o parceiro da chapa da campanha pela reeleição, Lula disse que os indicadores sociais e os números da economia são os melhores dos últimos 10 anos, mas mesmo assim afirmou que não está satisfeito com a taxa de juros. “Hoje as vozes do atraso estão de volta. E como não têm uma boa obra no passado e nem propostas para o futuro, fazem da agressão e da calúnia suas principais armas”, afirmou Lula.

Sob delirantes aplausos, o presidente disse ainda que o povo não quer os tucanos de volta. “Mas eles nunca escutaram a voz do povo e, obviamente, não vão querer escutá-la agora”, disse Lula. E continuou criticando a oposição. “Por mais que nos provoquem, não usaremos os mesmos métodos, pois temos armas limpas e poderosas. Uma delas é a comparação do que eles fizeram em oito anos de governo com o que nós estamos fazendo em apenas três anos e meio”.

Comparações

Lula disse que no final do governo de Fernando Henrique a economia encolhia, o emprego diminuía e a pobreza aumentava. Classificou a gestão de Fernando Henrique como “tempo da instabilidade e da vulnerabilidade econômica, época da insensibilidade social e de sucateamento da infra-estrutura e tempo dos grandes apagões”. Foi um revide ao senador José Jorge (PFL), ministro de Minas e Energia durante os apagões de 2001, e hoje vice de Alckmin, que não se cansa de fazer críticas a Lula, como a de que o presidente “bebe muito”.

Com a citação de vários indicadores otimistas de seu governo, o presidente disse que nos oito anos de gestão tucana foi grande o aumento da carga tributária. “Nosso aumento de arrecadação, ao contrário, se deu fundamentalmente pelo crescimento da economia e a melhoria da máquina arrecadadora”. Lula disse ainda que acabou o tempo em que “um leve resfriado nos mercados globalizados significava uma grave pneumonia no Brasil”.

Na comparação entre o governo do PT e a administração tucana, Lula disse que nos oito anos de Fernando Henrique, a taxa de desemprego aumento 41%, enquanto no governo dele, diminuiu 13,7%. “Mais importante: enquanto eles criaram em média 8,3 mil empregos por mês, nós estamos criando uma média de 102 mil empregos mensais”.

PCC

Ao falar sobre a segurança pública, Lula deu uma estocada no adversário Geraldo Alckmin, que quando era governador de São Paulo não conseguiu controlar as rebeliões de presos no Estado, as quais acabaram por resultar nos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em maio. “A Constituição Federal estabelece que a segurança pública é de responsabilidade dos Estados. Não quero criar um álibi legal para afastar-me do dever de considerar este um dos mais sérios problemas do Brasil”.

O presidente falou ainda que os adversários tentaram se aproveitar da situação para passar “a falta idéia” de que seu governo compactuava com atos ilícitos. Lula repetiu ainda que seu governo foi o que mais apurou e puniu a corrupção em toda a História.

Embora Lula não tenha fechado a coligação que vai apoiar a campanha da reeleição, estavam na sua mesa o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), o senador José Sarney (PMDB-AP), os presidente do PC do B, Renato Rabelo, do PTB, Flávio Martinez, e do PSB, Eduardo Campos.

Durante toda a convenção, foi tocado o novo jingle da campanha, com forte tom populista. “É o primeiro presidente que tem a alma do povo do povo e tem a cara da gente. Por um País justo e independente, onde o presidente é povo e o povo é presidente´, diz um dos trechos da música. Mas antes do início do discurso de Lula, os presentes cantaram mesmo foi o “Lula-lá”, de 1989.

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