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Lula vai constranger Alckmin comparando-o a FHC

Do Blog de Josias de Souza:

«Eles morderam a isca». Com essa frase, dita em reserva a um assessor, Lula festejou nesta segunda-feira a reação de Fernando Henrique Cardoso ao discurso que pronunciara no sábado, ao ser aclamado como candidato à reeleição na convenção nacional do PT. Para constranger o adversário Geraldo Alckmin, Lula decidiu intensificar uma linha de campanha que já havia definido: a comparação de seus 42 meses de governo com os oito anos da era FHC.

Com sua estratégia, Lula quer grudar a imagem de Alckmin à de FHC, cuja impopularidade resultou, no final de 2002, na ascensão do PT ao poder. Porém, ao contrário do que faz supor a conclusão do presidente, nem Alckmin nem os integrantes do comando de sua campanha «morderam a isca». O candidato tucano está decidido, agora mais do que antes, a não cair no que chama de «jogo do PT». Quer dissociar sua campanha do governo FHC.

Embora não vá deixar de se solidarizar com FHC, o alto comando da campanha tucana decidiu que cabe ao ex-presidente, não ao candidato, responder às provocações de Lula. A partir de 15 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, o programa de TV de Alckmin vai seguir a linha das peças publicitárias exibidas pelo PSDB neste mês de junho. Alckmin será vendido como uma liderança nova, com biografia independente e com uma obra própria a exibir: o governo de São Paulo.

O receio do tucanato de ver Alckmin tachado como um prosseguimento de FHC, anima ainda mais Lula a dar curso à tática da comparação. Nesta segunda-feira, depois de participar de uma reunião do comitê gestor do governo, com a presença de Lula, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) esboçou a estratégia. Referindo-se a um fragmento de uma das frases ditas por FHC «Eu quero a comparação. Venham com qualquer tema (…)» – Tarso disse que o ex-presidente «foi corajoso».

Em timbre estudado, Tarso soou irônico: “Ao invés de se ater à sua condição de ex-presidente, Fernando Henrique respondeu pelo Alckmin. Tiro disso duas conclusões: Alckmin não quer se responsabilizar pelo governo de FHC e FHC quer fazer essa colagem”.

Ao tentar arrastar o adversário para um canto da arena eleitoral que o tucanato rejeita, Lula imagina que irá imprimir à campanha um tom crítico sem que os os partidários de Alckmin possam acusá-lo de ter cedido à «baixaria». Irá ao ataque valendo-se de uma arma que define como «programática». Não fará senão a defesa dos projetos que julga ter implementado, comparando os resultados de sua gestão com os da administração FHC.

Depois de insinuar que Lula o venceu «na corrupção», FHC chamou o sucessor de «incompetente». Disse: “É uma vergonha que em um mundo nas condições de hoje, bem diferentes das do meu tempo, o Brasil não tenha aproveitado a onda para crescer mais. Falavam e ameaçavam. Mesma coisa: 2,6%. Eu, com quatro crises financeiras, e eles com um “boom” econômico no mundo todo. Incompetentes.”

O petismo desdenha dos argumentos econômicos de FHC. Alegam que, no biênio 95-96, auge do plano real, com um cenário internacional mais favorável do que o atual, a gestão tucana exibiu números menos favoráveis que os de Lula.

No livro “Brasil, Primeiro Tempo”, lançado há cerca de um mês e meio, o petista Aloizio Mercadante anota que, nos primeiros três anos da gestão Lula, as exportações brasileiras aumentaram 96%. Mais do que a média internacional, de 60%. Em contrapartida, no biênio de ouro de FHC, sem crises internacionais, as exportações brasileiras cresceram só 9,6%, contra uma média mundial de 26%. «Aproveitar cenários favoráveis não é, pois, algo fácil e automático», escreveu Mercadante, que hoje disputa com o tucano José Serra o governo de São Paulo.

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