Em 7 meses, Lula ganhou 16 pontos; Alckmin parou
Comentário: enquanto o PT, ou o próprio presidente Lula permanece confiante na vitória no primeiro turno, chegando mesmo a “peitar” a concorrência com comentários como: “eles não sabem perder”, o tucanato está de cabelo em pé. Alckmin teve a candidatura lançada oficialmente nesta última semana – logo após a pesquisa – mas saibam que o anúncio de seu nome foi realizado muito tempo antes. E mesmo após este anúncio, Alckmin tem perdido votos!
A última pesquisa IBOPE traz ainda uma coincidência: foi realizada entre 5 e 7 de junho. A invasão da Câmara dos Deputados, realizada pelo MLST e indiretamente “patrocinada” pelo governo, que possui convênio com a Anara – Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária através do INCRA, ocorreu no dia 6 de junho. Certamente outras notícias referentes ao financiamento somente chegaram às manchetes após o dia 7, mas a opinião pública em geral tem sim conhecimento de ligações de longa data entre o PT e os movimentos de sem-terra (do qual o MLST é um integrante): o próprio Bruno Maranhão, “capitão” da invasão, é dirigente nacional do partido governista. Ou era: foi excluído da Executiva Nacional e poderá ser expulso no próximo dia 23.
Não se pode confundir, por mais que a oposição queira fazê-lo, a atuação individual de um integrante com uma atuação institucional. Assim, a participação de Bruno Maranhão no episódio deve (ou pode?) ser considerada como de foro íntimo.
A invasão e suas conseqüências são deploráveis. Não tem absolutamente nada à ver com a luta de um movimento que busca a reforma agrária. Particularmente sou a favor da reforma. Mas porque será que os movimentos não voltam às origens, quando invadiam fazendas improdutivas e “forçavam” a desapropriação? E por quê não fazer uma atuação institucional, pesquisando as tais fazendas e solicitando formalmente a desapropriação? Uma coisa é fato: desde o início da década de 90, em função do aumento de produção, diversas propriedades improdutivas voltaram ao rol daquelas que geram riqueza ao país. Mas… o que o Congresso Nacional tem de fazenda? Qual era a intenção? Chamar a atenção? E por quê não uma atuação pacífica, do tipo montarem barraca em frente ao Congresso Nacional? O grupo manteria a aura pacífica e não traria contra si o ódio da opinião pública.
De volta à pesquisa… Novas sondagens serão divulgadas em breve. Mas é importante observar que esta última, do Ibope, que dá 48% para Lula no primeiro turno, já traz, sim, reflexo da invasão patrocinada pelo MLST. É: o PSDB tem todos os motivos para botar as barbas de molho! Confiar nos 45 dias de propaganda eleitoral na televisão, como faz crer Alckmin, é MUITO POUCO!
Sandro Araújo
Abaixo, comentário de Josias de Souza.
Em nova pesquisa, o Ibope informa que, se as eleições fossem realizadas hoje, Lula derrotaria Geraldo “chuchumbo” Alckmin no primeiro turno. Teria 48% das intenções de voto , contra 19% atribuídos ao adversário. Uma diferença de 29 pontos.
A pesquisa foi divulgada pela CNI. Considerando-se a série das últimas três pesquisas feitas pelo Ibope por encomenda da Confederação das Indústrias, verifica-se que Lula ganhou 16 pontos percentuais em sete meses. Saiu de um patamar de 32% em dezembro de 2005 para 48% neste mês de junho de 2006.
Quanto a Alckmin, manteve-se em situação de incômoda estabilidade no mesmo período. Em dezembro de 2005, desfrutava de 20% da preferência do eleitorado. Agora, tem 19%. A nova pesquisa foi feita entre 5 e 7 de junho. Ouviram-se 2.002 eleitores em 143 municípios.
A imobilidade de Alckmin nas pesquisas inquieta o tucanato. Para tentar fazer o seu candidato alçar vôo, o PSDB transformou-o em estrela de sua publicidade institucional. Em 2006, o partido tem direito a 60 minutos no rádio e na TV.
As inserções estão distribuídas assim: um programa de 20 minutos, a ser exibido no horário nobre da noite do dia 22 de junho, e mais 40 minutos distribuídos em oito dias (cinco minutos por dia, fatiados em cinco peças de um minuto ou dez de 30 segundos).
O PSDB já utilizou em abril três dos oito dias de propaganda de cinco minutos. Restaram cinco datas: 8, 13, 20, 27 e 29 de junho. Sem contar o programa mais extenso (20 minutos), do dia 22.
O campo da pesquisa Ibope foi fechado na véspera do início da exibição das peças publicitárias do PSDB. A publicidade do PT foi usada pelo partido em maio. Se Alckmin não crescer nas próximas sondagens, a inquietação do tucanato evoluirá para o desespero.
