Eleições 2006 – Balanço Atual
Por Sandro Araújo
As eleições de outubro estão chegando: faltam pouco mais de três meses para o primeiro turno.
Devagar, os partidos estão homologando as suas chapas e os candidatos estão se mostrando ao mundo político: na última semana o PSDB oficializou a candidatura de Geraldo Alckmin – agora apenas “Geraldo”. O PFL também oficializou a aliança com o parceiro de 1994, com o lançamento de José Jorge como vice de Geraldo. No discurso de oficialização das candidaturas, Jorge bateu forte em Lula: disse que o presidente “viaja muito, bebe muito e trabalha pouco”. A resposta de Lula? Disse que falta caráter a quem o acusa.
Outros partidos também se movimentam: a candidatura de Heloísa Helena, PSol, é para valer. O PDT cogita lançar Cristóvam Buarque, mas ainda não fez a sua convenção. José Maria Eymael deve completar o grupo de candidatos ao planalto.
A se manter a tendência dos últimos meses, Lula será reeleito no primeiro turno. Um artigo deste blog fala do crescimento de 16 pontos de Lula enquanto Geraldo permanece estacionado. Em tempos de copa do mundo, vale uma “metáfora futebolística”: Lula parece-se mais com o Robinho, todo serelepe, enquanto Geraldo (sim, é assim que ele prefere ser “vendido” aos brasileiros) está mais para Ronaldo “Fenômeno” no primeiro jogo da seleção, totalmente estático.
A coordenação de campanha de Geraldo parece perdida na escolha de uma tática para atacar o favorito Lula (que deverá oficializar sua candidatura próximo do fim do mês, repetindo FHC em 1998): ora quer uma campanha propositiva, mostrando a que veio, ora bate forte, lembrando os escândalos de corrupção do governo atual – foi o que fez José Jorge, no discurso citado acima.
A lei eleitoral aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, chamada de “mini-reforma” trazia em um de seus artigos dispositivo que proibia a exibição de cenas externas na propaganda eleitoral gratuita na televisão – a exemplo do que ocorreu na eleição de 1998. Numa atitude de estadista e até corajosa, o presidente Lula vetou tal dispositivo. Leia mais em outro artigo deste blog.
Por outro lado, numa atitude que cheirou a um arroubo de auto-suficiência, o presidente Lula desafiou a oposição a mostrar cenas das CPIs do Congresso Nacional, que seriam comprometedoras ao PT, afirmando que os brasileiros iriam ver como “muita gente inocente foi execrada”.
Em uma entrevista concedida ao Caderno Brasília, do jornal mineiro Hoje em Dia, o presidente nacional do PT, Deputado Ricardo Berzoini, deu outra pista para as próximas eleições: diz que a oposição estaria agindo de maneira de maneira equivocada ao apontar os escândalos de corrupção do governo Lula, afirmando que «A população sabe que o combate à corrupção é importante, mas não é o tema único nem central numa campanha eleitoral». O presidente do PT afirma que esta estratégia é equivocada, e que a oposição deveria fazer uma campanha propositiva. Afirma ainda que, caso a oposição insista em mostrar os escândalos de corrupção no governo Lula, o PT irá retrucar, mostrando escândalos ocorridos na gestão FHC, nomeadamente: As denúncias da compra de votos para a emenda da reeleição, a questão das privatizações, o famoso jantar secreto do Fernando Henrique com o Daniel Dantas, que saiu na Imprensa. Para ler a entrevista completa, basta fazer um cadastro gratuito no sítio do jornal, www.hojeemdia.com.br. Para refrescar a memória, vale apena ler outro artigo deste blog, oriundo do Jornal do Brasil, ”A matemática conveniente de Fernando Henrique”, que cita alguns escândalos daquele governo e compara as atitudes de um e de outro Presidente da República.
Heloísa Helena, entrevistada por Istoé reclama da polarização PT-PSDB: “A eleição não é só PT versus PSDB”, leia aqui. Em recente entrevista à rádio CBN, Cristóvam Buarque, ex-governador do Distrito Federal, senador eleito pelo PT, ex-Ministro da Educação de Lula e atualmente no PDT, afirma ser pré-candidato pelo partido de Brizola e também que quer uma campanha propositiva.
As últimas eleições, de 2002, deverão entrar para a história como a eleição do sonho: lembremos do lema do PT, “a esperança vencerá o medo”. E as próximas, como entrarão para a história? Como uma comparação de FHC x Lula? Ou ainda uma comparação PT x PSDB? A eleição pós-constatação de que “todos os partidos são iguais”, “todos são corruptos” e que o “menos pior deverá ser eleito”?
O Brasil merece muito, mas muito mais que isto!
A estratégia de bater no governo, “alertando” a população de que a “corrupção permeia todos os escalões do poder” acaba respingando no próprio PSDB e PFL: o que as pesquisas demonstram é que para a população simplesmente caiu a “máscara”, a “aura de bom” do PT, que se mostrou igual aos demais partidos. Infelizmente, para a oposição, não tirou um voto sequer do presidente – que como já dito, só vem crescendo, pesquisa após pesquisa.
O que se procura é a volta às propostas, a volta ao debate de que país queremos, que projeto de nação buscamos. A estabilidade financeira chegou, é fato: e nem a posse de um partido que tanto criticou o plano Real, do qual foi vítima, contaminou o desejo nacional de uma moeda estável, uma economia civilizada. Mas ainda é muito pouco! Precisamos de crescimento, de desenvolvimento. Quem encarnará esta proposta?
Mesmo que nenhum dos declarados candidatos (Lula, “Geraldo” e Heloísa Helena) o faça, é importante a volta ao debate: nem que isto só valha para 2010, seria interessante ao nosso país passar os próximos quatro anos pensando qual deverá ser o seu futuro.
Para finalizar, um comentário: é de causar asco a atitude do PMDB ao não assumir uma candidatura própria. O partido tem uma das maiores estruturas do país – só comparável ao PT dos velhos tempos. O lançamento de um candidato de verdade poderia sim melhorar o nível do debate. Mesmo não sendo um peemedebista histórico, o ex-governador fluminense Garotinho resumiu muito bem o que não se deseja do partido: que ele seja uma “prostituta” nas mãos de outros partidos. Em nome dos projetos regionais, o partido mostra-se COVARDE
para enfrentar os problemas nacionais.
