Concertación
Escrevi no domingo uma coluna sobre o que virá depois da eleição.
Acho que vocës leram e que alguns concordam. Seja Lula ou seja Alckmin o presidente eleito, náo vai ser fácil.
Se Lula for apeado do poder, haverá ressentimento que se traduzirá em mobilização constante contra o novo governo. Se antes de tudo isso houve um "Fora FHC" comandando pelos radicais, imagine-se se forem escorraçados do Governo.
Se Alckmin perder, o PSDB também não o vai dar moleza. E Lula terá que inventar um jeito de governar, fazer a maioria, sem apelar para o fisiologismo, o mensaláo, seja lá o que for.
Por isso os mais ajuizados – como o senador Jefferson Peres, na oposição, e o ministro Tarso Genro, no PT – andam falando em pactuação ou Concertación ä la chilena.
É preciso pensar nisso. No Chile, partidos antagônicos, de centro e de esquerda (PS mais Democracia Cristá) juntaram-se na coalisáo que governa o país há 12 anos, obtendo estabilidade para fazer reformas e tocar um projeto de desenvolvimento. Ficaram fora a direita e grupelhos da ultra-esquerda.
Quem eu vejo também, do lado do PSDB, disposto a este entendimento, é o governador Aécio Neves. Talvez por isso os falcóes da coalisáo PSDB-PFL, como o prefeito César Maia, o estejam atacando.
Do próprio presidente Lula ainda náo ouvimos nada. Mas chegam-me informações de que se for reeleito, terá humildade para chamar ao entendimento mínimo, transparente, decente.
Quem náo entender isso dará com os burros nágua.
