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Por que Lula é tão forte entre os mais pobres

Meu comentário: Com um salário mínimo de R$ 350 e uma Bolsa Família que atinge boa parcela da população recente aumentada para R$ 120, o cidadão de baixa renda tem conseguido uma melhor qualidade de vida, especialmente quando se leva em conta a alimentação. Um saco de arroz agulhinha custava a quatro anos cerca de 10 reais. Hoje custa menos de 5 reais. O salário mínimo era R$ 200! Tudo isto explica os altos índices de intenção de voto para a reeleição do atual Presidente da República. Abaixo, matéria da Revista Veja.

Da VEJA deste fim de semana, citada pelo Blog do Noblat:

"Nos três primeiros anos do governo petista, a inflação acumulada chegou a quase 25%, mas os alimentos subiram apenas 9% – o que tem uma repercussão notável no orçamento de famílias menos abastadas. Só o preço do arroz, produto onipresente na dieta dos brasileiros, caiu um terço de 2003 para cá. A tendência prossegue inalterada.

Nos quatro primeiros meses deste ano, o preço do arroz baixou 5,2%, além de produtos mais nobres, como a carne, cujo quilo ficou 6% mais barato (veja quadro ao lado). A parcela mais pobre do eleitorado tem manifestado sua satisfação na forma de voto. De acordo com a pesquisa do Datafolha da semana passada, Lula tem 27% de preferência nas famílias cuja renda mensal é superior a dez salários mínimos.

Mas, nas famílias que ganham até dois mínimos, Lula salta para 49%. "A vida melhorou muito", diz a faxineira Luana Maria, 22 anos, bebê no colo, moradora de uma área pobre a 10 quilômetros do Palácio do Planalto. "Antes, o litro do óleo custava 3,40 reais. Hoje, encontro até por 1,15", diz ela, que ganha 347 reais. Luana Maria informa que votará em Lula.

As pesquisas mostram que o eleitorado brasileiro em geral, e não apenas sua parcela mais pauperizada, coloca como uma das prioridades ter acesso a alimentação farta, variada e barata. Em sucessivas pesquisas do instituto Sensus, feitas de 2004 para cá, os eleitores mostram que prestam muita atenção ao preço dos alimentos – e deixam claro que, depois da "reforma na casa", a primeira coisa que fariam com um eventual aumento de salário seria "melhorar a alimentação".

Na última pesquisa da série, realizada em dezembro passado, constata-se que o temor de que os alimentos aumentem de preço caiu de 31% para 20%. "Com o preço dos alimentos subindo abaixo da inflação média, o poder de compra do salário mínimo se fortalece", diz o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas. O poder de compra do salário mínimo, porém, não acresceu apenas em função do baixo preço dos alimentos.

Nos três primeiros anos do governo atual, teve um aumento real da ordem de 25%. Com o salário mínimo de hoje, pode-se comprar muito mais comida do que há cinco ou dez anos (veja a lista de compras de 1996, a de 2001 e a de hoje).

Obviamente, o presidente Lula não se interessa em ressaltar em seus discursos que o bom desempenho do preço dos alimentos não é resultado de políticas específicas de seu governo, mas da estabilidade monetária, cujas bases foram plantadas por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Em 2004, Lula eliminou a incidência de dois tributos, o PIS e a Cofins, sobre uma série de produtos alimentícios de consumo popular, numa tentativa de favorecer a mesa dos brasileiros mais pobres, mas os economistas são unânimes em dizer que o efeito sobre o preço final da cesta básica foi praticamente nulo. Fatores pontuais têm contribuído também para a queda do preço dos alimentos. O preço do arroz, por exemplo, tem caído devido à superprodução e à concorrência com o produto mais barato importado da Argentina e do Uruguai.

O dado que melhor explica a queda nos preços dos alimentos, no entanto, é a valorização do real diante do dólar, que desestimula a exportação e provoca aumento da oferta de alimentos no mercado interno. Na vigência do Plano Real, Fernando Henrique ganhou popularidade com a queda nos preços do frango e do iogurte. Reelegeu-se, mas não fez o sucessor. Agora, Lula fatura com alimentos baratos."

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