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Arquivo de maio, 2006

Em pesquisa do PSDB, Lula ainda é franco favorito

Do Blog de Josias de Souza:

Uma pesquisa nacional feita pelo Ibope por encomenda do PSDB deixou desconsolado o alto comando da campanha de Geraldo Alckmin. Ouviram-se mais de 3.000 eleitores. O resultado é mantido em segredo. Mas o blog apurou que Lula segue, inabalável, como franco favorito, acima dos 40%. Quanto a Alckmin, não demonstrou capacidade de reação. A despeito de todo o empenho que empreende para tornar-se mais «conhecido» do eleitor, permanece pouco abaixo dos 20%.

Em reunião realizada há dois dias, com a presença de Alckmin, lideranças do PSDB ouviram a análise de um especialista em leitura de sondagens eleitorais, o sociólogo Antonio Lavareda. Ele não jogou a toalha. Ao contrário, disse que Lula não é imbatível. Mas precisa ser confrontado da maneira correta.

Trava-se nos subterrâneos do tucanato um debate acerca do timbre das manifestações públicas de Alckmin. O que se discute é se o candidato deve ou não subir o tom dos comentários que faz sobre o governo Lula. Prevalece, por ora, a ala que defende a priorização do discurso programático. Avalia-se que, em sua peregrinação pelo Nordeste, por exemplo, Alckmin ganha mais se disser o que pretende fazer para melhorar a vida de seus ouvintes do que se desandar a desqualificar o adversário.

Os tucanos que têm influência sobre os rumos da campanha tentam, de resto, administrar a própria ansiedade. Escoram-se no argumento de que o jogo só começa de fato a partir de junho, depois das convenções partidárias. Até lá, escondendo a condição de candidato atrás do cargo de presidente, Lula continuará desfrutando de uma exposição de mídia desproporcional em relação aos demais candidatos.

Não resta ao PSDB, avalia o comando da campanha, senão continuar expondo Alckmin nas áreas em que ele é desconhecido e trabalhar para compor em torno dele uma aliança partidária capaz de proporcionar-lhe um tempo de TV maior do que o de Lula. Daí o esforço para agregar ao consórcio tucano-pefelista pelo menos o PDT e o PPS.

Tenta-se também corrigir uma falha apontada por especialistas em marketing que estão a serviço do tucanato. Avalia-se que falta a Alckmin um lema de campanha. Algo capaz de despertar empolgação no eleitorado, à semelhança do Plano Real na primeira campanha de FHC em 1994 e do discurso «mudancista» de Lula em 2002.

Essa idéia motriz ainda não foi cunhada. Tem-se, por ora, a impressão de que o discurso da «lavagem ética» ensaiado por Alckmin não colou. Trabalha-se com o conceito, ainda vago, da aposta preferencial no desenvolvimento do país, no crescimento da economia.

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ONGs e empresa ligadas a Garotinho recebem recursos do Governo Federal

Aline Sá Teles – Contas Abertas

O quebra-cabeça do esquema de repasse de dinheiro à campanha do pré-candidato do PMDB à Presidência, Anthony Garotinho, por meio de ONGs e empresas acaba de ganhar novas peças. De acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), além de terem recebido do governo do Rio de Janeiro, três das 12 ONGs envolvidas nas irregularidades também prestam serviços ao Governo Federal. Das empresas envolvidas, a Brasília – Empresa de Serviços Técnicos Ltda. (Best), acusada de alugar veículos para o Governo do Rio a preços superfaturados, recebeu da União só no ano passado, R$ 9,7 milhões.

Este ano, a Best, que está cadastrada na Receita Federal com três CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) diferentes – um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo e mais um em Brasília – recebeu quase R$ 2 milhões do Governo Federal. A empresa, que tem uma linha de fornecimento de mais de 60 serviços, dispõe-se a atuar nas mais diversas áreas, como obra civil de jardinagem, transporte rodoviário, limpeza, serviços de informática, telemarketing, dedetização, dentre outras. Em 2004, a Best recebeu outros R$ 13,5 milhões da a União.

Das organizações não governamentais denunciadas, a Fundação Oscar Rudge, que embolsou R$ 12,2 milhões para o Projeto Emergência em Casa do governo do Rio, também recebeu, no ano passado, R$ 500 mil do Fundo Nacional de Saúde do Governo Federal. Na descrição do empenho, o valor gasto é referente à “aquisição de equipamentos e materiais permanentes”. Este ano, a fundação já tem um empenho do Ministério da Saúde, de R$ 78,5 mil para contratação de empresa especializada em eventos. O dinheiro serviu para pagar a recepção de 3.490 candidatos aprovados em concurso público. Para ver o empenho, clique aqui.

O Instituto de Organização Racional do Trabalho do Rio de Janeiro (Idort) é outro que, além dos R$ 13,6 milhões pagos pelo Estado do Rio, recebeu mais R$ 4.316,50, pagos pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), para um treinamento na área de administração. Além disso, em 2005 o Ministério da Agricultura pagou para o Idort, outros R$ 5.906 mil, para a realização de uma palestra com o professor Luiz Fernando da Silva Pinto. O dinheiro que saiu dos cofres do Rio de Janeiro foi pago, supostamente, para que o Idort gerenciasse o Programa de Nutrição na Saúde e prestasse serviços à Fundação de Apoio à Escola Técnica.

A terceira Instituição que mantém contratos com o Governo Federal é o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento (IBDT), que ganhou em dezembro do ano passado R$ 80 mil pela realização do II Projeto de Mulheres Quilombolas no Estado de Alagoas, da Fundação Cultura Palmares, entidade ligada ao Ministério da Cultura. Para ver o empenho, clique aqui.

A tentativa frustrada de Anthony Garotinho de fazer uma campanha mais transparente revelou repasses, supostamente ilegais de R$ 112 milhões que saíram dos cofres do Rio de Janeiro, para pagar ONGs e empresas de fachada. O vexame público parece não ter sido suficiente. A solução encontrada pelo pré-candidato à presidência foi iniciar uma greve de fome que já dura 5 dias, como forma de protesto às acusações que cada dia ganham mais peso.

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PSDB quer 'esconder' FHC na campanha de Alckmin

Meu comentário:

O Governo FHC teria sido o melhor da recente história política do Brasil. No entanto FHC não conseguiu fazer o seu sucessor – o escolhido era seu todo-poderoso Ministro da Saúde, José Serra. Nesta eleição Serra foi preterido (ou está sendo) em nome de Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo. FHC foi bem avaliado durante muito tempo de seu governo – tendo inclusive sido reeleito. Por que, então, esconder FHC, o “cardeal maior” do PSDB neste momento crucial?

Parece que a estratégia do PT de fazer desta eleição uma oportunidade de comparação entre o atual governo e o anterior (em última análise uma comparação LULA x FHC) tem dado certo: o próprio PSDB tem agido para ‘esconder’ o antigo presidente, deixando-o na retaguarda durante a campanha eleitoral. Será um erro crasso. E é neste ponto que será decidida a eleição de 2006: na covardia de uns que não dão a ‘cara a tapa’ e na falta de coesão do partido ao apoiar e suportar a campanha de Alckmin.

Enquanto isto, não nos iludamos, Serra sonha com a possibilidade de ser chamado à última hora para concorrer novamente à presidência.

Reproduzo abaixo excelente artigo de Josias de Souza.

Do Blog de Josias de Souza:

O PSDB decidiu «esconder» na campanha eleitoral deste ano uma de suas principais lideranças. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso terá participação restrita aos bastidores. Nem vai ser exposto na «vitrine» do horário eleitoral de televisão nem vai dividir o palanque com o presidenciável tucano Geraldo Alckmin.

O signatário do blog ouviu dois tucanos que integram o alto comando da campanha de Alckmin. Um deles disse: «Não faria o menor sentido colocarmos o Fernando Henrique na linha de frente dessa disputa». O outro declarou: «Ele (FHC) é um homem inteligente. Sabe que seu papel deve ser apenas o de conselheiro estratégico».

O tucanato avalia que a participação ostensiva de FHC facilitaria o trabalho de Lula, cuja principal tática de campanha é o estabelecimento de uma comparação de sua gestão com a de seu predecessor. Pesquisas internas do PSDB – qualitativas e quantitativas – indicam que é alta a taxa de rejeição de FHC junto ao eleitorado.

Daí a intenção do PSDB de privilegiar na propaganda eleitoral as aparições de Alckmin. A idéia é apresentá-lo como um político de «personalidade própria», não uma mera «continuação» de FHC. Serão realçadas: 1) a gestão de Alckmin à frente do governo de São Paulo; 2) os planos do candidato para «desenvolver o país».

Em reuniões realizadas na terça e nesta quarta-feira, a cúpula do tucanato traçou os próximos passos da campanha de Alckmin. Decidiu-se o seguinte nos encontros, que contaram com a participação do candidato:

1) Até 20 de maio:

  • Dar-se-á prioridade à montagem dos palanques regionais. Busca-se resolver impasses levantados pelo PFL, virtual parceiro de campanha de Alckmin. Considera-se que estão praticamente resolvidos os problemas dos dois Estados apontados como principais: Bahia e Sergipe;
  • Fechadas as «feridas» regionais, pretende-se formalizar a aliança nacional com o PFL, com a indicação do nome do vice de Alckmin. Dá-se preferência ao nome de José Agripino Maia (PFL-RN). Mas o tucanato renovou a decisão de não se meter na disputa travada entre os pefelistas. Agripino disputa a vaga de vice com José Jorge (PFL-PE);
  • Pretende-se concluir o ciclo de viagens de Alckmin pelos Estados do Nordeste, região em que o candidato é menos conhecido. Estima-se que até 20 de maio ele terá percorrido toda a região. O próximo Estado a ser visitado deve ser a Bahia de Antonio Carlos Magalhães (PFL);
2) Até 10 de junho:
  • Planeja-se concluir até esse dia negociações que já estão em curso para ampliar a aliança nacional em torno de Alckmin. Tenta-se arrastar para um acordo formal, além do PFL, pelo menos mais duas legendas: PPS e PDT;
  • Deseja-se evitar que o PMDB se bandeie para o lado de Lula. Todo esforço será feito para que se componha com PSDB e PFL. Formal ou informalmente. Se quiser, o PMDB pode indicar o vice de Alckmin. O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, disse à direção do PSDB que, neste caso, seu partido não representaria um empecilho. Tudo em nome do projeto de derrotar Lula, que, nesta quarta-feira, enviou um emissário para conversar com Michel Temer, presidente do PMDB.
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Renan assume Presidência da República

Geraldo Sobreira – Agência Senado

Em entrevista na Base Aérea de Brasília, logo após assumir a Presidência da República na manhàdesta quinta-feira (4), o presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que exercerá o cargo com a máxima discrição. “Nesta curtíssima interinidade, que muito me honra, vou cumprir o meu dever constitucional, com absoluta responsabilidade, mas com a máxima discrição”, declarou. O 1º vice-presidente do Senado, Tião Viana, ocupará interinamente a Presidência da Casa.

Renan assumiu o cargo em razão da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Puerto Iguazú, na Argentina, para participar da reunião quadripartite Brasil/Argentina/Bolívia/Venezuela sobre a decisão do governo boliviano de nacionalizar as reservas de gás e petróleo. Há também previsão de almoço a ser oferecido pelo presidente argentino Nestor Kirchner, no Grand Iguazú Hotel. Lula voltará no final da tarde desta quinta-feira.

Logo após a decolagem do avião presidencial, Renan afirmou:

- Já disse a ele que as canetas do presidente da República se manteriam intactas, a não ser que haja absoluta necessidade – ressaltou.

A agenda de Renan na Presidência da República é a seguinte: às 10h, recebe a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; às 10h30, participa da cerimônia de apresentação do Relatório Global sobre Trabalho Infantil, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e às 13h, recebe o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. O horário das 15h é destinado a despachos internos. Às 19h, Renan comparece à posse do ministro Marco Aurélio de Mello na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

PMDB

Perguntado sobre a posição do PMDB em relação à eleição presidencial, Renan disse que o melhor para o partido é deixar de lançar candidato à Presidência e ficar livre para fazer alianças nos estados. Dessa forma, segundo ele, o PMDB poderá fazer o maior número de governadores,deputados e senadores.

Para decidir sobre a questão, o partido realiza convenção nacional no dia 13 de maio, no auditório Petrônio Portela, do Senado.

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Geraldo Alckmin perde vantagem sobre Lula, aponta Ibope

Pesquisa de intenções de voto feita pelo Ibope, divulgada nesta quarta-feira, revela que o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, continua na liderança entre os eleitores do Estado de São Paulo, mas vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Se as eleições fossem hoje, Alckmin teria 42% dos votos em São Paulo contra 33% de Lula e 4% do candidato do PMDB Anthony Garotinho. Na pesquisa anterior, Alckmin tinha 46% das intenções de voto contra 28% de Lula.

Na pesquisa estimulada para medir a rejeição entre os candidatos, Lula teve 33%, contra 35% do levantamento de abril. Alckmin registrou 11%, mesmo porcentual da pesquisa anterior. Anthony Garotinho teve 39%, contra 35% da amostra anterior.

A sondagem foi encomendada pelo Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) e pela (Fetcesp) Federação das Empresas de Transportes do Estado de São Paulo. Foram ouvidas 1.204 pessoas em 63 municípios do Estado entre os dias 28 e 30 de abril. A pesquisa tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

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Garotinho transforma greve de fome em "reality show"

Comentário: é triste imaginar que um candidato a Presidência da República recorra a estes métodos para alavancar uma candidatura…

Da Folha de São Paulo

Como se fosse um reality show, a greve de fome de Garotinho está sendo acompanhada por fotógrafos e cinegrafistas através de uma porta de vidro.

A greve, iniciada às 17h15 de anteontem, é uma resposta às denúncias de que as empresas que doaram R$ 650 mil à pré-campanha são de fachada e que outras são ONGs contratadas sem licitação pela Fesp (Fundação Escola de Serviço Público) e beneficiadas com repasses do governo.

A governadora Rosinha Matheus determinou ontem que a Procuradoria Geral do Estado crie uma comissão para apurar as denúncias em relação à contratação e à execução de serviços da Fesp.

Garotinho se mantém numa sala de 15 metros quadrados na sede regional do partido, no centro do Rio. Dispõe de um pequeno banheiro com chuveiro e de um frigobar, onde há apenas água.

No espetáculo que se tornou a greve, o momento de maior dramaticidade foi quando Rosinha chegou acompanhada de seis dos nove filhos do casal, ao meio-dia.

Deitado com a luz apagada, Garotinho não se levantou para recebê-los. Em vez disso, todos se ajoelharam ao lado do sofá e rezaram. A filha Clara, 11, chorou muito. Depois, levantaram-se e abraçaram Garotinho. Ficaram na sala por cerca de 30 minutos.

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