Arquivo

Arquivo de maio, 2006

Fulni-ô: Os últimos resistentes à língua portuguesa

Do Jornal Digital

Maceió – Os Fulni-ô, infelizmente, são uma excepção à regra. Este povo indígena, em todo o Nordeste brasileiro, é o único que conseguiu manter a sua língua materna com bastante vitalidade. Praticamente todas as outras – e eram muitas quando os colonizadores portugueses chegaram – estão mortas.
«A manutenção do `yathe´, que está encravada no meio de população de língua portuguesa há séculos, é algo realmente extraordinário», afirma Januacele da Costa, professora do Departamento de Linguística da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). «É possível comparar a sobrevivência desse idioma com o basco, uma língua também isolada, dentro dos territórios atuais da França e da Espanha», explica.

Se os Fulni-ô conseguiram resistir, e hoje possuem meios de exteriorizar melhor sua «indianidade», em quase todas as outras tribos a saída surge apenas quando os linguistas se aproximam e criam meios de difusão do idioma, que muitas vezes é apenas falado. Essa necessidade, por exemplo, levou a pedagoga, historiadora e indígena Maria Pankaruru, orientada por Januacele, a trabalhar em seu doutorado com a língua ofayé, tribo do interior do Mato Grosso do Sul.

«Essa língua é falada actualmente por apenas 11 pessoas. A tribo hoje tem 46 indígenas e outros 27 brancos que vivem lá devido aos casamentos interétnicos», explica Maria, que actualmente é funcionária da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), de Maceió, Estado de Alagoas.

O trabalho académico da pesquisadora, defendido no dia 19 de Abril, culminou com a criação de uma cartilha, que está a ser usada pela professora Marilda de Souza com dez crianças da tribo Ofayé. A pesquisa atingiu um nível muito maior do que a montagem do material didáctico. A primeira indígena doutora do Brasil fez uma espécie de gramática da língua estudada por ela.

«Esse é um trabalho que tenta colaborar para a preservação de uma língua indígena específica», explica Maria Pankaruru. «O que ocorre muitas vezes é que as crianças indígenas estão aprendendo rapidamente o português.

Os pais têm medo de que, se elas falarem apenas a língua indígena, passem a ser discriminadas nas escolas, pelos colegas. O problema é que o preconceito ocorre de qualquer forma, muitas vezes por parte do professor, mesmo que a criança fale apenas a língua oficial do Brasil», afirma a pesquisadora indígena, que contou com uma bolsa financiada pela Fundação Ford, instituição que no Brasil tem uma parceria com a Fundação Carlos Chagas.

Na sua própria trajectória, além das duas graduações e do mestrado, Maria estudou até a antiga sétima série em São Paulo, porque a sua família resolveu deixar a tribo Pankararu, localizada no sertão pernambucano, devido à seca, mas depois voltou ao Nordeste. A investigadora admite que ouviu professores passarem aos seus alunos muitos dos estereótipos atrelados aos indígenas. «Isso existe infelizmente», afirma.

Apesar de ser de uma tribo com quatro mil pessoas ainda, que mantém vivo vários dos rituais feitos pelos antepassados, Maria Pankararu não poderá repetir o seu trabalho linguístico do doutorado na sua própria tribo. «Nós perdemos a nossa língua há muitas gerações», diz.

E. M.
(c) PNN Portuguese News Network

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Bush quer acabar com imposto para álcool brasileiro

Da BBC Brasil :

Bush disse que está disposto a discutir o assunto com o CongressoO Congresso americano deveria acabar com a tarifa de importação do etanol de países como o Brasil, se quiser aliviar o desabastecimento de gasolina, disse o presidente americano George W. Bush, nesta sexta-feira.

"Quero trabalhar nisto com o Congresso," disse o presidente Bush ao jornalista Larry Kudlow do canal de televisão americano CNBC.

"Cortar o imposto vai permitir exportações de etanol para os nossos mercados," acrescentou.

A tarifa de 54 centavos de dólar por galão de etanol poderia preencher o vazio deixado no abastecimento de gasolina depois que as refinarias americanas deixaram de produzir o éter metil-butil-terciário (MTBE), que era largamente usado como aditivo e que polui os lençóis de água.

Milho

O presidente do Comitê de Finanças do Senado, no entanto, é o senador Charles Grassley de Iowa, o estado que é o maior produtor de milho no país.

Para Grassley, o corte na tarifa deve ter pouco impacto nos preços da gasolina e poderia ser prejudicial para os agricultores americanos que querem vender milho para os produtores de álcool.

"Dar mais isenção para o álcool brasileiro passa a mensagem errada para os americanos que estão devotando suas carreiras para tornar os Estados Unidos mais independentes energeticamente," disse o senador para a agência Reuters.

O Secretário de Energia, Sam Bodman admitiu na quinta-feira que a Casa Branca está buscando formas de cortar as tarifas de etanol para aumentar a quantidade de combustíveis no país.

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Lula decidiu vetar proibição a cenas externas na propaganda eleitoral

Do Blog de Fernando Rodrigues

Lula decidiu vetar o trecho da lei eleitoral que proíbe cenas externas nas propagandas eleitorais deste ano. É possível que o presidente vete outros artigos dessa lei aprovada em abril. Por exemplo, há uma exigência para que todos os que aparecem nas propagandas sejam filiados ao partido do candidato –se o dalai-lama quiser apoiar alguém, teria de se filiar ao partido.

A decisão de Lula de permitir cenas externas na campanha eleitoral é corajosa. A oposição poderá usar, dessa forma, todas as cenas de CPIs que investigaram o mensalão.

A decisão de Lula foi tomada hoje. É uma boa notícia. Só seria melhor se ele vetasse na íntegra o projeto de lei (5.855/2005) que foi aprovado pela Câmara e pelo Senado para supostamente diminuir os custos de campanha. Proibiram broches, bonés e camisetas, mas continuarão a não dizer de onde tiram o dinheiro durante a campanha. 

Meu comentário:

Nas vésperas da campanha de eleição de Fernando Henrique 1994, o atual presidente Lula promoveu a chamada "Caravana da Cidadania", percorrendo todo o país e realizando encontros com populares. A lei eleitoral daquele ano proibiu a exibição de cenas externas – somente permitindo, portanto, a exibição de cenas gravadas em estúdio. O resultado? O então favorito Lula foi atropelado por FHC e seu plano Real (que foi patrocinado por Itamar Franco, poucos lembram-se disto).

É realmente interessante imaginar que o presidente Lula, tendo a "faca e o queijo na mão", com uma lei aprovada no congresso que poderia lhe ser favorável, já que as cenas externas tais como das reuniões das CPIs – totalmente desfavoráveis a Lula – seriam proibidas com a lei aprovada. O presidente VETOU estes artigos!

Para finalizar, leiam artigo de Ronaldo Brasiliense , sobre o mesmo assunto, no sítio "Congresso em Foco".

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A crise do gás boliviano

É, a crise do gás boliviano está dando o que falar. Na capa da veja desta semana temos o presidente Lula com um autêntico pé na bunda, sendo chamado pela revista de "bobo da corte" de Chávez (Venezuela). No episódio, o presidente brasileiro passou a imagem de "frouxo", nas palavras de José Serra. O ministro Celso Amorim, no entanto, diz que o país está mantendo a política da boa vizinhança… Aos poucos  outras opiniões têm surgido na mídia. Uma interessante está reproduzida, em parte, abaixo. Trata-se de reportagem do jornal O Estado de São Paulo, jornalista Lu Aiko Otta, citada pelo Blog do Noblat.

Pela reportagem, o presidente estaria agindo de modo duplo: por um lado age de modo benevolente para com Chávez e Morales, por outro lado utiliza os instrumentos legais para pressionar a Bolívia. A própria Petrobrás já anunciou que recorrerá à câmara de arbitragem em Nova Iorque para questionar as ações do governo boliviano.

O outro discurso de Lula
De Lu Aiko Otta em O Estado de S.Paulo, hoje:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, em conversas privadas, aos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, que não gostou nem um pouco da atuação de ambos no episódio da nacionalização do gás boliviano.

Essa reação de Lula, bem diferente do discurso oficial, foi revelada ontem pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

As palavras duras do presidente, segundo Amorim, ficaram restritas aos bastidores para evitar que, acuado, Morales "radicalizasse" nas negociações com a Petrobrás ou se alinhasse de vez com Chávez. Uma atitude mais "estridente" do Brasil também poria em risco o projeto de integração regional, que é caro ao governo.

Em contrapartida, esse risco foi criado por Chávez ao disponibilizar funcionários venezuelanos para ocupar cargos nas refinarias da Petrobrás. " O presidente Lula foi muito franco e disse a Chávez que sua atitude compromete o projeto do gasoduto e a integração sul americana", disse o ministro.

O desfecho da crise, segundo Amorim, não será rápido. As negociações que começam hoje na Bolívia sobre o preço do gás e a compensação que a Petrobrás tem a receber pela nacionalização de seus ativos serão "longas e complicadas". "Não vai se resolver facilmente", afirmou."

Assinante do Estadão leia mais aqui

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A crise do Agronegócio

Por Sandro Araújo

A atual crise do agronegócio tem chamado a atenção: nos últimos dias ocorreram diversos protestos em todo o país, de agricultores reclamando dos baixos preços pagos pelos produtos e dos altos custos de produção. Tudo isto leva a crer que se trata da ‘maior crise da história’ do agricultor brasileiro. Procuraremos neste artigo fazer uma comparação entre o momento atual e outros da história recente. Como ponto de partida, deve-se levar em consideração que estamos em ano eleitoral, assim como foram 2002 e 1998. Assim, recorremos a algumas notícias daqueles dois anos para identificar a situação no passado. Na edição de 9 de maio de 2002, editoria Dinheiro da Folha de São Paulo:

PF retira à força agricultores de rodovia no RS A Polícia Federal prendeu 21 líderes de um protesto de agricultores gaúchos e catarinenses e usou bombas de gás lacrimogêneo para retirar os manifestantes que bloqueavam a rodovia BR-153, no Rio Grande do Sul. Cinco se feriram levemente. Além da BR-153, a BR-386, em Iraí (RS), foi desocupada ontem, mas a RST-480, em Nonoai (RS), permanecia bloqueada ontem à noite. Os agricultores protestavam por causa da estiagem na região. Cerca de 3.000 manifestantes estavam na divisa entre os Estados. Os agricultores querem audiência no Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, para pedir anistia das dívidas e seguro agrícola. Segundo os agricultores, o governo federal não os tem recebido porque considera que já há negociações com os Estados. (DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE)

Dando um pulo aos dias atuais, Portal A Notícia Digital / Mato Grosso:

"Produtores de 10 Estados aderiram ao movimento. Em São Paulo, agricultores fecharam a agência do Banco do Brasil no município de Promissão. Em Goiás, há interrupção no tráfego em duas rodovias estaduais, uma delas de acesso a Jataí. No Paraná, agricultores colocaram tratores na ferrovia de acesso a Maringá para impedir a passagem do trem transportando soja. O acesso a uma cooperativa também foi impedido."

Voltando novamente no tempo, 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, uma carta publicada no Painel do Leitor da Folha de São Paulo, em 5 de novembro de 1998:

Agricultura em dificuldade "Todos sabemos que a saída mais fácil para o nosso país reverter a balança de pagamento e torná-la positiva é a agricultura, pois temos muita terra fértil e o mundo tem muita fome. Mas, como agricultor, acreditem no que vou relatar: no mês de setembro uma tonelada de adubo custava R$ 265. Em outubro, o mesmo adubo passou a custar R$ 330. Sabem qual a justificativa para tal aumento? As empresas vendedoras de adubo fizeram suas compras de insumos com pagamentos em dólar programados para março de 99 e, como esperam uma desvalorização do real, já se anteciparam. Caso a referida desvalorização não aconteça, eles colocam essa bagatela de reajuste em seus bolsos. Não adianta querermos ser grandes produtores de alimento, precisamos ter condições e oportunidades." Dorival Luiz Balbino de Souza (Ribeirão Preto, SP)

A verdadeira locomotiva do agronegócio brasileiro é a soja. Produzimos – e exportamos – também muito milho e animais cuja ração basicamente vem de soja e milho: frangos e suínos. Por um lado temos uma cotação da soja extremamente desfavorável. A gripe aviária tem afetado drasticamente as exportações brasileiras de frangos e derivados. A imposição de restrições à importação de carne suína brasileira pela Rússia, maior mercado do produto, também tem afetado sobremaneira o setor. Vamos nos ater especificamente à soja: No ano de 2003, a cotação da soja chegou ao maior valor desde 1994 (todos os preços referem-se ao porto de Paranaguá-PR): R$ 43 – enquanto no ano anterior, 2002, custava R$ 22,80. Já em março de 1995 a soja valia R$ 10. Após a posse de Lula na Presidência da República o dólar baixou dos quase 4 reais em 2002 para os atuais R$ 2,06 (cotação de fechamento de sexta-feira). Já a soja custa hoje, no Paraná, R$ 23,72, o que equivale a US$ 11,51 (11 dólares dos Estados Unidos e cinquenta e um cents). A cotação em Goiás é de em média R$ 19,91. Em março de 1998 o valor da soja, em dólares, era de US$ 13,72. Já em março de 2003, quando custava R$ 43, equivalia a US$ 12,20. O que se verifica é que a cotação atual da soja, em dólares, é superior à verificada em 1995 e muito próxima à praticada em março de 2003 – US$ 11,51 x US$ 12,20. Estamos longe da cotação de 1998. Mas a moeda praticada no Brasil é o Real. Os agricultores compram insumos, pagam salários e contraem financiamentos bancários sempre nesta moeda. Quem realizou compromissos em 2003, a apenas 3 anos, com a soja a R$ 43, está desesperado ao ver uma cotação 50% menor. E a culpa? Será do culpado de plantão, o "Governo". Certamente… Afinal, a política cambial, as políticas macroeconômicas, a promoção das exportações e importações do país passam em maior ou menor grau pelo Governo Federal. Devemos no entanto avaliar a situação com alguma calma:

  1. O real está supervalorizado? Aparentemente sim, pois o dólar já custou quase 4 reais e hoje custa cerca de 2 reais. Mesmo quando se compara com as demais moedas internacionais, o real é aquela que mais se valorizou nos últimos 3 ou 4 anos.
  2. A cotação da soja é baixa? Tomando-se o preço em reais, sim. Em dólares americanos, no entanto, está na média dos últimos 10 ou 15 anos. Soja a menos de 10 dólares é muito baixo. Acima de 13 reais é uma boa cotação.
  3. Por quê o real está supervalorizado? As exportações brasileiras, no ano de 2002 (último do governo FHC) totalizaram 64 bilhões de dólares. Em 2005 o Brasil exportou mais de 117 bilhões de dólares. O superávit comercial (quanto o país exportou a mais que importou) supera a casa de 40 bilhões de dólares. Isto explica a baixa cotação da moeda americana: está sobrando dólar! Vale a velha lei da oferta e da procura…
  4. O que o governo tem feito para conter a queda do dólar? O Governo Federal tem tomado diversas medidas no sentido de conter a queda da divisa norte-americana. Somente junto ao FMI o Governo quitou uma dívida de cerca de 30 bilhões de dólares. Diariamente o Banco Central tem intervido no mercado para compra de dólares: com isto as reservas cambiais do Brasil já superam a casa de 55 bilhões de dólares. A título de comparação, a dívida externa total do país está em cerca de 70 bilhões de dólares. Já foi de mais de 120 bilhões. Descontadas as reservas cambiais, temos uma dívida externa de apenas 15 bilhões!
  5. Há mais a ser feito? Sim, há. O problema maior, como demonstrado, é o excesso de dólares no mercado, que derruba a cotação da divisa. E este excesso é provocado exatamente pelos recordes constantes na exportação de bens e serviços. E o agronegócio é o principal setor em que se verifica superávit nas exportações… O governo deve estimular ainda mais a exportação, equilibrar a balança de comércio exterior: isto irá diminuir o excesso de dólares e conseqüentemente diminuir a queda da moeda. Deve-se no entanto lembrar que não basta ter quem venda, necessita-se de mercado. E de um mercado comprador. O país está produzindo carne de frango para abastecer o mundo inteiro. As exportações deste produto, porém, tem sido drasticamente afetadas pela gripe aviária.
Voltando ao ponto inicial: os protestos dos agricultores são válidos. O agronegócio, como já dito, tem sido o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira. Por outro lado este próprio superávit tem sito responsável pela queda da cotação do dólar e por conseqüência queda das cotações dos principais produtos do agronegócio.
 
Enquanto a Rússia não facilitar a importação de carne suína e o mundo não aprender a conviver com a gripe aviária (que não se transmite ao comer carne cozida – todos os casos de transmissão verificados foram de ave viva para homem), as exportações de carne de frango também estarão afetadas.
 
Recentemente o Governo Federal anunciou um pacote destinado aos agricultores. Mesmo após o anúncio do pacote, há quem diga que este deva-se apenas ao fato de este ser "ano eleitoral". Uma "bondade" do governo em um ano crucial para a reeleição. A forma na qual estão sendo orquestrados os protestos em todo o país, entretanto, podem fazer crer que não se tratam apenas de protesto de agricultores endividados, mas uma reação em um ano eleitoral. Mais estranho
é constatar que os protestos "pipocaram" logo após o anúncio das medidas.
 
Finalmente lembremo-nos dos episódios de 2002 (ano da eleição de Lula) em que agricultores protestavam e pediam "audiência no Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, para pedir anistia das dívidas e seguro agrícola". Ou ainda o ano de 1998, véspera da reeleição de FHC, quando o real foi desvalorizado por "decreto" em mais de 20% no início de 1999.
 
É: o ano eleitoral promete…
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Patriotismo Seletivo

Por que em Ímola a Globo ignorou a homenagem de Frank Williams ao Brasil?

Por Raimundo Rodrigues Pereira – Carta Capital

Entre os dias 21 e 24 de abril, a TV Globo produziu dez matérias sobre a corrida de Fórmula 1 de Ímola, disputada no domingo 23. Foram três matérias na sexta, dia em que os pilotos treinam livremente na pista onde vai ser realizada a corrida; duas no sábado, quando são feitas as provas de classificação que definem a ordem em que os 22 carros que disputam se colocarão no grid de largada; duas no domingo, a grande cobertura da corrida e uma matéria no Fantástico; e mais três na segunda, duas de reportagem e mais uma do tradicional comentarista da emissora sobre esses assuntos, Reginaldo Leme.

Em nenhuma dessas matérias foi mencionado o fato de Frank Williams, o chefe da famosa escuderia de Fórmula 1 que leva seu sobrenome, ter colocado, nos seus dois veículos que disputaram a prova, um adesivo com uma bandeira do Brasil e os dizeres «2006 auto-suficiente», para comemorar o fato de que o País está se tornando auto-suficiente em petróleo.A Williams tem entre seus patrocinadores a Petrobras. Em carta à empresa, Frank Williams diz que colocou a bandeira e os dizeres totally free of charge, in recognition of this exciting – and almost unique – development for Brazil and Petrobras; ou seja, que não cobrou nada, em reconhecimento à importância do acontecimento, para o Brasil e para a Petrobras.

[...]

Com a TV Globo, o problema na cobertura da Fórmula 1 em Ímola não foi de excesso de patriotismo, com certeza. A auto-suficiência brasileira em petróleo foi mais que um fato nacional relevante; foi um fato jornalístico global, de importância política internacional; e, obviamente, muito significativo. A homenagem de Frank Williams ao Brasil e à Petrobras, nos termos em que ele a fez, era um fato jornalístico a ser divulgado na forma própria, a mais óbvia das quais poderia ser uma reportagem com Frank Williams e os carros com a bandeira brasileira e os dizeres sobre a auto-suficiência, por ocasião dos eventos em Ímola. Não seria necessário que, depois da reportagem, entrasse a vinheta com o Brasil sil sil sil sil sil. Mas que a Globo errou, errou.

Leia o artigo completo no sítio da Carta Capital

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Piadas da Internet

Tem circulado via email uma engraçada piada, que pode nos levar a refletir o momento pelo qual passa o país:FHC pede perdão a Jesus…

Fernando Henrique, ex-Presidente do Brasil, vai a uma igreja e se ajoelha na frente de Jesus, rezando:

FHC: – Jesus, estou totalmente arrependido e gostaria de redimir meus pecados.
Jesus: – Está bem. De que pecados te arrependes?

FHC : – Depois de oito anos no governo, deixei meu povo arruinado e na miséria.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC : – Também traí os militares, que me deram apoio e, quando precisaram de mim, dei-lhes as costas. Eu ferrei os Militares durante 8 anos, aumento só dei 28% para os Generais o restante eu escalonei; acabei com posto acima; anuênio; auxílio moradia
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC : Privatizei a parte boa de quase tudo no Brasil e o povo ficou com o lado podre, as estradas, a telefonia. Privatizei a Vale do Rio Doce, que só dava lucro ao Brasil, dei de mão beijada aos estrangeiros e até hoje a população brasileira não sabe para onde foi o dinheiro. Se não bastasse não usei o dinheiro das privatizações para pagar o FMI.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Liquidei todas as nossas empresas estatais com a desculpa de pagar a dívida pública e, além de não pagar, deixei que a dívida quintuplicasse.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Mandei o Geraldo Brindeiro, conhecido na época como o “Engavetador Geral da República” arquivar todos os processos contra mim.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Bloqueei no Congresso todas as CIPs que tentaram fazer contra o meu governo, de coisas parecidas com que o PT fez, não conseguiu bloquear se ferrou.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Indiquei pra Presidência do Senado por duas vezes o Jader Barbalho, mesmo após alguns escândalos ligados ao Banco da Amazônia, escândalo das pererecas de sua mulher.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Comprei dezenas de votos para garantir a minha reeleição por R$ 200.000,00 cada, gerenciado pelo meu ministro Sérgio Mota. E a CPI foi mais uma vez engavetada.
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Por ordem do FMI, enxuguei e quase matei o funcionalismo público nos 8 anos que estive no poder, sem 1 real de aumento… Segurei o valor do salário-mínimo! E ninguém mais lembra disso!
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: Engraçado como todos reclamam dos reajuste das contas de luz e telefone de hoje em dia e se esquecem de que quem deixou que os reajustes fossem feitos pelo maior índice existente fui eu…
Jesus : – Dê graças ao Pai!

FHC: E o bom de tudo é ver que realmente a população tem memória fraca, aliás, nem memória tem, porque esses fatos aconteceram há poucos anos… Só pra recuperar a memória, vou citar:
- macro desvalorização do real;
- compra de votos para a aprovação da reeleição do FHC;
- Proer, ajuda aos bancos que estavam quebrados devido a desfalques e gerência temerária;
- Sivam, liquidação das empresas estatais (privatizações);
- Banestado, o Banco Rural do governo passado, por onde os dólares saiam do país ilegalmente;
- Banco Marka (Cacciola);
- Banco Fonte Sindam;
- engavetamento de diversos processos;

FHC : – Realmente eu dou graças ao Pai. Mas, Jesus, estou realmente arrependido e a única coisa que o Senhor tem para me dizer é : “dê graças ao Pai”?
Jesus : – Sim, agradeça ao Pai que estou aqui pregado na cruz, porque senão desceria dela para te encher de porrada!!!

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Jogo eleitoral continua favorável para Lula

Do Portal Arko Advice
Por Murillo de Aragão

Apesar do tiroteio político, o jogo da sucessão presidencial só começa para valer a partir de julho, quando os candidatos e as coligações forem confirmados. Até lá, é pouco provável que Lula perca sua liderança nas pesquisas de intenção de voto. Salvo fato novo extraordinário. Isto porque a mídia eletrônica continua muito favorável ao presidente. Além disso, apesar de a crise política continuar sendo tema de jornais e revistas, o noticiário da mídia impressa demora a afetar a imagem do presidente. Paralelamente a isso, Lula continua se beneficiando de alguns bons resultados da economia, como queda na taxa de juros e auto-suficiência na produção de petróleo. Isso sem falar no aumento de gastos do Poder Executivo, especialmente para a área social e de investimentos.

Lula também é beneficiado pela indefinição e falta de foco de adversários. O PMDB continua muito dividido. Parte do partido quer ficar com Lula. Outros preferem que a legenda fique livre para coligações estaduais. Os dois pré-candidatos (Anthony Garotinho e Itamar Franco) não são levados a sério por formadores de opinião e pela imprensa em geral. Prevalece o sentimento de que o PMDB, no final das contas, não terá candidato próprio.

No PSDB, a situação também não é boa. Geraldo Alckmin (PSDB) trava uma luta constante para crescer nas pesquisas e torce para que não perca a segunda posição na corrida sucessória para Garotinho. Tem sido criticado por fazer reuniões nos estados apenas com os caciques locais, desprezando o encontro com o chamado «baixo clero». Sua campanha anda em ritmo morno. Depois que conseguiu derrotar José Serra na disputa interna, Alckmin parece ter perdido vitalidade. Mesmo sem esperar algum crescimento explosivo, Alckmin deveria estar ocupando espaços na mídia, debatendo suas idéias e mostrando mais ação. Outros partidos, como o PPS, PSOL e PDT estão mais preocupados com a elaboração de uma estratégia para vencer a cláusula de barreira do que em atacar Lula.

Lula adotou algumas táticas claras inteligentes. Uma delas é a adoção de medidas que beneficiam setores específicos. Empresários, aposentados, jovens e desempregados estão na lista de beneficiados. Outra medida é o anúncio periódico e programado de boas notícias. Cria-se um contraponto ao noticiário político ruim. A rápida saída de Palocci também faz parte do novo figurino. Lula evitou que o sangramento de Palocci o atrapalhasse. Outro ponto importante é o investimento maciço em propaganda. Principalmente, na mídia eletrônica e na mídia regional, fora dos grandes centros. Até junho, Lula pretende criar um fato político positivo por semana. Significa que irá continuar a abrir o saco de bondades do governo.

Face ao bom desempenho da economia, aumento de gastos por parte do Poder Executivo e indefinição/falta de foco dos adversários, Lula tende a continuar na liderança das pesquisas de intenção de voto por algum tempo. É o que mostrou a Revista Veja deste final de semana. Ela menciona uma pesquisa feita pelo Ibope para um cliente do mercado financeiro onde Lula continua liderando, com cerca de 40%. Alckmin permanece em segundo. Garotinho, um pouco melhor que as pesquisas anteriores, aparece em terceiro. Como a pesquisa não foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, não pode ser divulgada.

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Milhares de sigilos bancários são quebrados impunemente

O país dos Francenildos
Milhares de sigilos bancários são quebrados impunemente

por Aline Pinheiro

A reação à quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa abriu espaço para que advogados de outras vítimas da violação reclamem a mesma garantia. Os advogados pedem para que a Polícia Federal apure quem são os responsáveis pelo vazamento de informações financeiras sigilosas, legalmente manipuladas pelas autoridades financeiras, pelo Ministério Público e pelas CPIs, mas que acabaram ilegalmente divulgadas pela imprensa.

A responsabilidade da imprensa que divulga dados sigilosos ainda gera controversas no meio jurídico. No entanto, para os funcionários, seja dos bancos, do Ministério Público, da Polícia ou do Judiciário, que tiveram acesso aos dados, a regra é muito clara: eles têm obrigação estrita de preservar o sigilo. A divulgação, para estes funcionários, é proibida pela Constituição e caracteriza crime, com pena de reclusão de um a quatro anos.

Leia artigo completo no sítio do Consultor Jurídico.

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Garotinho deve encerrar greve de fome hoje

Do Blog de Josias de Souza:

Anthony Garotinho ainda não viu atendidas as duas exigências que fez para encerrar a sua greve de fome. Nem a OEA enviou observadores para vigiar o processo eleitoral brasileiro nem os meios de comunicação interromperam o noticiário que constrange o presidenciável. Mas, percebendo-se um esqueleto político e dando-se conta de que o PMDB está prestes a tomar-lhe o brinquedo da candidatura ao Planalto, Garotinho ensaia o fim do jejum.

O ex-governador fluminense planeja voltar a ingerir alimentos nesta sexta-feira, informam os repórteres Sérgio Torres e Talita Figueiredo (na Folha, para assinantes). A decisão foi anunciada pelo próprio Garotinho à mulher dele, a governadora Rosinha, à filha do casal, Clarissa, e a auxiliares do candidato.

Nesta quinta-feira, Rosinha chegou a agendar a gravação de um pronunciamento de Garotinho, dirigido ao público evangélico que costuma ouvi-lo numa rede de emissoras de rádio e TV de programação religiosa. Mas o discurso acabou não sendo gravado.

Conhecendo Garotinho, personagem dado a rompantes, auxiliares não descartavam a possibilidade de uma meia-volta. Assim, ninguém deve estranhar se o pré-candidato do PMDB, inspirado em alguma visão noturna, decidir manter a greve de fome.

Se tudo correr como planejado, Garotinho deve transferir-se nesta sexta-feira para o hospital Quinta D’Or, onde se submeterá a exames médicos. O roteiro pré-estabelecido prevê que, em seguida, ele irá gravar o pronunciamento organizado por sua mulher. Conterá ataques às Organizações Globo, à imprensa, aos bancos, ao neoliberalismo e até ao PMDB.

O médico que assiste Garotinho em sua aventura, Abdu Neme, diz que ele “não dura três dias” se mantiver a privação alimentar. Neme conta que, na manhàdesta quinta, o ex-governador teve um acesso de tremedeira. Vitimou-o uma crise de hipotermia. Segundo o médico, seu paciente está desidratado e padece de alterações na pressão arterial e nos batimentos cardíacos. De resto, arrosta uma queda nos níveis de potássio, magnésio e cálcio.

Garotinho teria perdido, informa o doutor Neme, 2,6 dos 89,9 kg que ostentava no início da greve. O emagrecimento político foi, como se vê, maior do que o físico.

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