Petrobras quer antecipar para 2008 produção de gás natural no Espírito Santo

Por Aécio Amado - Repórter da Agência Brasil

Rio - A Petrobras quer antecipar de 2012 para 2008 a produção de gás natural em dois importantes campos de óleo e gás no Espírito Santo e assim aumentar a oferta na Região Sudeste. A meta da empresa é aumentar a produção dos atuais 15,8 milhões de metros cúbicos por dia para 40 milhões de metros cúbicos por dia, até 2008.

Para atingir esse objetivo, a Petrobras vai acelerar os trabalhos de exploração de gás e óleo nos dois novos campos no estado do Espírito Santo. A estatal pretende ainda ampliar a oferta de gás dos campos de Marlim, na Bacia de Campos, e de Merluzza, na Bacia de Santos.

O plano da empresa para aumentar a oferta de gás no Sudeste foi apresentado ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), nessa quinta-feira (18), em Brasília. A Petrobras informou, em nota, que os novos investimentos para ampliar a produção de gás para 2008 serão incluídos na revisão anual do Plano de Negócios da companhia, a ser divulgado oportunamente.

O Governo e o “Software Livre”

A veja não viu? É melhor não ver a Veja. A Veja é um panfleto.
Por Sérgio Amadeu, São Paulo, 16 de maio de 2006

A revista Veja novamente divulga uma matéria mentirosa. Chamada O Grátis que sai caro, a matéria procura atacar o avanço do software livre usando releases publicitários da Microsoft, empresa monopolista que vai perdendo seus lucros monopolistas diante do avanço do modelo de software aberto.

Como o jornalista Eduardo, o Duda, tem muita experiência sabemos que seu texto não trouxe enganos, mas mentiras:

  1. Somente um único Ministério, do Desenvolvimento Agrário, economizou R$ 2 milhões usando aplicações de segurança livres em sua rede. Isto sem contar a economia com suporte e com a estabilidade da rede. Apesar da campanha da Microsoft, o software livre é muito mais econômico e estável.
  2. A Veja contraria as matérias da Info Exame (do mesmo grupo Abril), uma revista técnica e séria, sobre os enormes benefícios do software livre. Quem está mentindo: a Veja ou a Info Exame? A resposta é óbvia. A Veja mente.
  3. Nunca se vendeu tanto computador no Brasil por causa do programa PC Conectado, devido ao financiamento e aos 26 softwares livres embarcados nos computadores. Só o Duda não viu. A venda de mais de 450 mil computadores com software livre fez até que as licenças proprietárias caissem de preço. A Veja esqueceu que a concorrência gera melhores produtos e a redução de custos da tecnologia da informação.
  4. Veja não viu que enquanto 69,7% do mercado mundial (mais de 2/3) usa Apache, software livre para webservers, menos de 4% dos servidores do governo federal seguiam o padrão do mercado. Duda acha normal quando o uso é de programas da microsoft, mesmo que estes produtos sejam mais caros e mais instáveis. O que o governo federal fez foi quebrar a reserva de mercado para produtos de uma única empresa. Hoje, um pouco mais de 30% do governo federal utiliza Apache. A economia mal começou. Será que algum lobista pediu para a Veja dar uma força e paralisar a redução de custos do Estado?
  5. Duda esqueceu de contar o grande lobby da microsoft sobre o governo. Ele sabia, mas omitiu que o chefe de gabinete da presidência do Serpro, maior empresa de TI do governo, saiu direto de uma empresa pública para o escritório de vendas da microsoft em Brasília. Isto ocorreu no segundo semestre de 2004. Se fosse no mercado financeiro, a lei de querentena proibiria tal absurdo, mas na área de TI isto não ocorre.
  6. Os equívocos da matéria são tantos que não podem ser simplesmente erros. Veja chegou a dizer que quem decide pelo empréstimo de urnas eletrônicas (que usam somente software proprietário) para o Paraguai foi o governo federal. Qualquer jornalista sabe que esta decisão é do TSE, Poder Judiciário. Ela não tem nada a ver com software livre e muito menos com o governo Lula. Duda não sabe disto? Claro que sabe, mas fez de propósito. Por que? A serviço de quem?
  7. Cada parágrafo da matéria é meticulosamente escrito para distorcer a realidade. Vou parar por aqui, mas seria necessário reestabelecer a verdade em cada linha. Apenas mais uma: Duda escreveu que o Serpro contratou 2000 funcionários para desenvolver software livre. Mentira descabida. Isto sim é que deveria ter sido feito, mas o concurso foi para técnicos em geral e até para escriturários. Mas para Veja toda informação pode ser manipulada e distorcida. Não é mesmo, Duda?

Notas, por Rubens Queiroz de Almeida

Eu trabalho com software livre há aproximadamente quinze anos. A lista Dicas-L, hoje com 26.000 assinantes, existe há 9 anos, sempre com o intuito de esclarecer e informar sobre os benefícios do software livre.

Por toda a minha experiência no assunto, sinto-me no direito de afirmar que a matéria da Revista Veja, além de tendenciosa, é um festival de incorreções e mentiras. Tradicionalmente o software livre tem pouquissimo espaço tanto na mídia impressa como televisiva, e o que se normalmente se vê não difere muito da matéria publicada pela Veja. O movimento de software livre e seus desenvolvedores possui entusiasmo, criatividade e um grande espírito de solidariedade, mas isto não compra espaço na mídia.

O site BR-Linux está encabeçando um movimento de reação a este artigo da revista Veja, a partir do endereço http://br-linux.org/linux/governo_vai_responder_s_perguntas_do_br-linux?mvh O editor do BR-Linux, Augusto Campos, encaminhou uma carta aos órgãos de informática do governo federal envolvidos na implementação do programa software livre na esfera federal com o intuito de obter mais informações sobre o andamento do projeto.

Transcrevo abaixo um pequeno trecho publicado no site:

A transparência dos órgãos de informática do governo federal é exemplar, e ontem mesmo representantes da SLTI, ITI e Serpro decidiram em conjunto que irão responder às questões enviadas pelo BR-Linux - não como uma resposta à Veja, mas sim em respeito à comunidade que os apóia e colabora na legitimação de seus esforços em prol do software livre.

Aproveitando, para quem ainda acredita que a mídia é isenta e honesta, não deixe de ler o excelente livro O repórter e o poder, de autoria de José Carlos Bardawil, da Editora Alegro, 1999.

Esta autobiografia do jornalista José Carlos Bardawil ajuda a desvendar o que realmente está por trás das empresas de comunicação. Até que ponto interesses particulares ou políticos influenciam a cobertura dos fatos jornalísticos? Ao mesmo que narra sua trajetória pessoal, na forma de entrevista ao jornalista Luciano Suassuna, Bardawil relata importantes etapas da história mais recente da imprensa nacional. O leitor irá conhecer o funcionamento interno de jornais e revistas e o clima nas redações durante a cobertura de episódios fundamentais da história do Brasil. Cada fato é narrado com o olhar particular de um repórter vibrante, inflexível na defesa de seu papel de vigilante dos poderes públicos, acostumado a brigar sempre pelas melhores notícias. Um livro, enfim para quem gosta de debater sobre história, imprensa, política e poder. (Fonte: http://www.bazarcultura.com.br)

Indo mais longe, o livro Cobras Criadas, de Luiz Maklouf Carvalho, conta a história da revista O Cruzeiro, e de seu maior expoente, o jornalista David Nasser. O livro conta como se faziam as matérias jornalísticas daquele tempo. Ao que tudo indica a prática de misturar realidade com ficção, prática comum daquela época, não mudou muito de lá para cá. Para saber mais sobre este livro, leia o artigo publicado no site do Observatório de Imprensa.

Pós-escrito: Este artigo enviado para o Linkk, sítio de notícias colaborativas. Visite-o e vote! http://www.linkk.com.br/story.php?id=446

Peso da candidatura imposta não deixa Alckmin decolar

 

Meu comentário: na eleição de 2002 Serra se impôs como candidato do PSDB, "passando por cima" de outros candidatos como Paulo Renato e Tasso Jereissati. Resultado: nem todos Tucanos se engajaram na Candidatura Serra… E deu "Lula Lá"!

Peso da candidatura imposta não deixa Alckmin decolar

Candidato tucano não empolga e empaca na preferência dos eleitores, deixando aliados preocupados com a possibilidade de a eleição ser definida no primeiro turno. Até mesmo tucanos experientes reconhecem erros ao longo do processo.

BRASÍLIA – Apelidado de “chuchumbo” por um colunista da imprensa paulista, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin está sentindo o peso das âncoras que acompanham os políticos que conseguem impor candidaturas à revelia do bom senso. Desde que o PSDB anunciou sua escolha como candidato, há cerca de 30 dias, ele vem patinando nas pesquisas, na ampliação de alianças e palanques, nas denúncias contra sua administração e sobre o guarda-roupa de sua mulher, no discurso de campanha e na confiança dos correligionários.

Alckmin impôs sua candidatura ao tucanato ameaçando uma disputa fratricida com o ex-prefeito de São Paulo José Serra, considerado por uma parte do PSDB e dos partidos de oposição um candidato com melhores chances de derrotar o presidente Lula em outubro – pois começaria a campanha no mesmo patamar de preferência popular que o adversário. O ex-governador defendeu a tese de que a eleição só começa depois que “muda o horário da novela”. Ou seja, quando tem início a propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na televisão.

Ele acabou balançando convicções ao ponderar que, se Lula estiver bem, ninguém poderá vencê-lo. Portanto seria burrice queimar um candidato como Serra na disputa. Se Lula estiver mal, qualquer um pode vencê-lo. Portanto, sua candidatura teria o melhor resultado na ponderação entre custo e benefício. Os tucanos que não concordam com ele esperam que tenha razão, mas não estão dispostos a sacrificar seus projetos políticos pessoais para ajudá-lo a mostrar que estava certo.

Os defensores da candidatura de Serra avisam que Alckmin não deve esperar grande empenho do ex-prefeito no embate nacional. A estratégia de tentar colar a imagem dos dois nos estados onde o ex-governador é pouco conhecido estaria fora de cogitação. A justificativa é que Serra, apesar de favorito, terá de trabalhar muito para conseguir recuperar o ninho tucano no governo de São Paulo, pois já teve de abrir mão da Prefeitura para atender o apelo do partido, o que envolve um certo risco político. “O que o Serra podia fazer pela candidatura Alckmin, já fez: colocou-se à disposição para disputar o governo de São Paulo”, sustenta um aliado do ex-prefeito.

Um experiente articulador tucano avalia que a direção do partido cometeu muitos erros ao longo da preparação da candidatura, o que pode custar uma derrota já no primeiro turno. Ele reclama que desde a posse da nova Comissão Executiva Nacional, em novembro, nenhuma reunião foi convocada até agora. Isso teria dificultado a construção de um projeto de candidatura, que seria uma espécie de moldura para encaixar o candidato no momento certo. Essa seria a razão para a falta de entrosamento entre as lideranças tucanas. A conseqüência mais evidente seria a ausência de um discurso forte e coerente que explorasse com maior eficácia os erros, contradições, asneiras e fragilidades do governo Lula.

DIFICULDADE PARA ALIANÇAS
Faltando menos de cinco meses para o pleito, a candidatura Alckmin não conseguiu sequer a consolidação da aliança com o PFL, seu principal parceiro de oposição (leia PFL prefere aguardar definições antes de fechar com PSDB). O candidato tucano teve de engolir a desfeita do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que na frente dele disse a uma platéia que o PFL poderia ajudar mais sua candidatura se não fizesse a coligação formal com o PSDB.

Deve ser levado em conta que Maia estaria contrariado com o lançamento da candidatura tucana do deputado Eduardo Paes, secretário-geral do partido, ao governo do Rio, o que fragmentou ainda mais as forças anti-Garotinho no estado. No entanto, a sabedoria política recomenda que não se deve desprezar quem tem perspectiva concreta de chegar ao poder no curto prazo. O fato de Alckmin estar pesado como chumbo provocou no mercado político o fenômeno que os economistas chamam de “inflação de demanda”. A falta de votos do candidato na praça faz subir o preço do apoio político.

Os caciques do PFL começaram a cobrar intervenção da campanha nacional tucana inclusive em estados onde os dirigentes dos dois partidos são inimigos históricos. É como se exigissem de uma fábrica de automóveis que não lance um modelo novo para competir com o carro colocado no mercado pela concorrente. O conflito entre os dois partidos ocorre no Rio, Sergipe e Maranhão. Mas a briga mais barulhenta é a da Bahia, onde Alckmin esteve na semana passada pedindo a benção ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL).

Para receber o candidato tucano, ACM impôs como condição que ele se desvincule da imagem do candidato do PSDB ao Senado, Antonio Imbassahy, e apóie o pefelista Rodolfo Tourinho. Mais do que eleger seu aliado, o cacique baiano atua para evitar que o adversário seja eleito, dividindo sua base. ACM não aceita o fato de Imbassahy ter se aliado aos inimigos depois de governar Salvador. Quer asfixiá-lo politicamente, como já fez com os ex-deputados Prisco Viana e Benito Gama. Ainda que seja para deixar a vaga ao Senado ir para as mãos de outro adversário, como Geddel Vieira Lima (PMDB), que está perto de se aliar ao PT do ex-ministro Jaques Wagner.

“Alckmin e Tasso estão dando ouvidos demais a Antonio Carlos”, adverte um dirigente nacional do PFL. Ele argumenta que o cacique baiano gosta de aparentar uma força que deixou de ter mais para tentar impor seus desejos pessoais. Esse seria mais um dos erros que a campanha tucana estaria cometendo. Valorizar demasiadamente quem tem mais espaço na mídia e esquecer dos que ajudam mais na coesão interna.

É o caso dos dois senadores interessados na candidatura a vice na chapa de Alckmin. O líder da bancada no Senado, José Agripino (RN), e o vice-presidente do partido José Jorge (PE). O primeiro ajudaria mais no embate externo, enquanto o segundo, na costura interna. A escolha entre os dois vinha sendo adiada para evitar mais fissuras na chapa da oposição e na expectativa de que o cenário melhorasse para o candidato tucano. Mas o assédio de Alckmin ao PPS e ao PDT, fez com que o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC) marcasse a consulta para a semana que vem.

VICE PROGRESSISTA
Aconselhado a ampliar sua aliança em direção ao centro do espectro partidário, Alckmin conversou na semana passada com os presidentes do PDT, Carlos Luppi, e do PPS, Roberto Freire. Propôs uma coligação formal no primeiro turno, argumentando que pretendia fazer um governo desenvolvimentista e com uma equipe econômica diferente da que comandou o país no governo FHC. Em vez de economistas ligados à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) – escola considerada neoliberal que abriga expoentes do governo Fernando Henrique Cardoso como Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, e Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, -, seria auxiliado por desenvolvimentistas como Yoshiaki Nakano, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Luiz Gonzaga Belluzzo.

Ouviu deles que existe disposição para formar uma frente anti-Lula, mas não seria possível uma coligação formal se o candidato a vice fosse do PFL. Tucanos alinhados mais com a falecida linha social-democrata do partido gostam da idéia de ter um vice mais progressista. Argumentam que o perfil de Alckmin já atrai os votos do eleitorado conservador do PFL e para vencer a eleição seria preciso conquistar o voto do centro. Na impossibilidade de uma coligação nacional com o PMDB, um companheiro de chapa como Freire ou o senador Cristovam Buarque, eleito pelo PT e agora no PDT, poderia ampliar o arco simbólico da candidatura.

Freire desconversa sobre o assédio, sustentando que o PPS terá candidato próprio ou integrará uma aliança com PDT e PV. Um eventual apoio a Alckmin seria manifestado apenas no segundo turno. “Votar em Lula é um desatino”, justifica o presidente do PPS, que está sofrendo muita pressão dos diretórios estaduais para deixar o partido solto na disputa nacional.

Uma candidatura ou coligação com partidos mais progressistas prejudicaria alianças dos governadores Blairo Maggi (MT) e Ivo Cassol (RO), além de atrapalhar os planos de outros candidatos a cargos proporcionais e majoritários em vários estados do país. Na semana que vem, o comando do PPS deverá se reunir para resolver como essas divergências serão encaminhadas. Freire tentará convencer o partido de que, com a desistência do PMDB em disputar a Presidência, passou a existir espaço para o sucesso de uma candidatura alternativa à polarização PT-PSDB.

Empacado nos cerca de 20% de preferência do eleitorado desde que se lançou candidato, Alckmin subiu o tom de críticas ao governo Lula, mas ainda não encontrou o ponto fraco do adversário. Seus aliados não se entendem sobre a condução da campanha e estão dando prioridade aos projetos pessoais e regionais enquanto a novela não muda de horário.

Se estiver certo quanto à inutilidade da pré-campanha, Alckmin verá seu palanque crescer na reta final. Se estiver errado, saberá porque o verbo “cristianizar” tem outro significado além de dar um caráter cristão a alguma coisa – o que, aliás, ele tem feito com a própria campanha. Tal como Cristiano Machado, o candidato do PSD na eleição que reconduziu Getulio Vargas ao poder em 1950, ele será descartado no caminho até pelo próprio partido.

PT planeja colocar “segurança” como eixo da campanha de reeleição de Lula

Do blog de Fernando Rodrigues:
 
Verdade seja dita, o tema estava em discussão antes dos ataques do PCC. O fato é que a direção nacional do PT acha que a campanha reeleitoral de Lula deve conter três eixos mais importantes: 1) educação; 2) estabilização econômica, crescimento e remuneração do capital e 3) cruzada contra o crime. Os termos são aqui reproduzidos da forma como ouvidos dentro da cúpula petista.

No próximo dia 25 de maio o PT tem o seu programa partidário em rede nacional de rádio e de TV, de 20 minutos. Será uma amostra do que poderá ser o tom da campanha. O discurso oficial é que ainda não está certo se Lula vai aparecer –é claro que vai. A decisão será tomada na última hora, dizem.

Em São Paulo, desgraça para uns (tucanos em geral, José Serra incluso), oportunidades para outros (Aloizio Mercadante e o PT). Ninguém vai querer aparecer agora, faturando sobre a tragédia. Pegaria mal, claro. Mas é só uma questão de tempo.

Criminalidade e Eleição

Do Blog de Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - É cedo para fazer juízo definitivo, mas o crime pode acabar sendo o assunto mais recorrente na eleição de outubro. Tanto a corrupção na política como a criminalidade mais, vamos dizer, ortodoxa, que foi exposta no fim de semana com as rebeliões em presídios paulistas.

Os levantes de bandidos devem retirar da agenda política todos os outros debates nos próximos dias ou semanas. A fatalidade será usada contra os tucanos em São Paulo.

O PSDB governa o Estado mais rico do país há 12 anos. Tempo suficiente para que tais rebeliões não sejam mais aceitáveis nem apareçam de surpresa. A justificativa das autoridades paulistas é quase um escárnio. Os presos estariam reagindo à linha-dura imposta pelo sistema local de isolamento de condenados. Se houvesse segregação de fato, a série de ataques teria sido impossível.

Em 2001, já havia ocorrido algo semelhante. Agora, motins ainda mais generalizados. Quantos anos são necessários para um determinado grupo político governar um Estado e ter capacidade de evitar reações orquestradas como as do fim de semana? Os tucanos terão dificuldade para responder a essa pergunta.

A sorte do PSDB é o fato de Lula ter pouco a dizer sobre o assunto. Os números do Orçamento da União são desfavoráveis ao petista. Em 2004, a administração federal investiu R$ 533 milhões na área da segurança pública. Em 2005, o valor caiu para R$ 475 milhões. Uma redução de 11%, segundo dados oficiais coletados pela ONG Contas Abertas, especializada em gastos governamentais.

O mais provável neste ano eleitoral é os políticos se renderem à tentação de se acusarem mutuamente pelo flagelo na segurança. Vão aparecer planos tão mirabolantes quanto ineficazes. FHC lançou um pacote com 124 medidas em 20 de junho de 2000 que custariam cerca de R$ 3 bilhões. A ação mais revolucionária era iluminar ruas escuras pelo país afora. Se pelo menos isso tivesse sido executado, já teria sido um grande avanço.

Inpe lança portal de previsões para o setor agrícola

Da Agência Estado
 
Avaliação dos riscos de geada para diferentes culturas agrícolas, monitoramento e previsão de chuvas a cada 30 minutos e monitoramento agrometeorológico para a cultura do café serão alguns destaques dos serviços que o novo portal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, está oferecendo ao setor agrícola, com a cooperação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
 
O site Meteorologia para a Agricultura pode ser acessado pelo endereço http://www.cptec.inpe.br/agricultura/. O link está acessível na homepage do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Inpe. Além de procurar atender diretamente aos agricultores, o portal deverá ser útil para empresas de seguro agrícola e à Bolsa de Valores, de acordo copm nota divulgada pelo Inpe.
 
O portal será mantido por uma série de serviços, produtos e dados gerados pelo próprio Inpe e também pelo IAC, como o monitoramento para a lavoura do café.
 
No portal, as previsões de risco de geadas foram desenvolvidas para diferentes grupos de produtos, reunidos de acordo com a sensibilidade para a temperatura mínima. O agricultor também poderá receber avisos meteorológicos, de tempestades severas, informações geradas a partir de imagens de satélites e de radar, entre outros tipos de previsões.

Lula dá o troco à Veja - e peca por falta

Por Luiz Weiss - Blog Verbo Solto  

É assim que funciona o jornalismo de sarjeta:

Fulano diz uma barbaridade contra Sicrano. Chama-o de ladrão. Só não pode provar.

E o que faz o dono ou o editor de uma publicação que tem horror a Sicrano e a sua turma?

Publica a barbaridade, sem se comprometer com ela. Até dá a entender que pode ser uma fraude. Mas que publica, lá isso publica.

Foi o que fez a Veja na edição desde hoje nas bancas. Pôs na capa que o banqueiro Daniel Dantas teria o número de uma suposta conta do presidente Lula no exterior. E dentro:

"Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais. Entre eles estão o presidente Lula, os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Secom), o atual titular da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e o senador Romeu Tuma (PFL-SP).

A lista é fruto de um trabalho de investigação feito pelo americano Frank Holder, ex-diretor da agência internacional de espionagem Kroll. Ela apresenta uma série de números de contas, seus titulares, os nomes dos bancos e os saldos referentes ao primeiro trimestre de 2004. Holder disse ter comprovado a existência das contas por meio de depósitos.

Além disso, Dantas compilou metodicamente não só os pedidos de propina como também as contratações e os pagamentos efetivamente feitos para tentar aplacar as investidas do atual governo sobre seus interesses. Se pelo menos uma parte desse material for verdadeira, o governo Lula estará a caminho da desintegração. Isso, é claro, se o Brasil ainda mantiver as aspirações a se tornar um país sério.

Se o material for fruto de falsificação, Dantas vai afundar-se ainda mais na confusão policial na qual se meteu desde que contratou a Kroll para montar dossiês de seus adversários dentro do governo."

A revista reproduz um documento com todo jeito de ser uma espécie de Dossiê Cayman - o Retorno. Lula aparece no papel como tendo US$ 38,5 mil no estrangeiro.

A primeira reação do presidente, em Viena, foi uma lástima. Fez piada.

"Se tivessem me avisado antes que eu tinha 38 mil, eu tinha comprado um presente para a dona Marisa", gracejou.

Pouco depois, quando caiu a ficha, fez o que deveria ter feito desde o primeiro instante - soltou os cachorros. Disse da revista uma parte do que ela decerto merece.

"Vamos ser francos com uma coisa: a Veja tem alguns jornalistas que já há algum tempo estão merecendo o Prêmio Nobel de irresponsabilidade. Eu só posso considerar isso como um crime praticado por um jornalista ou por uma revista. Eu não posso comparar isso ao jornalismo.

Sinceramente, é de uma leviandade e de uma grosseria que um ser humano comum não pode admitir, quanto mais um presidente da República. Ou seja: eu acho que quando as pessoas têm o poder de escrever alguma coisa, aumenta a responsabilidade.

Vocês conhecem alguns jornalistas que eu estou citando, vocês sabem o que ele tem feito nesses últimos meses.

Eu não acredito que dentro da revista Veja tenha uma única pessoa que tenha 10% da dignidade e da honestidade que eu tenho.

Eu não posso admitir isso! É uma ofensa ao presidente da República, é uma ofensa ao povo brasileiro. Essa prática de jornalismo não leva o país a lugar nenhum. É uma insanidade o que foi publicado. A pior prática de jornalismo possível.

A Veja já vem assim há algum tempo. Não é de hoje não. Mas eu acho que ela chegou ao limite, chegou ao limite, chegou ao limite!

Eu não sei se o jornalista que escreve uma matéria daquela tem a dignidade de dizer que é jornalista. Ele poderia dizer que é bandido, mau caráter, malfeitor, mentiroso. Eu não posso e é até constrangedor um presidente da República saber que tem uma mentira dessa grosseria numa revista que deveria respeitar seus leitores.

Os leitores pagam a revista, são induzidos a assinar. E não merecem a quantidade de mentiras que ela tem publicado."

Só que Lula pecou por falta ao dizer três vezes que a Veja "chegou ao limite". Faz tempo que ela passou dos limites mais elementares de ética jornalística.

Liderança do Brasil é incontestável, diz Mandelson

 
Márcia Bizzotto - BBC Brasil, de Bruxelas
O comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, disse que o Brasil é visto na Europa como líder incontestável da América Latina.

"O Brasil deve ser visto como uma rocha em democracia e economia dentro da América Latina, com uma influência dominante no continente que não mudará", disse Mandelson em entrevista exclusiva à BBC Brasil.

Com essa afirmação o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, definiu a recepção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ter nesta quinta-feira na Cúpula de Viena por parte da União Européia (UE).

Segundo Mandelson, apesar dos últimos acontecimentos na América do Sul, a imagem de Lula não se enfraqueceu no cenário internacional.

O comissário também não considera que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, esteja ganhando uma influência crescente na região.

"Não vejo a situação dessa forma. O Brasil é e seguirá sendo um líder incontestável. Suas posições sempre têm importância para a comunidade internacional", insistiu.

Ministro da Agricultura diz que Lula quer prioridade e solução imediata para crise no setor agrícola

Da Agência Brasil

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, afirmou hoje (10) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou prioridade aos assuntos relacionados às dificuldades e reivindicações do setor agrícola.

O ministro reuniu-se ontem com o presidente e com ministros da área econômica para discutir a questão. "O presidente determinou prioridade para esse assunto e quer soluções imediatas", disse. Segundo ele, foi estabelecida uma força-tarefa que trabalhará em tempo integral para encontrar soluções para a crise do setor. "Espero que antes do fim de maio sejam anunciadas medidas e um plano de safra mais condizente com a realidade atual".

Na avaliação de Rodrigues, existem dois caminhos para a crise: um emergencial, relacionado a dívidas, preço e comercialização; e outro estruturante, referente à tributação e custo de produção.

Presidente Lula indica procuradora mineira para vaga no Supremo

 
Nelson Motta - Agência Brasil

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje (10) a mensagem que será enviada ao Supremo Tribunal Federal, indicando o nome da procuradora Carmem Lúcia Antunes Rocha para assumir uma vaga no STF, no lugar do ministro Nelson Jobim, que se aposentou. A informação foi divulgada pela Secretaria de Imprensa e Porta-Voz da Presidência da República.

Sub-procuradora por Minas, professora de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e procuradora-geral na gestão do governador Itamar Franco, Carmen Lúcia, de 50 anos, foi aluna do ministro aposentado do STF Carlos Velloso.