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Um estranho no ninho (Alckmin)

Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN:

“Em todo partido e em toda eleição é a mesma coisa. Se há um candidato natural, ele surge «naturalmente» e reúne o apoio do partido em torno de seu nome.

É o caso de Lula, no PT, em todas as eleições que disputou. De vez em quando Eduardo Suplicy tentava ser candidato, mas o PT sempre decidia por seu candidato natural.

Da mesma forma, em 1994, Fernando Henrique surgiu como o candidato natural do PSDB, depois de seu desempenho como o ministro que implantou o Plano Real. Fernando Henrique entusiasmou os tucanos e acabou arrastando os pefelistas.

Já nas eleições de 2002, o candidato natural dos tucanos teria sido Mário Covas, se as trapaças da sorte não tivessem tirado o governador da disputa – e da vida – em 2001.

José Serra praticamente impôs sua candidatura. Resultado: rachou o PSDB, não conseguiu atrair os tucanos mais ariscos, afastou o PFL.

E perdeu a eleição.

A derrota parece ter feito bem a Serra. Na campanha para prefeito em 2004, ele fez tudo diferente. Recompôs-se com o PFL, reuniu o PSDB e atraiu o apoio do governador Geraldo Alckmin, que se lançou com entusiasmo na candidatura Serra.

Serristas e alckmistas viveram um raro momento de paz. Resultado: Serra elegeu-se prefeito, impondo ao PT sua mais grave derrota: a perda da Prefeitura de São Paulo.

Chegamos a 2006, e Serra era o candidato natural do PSDB, apontado nas pesquisas como o único capaz de derrotar o presidente Lula.

Mas Alckmin decidiu atropelar a precedência e lançou-se candidato com um apetite insuspeitado, que sepultou, pelo menos naquele momento, o apelido de picolé de chuchu.

Serra piscou primeiro. Não quis arriscar uma candidatura a presidente, atrasou-se e deixou que o fosso entre serristas e alckmistas aumentasse perigosamente, tanto dentro do PSDB como no PFL.

Mas a candidatura Alckmin não decola. Continua com uma bola de ferro no pé. Tudo é amador. Não existe esboço de projeto, não existe tema, não existe roteiro, não existe estado-maior de campanha, não existe ainda o tal diretório em Brasília. Enfim, não existe candidatura.

Como Serra também ainda não começou a organizar sua campanha ao governo de São Paulo, florescem as especulações de que a candidatura de Alckmin não é para valer, que uma substituição por José Serra não demora muito.

Com isso, o PFL endurece o jogo e não indica o vice.

As principais lideranças tucanas não entram em campo para estancar a especulação de que Alckmin não é o verdadeiro candidato.

A coisa vai mal.”

No comments yet to Um estranho no ninho (Alckmin)

  • Desde a Galiza não percebo bem como está a situaÃão no Brasil. Mas Lula parece-me um bom candidato, não é?
    Malia estar rodeado do escándalo da corrupÃão, que foi que aconteceu?

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