A eleição não é só PT versus PSDB

A senadora Heloísa Helena prega a entrada de mais candidatos na campanha e diz que é justo que mais partidos mostrem seus projetos

Por Mário Simas Filho e Rodrigo Rangel - ISTOÉ

Ela mesma se define como uma menina danada, dessas que não param quietas um só minuto. Neste momento, com toda a sua energia, a senadora Heloísa Helena está disposta a sair candidata a presidente pelo PSOL. Ela acredita que, quanto mais concorrentes houver, mais haverá condições para se questionar o «receituário de irresponsabilidade fiscal, social e administrativa representado pelos antigos e pelos novos inquilinos do Palácio do Planalto». É claro que, com sua linguagem pessoal e intransferível, a senadora está fazendo referências aos adversários do PSDB e do PT. «O povo precisa saber que há alternativas que devem ser expostas e discutidas.» Nos últimos meses, graças a sua participação na recém-encerrada CPI dos Correios, Heloísa Helena ganhou visibilidade nacional e, uma vez candidata, acreditam muitos analistas, tem boas chances de crescer durante a campanha. Segundo as pesquisas atuais, ela pode largar de um patamar de 5% das intenções de voto. Pessoalmente, no entanto, ela não faz contas. A ISTOÉ, a senadora atacou os partidos que buscam alianças «apenas de olho na matemática eleitoral» e avaliou como falsa a polarização entre o PT e o PSDB: «É o mesmo projeto de País, só que dividido em dois palanques», dispara. Defensora ferrenha do fim do voto secreto no Congresso e, na mesma direção, da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de todos os agentes públicos, ela poderá apresentar na campanha a proposta de um salário mínimo de R$ 1,6 mil. Abaixo, algumas de suas idéias.

Leia entrevista completa em Istoé Online.

Filhos de Alckmin e de seu acupunturista são sócios

CHICO DE GOIS
da Folha de S.Paulo

A ligação do médico acupunturista Jou Eel Jia com o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência, vai além da relação entre médico e paciente e se estende por laços familiares. Thomaz Rodrigues, 22, filho de Alckmin, e Suelyen Jou, 23, filha de Jia, são sócios em uma loja de produtos naturais, e pacientes do acupunturista são orientados a procurar a empresa da filha quando “não encontram ervas medicinais” receitadas.

A J.T. Comércio e Distribuidora de Produtos Naturais foi constituída em julho de 2004 com capital social declarado de R$ 100 mil. Segundo a Junta Comercial de São Paulo, Suelyen tem participação de R$ 51 mil no negócio. Thomaz, R$ 49 mil. A administração do negócio, segundo a Junta Comercial, cabe a Thomaz. A empresa funciona num sobrado na Aclimação (centro de São Paulo).

A assessoria de imprensa do ex-governador informou que Alckmin não deu os recursos para que Thomaz investisse na empresa. A assessoria também afirmou não saber se o capital social está totalmente integralizado à empresa. Thomaz, que é estudante de direito, não foi localizado. Na sexta-feira, segundo a assessoria de Alckmin, ele estava na Bahia.

Na semana passada, a Folha informou que uma revista de Jou Eel Jia, a “Ch’an Tao”, recebeu R$ 60 mil em publicidade da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista em 2005. Outros R$ 60 mil já foram aprovados para a próxima edição, que deve ser publicada no mês que vem. Alckmin é o destaque na capa da revista deste mês. Ele concedeu uma entrevista exclusiva ao magazine. O ex-governador aparece em nove páginas, seja em fotos ou depoimento. O jornal “O Globo” revelou ontem a sociedade de Thomaz com a filha do acupunturista.

Jou Eel Jia costuma ministrar cursos de acupuntura e de medicina tradicional chinesa a servidores estaduais. Um convênio com a Secretaria Estadual de Educação, assinado em novembro de 2003, permitiu o treinamento de professores em técnicas de meditação chinesa. A assessoria do ex-governador informou que Jia não cobra nada pelos cursos. O Estado paga apenas despesas com transporte e refeição, mas somente dos alunos.

Em agosto de 2003, um convênio entre a Secretaria Estadual da Saúde e a Associação de Medicina Tradicional Chinesa do Brasil, de Jia, autorizou a realização de curso de especialização em acupuntura para médicos e profissionais da saúde. O Estado cedeu um espaço para as aulas no Hospital do Mandaqui. Segundo a assessoria de Jia, 40 médicos freqüentaram o curso, que durou dois anos. Cada aluno pagou R$ 250 por mês — R$ 10 mil mensais, no total.

Na página na internet da Associação de Medicina Tradicional Chinesa do Brasil a ligação com os Alckmin é destacada. “O SPA Ch’an Tao [também de propriedade de Jia] hospeda membro do clàAlckmin: Thomaz Rodrigues”, é uma das chamadas. Na matéria “Carandiru pode abrigar espaço para meditação”, Jia é citado como “especialista em medicina oriental que atende o governador Geraldo Alckmin há três anos”.

Outra matéria, “Meditação ao ar livre”, mostra a proximidade entre paciente e médico: “A idéia surgiu em um bate-papo entre o governador Geraldo Alckmin e seu acupunturista Jou Eel Jia… O doutor Jou falava da prática de atividades zen nos parques da China, seu país de origem, e o governador lhe pediu que planejasse algo semelhante para cá”.

A matemática conveniente de Fernando Henrique

Prova dos 9 confirma que FH foi mais lento para demitir colaboradores
Fabrício Marta e Josie Jeronimo (Jornal do Brasil)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso atirou ontem novas pedras na desgastada cobertura petista. Na opinião de FH, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi lento ao promover a saída do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. O ex-presidente ignorou, no entanto, o telhado de vidro tucano, bombardeado por denúncias que envolvem alguns dos principais colaboradores.

– Eu, por muito menos, tirei muitos ministros que não tinham culpa no cartório – ressaltou FH, considerando existirem evidências e «sempre numa área de falta de correção».

FH insistiu na ausência de agilidade de Lula depois de tomar conhecimento das primeiras notícias que envolviam Palocci nas reuniões da mansão batizada de República de Ribeirão Preto. Passaram-se 11 dias entre a confirmação do caseiro Francenildo Costa sobre a assiduidade do então homem forte de Lula à mansão e a renúncia do ministro.

– É muito grave, uma acusação preocupante. Imagino que o presidente Lula deveria ter agido há muito mais tempo. Fico olhando isso e me pergunto: Onde é que vamos parar? Sinceramente, neste momento, meu sentimento como brasileiro é de indignação e preocupação – completou FH.

O calendário não mente na comparação do tempo que permeou a derrocada de Palocci com o desgaste de alguns dos principais assessores de FH: o ex-ministro peemedebista Eliseu Padilha (Transportes), por exemplo, passou longos sete meses sendo fritado desde a primeira denúncia que o envolveu com remessas ilegais de recursos para o exterior.

A acusação surgiu em março de 2001, mas Padilha só foi afastado por FH sete meses depois. O ex-ministro teria informações sobre o pagamento de dívidas judiciais do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) pelo menos desde 1997. As fraudes no extinto DNER levaram o Ministério Público Federal a denunciar Padilha, o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira e outros 14 suspeitos, entre funcionários públicos, empresas e lobistas.

No fim das contas, «noves fora», FH cozinhou Padilha, em banho-maria, por pelo menos 200 dias a mais que Lula em relação à saída de Palocci.

Ministros que caíram durante o governo FH
Eliseu Padilha
Denúncia: 8 de março de 2001. O ex-ministro de Fernando Henrique só caiu em 24 de outubro, mais de sete meses depois. Padilha foi acusado de envolvimento com esquema de remessas de recursos ilegais ao exterior. À época, as investigações assinalavam que o ex-ministro dos Transportes tinha informações sobre o pagamento de dívidas judiciais do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) pelo menos desde 1997.

Élcio Álvares
Denúncia: em 12 outubro de 1999 apareceram indícios de envolvimento com o crime organizado. Élcio deixou o governo em 19 de janeiro de 2000. O ex-ministro da Defesa foi acusado de encobrir traficantes no Espírito Santo.

Mauro Gandra
Denúncia: As transcrições dos grampos teriam sido descobertas por FH em 9 de novembro de 1995 e o ministro da Aeronáutica se demitiu no dia 19 de novembro. O ex-presidente do Incra Francisco Graziano teria ordenado grampo telefônico, que acabou flagrando o então embaixador Júlio César dos Santos ao arquitetar a escolha da empresa que forneceria os equipamentos do projeto Sivam. Na gravação ele cita o nome de Gandra. O embaixador também foi afastado.

Mendonça de Barros
Denúncia: Os grampos teriam sido feitos no dia 28 de julho de 1998, mas a crise só foi deflagrada em 8 de novembro. Mendonça pediu demissão no dia 21, 13 dias depois do início da crise. Durante a privatização da Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e o ex-presidente do BNDES André Lara Resende. Na gravação eles articulavam o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FH entrou na história. À época, especulou-se que o ex-presidente teria autorizado o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão.