Pesquisa sigilosa dos tucanos confirma que Alckmin não teria tempo de vencer Lula no Norte e Nordeste por ser «muito desconhecido»

Jorge Serrão - Blog Alerta Total

Exclusivo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passou o final de semana alarmado com uma pesquisa indicando que Geraldo Alckmin é completamente desconhecido e tem sua candidatura presidencial ignorada pela maioria dos eleitores de municípios com mais de 50 mil habitantes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Feito por um grupo especializado em marketing estratégico e não pelos tradicionais institutos de pesquisa -, o estudo sigiloso indica que, dificilmente, Alckmin conseguiria ser conhecido a tempo de vencer o presidente Lula, cuja imagem já está consolidada há anos na estrada eleitoral. E o pior: Onde Geraldo é conhecido, os eleitores o identificam como um candidato «dos ricos de São Paulo».

Os estrategistas contratados pelos tucanos fizeram a seguinte pergunta: «Você conhece Geraldo Alckmin, que vem candidato a presidente da República?». No Norte, 68% não sabem que Alckmin é candidato e 5% sequer sabem quem ele é. No Nordeste, 58% dos eleitores o conhecem, 36% ouviram falar que ele é candidato, mas não sabem quem ele é e 8% sequer ouviram falar no nome dele.

No Centro-Oeste, 46% o conhecem, 21% já ouviram falar, mas 33% por cento não sabem quem ele é. Como a campanha não começou para valer, o próprio candidato acredita que reverte esse quadro de desconhecimento. Mas o poder de virar o jogo, em tempo hábil, é exatamente a dúvida dos estrategistas e marketeiros tucanos.

Os estrategistas tucanos calculam que, pelo panorama atual, Alckmin pode conquistar até dez por cento do eleitorado nordestino. No entanto, dificilmente, conseguiria superar Lula na região. Os pesquisadores ficaram alarmados porque até Antony Garotinho é mais reconhecido pelos nortistas e nordestinos que Alckmin, que governou São Paulo, o estado da federação com mais pessoas oriundas daqueles estados.

O Alerta Total teve acesso aos dados de mais uma daquelas pesquisas feitas para não serem divulgadas apenas para consumo interno dos partidos, a fim de definir estratégias. O Palácio do Planalto tomou conhecimento da pesquisa do PSDB, e já tinha obtido resultados semelhantes em pesquisas que encomendou para definir a estratégia da campanha reeleitoral de Lula. O PSDB tomou uma decisão de emergência: o homem de comunicação do partido, Luiz Gonzalez ,volta hoje ao Brasil e deverá assumir imediatamente a estratégia geral da campanha de Geraldo.

Vazaram os arrasadores números para a pré-campanha tucana que estavam guardados no maior sigilo. As conclusões da pesquisa serão a principal razão de uma reunião de trabalho marcada para esta semana entre Alckmin e deputados federais tucanos. Os deputados e senadores do PSDB, junto com seus «aliados» do PFL, exigem mudanças de estratégia urgentes. Todos vêm criticando a pré-campanha de Alckmin como «provinciana», «improvisada» e «sem carisma».

Os autores da pesquisa - indicando a «ignorância» do eleitorado do norte-nordeste-centro-oeste em relação a Alckmin - também sugerem um desenho mais popular para a candidatura tucana. Na receita deles, Geraldo Alckmin precisa ser menos projetado por seu estilo de classe média alta. O candidato será obrigado a se despir da roupagem Daslu, se quiser virar o jogo.

Os estrategistas avaliam que Alckmin precisaria também de um discurso «nacional», e menos paulista, para que não fique estacionado 20 pontos percentuais atrás de Lula nas pesquisas.

Maratona de campanha

Em busca de reconhecimento, Geraldo Alckmin promete percorrer, até dia 15 de maio, todos os estados do Nordeste.

O candidato acredita que isto vai aproximá-lo do eleitorado da região que hoje o desconhece.

O coordenador da campanha tucana, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) conta com o apoio de políticos importantes da região para inflar a popularidade na região hoje eleitoralmente dominada pelo presidente Lula, seu carisma de homem que vem da massa da região e por um poderoso combustível eleitoral chamado «Bolsa Família».

A mídia e a eleição 2006

Interessante artigo de Miguel do Rosário, em seu blog “Óleo do Diabo”, intitulada “Enquanto os cães ladram…”, faz um balanço da cobertura da mídia sobre as movimentações recentes do Presidente Lula. Segundo Miguel, a mídia chega ao desparate de relegar a segundo plano a marca histórica alcançada pela Petrobrás de auto-suficiência na produção de petróleo: o “clima de campanha”, chavão utilizado pela Rede Globo vem sempre em primeiro plano.
Eis um “tira-gosto” do artigo:

Enquanto os cães ladram…
Miguel do Rosário
http://oleododiabo.blogspot.com/2006/04/enquanto-os-ces-ladram.html

É impressionante a criatividade do Globo, e da mídia em geral, de inserir o termo “em ritmo de campanha” para designar todo ato de Lula. Está ficando repetitivo, de mau gosto. Por ocasião da entrada em funcionamento da P-50, a gigantesca plataforma que produzirá 180 mil barris de petróleo por dia, ou 11% do consumo nacional, o Globo usou e abusou dessa estratégia chula, mesquinha, sem dar o devido destaque ao fato do Brasil ter ingressado no seleto grupo de países que possuem auto-suficiência em petróleo.

Na atual conjuntura geopolítica mundial, em que o preço do petróleo atinge valores recordes, esta auto-suficiência representa, para o Brasil, um grande trunfo para consolidar e acelerar o seu processo de desenvolvimento.

Qualquer cidadão com um mínimo de senso histórico e espírito nacionalista deveria estar comemorando este feito, que não é mérito de Lula mas da luta cidadã, que soube enfrentar as forças alienígenas e reacionárias às quais não interessavam que o Brasil encontrasse petróleo, nem que se desenvolvesse. As campanhas nacionalistas que se iniciaram com a Inconfidência Mineira, ao fim do século XVIII, data que comemoramos neste 21 de abril, e que tiveram tantos outros exemplos, culminaram com a criação da Petrobrás em 1953 por Getúlio Vargas. A mesma luta cidadàque agora se volta contra o golpismo e pelo respeito aos 54 milhões de votos de Lula.

Entretanto, se o mérito da auto-suficiência não é de Lula, é preciso reconhecer em nosso atual presidente um símbolo poderoso de nossa independência. A prova disso é que a sua vitória foi muito mais comemorada, em todo país do que a estréia da plataforma. Por que símbolo? Porque representa a derrota de um projeto de país baseado na venda do patrimônio público, no endividamento, na dependência crescente do mercado internacional, na desvalorização da agricultura familiar e na falta de projetos sociais consistentes.

Inflação baixa gera poder de compra mais alto em 40 anos

Alex Ribeiro, Valor Econômico - Citado por www.informante.net
O salário mínimo de R$ 350, anunciado anteontem pelo governo, deverá proporcionar o mais elevado poder de compra ao trabalhador em 40 anos, graças ao ambiente de inflação controlada vigente no país. Dada a inflação projetada pelo mercado financeiro, o novo mínimo promete um valor médio real de R$ 337,13 no seu período de vigência, abaixo apenas dos R$ 338,39 registrados em 1966.
Os cálculos foram feitos a partir de dados sobre o salário mínimo real disponibilizados pelo IpeaData, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Os números mostram basicamente que de nada vale um alto reajuste nominal do mínimo se no período seguinte seu poder de compra não for preservado, com a inflação sob controle.
Ao anunciar o novo mínimo, o governo lembrou que o salário estava sendo fixado no maior valor real em 20 anos. De fato, o salário mínimo fixado em maio de 1985, quando fixado, equivalia a R$ 354,11, deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a valores de dezembro de 2005. O que faltou dizer é que, devido à alta inflação do período, cinco meses depois - em outubro de 1985 - o salário mínimo real equivalia a apenas R$ 219,20, sempre a preços de dezembro de 2005. Em 1985, o salário mínimo médio real foi de apenas R$ 264,48.
Os prognósticos para o novo salário mínimo de R$ 350 são mais promissores. Os analistas econômicos projetam para o primeiro trimestre de de 2006 uma inflação de 1,22% no INPC, segundo a pesquisa de expectativas de mercado do BC. Assim, quando entrar em vigor, em 1 de abril, o salário mínimo real terá caido para R$ 345,76. Nos 12 meses seguintes, perderá cerca de 0,4% de seu valor de compra por mês, segundo projeção de mercado. Tudo considerado, o valor médio esperado para o novo mínimo é de R$ 337,13.
O salário não atinge um poder de compra médio tão elevado desde o período de 12 meses encerrados em março de 1966, quando foi de R$ 338,39. Os dados do IpeaData são deflacionados pelo INPC a partir de 1979 e, antes disso, pelo Índice do Custo de Vida (ICV-RJ) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O fenômeno da corrosão dos salários em um ambiente de alta inflação foi descrito pela primeira vez, de forma sistematizada, pelo economista Mário Henrique Simonsen, no seu livro “A experiência Inflacionária Brasileira”, de 1964. Ele desenhou um gráfico que mostrava que os salários reais tipicamente oscilavam entre picos instantâneos, quando são concedidos os reajustes, e vales, após progressiva corrosão de seu poder de compra. Hoje, o conceito é trivial, mas na época era bastante inovador, e acabou influenciando toda uma geração de economistas que se dedicaram a estudar a inflação inercial. Por isso, a teoria é conhecida como a “curva de Simonsen”.
Ironicamente, os maiores valores mensais reais dos salários mínimos costumam ser verificados em épocas de inflação alta, quando é necessário conceder reajustes mais elevados para fazer frente ao período seguinte de elevação de preços. Foi o caso de 1985, quando o salário mínimo atingiu um pico, e a inflação atingiu 239,06% no ano.
Renda do trabalhador cresce 1,8% ante novembro e sobe 5,8% perante dezembro de 2004
O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas ficou em R$ 995,40 em dezembro, com alta de 1,8% em relação a novembro. Em comparação com dezembro do ano passado, houve aumento de 5,8% segundo informou o IBGE.
Relativamente a novembro, das seis regiões metropolitanas pesquisadas, cinco apresentaram alta no rendimento: Recife e Belo Horizonte (0,4%), Rio de Janeiro (2,2%), São Paulo (2,4%) e Porto Alegre (0,8%). Em Salvador, a renda ficou estável.
Nesse confronto, os trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram aumento de 0,8% no rendimento médio, para R$ 974,30. Os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado viram alta de 2,4%, para R$ 686,80. Os trabalhadores por conta própria ficaram com rendimento 3,4% maior, de R$ 812,50.
Em comparação a dezembro de 2004, houve recuperação de 0,7% no rendimento dos trabalhadores com carteira assinada. Os trabalhadores sem carteira ficaram com renda 13,5% maior e os trabalhadores por conta própria tiveram aumento de 11,5%.
O rendimento médio subiu em todas as seis regiões pesquisadas: Recife (6,4%), Salvador (10,5%), Belo Horizonte (3,2%) Rio de Janeiro (7,0%), São Paulo (6,6%) e Porto Alegre (0,7%).
Pesquisa mostra que aumentou confiança do brasileiro na economia
Os consumidores brasileiros estão mais confiantes neste começo de ano, segundo dados da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor, divulgado hoje, passou de 103,6 pontos em dezembro do ano passado para 110,5 neste mês, uma alta de 6,7%.
A avaliação da situação atual e as previsões para os próximos seis meses também foram favoráveis. O Índice de Confiança da Situação Atual aumentou de 104,5 para 109,7 e o de expectativas, de 103,2 para 110,9.
A confiança na economia local foi o quesito relacionado ao presente que registrou a maior evolução entre os consumidores pesquisados. A parcela dos que consideram bom o nível atual da economia evoluiu de 12,8% para 14,4%, enquanto o dos que julgam ruim diminuiu de 48,2% para 43,5%.
O percentual dos consumidores que responderam que estão mais otimistas com o futuro da economia na cidade onde moram também aumentou de 23,5% para 30,8%. O grupo que acredita que a situação econômica vai piorar diminuiu de 19,6% para 11,5%.
A Sondagem de Expectativas do Consumidor é feita com base numa amostra de 2000 domicílios em sete das principais capitais do país. Os dados da primeira pesquisa do ano foram coletados entre os dias 2 e 20 de janeiro.
Custo da cesta básica caiu 5,52% nos supermercados em dezembro
O índice Abrasmercado registrou queda de 5,52% em dezembro de 2005 na comparação com o mês de 2004. Com isso, o preço da cesta passou a corresponder a R$ 198,01, segundo a Abras (Associação Brasileira dos Supermercados).
O Abrasmercado é um índice composto por uma cesta de 35 produtos, como alimentos (incluindo cerveja e refrigerante), higiene e beleza e limpeza doméstica.
Por regiões do país, a cesta mais cara foi encontrada no Sul, onde custava R$ 217,30 em dezembro. A mais barata era vendida no Nordeste, por R$ 170,54. No Norte, onde está a segunda cesta mais cara do país, o preço foi de R$ 213,93. A cesta custava R$ 191,23 no Centro-Oeste e R$ 188,40 no Sudeste.
A queda do preço da cesta nos supermercados foi puxada pela variação da cebola (-9,69%), biscoito cream cracker (-7,37%) e tomate (-4,11%). No lado oposto, houve alta nos preços da batata (35,63%), papel higiênico (3,62%) e óleo de soja (3,30%).

De onde veio a grana de Francenildo?

Matéria intitulada “ESTE É QUEM PAGOU NILDO?”, do jornalista Leandro Fortes (Carta Capital) investiga as origens do dinheiro depositado na conta do caseiro Francenildo Santos Costa por seu suposto pai biológico, Eurípedes Soares.
Em todos os depoimentos prestados até agora o caseiro diz ter recebido 25 mil reais em virtude de acordo realizado com o pai biológico. Resta dúvida, entretanto, quanto à diferença entre os tais 25 mil e os 38 mil reais que circularam em sua conta. De volta ao dinheiro depositado por Soares, este último afirmou ter pego empréstimo em espécie de Antônio Alves, na quantia de 10 mil reais. É sobre Alves e as origens do recurso do empréstimo que trata a reportagem.
Leia resumo no sítio da Carta Capital. Matéria completa na versão impressa.

PSDB consegue liminar para suspender jornal da CUT da Folha Online

da Folha Online
O PSDB conseguiu hoje uma liminar que suspende a circulação da edição desse bimestre do Jornal da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em uma decisão que se estende para o site da central sindical. A liminar foi concedida pelo ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marcelo Ribeiro, em resposta a uma representação do partido.

A CUT-SP, responsável pela publicação, comunicou que já recorreu da decisão do ministro Marcelo Ribeiro. O presidente da entidade, Edílson de Paula, afirma que o jornal “não teve nenhum caráter eleitoral e nem partidário” e que o balanço do governo Alckmin “foi baseado em notícias e estatísticas amplamente divulgadas pelos meios de comunicação de massa”.


Pergunta: eles têm medo do que?

Cuidado ao interpretar a pesquisa CNT/Sensus

Comentário do jornalista José Roberto de Toledo, citado no blog de Fernando Rodrigues:

Cuidado ao interpretar a pesquisa CNT/Sensus

“Cuidado com a divulgação da pesquisa CNT/Sensus de hoje. A comparação do resultado atual (abril) com a última pesquisa do instituto (fevereiro) leva a crer que Alckmin está subindo, e Lula, caindo. Não é verdade. Como já demostraram Ibope e Datafolha, a diferença entre ambos está mantida no último mês”.

“Acontece que Sensus/CNT não fizeram pesquisa em março. E agora estão comparando fevereiro com abril como se nada tivesse ocorrido no meio
do caminho. O problema é que ocorreu”.

“Só para ilustrar”:

“Se compararmos a pesquisa Datafolha de 20/21 de fevereiro com a de 6/7 de abril, veremos que a diferença entre Lula e Alckmin foi de 26
pontos percentuais para 20 pontos percentuais. Mas se compararmos a mesma pesquisa de fevereiro com a de março, constataremos uma queda da diferença de 26 pontos percentuais para 19 pp. Ou seja, a queda ocorreu há um mês. A Sensus/CNT é notícia velha. Mais do que isso: induz a erro de interpretação, pois parece que esse movimento está acontecendo agora”.

“O instituto Sensus e a CNT de Clésio Andrade estão na deles. Fazem o que podem para conseguir uma manchete. Cabe a nós entender se há notícia ou não”.

‘Le Monde’ defende Lula como modelo para América Latina

O jornal francês Le Monde defende em editorial o modelo de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em oposição ao do venezuelano Hugo Chávez, como exemplo a ser seguido por outros líderes de esquerda que estão asumindo o poder na América Latina.
BBCBrasil

“Entre Hugo Chávez e Lula da Silva, duas esquerdas se opõem. Uma propõe um discurso radical com acentos populistas e avanço de soluções nacionalistas. A outra, centrista, propõe uma política orçamentária ortodoxa a fim de atrair capitais e busca inserir a economia na globalização”, afirma o Le Monde.
Para o diário francês, é forte e legítima a “tentação” de gastar os recursos obtidos com a recente melhora da situação econômica da região “distribuindo rapidamente subvenções aos mais necessitados”.
“É necessário esperar, no entanto, que para além dessas necessidades imediatas, os governos de esquerda saberão se preservar do eleitoralismo para conduzir políticas de longo prazo.”
O jornal vê uma guinada à esquerda na região, movimento que atribui às “profundas desigualdades que caracterizam a América Latina” - divididas, na descrição do Le Monde, entre burguesias “norte-americanizadas” e classes pobres, principalmente rurais, que acumulam miséria, desemprego e analfabetismo.
O Le Monde calcula que, das 17 eleições que terão ocorrido na região entre dezembro de 2005 e dezembro de 2006, 80% delas terão sido ganhas por forças de esquerda.
“A solução brasileira de jogar o jogo da inserção na globalização impõe constrangimentos que limitam o crescimento e as margens de manobra. Mas o investimento na educação e na infra-estrutura e a abertura aos capitais preparam o futuro”, conclui o Le Monde.

Aviões feitos por estudantes vão aos EUA

Futuros engenheiros ganharam o direito de representar o Brasil na disputa internacional após conquistarem as melhores classificações na VII Competição SAE BRASIL AeroDesign, em 2005

IstoÉ Dinheiro

Estudantes de Engenharia de três universidades brasileiras - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) - ajustam os últimos detalhes de seus aviões rádio controlados, totalmente projetados e construídos por eles, para disputar a SAE Aerodesign East Competition, entre os dias 21 e 23 de abril, em Marietta, Georgia, Estados Unidos. Os futuros engenheiros ganharam o direito de representar o Brasil na disputa internacional após conquistarem as melhores classificações na VII Competição SAE BRASIL AeroDesign, em 2005. O Brasil sagrou-se duas vezes campeão pela Classe Regular na SAE Aerodesign East Competition, em 2002 e 2005.

Na Competição brasileira, realizada em setembro do ano passado no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos/SP, a equipe Uai-Sô-Fly, da UFMG, e a equipe Tucano, da UFU, conquistaram primeiro e segundo lugares na Classe Regular, entre as 46 participantes, e a equipe EESC Open foi a campeàda Classe Aberta, que reuniu cinco equipes. Os estudantes mineiros da equipe Uai-Sô-Fly estão confiantes para a disputa internacional. «Esperamos ficar entre os três primeiros», afirma o capitão da equipe, Rodrigo Sorbilli. A Uai-Sô-Fly aposta em um projeto totalmente novo, já que a regra internacional é diferente. «Mesmo com uma maior envergadura da asa (2,40m), conseguimos manter a leveza do avião, que está apenas com 200g a mais que o anterior, e aumentar a capacidade de carga de 9,8 kg para 12,5 kg», acrescenta.

A equipe EESC-USP OPEN também está bastante otimista. «O projeto é bem feito e se tudo der certo vamos trazer o principal título da Categoria para o Brasil», afirma Pedro Castro Souza Vilella, capitão da equipe, que tem mais nove estudantes. Para competir nos EUA, a equipe fez algumas melhorias e adaptações no bimotor, que propiciaram maior estabilidade, envergadura da asa (4,30) e capacidade de carga (19,9 kg). A aeronave pesa 5,2 kg e é feita em fibra de carbono e madeira balsa.

Histórico excelente

A SAE Aerodesign East Competition é realizada pela SAE International e reunirá 48 equipes de vários países da Europa e das Américas. Além de duas vezes campeãs, pela Classe Regular, na Competição norte-americana, em 2002 com a equipe Hércules/Abraraquaçu, da Escola de Engenharia da USP São Carlos; e em 2005 com a equipe Car-Kará, da Universidade Federal do Rio Grande Norte, equipes brasileiras foram vice-campeãs, também pela Classe Regular, em 2000, 2001, 2004 e 2005, com as equipes Cefast, do Cefet Minas, a Aer2001, do ITA, a equipe CEAV/UAV, da Universidade Federal de Minas Gerais, e a equipe Canarinho, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), campus Bauru. Na Classe Aberta, o Brasil conquistou o quarto lugar, com a equipe Leviatã, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 2005.

O Projeto AeroDesign constitui um desafio lançado pela Seção São José dos Campos da SAE BRASIL (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), para universitários de graduação e pós-graduação em Engenharia, Física e Ciências Aeronáuticas de todo o Brasil: o de projetar e construir aeronaves, em escala reduzida, em conformidade com regras estabelecidas pelo Regulamento da Competição, e que sejam capazes de superar sucessivas baterias de testes demonstrando capacidade de vôo controlado, para cargas úteis sempre crescentes, até as condições limite do projeto. A avaliação e classificação das melhores equipes são feitas por meio de duas etapas: Competição de Projeto e Competição de Vôo.

Dona Lu agora admite que ganhou 49 vestidos

Editorial da Folha de S. Paulo, 13/04/2006

“A assessoria do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato à Presidência da República, afirmou ontem que a ex-primeira-dama Maria Lúcia Alckmin recebeu e doou, a partir de 2004 e de forma anônima, 49 -e não 400- peças de roupas confeccionadas pelo estilista Rogério Figueiredo. As doações foram para favelas de São Paulo, para dois bazares beneficentes e para a entidade Fraternidade IrmàClara.

A lista dos beneficiados com as roupas foi enviada ontem pela assessoria. São eles: no início de 2004, a favela da Barragem (seis roupas) e a favela do Bororé (cinco); a Fraternidade IrmàClara (35 roupas, em três lotes diferentes, setembro de 2004, abril de 2005 e 23 de março de 2006), além de bazares beneficentes nas cidades de Santa Fé do Sul e Conchal (três roupas em maio de 2005).

A assessoria do ex-governador afirmou ainda que Lu Alckmin fez uma doação à Favela Ayrton Senna, no Jardim Ângela, também no início de 2004, na qual foram incluídas roupas de sua filha Sophia, mas que não sabe dizer quantas peças foram destinadas à comunidade local naquela data.

“Na maior parte das vezes, essas roupas eram entregues sem alarde ou publicidade e sem a preocupação de fazer registros, uma vez que se tratava de gesto pessoal de solidariedade”, disse à Folha o assessor Luiz Salgado Ribeiro.

A nova versão diverge daquela que havia sido encaminhada à Folha pela assessora de Lu Alckmin, Cristina Macedo, no último dia 30. Segundo ela havia dito, a ex-primeira-dama ganhou 40 roupas do estilista e doou quase tudo, com exceção de uma peça, para a Fraternidade IrmàClara.

Rogério Figueiredo, por sua vez, afirma que não foram 40 nem 50 peças confeccionadas para a ex-primeira-dama, mas em torno de 400, entre camisas, vestidos e tailleurs. A Fraternidade IrmàClara reafirmou ontem à reportagem não ter registro de doações realizadas por Lu Alckmin em 2004 ou em 2005.

A entidade tem ciência de uma única doação, feita no dia 23 de março, dois dias após a Folha publicar reportagem sobre os presentes do estilista.

Luiz Salgado atribuiu a diferença no número de peças (de 40 para 50) e na relação dos beneficiados a um equívoco da ex-primeira-dama quando rememorou as doações que fez. “Dona Lu sempre doou suas roupas de forma espontânea, anônima, sem guardar recibos. Os cálculos agora são feitos a partir da lembrança dela. Por isso ela tinha falado 40, era uma estimativa”, afirmou.

Alckmin - Turbulência na decolagem

Poupado durante o governo em São Paulo, Alckmin é alvo de denúncias

Por Leandro Fortes e Sergio Lirio. Colaborou Ana Luísa Vieira - Carta Capital

Para quem parecia concorrer, além da Presidência da República, ao posto de santo, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin entrou cedo no caminho que leva ao purgatório de uma campanha política. Menos de um mês após derrotar os caciques tucanos e ser escolhido o presidenciável do PSDB, deixando para trás o ex-prefeito paulistano José Serra, Alckmin foi posto na linha de tiro. Desde que o jornal Folha de S.Paulo divulgou, no domingo 26 de março, que a Nossa Caixa, por ordem do Palácio dos Bandeirantes, brindou veículos de comunicação de políticos aliados com publicidade oficial, o ex-governador tem gastado um bom tempo de sua recém-iniciada campanha a dar explicações, ainda que atravessadas e incompletas.

Nunca, nos seis anos à frente do Estado de São Paulo, o tucano foi tão fustigado. No intervalo de 15 dias, falou-se das cerca de 40 peças de roupas (ou 400?) doadas por um estilista à ex-primeira-dama Lu Alckmin, dos anúncios oficiais publicados em uma revista de propriedade do acupunturista do presidenciável e da compra em duplicidade de 500 fornos por parte da mesma Nossa Caixa, doados a programas sociais comandados por dona Lu. Soube-se até que o então prefeito de Pindamonhangaba demonstrava certa simpatia pela ditadura, conforme atesta correspondência enviada no início dos anos 80 ao general João Baptista Figueiredo, o último presidente do ciclo militar.

Em termos de espaço na mídia, as «denúncias» contra Alckmin só tiveram menos destaque do que os desdobramentos da quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo Costa, ordenada, segundo as mais recentes conclusões da Polícia Federal, pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Os atropelos jurídicos do relatório do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) e o desfecho polêmico da CPMI dos Correios ficaram em terceiro lugar.