A matemática conveniente de Fernando Henrique
Prova dos 9 confirma que FH foi mais lento para demitir colaboradores
Fabrício Marta e Josie Jeronimo (Jornal do Brasil)
“ Eu, por muito menos, tirei muitos ministros que não tinham culpa no cartório“ ressaltou FH, considerando existirem evidências e «sempre numa área de falta de correção».
FH insistiu na ausência de agilidade de Lula depois de tomar conhecimento das primeiras notícias que envolviam Palocci nas reuniões da mansão batizada de República de Ribeirão Preto. Passaram-se 11 dias entre a confirmação do caseiro Francenildo Costa sobre a assiduidade do então homem forte de Lula à mansão e a renúncia do ministro.
“É muito grave, uma acusação preocupante. Imagino que o presidente Lula deveria ter agido há muito mais tempo. Fico olhando isso e me pergunto: Onde é que vamos parar? Sinceramente, neste momento, meu sentimento como brasileiro é de indignação e preocupação” completou FH.
O calendário não mente na comparação do tempo que permeou a derrocada de Palocci com o desgaste de alguns dos principais assessores de FH: o ex-ministro peemedebista Eliseu Padilha (Transportes), por exemplo, passou longos sete meses sendo fritado desde a primeira denúncia que o envolveu com remessas ilegais de recursos para o exterior.
A acusação surgiu em março de 2001, mas Padilha só foi afastado por FH sete meses depois. O ex-ministro teria informações sobre o pagamento de dívidas judiciais do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) pelo menos desde 1997. As fraudes no extinto DNER levaram o Ministério Público Federal a denunciar Padilha, o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira e outros 14 suspeitos, entre funcionários públicos, empresas e lobistas.
No fim das contas, «noves fora», FH cozinhou Padilha, em banho-maria, por pelo menos 200 dias a mais que Lula em relação à saída de Palocci.
Ministros que caíram durante o governo FH
Eliseu Padilha
Denúncia: 8 de março de 2001. O ex-ministro de Fernando Henrique só caiu em 24 de outubro, mais de sete meses depois. Padilha foi acusado de envolvimento com esquema de remessas de recursos ilegais ao exterior. À época, as investigações assinalavam que o ex-ministro dos Transportes tinha informações sobre o pagamento de dívidas judiciais do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) pelo menos desde 1997.
Élcio Ãlvares
Denúncia: em 12 outubro de 1999 apareceram indícios de envolvimento com o crime organizado. Élcio deixou o governo em 19 de janeiro de 2000. O ex-ministro da Defesa foi acusado de encobrir traficantes no Espírito Santo.
Mauro Gandra
Denúncia: As transcrições dos grampos teriam sido descobertas por FH em 9 de novembro de 1995 e o ministro da Aeronáutica se demitiu no dia 19 de novembro. O ex-presidente do Incra Francisco Graziano teria ordenado grampo telefônico, que acabou flagrando o então embaixador Júlio César dos Santos ao arquitetar a escolha da empresa que forneceria os equipamentos do projeto Sivam. Na gravação ele cita o nome de Gandra. O embaixador também foi afastado.
Mendonça de Barros
Denúncia: Os grampos teriam sido feitos no dia 28 de julho de 1998, mas a crise só foi deflagrada em 8 de novembro. Mendonça pediu demissão no dia 21, 13 dias depois do início da crise. Durante a privatização da Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e o ex-presidente do BNDES André Lara Resende. Na gravação eles articulavam o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FH entrou na história. À época, especulou-se que o ex-presidente teria autorizado o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão.
