A mídia e a eleição 2006

Interessante artigo de Miguel do Rosário, em seu blog “Óleo do Diabo”, intitulada “Enquanto os cães ladram…”, faz um balanço da cobertura da mídia sobre as movimentações recentes do Presidente Lula. Segundo Miguel, a mídia chega ao desparate de relegar a segundo plano a marca histórica alcançada pela Petrobrás de auto-suficiência na produção de petróleo: o “clima de campanha”, chavão utilizado pela Rede Globo vem sempre em primeiro plano.
Eis um “tira-gosto” do artigo:

Enquanto os cães ladram…
Miguel do Rosário
http://oleododiabo.blogspot.com/2006/04/enquanto-os-ces-ladram.html

É impressionante a criatividade do Globo, e da mídia em geral, de inserir o termo “em ritmo de campanha” para designar todo ato de Lula. Está ficando repetitivo, de mau gosto. Por ocasião da entrada em funcionamento da P-50, a gigantesca plataforma que produzirá 180 mil barris de petróleo por dia, ou 11% do consumo nacional, o Globo usou e abusou dessa estratégia chula, mesquinha, sem dar o devido destaque ao fato do Brasil ter ingressado no seleto grupo de países que possuem auto-suficiência em petróleo.

Na atual conjuntura geopolítica mundial, em que o preço do petróleo atinge valores recordes, esta auto-suficiência representa, para o Brasil, um grande trunfo para consolidar e acelerar o seu processo de desenvolvimento.

Qualquer cidadão com um mínimo de senso histórico e espírito nacionalista deveria estar comemorando este feito, que não é mérito de Lula mas da luta cidadã, que soube enfrentar as forças alienígenas e reacionárias às quais não interessavam que o Brasil encontrasse petróleo, nem que se desenvolvesse. As campanhas nacionalistas que se iniciaram com a Inconfidência Mineira, ao fim do século XVIII, data que comemoramos neste 21 de abril, e que tiveram tantos outros exemplos, culminaram com a criação da Petrobrás em 1953 por Getúlio Vargas. A mesma luta cidadàque agora se volta contra o golpismo e pelo respeito aos 54 milhões de votos de Lula.

Entretanto, se o mérito da auto-suficiência não é de Lula, é preciso reconhecer em nosso atual presidente um símbolo poderoso de nossa independência. A prova disso é que a sua vitória foi muito mais comemorada, em todo país do que a estréia da plataforma. Por que símbolo? Porque representa a derrota de um projeto de país baseado na venda do patrimônio público, no endividamento, na dependência crescente do mercado internacional, na desvalorização da agricultura familiar e na falta de projetos sociais consistentes.

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