Inflação baixa gera poder de compra mais alto em 40 anos
Alex Ribeiro, Valor Econômico - Citado por www.informante.net
O salário mínimo de R$ 350, anunciado anteontem pelo governo, deverá proporcionar o mais elevado poder de compra ao trabalhador em 40 anos, graças ao ambiente de inflação controlada vigente no país. Dada a inflação projetada pelo mercado financeiro, o novo mínimo promete um valor médio real de R$ 337,13 no seu período de vigência, abaixo apenas dos R$ 338,39 registrados em 1966.
Os cálculos foram feitos a partir de dados sobre o salário mínimo real disponibilizados pelo IpeaData, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Os números mostram basicamente que de nada vale um alto reajuste nominal do mínimo se no período seguinte seu poder de compra não for preservado, com a inflação sob controle.
Ao anunciar o novo mínimo, o governo lembrou que o salário estava sendo fixado no maior valor real em 20 anos. De fato, o salário mínimo fixado em maio de 1985, quando fixado, equivalia a R$ 354,11, deflacionados pelo Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a valores de dezembro de 2005. O que faltou dizer é que, devido à alta inflação do período, cinco meses depois - em outubro de 1985 - o salário mínimo real equivalia a apenas R$ 219,20, sempre a preços de dezembro de 2005. Em 1985, o salário mínimo médio real foi de apenas R$ 264,48.
Os prognósticos para o novo salário mínimo de R$ 350 são mais promissores. Os analistas econômicos projetam para o primeiro trimestre de de 2006 uma inflação de 1,22% no INPC, segundo a pesquisa de expectativas de mercado do BC. Assim, quando entrar em vigor, em 1 de abril, o salário mínimo real terá caido para R$ 345,76. Nos 12 meses seguintes, perderá cerca de 0,4% de seu valor de compra por mês, segundo projeção de mercado. Tudo considerado, o valor médio esperado para o novo mínimo é de R$ 337,13.
O salário não atinge um poder de compra médio tão elevado desde o período de 12 meses encerrados em março de 1966, quando foi de R$ 338,39. Os dados do IpeaData são deflacionados pelo INPC a partir de 1979 e, antes disso, pelo Ãndice do Custo de Vida (ICV-RJ) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O fenômeno da corrosão dos salários em um ambiente de alta inflação foi descrito pela primeira vez, de forma sistematizada, pelo economista Mário Henrique Simonsen, no seu livro “A experiência Inflacionária Brasileira”, de 1964. Ele desenhou um gráfico que mostrava que os salários reais tipicamente oscilavam entre picos instantâneos, quando são concedidos os reajustes, e vales, após progressiva corrosão de seu poder de compra. Hoje, o conceito é trivial, mas na época era bastante inovador, e acabou influenciando toda uma geração de economistas que se dedicaram a estudar a inflação inercial. Por isso, a teoria é conhecida como a “curva de Simonsen”.
Ironicamente, os maiores valores mensais reais dos salários mínimos costumam ser verificados em épocas de inflação alta, quando é necessário conceder reajustes mais elevados para fazer frente ao período seguinte de elevação de preços. Foi o caso de 1985, quando o salário mínimo atingiu um pico, e a inflação atingiu 239,06% no ano.
Renda do trabalhador cresce 1,8% ante novembro e sobe 5,8% perante dezembro de 2004
O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas ficou em R$ 995,40 em dezembro, com alta de 1,8% em relação a novembro. Em comparação com dezembro do ano passado, houve aumento de 5,8% segundo informou o IBGE.
Relativamente a novembro, das seis regiões metropolitanas pesquisadas, cinco apresentaram alta no rendimento: Recife e Belo Horizonte (0,4%), Rio de Janeiro (2,2%), São Paulo (2,4%) e Porto Alegre (0,8%). Em Salvador, a renda ficou estável.
Nesse confronto, os trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram aumento de 0,8% no rendimento médio, para R$ 974,30. Os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado viram alta de 2,4%, para R$ 686,80. Os trabalhadores por conta própria ficaram com rendimento 3,4% maior, de R$ 812,50.
Em comparação a dezembro de 2004, houve recuperação de 0,7% no rendimento dos trabalhadores com carteira assinada. Os trabalhadores sem carteira ficaram com renda 13,5% maior e os trabalhadores por conta própria tiveram aumento de 11,5%.
O rendimento médio subiu em todas as seis regiões pesquisadas: Recife (6,4%), Salvador (10,5%), Belo Horizonte (3,2%) Rio de Janeiro (7,0%), São Paulo (6,6%) e Porto Alegre (0,7%).
Pesquisa mostra que aumentou confiança do brasileiro na economia
Os consumidores brasileiros estão mais confiantes neste começo de ano, segundo dados da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Ãndice de Confiança do Consumidor, divulgado hoje, passou de 103,6 pontos em dezembro do ano passado para 110,5 neste mês, uma alta de 6,7%.
A avaliação da situação atual e as previsões para os próximos seis meses também foram favoráveis. O Ãndice de Confiança da Situação Atual aumentou de 104,5 para 109,7 e o de expectativas, de 103,2 para 110,9.
A confiança na economia local foi o quesito relacionado ao presente que registrou a maior evolução entre os consumidores pesquisados. A parcela dos que consideram bom o nível atual da economia evoluiu de 12,8% para 14,4%, enquanto o dos que julgam ruim diminuiu de 48,2% para 43,5%.
O percentual dos consumidores que responderam que estão mais otimistas com o futuro da economia na cidade onde moram também aumentou de 23,5% para 30,8%. O grupo que acredita que a situação econômica vai piorar diminuiu de 19,6% para 11,5%.
A Sondagem de Expectativas do Consumidor é feita com base numa amostra de 2000 domicílios em sete das principais capitais do país. Os dados da primeira pesquisa do ano foram coletados entre os dias 2 e 20 de janeiro.
Custo da cesta básica caiu 5,52% nos supermercados em dezembro
O índice Abrasmercado registrou queda de 5,52% em dezembro de 2005 na comparação com o mês de 2004. Com isso, o preço da cesta passou a corresponder a R$ 198,01, segundo a Abras (Associação Brasileira dos Supermercados).
O Abrasmercado é um índice composto por uma cesta de 35 produtos, como alimentos (incluindo cerveja e refrigerante), higiene e beleza e limpeza doméstica.
Por regiões do país, a cesta mais cara foi encontrada no Sul, onde custava R$ 217,30 em dezembro. A mais barata era vendida no Nordeste, por R$ 170,54. No Norte, onde está a segunda cesta mais cara do país, o preço foi de R$ 213,93. A cesta custava R$ 191,23 no Centro-Oeste e R$ 188,40 no Sudeste.
A queda do preço da cesta nos supermercados foi puxada pela variação da cebola (-9,69%), biscoito cream cracker (-7,37%) e tomate (-4,11%). No lado oposto, houve alta nos preços da batata (35,63%), papel higiênico (3,62%) e óleo de soja (3,30%).
O salário mínimo de R$ 350, anunciado anteontem pelo governo, deverá proporcionar o mais elevado poder de compra ao trabalhador em 40 anos, graças ao ambiente de inflação controlada vigente no país. Dada a inflação projetada pelo mercado financeiro, o novo mínimo promete um valor médio real de R$ 337,13 no seu período de vigência, abaixo apenas dos R$ 338,39 registrados em 1966.
Os cálculos foram feitos a partir de dados sobre o salário mínimo real disponibilizados pelo IpeaData, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Os números mostram basicamente que de nada vale um alto reajuste nominal do mínimo se no período seguinte seu poder de compra não for preservado, com a inflação sob controle.
Ao anunciar o novo mínimo, o governo lembrou que o salário estava sendo fixado no maior valor real em 20 anos. De fato, o salário mínimo fixado em maio de 1985, quando fixado, equivalia a R$ 354,11, deflacionados pelo Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a valores de dezembro de 2005. O que faltou dizer é que, devido à alta inflação do período, cinco meses depois - em outubro de 1985 - o salário mínimo real equivalia a apenas R$ 219,20, sempre a preços de dezembro de 2005. Em 1985, o salário mínimo médio real foi de apenas R$ 264,48.
Os prognósticos para o novo salário mínimo de R$ 350 são mais promissores. Os analistas econômicos projetam para o primeiro trimestre de de 2006 uma inflação de 1,22% no INPC, segundo a pesquisa de expectativas de mercado do BC. Assim, quando entrar em vigor, em 1 de abril, o salário mínimo real terá caido para R$ 345,76. Nos 12 meses seguintes, perderá cerca de 0,4% de seu valor de compra por mês, segundo projeção de mercado. Tudo considerado, o valor médio esperado para o novo mínimo é de R$ 337,13.
O salário não atinge um poder de compra médio tão elevado desde o período de 12 meses encerrados em março de 1966, quando foi de R$ 338,39. Os dados do IpeaData são deflacionados pelo INPC a partir de 1979 e, antes disso, pelo Ãndice do Custo de Vida (ICV-RJ) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O fenômeno da corrosão dos salários em um ambiente de alta inflação foi descrito pela primeira vez, de forma sistematizada, pelo economista Mário Henrique Simonsen, no seu livro “A experiência Inflacionária Brasileira”, de 1964. Ele desenhou um gráfico que mostrava que os salários reais tipicamente oscilavam entre picos instantâneos, quando são concedidos os reajustes, e vales, após progressiva corrosão de seu poder de compra. Hoje, o conceito é trivial, mas na época era bastante inovador, e acabou influenciando toda uma geração de economistas que se dedicaram a estudar a inflação inercial. Por isso, a teoria é conhecida como a “curva de Simonsen”.
Ironicamente, os maiores valores mensais reais dos salários mínimos costumam ser verificados em épocas de inflação alta, quando é necessário conceder reajustes mais elevados para fazer frente ao período seguinte de elevação de preços. Foi o caso de 1985, quando o salário mínimo atingiu um pico, e a inflação atingiu 239,06% no ano.
Renda do trabalhador cresce 1,8% ante novembro e sobe 5,8% perante dezembro de 2004
O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas ficou em R$ 995,40 em dezembro, com alta de 1,8% em relação a novembro. Em comparação com dezembro do ano passado, houve aumento de 5,8% segundo informou o IBGE.
Relativamente a novembro, das seis regiões metropolitanas pesquisadas, cinco apresentaram alta no rendimento: Recife e Belo Horizonte (0,4%), Rio de Janeiro (2,2%), São Paulo (2,4%) e Porto Alegre (0,8%). Em Salvador, a renda ficou estável.
Nesse confronto, os trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram aumento de 0,8% no rendimento médio, para R$ 974,30. Os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado viram alta de 2,4%, para R$ 686,80. Os trabalhadores por conta própria ficaram com rendimento 3,4% maior, de R$ 812,50.
Em comparação a dezembro de 2004, houve recuperação de 0,7% no rendimento dos trabalhadores com carteira assinada. Os trabalhadores sem carteira ficaram com renda 13,5% maior e os trabalhadores por conta própria tiveram aumento de 11,5%.
O rendimento médio subiu em todas as seis regiões pesquisadas: Recife (6,4%), Salvador (10,5%), Belo Horizonte (3,2%) Rio de Janeiro (7,0%), São Paulo (6,6%) e Porto Alegre (0,7%).
Pesquisa mostra que aumentou confiança do brasileiro na economia
Os consumidores brasileiros estão mais confiantes neste começo de ano, segundo dados da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Ãndice de Confiança do Consumidor, divulgado hoje, passou de 103,6 pontos em dezembro do ano passado para 110,5 neste mês, uma alta de 6,7%.
A avaliação da situação atual e as previsões para os próximos seis meses também foram favoráveis. O Ãndice de Confiança da Situação Atual aumentou de 104,5 para 109,7 e o de expectativas, de 103,2 para 110,9.
A confiança na economia local foi o quesito relacionado ao presente que registrou a maior evolução entre os consumidores pesquisados. A parcela dos que consideram bom o nível atual da economia evoluiu de 12,8% para 14,4%, enquanto o dos que julgam ruim diminuiu de 48,2% para 43,5%.
O percentual dos consumidores que responderam que estão mais otimistas com o futuro da economia na cidade onde moram também aumentou de 23,5% para 30,8%. O grupo que acredita que a situação econômica vai piorar diminuiu de 19,6% para 11,5%.
A Sondagem de Expectativas do Consumidor é feita com base numa amostra de 2000 domicílios em sete das principais capitais do país. Os dados da primeira pesquisa do ano foram coletados entre os dias 2 e 20 de janeiro.
Custo da cesta básica caiu 5,52% nos supermercados em dezembro
O índice Abrasmercado registrou queda de 5,52% em dezembro de 2005 na comparação com o mês de 2004. Com isso, o preço da cesta passou a corresponder a R$ 198,01, segundo a Abras (Associação Brasileira dos Supermercados).
O Abrasmercado é um índice composto por uma cesta de 35 produtos, como alimentos (incluindo cerveja e refrigerante), higiene e beleza e limpeza doméstica.
Por regiões do país, a cesta mais cara foi encontrada no Sul, onde custava R$ 217,30 em dezembro. A mais barata era vendida no Nordeste, por R$ 170,54. No Norte, onde está a segunda cesta mais cara do país, o preço foi de R$ 213,93. A cesta custava R$ 191,23 no Centro-Oeste e R$ 188,40 no Sudeste.
A queda do preço da cesta nos supermercados foi puxada pela variação da cebola (-9,69%), biscoito cream cracker (-7,37%) e tomate (-4,11%). No lado oposto, houve alta nos preços da batata (35,63%), papel higiênico (3,62%) e óleo de soja (3,30%).


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