Agudás, um pedaço do Brasil no Benin

 
Eles não falam português, mas quando estão juntos trocam o bonjour (francês é a língua oficial do Benin) por bom dia. Nos dias de festa, cantam músicas em português. Ao receberem convidados em casa, preparam o que chamam de feijoadá ou kousido.
 
Representando entre 5% e 10% da população do Benin, um minúsculo país da costa ocidental africana, os agudás, descendentes de escravos ou comerciantes baianos que emigraram para o Golfo do Benin no século 18, guardam ainda, com muito orgulho, traços que os ligam ao Brasil, terra de seus ancestrais.
 
Estes dois parágrafos são a introdução de uma interessante matéria sobre estes desconhecidos descendentes brasileiros na África. Ela é integrante de uma extensa série produzida pela BBC: Agudás - o Brasil no Benin - vale muito a pena lê-la! Chamou-me especial atenção saber que nada menos de 5% da população daquele país é composto de descendentes brasileiros.
 
Destino de imigrantes de diversos países (especialmente italianos, alemães, japoneses, poloneses, ucranianos…), o Brasil recentemente tem sido um "exportador" de pessoas. Dentre os destinos preferenciais verificam-se os Estados Unidos e a Inglaterra. Curioso é saber que uma leva substancial de brasileiros teria migrado para Benin no século 18 e estes ainda hoje guardam o vínculo com o país de origem. O mesmo se verifica quando se olham as comunidades japonesas, italianas, polonesas, ucranianas ou alemãs no Brasil - veja-se o caso do Bairro da Liberdade em São Paulo.
 
Uma curiosidade interessante: outro país africano, a Libéria, foi "criado" a partir da volta de ex-escravos oriundos dos Estados Unidos. A capital da Libéria, Monróvia, deve este nome ao antigo presidente dos EUA, James Monroe. Situada no oeste da África, é a mais antiga república africana. Porém uma longa guerra civil iniciada nos anos 1990 destruiu completamente o país. Atualmente uma Missão da ONU procura estabilizar o país. 
 
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