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Petróleo, Crises, Mundo Atual

Por Sandro Araújo

A escalada dos preços do petróleo nos últimos anos tem sacudido a economia mundial. Se no passado houveram guerras visando domínio de territórios ou imposição de cultura/religião, há vários pontos de conflito no mundo atual ligados ao “ouro negro”. Do outro lado do mundo, a Indonésia é um país que possui enormes similaridades e enormes contrastes quando comparada ao Brasil. Esta semana manifestantes estão nas ruas em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis. Com uma população estimada em 225 milhões de habitantes, é a “maior nação muçulmana do mundo”. A expectativa de vida é de 65 anos para homens e 69 para mulhers. A renda per capita de 1140 dólares americanos é equivalente a 40% da brasileira. É o quarto país mais populoso do mundo – o Brasil é o quinto. Outros dados podem ser conferidos no sítio da BBC. Os contrastes iniciam-se na variedade étnica e linguística (existem 300 línguas em uso na Indonésia), passam pelas características do território (a Indonésia é um arquipélago com mais de 13000 ilhas), pela religião e também pelas diferenças de desenvolvimento humano e social. Além do tsunami, outra tragédia humana tem assolado a Indonésia nos últimos dias: um surto de poliomielite. Doença já erradicada no continente americano, a poliomielite (ou paralisia infantil) tem vitimado ainda hoje crianças na indonésia. Não obstante, recente relatório do Conselho Nacional de Inteligência, vinculado à CIA, intitulado “Mapping the Global Future”, cita China e Índia como novas potências em 2020 e lista Brasil, Indonésia, Russia e África do Sul como “Other Rising States”, ou seja, “Outras Nações Emergentes”. Eis um “recorte” sobre a Indonésia:

Experts assess that over the course of the next decade and a half Indonesia may revert to high growth of 6 to 7 percent, which along with its expected increase in its relatively large population from 226 to around 250 million would make it one of the largest developing economies. Such high growth would presume an improved investment environment, including intellectual property rights protection and openness to foreign investment. With slower growth its economy would be unable to absorb the unemployed or under-employed labor force, thus heightening the risk of greater political instability. Indonesia is an amalgam of divergent ethnic and religious groups. Although an Indonesian national identity has been forged in the five decades since independence, the government is still beset by stubborn secessionist movements.

Vale lembrar que o Timor-Leste foi dominado pela Indonésia entre 1975 e 1999. Outras regiões, nominadamente a de “Banda Aceh” (extremamente castigada pelo tsunami de dezembro/2004) e “Irian Jaya” ou “West Papua” (a metade ocidental da ilha de Papua, cuja parte oriental é a Papua Nova Guiné) possuem conflitos separatistas, tal como citado no relatório do NIC/CIA. Voltando ao tema original, a escalada dos preços do petróleo. Durante a década de 1970 o mundo foi sacudido pela chamada “Crise do Petróleo”. Tudo ia relativamente bem até o final dos anos 1990 quando começou a atual crise. Se o preço médio desta commodity era em torno de 20 dólares o barril, durante o ano de 2004 chegou a superar os 40 dólares. Neste mês de setembro bateu recordes históricos, ultrapassando os 65 dólares.

No rastro desta escalada, o ditador indonésio Suharto, após 3 décadas de poder, foi deposto em 1998. Há quem diga que a primeira redução dos subsídios, patrocinada por ele, tenha sido fundamental na crise que o derrubou. O atual presidente indonésio é Susilo Bambang Yudhoyono. Ele foi eleito democraticamente mas é um militar e foi ligado ao antigo ditador. Com os preços internacionais do petróleo nas alturas, ainda hoje compra-se um litro de gasolina na Indonésia por 2450 rupias. Isto equivale a 24 centavos de dólar ou ainda a 54 centavos de real! Isto é um quarto do que se paga, por exemplo, no Brasil. Qual é a mágica? A Indonésia subsidia o preço dos combustíveis para a sua população. Dados oficiais indicam que 20% de todo orçamento indonésio é utilizado para bancar este subsídio. Em contrapartida, durante o mês de agosto a moeda nacional, Rupiah, sofreu um enorme ataque especulativo. Naquele mês, o dólar deixou o patamar de 9500 rupias e chegou a bater em 14000. Ações do governo, entretanto, fizeram com que este valor voltasse à casa dos 10000. Economistas indicam como causa da fragilidade da moeda o enorme subsídio aos preços do petróleo. Reduzindo o subsídio, dizem, diminuiria a pressão sobre a Rupiah.

O governo estabeleceu o dia 1º de outubro como data para redução do subsídio e consequente aumento dos preços. Estima-se que o aumento seja em torno de 60%. Isto tem gerado enormes filas aos postos de combustíveis e também protestos por vezes violentos em todo o país. É este o nosso mundo atual: furacões ameaçam as refinarias de petróleo no Texas, o petróleo aumenta. Bush e seu “colega” Blair invadem o Iraque, como forma de garantir oferta futura de petróleo. No Brasil, o governo cobra um dos mais escandalosos impostos (na verdade uma contribuição), a CID, sobre o petróleo. Na Indonésia, o governo gasta 20% do orçamento em subsídios… E assim acaba mais uma semana.

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Categories: Economia, Internacional, Opinião Tags:
  1. Patty
    25, setembro, 2007 em 08:10 | #1

    Meus parabéns, lendo com atenção o seu documentário, gostei muito continue fazendo artigos como estes, pois muitas pessoas como eu vão usufruir seu trabalho………………

  2. Paulo Silva
    25, dezembro, 2007 em 20:22 | #2

    Visite o Blog Politica Ecomomica do Petroleo http://politicaeconomicadopetroleo.blogspot.com/

  3. 1, setembro, 2011 em 01:29 | #3

    awesome peptatch with unsingebe whead for aramballe aberiver. mesuncar have minde that fubinetry it blecon and phing, borancent prolin.

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