Acabou a pouco o segundo turno da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. O deputado federal Aldo Rebelo, ex-ministro de coordenação política é o novo Presidente da casa. A eleição foi marcada pelo equilíbrio de forças: no primeiro turno Rebelo teve 182 votos – a mesma votação de José Thomaz Nonô (PFL/AL). Já no segundo turno o eleito teve 258 votos e Nonô 243.
Na preparação para escrever este artigo, lembrei-me de dois assuntos interessantes, que gostaria de compartilhar com os leitores. O primeiro deles, um projeto de lei apresentado por Rebelo, versando sobre o uso obrigatório da língua portuguesa. Em segundo lugar, a eleição em si, seus desdobramentos e o que esperar do cenário político nos 15 meses que restam de governo Lula.
Vamos aos fatos: autor do projeto de lei 1676/99, Aldo Rebelo propõe a obrigatoriedade do uso da língua portuguesa no território nacional. Uma pergunta, antes que a façam: acaso o português não é língua oficial do Brasil, como consta da Constituição Federal? Sim… Mas o projeto propõe um detalhamento desta “oficialidade”, proibindo o uso de certos “estrangeirismos”. Lembro-me que, tão logo tomei conhecimento do projeto, entrei imediatamente em contato com a assessoria do deputado para manifestar meu apoio.
As razões para tal? Tome-se por exemplo um televisor, daqueles que quase todo brasileiro tem em sua casa, especialmente um com “controle remoto”: mesmo sendo fabricado no Brasil, em geral os botões de controle possuem nomes em inglês. É “color”, “contrast”, “bright”. Por que não “cor”, “contraste”, “brilho”? E os manuais de usuário? Muitos, muitos mesmo, estão em língua estrangeira.
Considero-me um privilegiado. Conheço o básico e suficiente de inglês. Não é o caso da maioria. E a esta maioria está sendo negado o direito de ter informações na língua que dominam. Nossa língua oficial, o português.
Não sou contra aqueles casos em que, por falta de correspondente em português, ou ainda pela “universalidade” do termo, incorporamos uma palavra em outra língua. Note-se que algumas delas foram de fato “aportuguesadas”. Alguns exemplos? Leiaute (oriundo de lay-out). Mouse (não estou falando dos ratos, os animais: estes continuam ratos… mas o acessório do computador é chamado no Brasil de mouse – note-se que em portugal é “rato”). Gol (oriundo de goal: meta ou objetivo, em inglês). Garçom (ou Garção), oriundo do francês.
O que não dá para conviver é com a infinidade de “play” para executar um disco ou uma fita de áudio, “color adjust” para ajustar a cor da televisão, dentre vários.
Bom, já estou ficando prolixo… Para finalizar o assunto: em função da origem do termo, utilizamos no nosso dia-a-dia centenas de palavras oriundas de outras línguas. Nota-se uma predominância de palavras gregas, por exemplo, nos termos médicos e biológicos. Da mesma maneira o latim é muito presente nos termos jurídicos e ainda o inglês em quase tudo que diga respeito à informática. Repetindo: minha crítica não é quanto à utilização de tais termos. Mas à substituição de palavras existentes em nossa língua por outras, de onde quer que venham (neste caso do inglês, francês, russo ou qualquer outra).
Citaria assim o grande Ariano Suassuna que, convidado a palestrar sobre a língua portuguesa, ficou “grilado” com o uso do termo “coffee-break” ao invés do nosso “intervalo para café”. E olhe que o Brasil é um dos maiores produtores de café do mundo!
O comentário do projeto visa familiarizar os leitores com o novo presidente.
Já ia me esquecendo do tal segundo assunto.
A eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados deverá representar um marco no ano político. Cumpre ressaltar que o ano legislativo praticamente ainda não começou. Estamos acostumados a um marasmo pré-carnaval. Este ano, com a eleição de Severino, as diversas crises pelas quais passa o governo e a má vontade que é típica da oposição (não esta atual mas qualquer uma), temos visto uma verdadeira paralisia. Infelizmente falta pouco para o fim de 2005. De fato apenas outubro e novembro… Em 2006, haverá o carnaval, as eleições… Em suma: Rebelo não terá um “reinado” fácil. Mas pode surpreender…
Engraçado foi ter “assistido” os últimos acontecimentos de camarote:
Na preparação para escrever este artigo, lembrei-me de dois assuntos interessantes, que gostaria de compartilhar com os leitores. O primeiro deles, um projeto de lei apresentado por Rebelo, versando sobre o uso obrigatório da língua portuguesa. Em segundo lugar, a eleição em si, seus desdobramentos e o que esperar do cenário político nos 15 meses que restam de governo Lula.
Vamos aos fatos: autor do projeto de lei 1676/99, Aldo Rebelo propõe a obrigatoriedade do uso da língua portuguesa no território nacional. Uma pergunta, antes que a façam: acaso o português não é língua oficial do Brasil, como consta da Constituição Federal? Sim… Mas o projeto propõe um detalhamento desta “oficialidade”, proibindo o uso de certos “estrangeirismos”. Lembro-me que, tão logo tomei conhecimento do projeto, entrei imediatamente em contato com a assessoria do deputado para manifestar meu apoio.
As razões para tal? Tome-se por exemplo um televisor, daqueles que quase todo brasileiro tem em sua casa, especialmente um com “controle remoto”: mesmo sendo fabricado no Brasil, em geral os botões de controle possuem nomes em inglês. É “color”, “contrast”, “bright”. Por que não “cor”, “contraste”, “brilho”? E os manuais de usuário? Muitos, muitos mesmo, estão em língua estrangeira.
Considero-me um privilegiado. Conheço o básico e suficiente de inglês. Não é o caso da maioria. E a esta maioria está sendo negado o direito de ter informações na língua que dominam. Nossa língua oficial, o português.
Não sou contra aqueles casos em que, por falta de correspondente em português, ou ainda pela “universalidade” do termo, incorporamos uma palavra em outra língua. Note-se que algumas delas foram de fato “aportuguesadas”. Alguns exemplos? Leiaute (oriundo de lay-out). Mouse (não estou falando dos ratos, os animais: estes continuam ratos… mas o acessório do computador é chamado no Brasil de mouse – note-se que em portugal é “rato”). Gol (oriundo de goal: meta ou objetivo, em inglês). Garçom (ou Garção), oriundo do francês.
O que não dá para conviver é com a infinidade de “play” para executar um disco ou uma fita de áudio, “color adjust” para ajustar a cor da televisão, dentre vários.
Bom, já estou ficando prolixo… Para finalizar o assunto: em função da origem do termo, utilizamos no nosso dia-a-dia centenas de palavras oriundas de outras línguas. Nota-se uma predominância de palavras gregas, por exemplo, nos termos médicos e biológicos. Da mesma maneira o latim é muito presente nos termos jurídicos e ainda o inglês em quase tudo que diga respeito à informática. Repetindo: minha crítica não é quanto à utilização de tais termos. Mas à substituição de palavras existentes em nossa língua por outras, de onde quer que venham (neste caso do inglês, francês, russo ou qualquer outra).
Citaria assim o grande Ariano Suassuna que, convidado a palestrar sobre a língua portuguesa, ficou “grilado” com o uso do termo “coffee-break” ao invés do nosso “intervalo para café”. E olhe que o Brasil é um dos maiores produtores de café do mundo!
O comentário do projeto visa familiarizar os leitores com o novo presidente.
Já ia me esquecendo do tal segundo assunto.
A eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados deverá representar um marco no ano político. Cumpre ressaltar que o ano legislativo praticamente ainda não começou. Estamos acostumados a um marasmo pré-carnaval. Este ano, com a eleição de Severino, as diversas crises pelas quais passa o governo e a má vontade que é típica da oposição (não esta atual mas qualquer uma), temos visto uma verdadeira paralisia. Infelizmente falta pouco para o fim de 2005. De fato apenas outubro e novembro… Em 2006, haverá o carnaval, as eleições… Em suma: Rebelo não terá um “reinado” fácil. Mas pode surpreender…
Engraçado foi ter “assistido” os últimos acontecimentos de camarote:
- A oposição embarcou na candidatura Severino quando o mesmo foi ao segundo turno na eleição para a Câmara. Note-se que este foi o primeiro episódio do tipo. Anteriormente o chamado princípio de maior bancada sempre prevaleceu. Abro porém um “parênteses”: tudo parece ter começado com a eleição para o presidente da Câmara dos Vereadores do município de São Paulo. Isto trouxe respingos na eleição ao presidente da Câmara dos Deputados. Respingou ainda na eleição do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo. Pouca gente tem se lembrado disto. José Serra foi derrotado por Lula e é prefeito de São Paulo. Geraldo Alckmin é governador de São Paulo e tem pretensões presidenciais. No fundo, a briga PT-PSDB de 2002 ainda traz resquícios. A eleição de Aldo Rebelo pode trazer algum equilíbrio nestas forças. Ou não.
- A maioria dos escândalos envolvendo o governo e o próprio ex-Presidente da Câmara, Severino, teve ressonância após a eleição de Severino. Aqui vale ressaltar: o mensalão foi matéria de capa do Jornal do Brasil a cerca de um ano. É incrível o número de matérias requentadas que povoaram o noticiário político neste ano. Sugiro ao leitor um artigo interessante da Carta Capital: Pobre país, com este jornalismo.
- Quando surgiram os primeiros sinais da derrocada de Severino os partidos que foram decisivos na sua eleição (PFL/PSDB) trataram de se retirar. O PFL chegou ao segundo turno da eleição com o Deputado Nonô…
- Na tentativa de retomar o controle da situação o governo Lula parece ter se unido mais uma vez a representantes da “banda podre” política. Há notícias de que o próprio Severino Cavalcanti tenha agido nos bastidores para apoiar a eleição de Rebelo.
- Quanto ao resto, continuaremos no camarote…
Para finalizar.
Se no primeiro turno ambos candidatos tiveram 182 votos, Rebelo teria ganho 76 votos no segundo turno e Nonô 61. O número de votos de Ciro Nogueira, afilhado de Severino, foi de exatamente 76! Tirem as próprias conclusões…
- Para quem de interessou pelo assunto da língua, veja uma entrevista interessante com Aldo Rebelo. Veja ainda relatos de um debate sobre o tema no sítio da UnB.
- Leia a matéria de Carta Capital: Pobre país, com este jornalismo.
- Leia o diário do mensalão, matéria de capa do Jornal do Brasil.


Fala sandro!!
Fiquei muito impressionado com os seus artigos. NÃo soh pela polêmica que trazem, mas também por abordar assuntos atuais.
Acrescento, também, que vc estah prestando um serviço de utilidade pública aos seus leitores, abordando temas variados que, muitas vezes, passam despercebidos (no caso do uso de estrageirismos na lingua portuguesa.
Gostei do seus pontos de vista.
Abraços Carlos (de Bali) e continue escrevendo.
Gosteiii…