Pauta do dia (28/set)

É impossível pensar em outra pauta para hoje, 28 de setembro, diferente da eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados. As 12 horas que me separam do meu Brasil me permitem ler os jornais do dia enquanto ainda nem é dia no Brasil. Por outro lado, infelizmente somente depois de uma noite de sono é que posso me atualizar com as notícias do “dia que eu já vivi”. Mas como as votações na Câmara dos Deputados tendem a ocorrer à noite, deverei estar “de pé” quando ocorrer o primeiro turno da eleição.
Mas o que está em jogo?
Para mim, muito mais que o futuro do governo atual, trata-se da decisão, pelos nossos representantes, se iremos ter mais um ano de marasmo geral.
Alguns amigos me questionam sobre o momento atual e repetem o bordão “o Brasil está parado”. Sim, é uma maneira de se encarar o presente. Por um outro lado eu pondero: como pode o nosso país estar parado se estamos a cada dia, a cada mês, a cada ano (nos últimos 2 anos e meio), batendo recordes de exportações?
Os números de emprego formal, oriundos da compilação dos dados da RAIS são extremamente positivos: o desemprego, em números relativos, já caiu uns 30% nos últimos 3 anos. Aqui vale uma observação: toda empresa (eu disse toda - quer seja micro, pequena ou grande) deve apresentar a sua RAIS, Relação Anual de Informações Sociais, onde informa o número de trabalhadores contratados e/ou demitidos no período. É da totalização destes números que chega-se à conclusão da redução do desemprego - ou, como prefiro, com a constatação de que aumentaram as vagas oferecidas e preenchidas de emprego formal (aquele com carteira assinada).
Citei dois pequenos exemplos, poderia citar muitos mais.
Não, o nosso país não está parado…
O governo? Este sim, muito, muito parado.
As tais reformas… Estão paradas!
É impossível culpar o legislativo por toda incompetência que se verifica em alguns setores do Governo. Não se prega um legislativo submisso ao executivo: precisamos sim que cada um dos três poderes faça a sua parte. E que o legislativo funcione. Na verdade, especialmente no que se refere à Câmara dos Deputados, há um paradão enoooorme!
E este paradão aumentou com a eleição de Severino Cavalcanti no início do ano.
Lembro-me da chamada década perdida (1980). Há quem diga que a década seguinte também tenha ido no mesmo caminho. E olhem que as coisas estavam começando a entrar nos trilhos nesta década de 2000!
A proximidade do pleito presidencial no ano que vem, no entanto, tem feito com que as forças políticas tentem se recompor de forma a cacifar (ou “descacifar”) candidatos - neste último caso o próprio Presidente Lula. E isto tem feito com que alguns reflexos se sintam no legislativo, no ritmo do executivo (que tem gasto muito tempo e esforço para apagar os incêndios do dia-a-dia) e até no judiciário. Além, é claro, de influenciar o “animus vivendi” da população.
Não se iludam, caros leitores: o movimento do PFL, do PSDB e de outros partidos, na eleição de Severino Cavalcanti, ajudado, é claro, pela incompetência do PT em indicar um candidato de consenso, visava (e conseguiu) desestabilizar a governabilidade do país. Neste ponto, perdemos alguns meses. Vejam a agenda de reformas na Câmara…
Os escândalos envolvendo o partido do Presidente da República e outros partidos aliados têm sido alvo de diversas análises por outros blogs: em breve iremos repercutir estes assuntos também neste blog.
Quanto à eleição: independente de quem seja eleito no pleito de hoje, resta uma esperança: a de que o novo presidente haja com o mínimo espírito cívico, faça a sua parte e deixe o Brasil andar. É o mínimo que se espera de um homem público.
A propósito: nenhuma mulher se candidatou à presidência da Câmara…
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