O país sem Lula

O que fascina na discussão do terceiro mandato é saber como será o Brasil depois que o atual presidente encerrar o lento e gradual ciclo de poder da geração pós-ditadura

Por Luciano Suassuna - Istoé - 14/11/2007

Diante dos jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi enfático: “O Brasil não pode brincar com uma coisa chamada democracia”, disse ele, na segunda-feira 5. “Acho que é insensato qualquer pessoa ficar discutindo aumentar para um terceiro mandato.”

O fascinante nas reiteradas manifestações sobre o tema não está na efetiva possibilidade de Lula vir a ter o direito de disputar um terceiro mandato. O que interessa agora é tentar entender a questão central desse debate. Toda a ansiedade dos políticos, na verdade, se origina numa dúvida bem mais simples e ao mesmo tempo mais complexa do que qualquer mudança constitucional.

Como será o Brasil sem Lula?

Esse é o ponto.

Sua simplicidade está em saber que no dia 1º de janeiro de 2011, uma provável manhã de chuva em Brasília, alguém cruzará a passarela de mármore branco que liga o Salão Leste do Palácio do Planalto ao Parlatório e, diante da multidão abrigada na Praça dos Três Poderes, irá se curvar suavemente para que Lula deposite sobre seu ombro a faixa presidencial.

A complexidade dessa mudança reside no fato de que, ao contrário de todos os grandes episódios que marcaram os últimos 25 anos, ninguém sabe qual o melhor roteiro para que isso aconteça. Porque se existe algo facilmente constatável na história recente do País é que o período que se convencionou chamar de redemocratização brasileira está indissociavelmente ligado a Luiz Inácio Lula da Silva. É como se um não tivesse podido existir sem o outro. E agora que os dois colhem os frutos da normalidade constitucional, da estabilidade econômica e da redistribuição de renda, marchando assim para o seus melhores momentos, vivem paradoxalmente a certeza de que o tempo de ambos está chegando ao fim.

Foi o lento e gradual processo de redemocratização, iniciado com o renascimento do movimento operário e as greves do ABC em 1977 e engrossado com a anistia e o pluripartidarismo em 1979, que levou Lula ao PT – e vice-versa. E, a partir daí, Lula e seu PT (ou vice-versa) oscilaram ora como ameaça de retrocesso, ora como garantia da democratização do País. Mas foram sempre peça-chave desse processo, incluindo as muitas ocasiões em que se manifestaram pela ausência, como na tentativa de Itamar Franco de fazer um governo de união nacional ou, antes, na eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney.

Lula é maior que todos os outros protagonistas da redemocratização porque só ele conseguiu interpretar, por duas décadas, o duplo papel de tese e antítese – o Lula e o anti-Lula. Esse personagem contraditório, que representa ao mesmo tempo o que ele diz e o que se diz dele, mostrou seu poder ambivalente no segundo turno da disputa presidencial de 1989.

A própria figura do segundo turno, é bom lembrar, foi aprovada na Assembléia Nacional Constituinte pelo temor de que Leonel Brizola ou Lula faturassem a primeira eleição para presidente depois da ditadura. Era uma aposta conservadora que rompeu com a tradição eleitoral brasileira para que, nos pleitos seguintes, se mostrasse não apenas uma providencial barreira contra aventureiros como também um elemento garantidor da estabilidade do jogo democrático. Com o segundo turno, a elite nacional emitiu o primeiro sinal de que Lula e seu PT (ou vice-versa) eram paradoxalmente vistos como uma ameaça e uma garantia à democracia e à ordem constitucional.

E então, na disputa de 1989, Lula ganhou a dualidade definitiva. Fernando Collor levou de fato o primeiro turno, mas quem o colocou no Palácio do Planalto foi o anti-Lula – o medo, capaz de convencer a maioria de que o candidato do PT poderia promover, em parte ou no todo, a insegurança jurídica, o caos econômico, o autoritarismo político e o fim do direito à propriedade.

Havia, claro, o fato de que, na Constituinte, o PT e seus apêndices (pastorais de toda sorte, povos da floresta, sem-terra e afins) retardaram o desenvolvimento do País ao ajudar a escrever o anacrônico capítulo da ordem econômica. Mas também é verdade que, como ficou provado no caso Miriam Cordeiro, havia o que Lula falava e o que se falava dele.

Curiosamente, o segundo turno de 1989 revelou, na prática, que a resistência a Lula servia também de fonte de seu poder. Foi o segundo turno que lhe deu a estatura de maior líder de oposição e fez do PT alternativa real de governo. Em grande parte, o impeachment de Fernando Collor, por exemplo, só foi possível graças à esperança mobilizadora de uma revanche empreendida por Lula e seu PT. A normalidade constitucional com que se processou o impeachment é fruto da ameaça que essa revanche significava para a dominante fatia conservadora do Congresso brasileiro. O risco Lula garantiu a posse de Itamar Franco e foi o anti-Lula a pedra de toque do Plano Real, que fez o Brasil alcançar a estabilização econômica.

A enorme aliança política em torno de Fernando Henrique Cardoso existiu apenas porque o prazo para se criar uma candidatura alternativa a Lula era pequeno e o atual presidente era o franco favorito em 1994. Mesmo tendo todos os méritos de ter debelado a hiperinflação no Brasil, Fernando Henrique só conseguiu aprovar a idéia da reeleição, na sociedade e no Congresso, porque nela estava embutida uma forte ação anti-Lula. A reeleição, como o segundo turno, era prova de que Lula e o PT ainda representavam uma ameaça tanto quanto uma garantia à democracia. E, como ocorrera antes com o segundo turno, demonstrou ser uma medida de fortalecimento da estabilidade democrática, ao mesmo tempo que reforçava o poder e a liderança de Lula.

O PT e seu candidato entenderam essas mensagens quando apresentaram a “Carta aos Brasileiros” em 2002. Por mais contraditório que possa parecer, os 13 anos em que quase chegaram lá propiciaram a Lula e seu PT (ou vice-versa) o aprendizado para virar o jogo dentro das regras. Numa época em que os mercados internacionais tinham se sobreposto aos capitães da indústria, Lula apresentou-se como a conseqüência lógica dos anos FHC, enquanto José Serra parecia o anti-Lula do passado.

Serra vestiu por completo o figurino de anti-Lula não apenas pelo que se dizia dele, mas pelo que ele mesmo dizia, com suas críticas à valorização da moeda nacional, aos juros extorsivos e por um certo pendor, ao menos entre integrantes de sua equipe, ao controle de capitais. Além disso, a partir da passagem pelo Ministério da Saúde, ele explicitara algum gosto pela intervenção no mercado e pela forte regulação de preços.

Dentro de alguns anos, quando os historiadores forem escrever o capítulo da redemocratização brasileira, Lula estará indissociavelmente ligado ao seu melhor momento. E também ao final dela porque, ao contrário da Espanha, que promoveu seu pacto político, econômico e social numa só tacada, quis a nossa história que esse processo fosse construído em etapas distintas e bem marcadas. Com a morte de Tancredo Neves, José Sarney herdou o compromisso de institucionalizar o poder civil. Era um tema a ser encerrado com a promulgação da Constituição. Mas do excesso de ele ter permanecido um ano além da sua responsabilidade histórica é que 1989 é o pior ano da redemocratização.

Coube a Collor reorientar uma bússola econômica desvirtuada por uma Constituinte realizada antes da queda do Muro de Berlim. Tinha a missão histórica de debelar a hiperinflação, mas os desmandos de seus amigos e ministros falaram mais alto. Itamar provou ser a vitória da normalidade constitucional sobre a tradição brasileira e Fernando Henrique conseguiu enfim estabilizar a economia. A Lula coube manter tudo isso e retomar o desenvolvimento com distribuição de renda.

A geração pós-ditadura encerra com o segundo mandato de Lula o seu ciclo histórico com um vitorioso retrospecto de liberdades civis, segurança jurídica, abertura, estabilização e crescimento, além dos dois maiores benefícios: distribuição de renda e redução da pobreza. Aquilo que agora suscita incerteza na classe política – o que será do Brasil depois de Lula? – deveria ser motivo de regozijo para o presidente. Raríssimos são os personagens mundiais que, tendo nascido por conta de circunstâncias políticas particulares, puderam crescer com elas, chegando ao final do processo no auge da popularidade. Insistir no terceiro mandato é interromper esse ciclo virtuoso e diminuir o papel histórico de Lula e seu PT (ou vice-versa). Depois deles, o Brasil estará mais maduro – e melhor.

Fifa confirma Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014

 
Thomas Pappon - BBC Brasil
   
A Fifa confirmou a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. A decisão foi anunciada nesta terça-feira pelo presidente da entidade, Joseph Blatter, após uma reunião do Comitê Executivo da Fifa.

"O comitê executivo decidiu de forma unânime dar a responsabilidade, não apenas o direito, mas a responsabilidade, de organizar a Copa do Mundo da Fifa de 2014 ao país Brasil", disse Blatter.

O anúncio, feito na sede da Fifa em Zurique, foi acompanhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 12 governadores – entre eles José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, dois possíveis candidatos à gestão presidencial que presenciará a realização do torneio em 2014.

Centenas de jornalistas, representantes do governo e convidados da CBF lotaram o auditório da Fifa, no que, segundo porta-vozes da entidade, foi o evento mais concorrido e animado já realizado no local.

A confirmação do Brasil era esperada. O relatório dos inspetores da Fifa, que estiveram no Brasil no final de agosto, concluiu que o país estava apto a realizar a Copa, apesar de apontar precariedades em todos os estádios cotados para o torneio e no sistema de transportes públicos.

Leia mais no sítio da BBC Brasil

Lula propõe nova conferência global sobre o clima no Brasil

 

Bruno Garcez - BBC Brasil

Presidente Lula na abertura da Assembléia Geral da ONUO presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta terça-feira em Nova York, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, a realização no Brasil de uma nova conferência mundial para discutir as mudanças ambientais, nos moldes da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a chamada Rio 92.

O presidente sugeriu que a nova reunião fosse realizada em 2012 e seja chamada Rio+20.

No discurso, Lula afirmou que ”a eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do planeta” e comentou que o ônus do combate ao aquecimento global não pode se dar sobre os países em desenvolvimento.

Leia: Igualdade é arma contra degradação do planeta, diz Lula

Para o presidente, ”cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa”. Mas acrescentou não ser ”admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da terra”.

Lula afirmou que a comunidade internacional precisa ”reverter essa lógica aparentemente realista e sofisticada, mas, na verdade anacrônica, predatória e insensata, da multiplicação do lucro e da riqueza a qualquer preço”.

”Não nos iludamos - se o modelo de desenvolvimento global não for repensado, crescem os riscos de uma catástrofe ambiental e humana sem precedentes.”

Etanol

Lula também anunciou que no ano que vem o Brasil ser sede de outra reunião, esta sobre biocombustíveis, e que o país lançará em breve o seu Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas.

”São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento." -  Luiz Inácio Lula da Silva

Lula tratou ainda do programa brasileiro de etanol e comentou que ”os biocombustíveis podem ser muito mais do que uma alternativa de energia limpa”.

O presidente também refutou as críticas de que o etanol pode contribuir para a fome mundial, ”A experiência brasileira de três décadas mostra que a produção de biocombustíveis não afeta a segurança alimentar”.

De acordo com Lula, cabe às nações em desenvolvimento dar o exemplo. Ele voltou a fazer críticas aos países ricos, ao tratar de temas que vêm travando os avanços da Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial, como os subsídios oferecidos pelas nações mais desenvolvidas.

”São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento”.

”O Brasil não poupará esforços para o êxito das negociações, que devem beneficiar sobretudo os países mais pobres”.

Bush e Doha

No discurso que realizou em seguida, o presidente americano, George W. Bush, também fez pronunciamentos sobre a Rodada de Doha.

De acordo com Bush, ”a comunidade internacional tem agora uma chance histórica de abrir mercados em todo o mundo, ao concluir uma rodada de Doha de sucesso”.

Leia também: Bush anuncia sanções contra Mianmar na ONU

As maiores potências comerciais - inclusive os maiores países em desenvolvimento - tem uma responsabilidade especial em tomar as duras decisões políticas necessárias para reduzir barreiras comerciais”, disse Bush.

Línguas nativas do Brasil estão ‘entre as mais ameaçadas’

Da BBC Brasil

Línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaças de extinção, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e o Instituto Living Tongues.

Elas estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, os Andes e a região do chaco, revelaram os pesquisadores.

Menos de 20 pessoas falam ofayé, e menos de 50 conseguem se expressar em guató, ambas faladas no Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai e à Bolívia, para citar um exemplo.

A área é considerada de "alto risco" para línguas em risco de extinção, alertaram os pesquisadores.

Em outra área de risco ainda maior – grau "severo" – apenas 80 pessoas conhecem o wayoró, língua indígena falada nas proximidades do rio Guaporé, em Rondônia.

Os cientistas descreveram esta parte do globo como "uma das mais críticas" para as línguas nativas: extremamente diversa, pouco documentada e oferecendo ameaças imediatas aos idiomas indígenas.

Entre estas ameaças, estão as línguas regionais mais fortes, como o português na Amazônia brasileira, o espanhol falado na Bolívia, e o quéchua e o aymara, difundidos no norte e no sul dos Andes bolivianos, respectivamente.

Risco

O mapeamento das línguas em extinção faz parte do projeto "Enduring Voices: Documenting the Planet’s Endangered Languages" (em tradução livre, "Vozes Resistentes: Documentando as Línguas Ameaças do Planeta"), que identificou as regiões do globo onde as línguas nativas estão mais fortemente ameaçadas.

Os pesquisadores alertaram que metade das cerca de 7 mil línguas faladas hoje no mundo – muitas nunca gravadas – desaparecerão ainda neste século. Uma língua morre a cada 14 dias, afirmaram.

"Com a extinção de uma língua, toda uma cultura se perde. Cada vez que uma língua morre, perdemos parte do quadro geral que nosso cérebro pode desenhar", diz um texto que apresenta as conclusões do projeto.

Fora da América do Sul, os pesquisadores identificaram outras áreas de risco para as línguas nativas.

A mais severa delas, o norte da Austrália, abriga algumas das línguas mais ameaçadas do planeta. Apenas três pessoas falam magati re e yawuru, e só existe um falante de amurdag.

Em parte do Canadá e nos Estados americanos de Washington e Oregon, cada uma das cerca de 50 línguas nativas estão ameaçadas, afirmaram os cientistas. O falante mais jovem de qualquer uma delas tem pelo menos 60 anos.

No leste da Rússia, Sibéria, China e Japão, políticas oficiais forçaram os nativos em línguas minoritárias a adotar idiomas nacionais.

Já nos centro dos Estados Unidos e Novo México, as línguas nativas caíram em desuso a um ponto em que, em 2005, apenas cinco idosos podiam se comunicar em yuchi - um idioma que não guarda relação com nenhum outro no mundo.

Sem parentes de vítimas, ato de um mês de tragédia vira protesto contra governo

Elaine Patricia Cruz - Agência Brasil

Um ato público para lembrar um mês do acidente com o vôo 3054 da TAM transformou-se em uma manifestação contra o governo federal. Uniformizados com uma camiseta preta com a inscrição "Cansei", um grupo de pessoas próxima ao palco puxou gritos de "Fora, Lula".

Os familiares das vítimas criticaram a organização por não permitir que subissem ao palco. Em seu lugar, estavam a cantora Ivete Sangalo, a apresentadora de TV Hebe Camargo, o nadador Fernando Scherer e o empresário João Dória Jr.

Alguns familiares de vítimas do acidente com o avião da TAM reclamaram de não se sentirem representados pelo movimento e de não terem conseguido subir ao palco. “A gente não participou de nada. A gente veio aqui não sei para quê. Chegou uma hora que o pessoal disse que a gente não podia subir porque o palco ia cair”, afirmou Ana Maria Queiroz, mãe de uma das vítimas do acidente.

Organizado pelo Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o ato foi realizado ao meio-dia, hoje (17), na Praça da Sé, centro da capital paulista. Após um minuto de silêncio, aconteceu um culto ecumênico e o cantor Agnaldo Rayol entoou o Hino Nacional. O movimento é integrado, segundo sua página oficial, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo e do Distrito Federal, Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert), Associação Brasileira de Odontologia, o Grande Oriente Paulista da Maçonaria e outras entidades.

O presidente da OAB paulista, Luiz Flávio Borges D´Urso, disse a jornalistas não ter presenciado os gritos de "Fora, Lula". "Eu não ouvi. O que eu ouvi foi o Hino Nacional e o povo gritando ‘Viva o Brasil’”. O protesto é descrito no site do movimento (http://blog.cansei.com.br) como uma “manifestação cívica de cidadania e de amor ao Brasil”.

Indagado pelos jornalistas sobre a reclamação dos parentes das vítimas, o presidente da OAB-SP disse que os familiares estavam representados no palco por entidades. “Os líderes e representantes dessas entidades estavam no palco porque participam do movimento. O palco tem um limite de lotação e não pode abrir para todas as pessoas”, afirmou.

Os organizadores estimaram em 5 mil o número de participantes, enquanto a Polícia Militar informou o número de 2 mil manifestantes.

Os familiares das vítimas informaram que pretendem fazer uma outra manifestação, por volta das 19 horas de hoje, no aeroporto de Congonhas. Os familiares ressaltaram que a manifestação não é do Cansei. “É nosso”, afirmou Roberto Gomes, que perdeu o irmão no acidente. “Decidimos ir direto para o aeroporto. Vamos caminhar silenciosamente e, de lá, iremos para o local do acidente, onde depositaremos rosas brancas e faremos um minuto de silêncio".

Petrobras planeja investir US$ 112,4 bilhões até 2012

Nielmar de Oliveira - Agência Brasil

A Petrobras planeja investir US$ 112,4 bilhões até 2012, 29% a mais do que o planejado até 2011 (US$ 87,1 bilhões). A área de exploração e produção ficará com 58% do total dos recursos: US$ 65,1 bilhões, 32% a mais do que os US$ 49,3 bilhões do planejado até 2011.

Até 2012 a média anual de investimentos da Petrobras será de US$ 22,5 bilhões, o que possibilitará uma produção total de petróleo e gás no Brasil e no exterior de 3,494 milhões de barris por dia em 2012

Do total a ser investido, US$ 104,4 bilhões serão provenientes da geração própria de caixa da companhia, livre de dividendos (descontados o valores pagos aos acionistas).

Os dados constam do Plano Estratégico Petrobras 2020 e do Plano de Negócios 2008/2012 e foram divulgados pelo presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli.

O setor de refino, transporte e comercialização (RTC) ficará com 26% dos recursos: US$ 29,6 bilhões; gás e energia, com 6% , ou US$ 6,4 bilhões. Neste caso os investimentos foram revistos para baixo e acusam uma queda de 8% em relação aos US$ 7,3 bilhões do plano anterior.

De acordo com a Petrobras, a revisão orçamentária foi motivada pela retirada da Diretoria de Gás e Energia dos investimentos relativos a biocombustíveis. Este ano, os biocombustíveis contarão com recursos de US$ 1,5 bilhão, o que equivale a uma expansão de 25% em comparação com o plano anterior.

Os dois planos, já aprovados pelo Conselho de Administração da Petrobras mantêm, segundo a companhia, as metas agressivas de crescimento e reforçam os desafios dos mercados de gás natural e biocombustíveis.

Perigo para pilotos é confiar demais no computador, diz especialista

 

Comentário: Em artigo deste Blog, "Deu Pau - Uma crônica do apagão aéreo" já comentei sobre a confiança cega nos equipamentos:

Uma coisa, entretanto, não pode ser esquecida: NÃO SE DEVE CONFIAR CEGAMENTE NOS EQUIPAMENTOS. Possivelmente este e outros acidentes não teriam acontecido caso houvesse uma desconfiança maior nas máquinas. É uma pena que de todas as discussões até então existentes este assunto não tenha entrado em pauta. 

A matéria abaixo, oriunda da BBC Brasil, traz interessante entrevista dada de Kenneth Funk. Leia a matéria completa e a entrevista aqui.

Perigo para pilotos é confiar demais no computador, diz especialista

Adriana Stock - BBC Brasil

A automação dos aviões substituiu funções que antes eram do piloto

Para Kenneth Funk, especialista na interação do homem com os computadores, o alto nível de tecnologia presente atualmente nos aviões, pode levar os pilotos a confiarem nos computadores mais do que deveriam.

Funk é professor de Engenharia Industrial e Manufatureira da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, ele ministra cursos nas áreas de engenharia de fatores humanos, programação de computadores, engenharia industrial e inteligência artificial.

Entre os seus campos de estudo está a aviação. Em 1998, ele conduziu um amplo estudo para verificar como a automação das cabines dos aviões está afetando os homens no comando do manche - ou do joystick.

Descobriu que os computadores e a sofisticação dos aviões criaram novos desafios para os pilotos. A seguir, trechos da entrevista que Funk concedeu à BBC Brasil.

 

Desaposentar

Para alegrar o fim de semana:

Por Domingos Pellegrini

Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte. Não resisti a puxar conversa:

- O senhor é da prefeitura?

- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.

- Ah… O senhor quem plantou essa muda?

- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.

- Então o senhor gosta de plantas.

- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.

- Obrigado pela parte que me cabe… Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.

- O senhor é aposentado?

- Não, sou desaposentado.

Foi podando e explicando:

- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria. Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É… aí fica com a loja torrando no sol!

Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.

- É bom pra terra… Tudo que sai da terra deve voltar pra terra… Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando… Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.

Cortou umas flores, fez um ramalhete:

- Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh… A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.

Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.

- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode. Sorriu, olhando a praça.

- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça… Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei… Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.

- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.

- Eu também não sabia, filho. Ihh… Aprendi tanta coisa cuidando dessa praça!

Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!

- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? Falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.

- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber… E a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores…

- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!

Ele riu:

- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar.

Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!

Publicado na GAZETA DO POVO, de 22/05/05, Fortaleza-CE

Austrália admite estar no Iraque ‘por causa do petróleo’

Comentário: O mundo inteiro sabia que as reais intenções de Bush, Blair e Howard sempre estiveram longe de "libertar o oprimido povo iraquiano da ditadura de Saddam Hussein". Curioso é ver a admissão do fato pela Austrália.

Da BBC Brasil

A Austrália admitiu, pela primeira vez, que um dos motivos pelos quais se envolveu na guerra do Iraque foi para "garantir petróleo".

Tropas AustralianasA declaração foi feita pelo ministro da Defesa, Brendan Nelson, que disse que manter "fontes de segurança" no Oriente Médio era uma prioridade para o governo do país.

A Austrália foi um dos aliados dos Estados Unidos na ofensiva contra o Iraque em 2003 e ainda mantém 1.500 soldados na região.

"O que estamos divulgando hoje determina muitas prioridades para a defesa da Austrália, e a segurança é uma delas. Obviamente, o Oriente Médio, não apenas o Iraque, mas a região inteira, é um importante fornecedor de energia, de petróleo principalmente, para o resto do mundo", afirmou Nelson.

O ministro da Defesa ponderou, no entanto, que por mais que a questão energética tivesse influenciado na decisão de participar da guerra, a principal razão para que as tropas australianas ainda estejam no Iraque é para impedir que a "crise humanitária" piore.

Mentiras

Críticos do governo vêm acusando o primeiro-ministro australiano, John Howard, de falar mentiras sobre o Iraque.

Segundo políticos da oposição, o premiê teria insistido em 2003, ano da invasão, que a campanha para derrubar Saddam Hussein do poder nada tinha a ver com o interesse no petróleo.

Grupos de protesto contra a guerra disseram que a declaração de governo australiano prova que "a invasão liderada pelos Estados Unidos foi motivada mais pelo desejo de ter petróleo do que por uma tentativa genuína de impedir a proliferação das armas de destruição em massa".

Os ministros australianos rejeitaram as críticas e voltaram a dizer que vão manter o compromisso de ajudar os Estados Unidos a estabilizar o Iraque e a combater o terrorismo.

Eles ainda ressaltaram que não haverá nenhuma "retirada prematura" das forças australianas da região.


Outros artigos deste Blog tratam do assunto:

Dono da Claro e da América Móvil é o homem mais rico do mundo

Deu na Agência Estado. Sinal dos tempos!

Carlos Slim passa Bill Gates como homem mais rico do mundo

Alta de 27% nas ações de uma de suas empresas é responsável pela ascensão

Reuters

O magnata mexicano Carlos Slim é homem mais rico do mundo, com fortuna estimada em US$ 67,8 bilhões, após ultrapassar o co-fundador da Microsoft Bill Gates, segundo divulgou um respeitado rastreador de riqueza mexicano na segunda-feira, 2.

Um aumento de 27% de março a junho no preço da ação da América Móvil, maior operadora de telefone celular da América Latina, controlada por Slim e que no Brasil é dona da Claro, o deixou quase US$ 8,6 bilhões mais rico que Gates, disse Eduardo Garcia na Sentido Común, publicação financeira online criada por ele. Garcia estimou que Gates tenha um patrimônio de US$ 59,2 bilhões.

A revista Forbes informou em abril que Slim havia superado o investidor bilionário Warren Buffett e chegou ao segundo lugar na lista, com Gates ainda liderando.

O México tem um amplo contraste social entre ricos e pobres, com uma pequena elite controlando as riquezas e cerca de metade da população vivendo com menos de cinco dólares por dia.

A Forbes subiu Slim no ranking por causa de ganhos em sua companhia Carso e com a telefônica Telmex, enquanto as ações da Berkshire Hathaway, de Buffett, caíram no mesmo período.

Há três meses, a Sentido Común já havia classificado Slim como mais rico que Gates, mas apenas por uma pequena margem. Agora, Garcia afirma que não há dúvidas de que a fortuna do mexicano é maior em valores atuais das ações. "Quando coloquei Slim à frente há três meses, a Forbes o colocou em segundo poucos dias depois", disse Garcia, que também é editor-chefe da publicação, à Reuters. "Vamos ver se o mesmo acontece novamente."

Slim afirmou em uma entrevista à Reuters este ano que não tinha o hábito de calcular sua fortuna regularmente. Ele e seu porta-voz não estavam imediatamente disponíveis para comentários.